Total de visualizações de página

quarta-feira, 30 de março de 2011

Da grosseria à malandragem

A chance de render polêmica era total: o programa humorístico CQC, da Bandeirantes, faria uma entrevista com o ex-militar e deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), um dos únicos políticos do país a se assumir de extrema direita. Mas a confusão superou todas as expectativas. Respondendo a uma pergunta da cantora Preta Gil sobre como reagiria se um filho namorasse uma mulher negra, Bolsonaro voou baixo: “Oh, Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco e os meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu.” Para quem duvida, aqui está o link para a entrevista.

Ora, não há muita margem para interpretação. Bolsonaro associou explicitamente a pessoa ser negra a ser promíscua e ainda partiu para uma agressão gratuita à autora da pergunta. Marcelo Tas, apresentador do CQC, chegou a perguntar no ar se o deputado havia entendido a pergunta, embora, como admitisse depois em entrevista, o tivesse feito apenas na “esperança de que a alma tivesse alguma salvação”.

As reações, obviamente, não demoraram. Como o humorista Tutty Vasques lembrou bem no Twitter, Bolsonaro conseguiu o que parecia impossível: “o Brasil inteiro está do lado da Preta Gil!” A OAB fluminense anunciou que vai pedir a cassação do deputado, iniciativa seguida por um punhado de outros parlamentares. O advogado de Preta Gil, claro, já avisou que vai abrir um processo por racismo e injúria. E aí começa a malandragem.

Com pedradas vindo de todos os lados – uma situação na qual não é novato –, Bolsonaro veio a público dizer que não havia entendido a pergunta, que não prestara atenção (por aversão à pessoa de Preta) e achara que ela havia indagado sobre o filho dele se envolver com um gay. Embora a pergunta tenha sido bem clara, a explicação poderia ser plausível, pois o combate aos homossexuais é uma preocupação obsessiva do deputado, que já advogou até surras como terapia para o pai fazer um filho deixar de ser gay.

Acontece que, no Brasil, o racismo é um crime previsto na Lei 7.716, de janeiro de 1989, com pena de dois a cinco anos de prisão. Por outro lado, a lei deixa bem claro já em seu artigo primeiro que protege as pessoas de discriminação por “raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”, deixando de fora questões de gênero ou mesmo orientação sexual. Antes que alguém alegue que gênero não é raça, vale lembrar que religião também não é, mas está incluída na lei.

Ao ser flagrado em momento de racismo explícito na TV, Bolsonaro não apenas fica exposto a um processo com base na lei citada, como ainda amordaça seus possíveis defensores. Mesmo aqueles que também vejam negros como promíscuos não ousariam sustentar esse pensamento em público. Porém, ao desviar o foco para a homofobia, o deputado atrai para si a simpatia de diversos colegas, em especial da bancada evangélica, seus parceiros no combate ao Projeto de Lei que criminaliza a discriminação aos homossexuais.

Ou seja, Bolsonaro parece apostar que, se é para ser grosseiramente preconceituoso, que seja num preconceito no qual tenha mais sócios, aumentando as chances de se safar mais uma vez.

Publicado originalmente em Por Que A Gente É Assim?

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Ligação abaixo de zero

Última da Luísa...

Tá em Búzios com a mãe e me telefonou pra contar as novidades:

"Papai, aqui é muito legal. A pousada tem até piscina. No quarto tem TV e uma geladeirazinha de verdade. Ó só como é frio!".

E enfiou o celular da mãe no frigobar.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Por que a gente é assim?

Povo

Aqui vai uma sugestão cabotina. Estou editando o conteúdo do site "Por Que A Gente É Assim?", o "braço internet" de um projeto transmídia da produtora Matizar/Novenove, abrangendo também ações de teatro na rua e seis programas de TV, que vão ao ar no ano que vem.

A ideia é discutir os valores do povo brasileiro a partir de seis temas: autoridade, consumo, educação, fé, sexo e preconceito. Nós não temos as respostas, mas queremos fazer boas perguntas.

Visitem, analisem, critiquem.

Nada além de apertar botões

O incidente aconteceu no caixa da filial de uma rede de lanchonetes na Zona Sul do Rio – não vou dar o nome da rede nem detalhes sobre o (bom) lanche. Fiz um pedido relativamente grande – parte para consumir ali e parte para levar –, fui servido e paguei com uma nota de R$ 50. Ao receber o troco, percebi que o caixa havia cobrado a menos, deixando de registrar a parte para viagem, avisei-lhe e perguntei quanto era a diferença a pagar. Aí começou o problema.

O rapaz disse que precisava zerar a operação e registrar a compra toda de novo. Tudo bem. Uma vez feito isso, repeti a pergunta “qual a diferença a pagar?”, dando início ao seguinte diálogo:

Caixa: R$ 19,40.

Eu: A diferença deu isso tudo?!

Caixa: Não, esse é o preço.

Eu: Mas eu já paguei uma parte. Quanto falta pagar?

Caixa: R$ 37,45.

Eu: O quê?! Como a diferença pode ser maior que o preço?

Caixa: Ah... Não. Isso foi o troco que eu dei.

Eu (já com alguma incredulidade e vendo a impaciência crescer na fila): Cara, mas é simples, basta pegar o valor total e diminuir do quanto eu paguei. Nem precisa fazer de cabeça, tem uma calculadora aí.

O rapaz pegou a dita calculadora, mas parecia enrolado. Entre a fome a irritação, eu disse um “dá licença”, peguei a calculadora dele, fiz a conta (R$ 6,85), dei R$ 7 e, para não complicar mais, disse “agora é só me dar R$ 0,15”.

Foi quando eu percebi que o caixa estava sorrindo. Mas não era um sorriso de deboche, do tipo “enchi a paciência desse Mané”, e sim um sorriso constrangido de quem sabia que estava fazendo algo errado, mas não conseguia entender o quê.

Perceber isso transformou a minha irritação num espanto deprimido. Aquele rapaz havia sido treinado para registrar os pedidos, informar à máquina quanto fora pago e dar o troco que a dita máquina estipulasse. Uma situação simples, porém fora da rotina, fez sua cabeça entrar em loop. Como os guias mirins que precisam voltar ao começo de sua preleção decorada quando interrompidos, a solução para ele seria registrar tudo de novo, pegar de volta o troco, me devolver a nota de R$ 50 e recomeçar do zero. Se eu tivesse pagado com débito automático, era capaz de ser saído cheiro de fritura dos ouvidos do coitado.

O assustador na situação é que não se tratava de falta de conhecimento de matemática (a calculadora estava ali para isso) ou de treinamento para a função, mas de capacidade de raciocínio lógico elementar, de responder de forma simples a uma pergunta igualmente simples. Para vestir aquele uniforme, o rapaz certamente não era analfabeto, mas a educação formal que recebera não o havia preparado para pensar além das fórmulas e condicionamentos. Em tese, o material básico para o raciocínio estava ali, mas não havia sido estimulado, treinado como qualquer outra parte do corpo humano.

Quantos outros como ele existem por aí, trabalhando e sendo produtivos, mas incapazes de ultrapassar determinados patamares não por ignorância (entendida como falta de conhecimento), mas por limitação na capacidade de raciocínio? Pior, que tipo de sociedade se forma a partir disso?

Publicado originariamente no site "Por Que A Gente É Assim?". Visite o resto do site. Tenho certeza que vai gostar.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

O título e a empulhação

Democracia é muito legal, mas confesso que fico assustado com o nível de desonestidade intelectual que a campanha eleitoral faz aflorar. Não se trata aqui dos spams com calúnias contra este ou aquele candidato, mas da maneira como situações são distorcidas à base de sofismas. Nesta campanha, o melhor exemplo é a polêmica em torno da ação do PT no STF contra a obrigatoriedade de o eleitor apresentar o título e um documento oficial com foto na seção eleitoral.

Uma parte da crítica à ação é pertinente, sim. A lei que previa essa dupla apresentação foi aprovada pelo Congresso e sancionada por Lula há mais de um ano. Se o partido era contra, podia ter barrado a aprovação, pressionado pelo veto ou entrado na Justiça muito antes, evitando criar uma celeuma jurídica às vésperas da votação.

Agora, o grosso da crítica, afirmando que a derrubada da dupla exigência facilitaria fraudes e/ou tornaria inútil o título de eleitor, é mentira. Uma mentira repetida à exaustão por quem tinha algo a perder (vale lembrar que o DEM também foi ao STF manter a obrigatoriedade dos dois documentos e, segundo a Folha de S.Paulo, o próprio José Serra teria ligado para o ministro Gilmar Mendes para pedir a interrupção da votação do Supremo) e reproduzida por uma enorme quantidade de pessoas por ignorância ou cumplicidade na má-fé.

E por que se pode dizer que a crítica é sofista? Porque o título de eleitor só se tornou obrigatório para votar a partir da aprovação da dita lei, no ano passado. Até então, pelo menos desde 1986, quando foi adotado o atual formato do documento, ele não era necessário. Se o cidadão estava sem o título, mas sabia onde era sua seção eleitoral, bastava chegar lá com um documento de identidade com foto e votar. Políticos, advogados de partidos e a maioria dos jornalistas especializados sabem disso, incluindo os que fizeram coro à critica.

O título de eleitor não é um documento de identificação, não tem foto nem digital. Ele é um comprovante de que o cidadão está inscrito na Justiça Eleitoral. Ele não prova sequer que o portador está em dia com a dita cuja – tanto que, para tirar passaporte ou ser contratada num emprego público, a pessoa tem que levar também os comprovantes de votação.

Até as eleições de 2008, o eleitor podia votar apresentando somente o título, uma herança do tempo em que o documento tinha foto do cidadão. Na falta do título, valia qualquer documento com foto. Era aí, na possibilidade de só usar o título, que morava a fraude na votação – a fraude na apuração foi eliminada pela urna eletrônica. Como raramente os mesários conferem a assinatura, era possível uma pessoa votar com o título de outra.

Embora esse tipo de fraude jamais tenha sido maciço, ele justificou a adoção pela Justiça Eleitoral do sistema de cadastro biométrico, testado em 2008 e implementado em alguns municípios este ano. Nele, o eleitor faz um novo cadastro, incluindo a coleta das impressões digitais e de uma foto. O título – que, como já foi dito, é só um comprovante do alistamento – continua o mesmo, mas foto do eleitor está na lista de votação e suas digitais estão no sistema. Para liberar a urna para o voto, o cidadão vai tascar o dedo num sensor. Será humanamente impossível uma pessoa votar no lugar de outra. O problema é que o sistema só estará implementado no país inteiro em 2016.

Para minimizar o risco de fraudes até lá, surgiu a proposta de tornar obrigatória a apresentação de um documento de identidade com foto na votação. A malandragem enfiada na lei (não sei quem foi nem de qual partido era) foi atrelar a exigência do título simultaneamente. Ora, o título de eleitor não é um documento de uso corriqueiro. Salvo para exigências legais, fica guardado durante dois anos, sendo facilmente esquecido, perdido em mudanças etc. Basta ver a fila para tirar segunda via quando o prazo para isso termina – mau hábito do brasileiro.

Exigir que o eleitor leve qualquer documento oficial de identidade com foto para votar é ótimo, garante segurança ao pleito enquanto a biometria não vem. Já exigir que ele leve dois documentos só tem como resultado dificultar o exercício do voto. E isso vai na contra-mão de toda a filosofia inclusiva da legislação eleitoral brasileira.

sábado, 24 de julho de 2010

Solidariedade é isso aí...

Amanhã vai ter mais um Criança Esperança. Quando chega essa época, bate uma tremenda saudade do meu pai, que morreu há pouco mais de dois anos. Ele adorava essas campanhas de solidariedade, com doações pelo telefone. Especialmente na época antes do celular.

Sempre que havia uma campanha dessas, ele passava na loja do meu tio (primo dele), lá no Cocotá, na Ilha, e dizia: "Zebu, posso usar o telefone um instantinho?" Meu tio, claro, deixava, e meu pai dava umas três ou quatro contribuídas para a boa causa da vez. Depois ia embora, de espírito leve por ter ajudado os necessitados.

Seu Anselmo era uma joia de ser humano, né não?

Em vez da maçã, o pão de forma

Todo mundo já previa, confirmou-se mais um caso de corrupção policial no atropelamento e morte do músico Rafael Mascarenhas. Dois policiais militares cobraram R$ 10 mil (e levaram R$ 1 mil) para liberar o atropelador Rafael Bursamra e ainda descaracterizar o local do atropelamento para dificultar a perícia. A empulhação só não foi bem-sucedida porque:

a) Uma testemunha viu o carro de Busamra ser parado pela PM,
b) as câmeras da CET-Rio flagraram a abordagem dos policiais e a liberação do veículo e
c) o morto era filho da atriz Cissa Guimarães, o que atraiu uma avassaladora cobertura da mídia.

Seguindo o tradicional roteiro do corporativismo cúmplice, o Comando da PM soltou uma nota bancando a versão dos policiais, segundo a qual, na baixa luminosidade, não for identificada nenhuma avaria no veículo. Horas depois, apareceram as primeiras imagens do Siena, que tinha a frente destruída e o pára-brisas quebrado. Diante do ridículo, o Comando precisou soltar outra nota se desdizendo.

E esse caso está longe de ser exceção. Em 1993, uma lista apreendida na fortaleza do bicheiro Castor de Andrade mostrava que até o comandante do batalhão de Bangu recebia uma caixinha do crime. No início deste ano, o contraventor Rogério Andrade (sobrinho de Castor acusado de explorar bicho e máquinas caça-níqueis) sofreu um atentado a bomba. Um detalhe curioso é que seus sete seguranças eram PMs. Isso mesmo, o policiais militares faziam segurança de um fora da lei. No ano passado, um capitão e um cabo da PM chegaram instantes depois de o coordenador do AfroReggae ter sido baleado num assalto. Em vez de socorrerem a vítima, que acabou morrendo, detiveram os criminosos, pilharam o produto do roubo e os liberaram...

E não vou nem entrar na seara do despreparo, da brutalidade etc. etc. etc. Vamos ficar só na corrupção, mesmo.

Não vai demorar muito para aparecer algum PM reformado ou autoridade da Secretaria de Segurança dizendo que os protagonistas citados acima são "maçãs podres" que não podem desmerecer todo o cesto.

Mas será que não está na hora de mudarmos essa metáfora, não? Até porque quase ninguém mais tem cestos de maçãs em casa. Vamos pegar, por exemplo, o pacote de pães de forma. Imagine, leitor, a cena: ao pegar o pacote para fazer um sanduíche, você descobre que duas ou três fatias do pão estão mofadas. Você corta a parte mofada e come? Pega outras fatias de outro ponto do pacote? Não. Ele vai todo para o lixo porque está contaminado. Nem mesmo as fatias que parecem limpas a olho nu são confiáveis, pois é lícito supor que os fungos já se espalharam por todo o pão, apenas não se tornaram visíveis nas demais fatias.

Dada a inacreditável frequência de casos envolvendo policiais militares (e civis também, infelizmente), já não seria lícito supor que a instituição inteira está contaminada e que não tem salvação? É óbvio que o estado não pode prescindir de uma força policial, que nem todos os policiais são corruptos ou que há alguma corrupção em qualquer polícia do mundo. O problema, a meu ver, é que, no Brasil (mais especificamente no Rio), isso virou uma questão estrutural. E o fato de a Justiça dar liminar para garantir ingresso na corporação de candidatos reprovados na análise de antecedentes também não ajuda em nada.

Talvez seja hora reinventar a polícia, de criar uma nova corporação com outras bases, inclusive salariais, sem o esquema picareta de turnos, com sistemas de avaliação, treinamento e cobrança mais rígidos e com um comando menos complacente. Os atuais policiais poderiam até ser aproveitados, mas não sem uma análise muito detalhada de cada indivíduo.

Resta saber se a nossa sociedade, corrupta e corruptora até a medula, gostaria realmente de conviver com uma polícia de qualidade...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Pra cima de mim?!?!

Tem eras que eu não posto alguma história de Luísa (minha filha de seis anos) no blog - aliás, tem eras que não posto nada. Vou então contar uma que aconteceu há alguns meses.

Ela, assim como o pai, é uma baita fã de Harry Potter. Quando saiu a coleção do xadrez mágico, comprei para ela o número 1, que trazia uma torre com base metálica e uma varinha de plástico com um ímã na ponta para puxar “magicamente” a torre. Claro que Luísa pirou e vivia tentando enfeitiçar a casa inteira. Pior era eu ter que ficar todo duro cada vez que ela mandava um “Petrificus Totallus” na minha direção. Até que um belo dia ela levou a varinha para a escola e trouxe de volta sem a ponta magnética.

Passou um tempo e ela quis levar uma jóia (de verdade) para a escola e eu não deixei, dizendo que tudo que ela levava, ou perdia, ou quebrava, e lembrei da varinha. Eis a resposta:

- Não, papai, não fui eu que quebrei. É que eu tentei fazer um feitiço na escola antes de ter 11 anos, o Ministério da Magia descobriu, foi lá e quebrou minha varinha...

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Geopolítica sexual

Oi, gente, ainda tô vivo.

Retomei o blog com uma bizarria que vi na Slate Magazine.

O palestino Sabbar Kashur foi condenado a um ano e meio de prisão em Israel por estupro por engodo. Ele levou uma judia israelense para a cama fazendo-se passar por judeu. No dia seguinte, ao descobrir que ele era muçulmano, a moça deu parte, acusando-o de estupro.

No julgamento, embora admitisse que não houve violência e que a moça deu porque quis, o juiz Tzvi Segal alegou que ela teve relações sexuais induzida por uma informação falsa. A corte negou o pedido para que o réu, que não tem antecedentes criminais, cumprisse uma pena alternativa de serviço comunitário.

Pra fugir da acusação de preconceito, o Espírito de Porco pega carona no comentário óbvio do analista judeu Gideon Levy: "Eu gostaria de perguntar ao juiz o que aconteceria se o sujeiro fosse um judeu se fazendo passar por muçulmano para seduzir uma mulher muçulmana. Ele seria condenado por estupro? A resposta é: claro que não."

Agora um comentário meu mesmo. Se essas regras de conduta sexual fossem aplicadas no Brasil, ia faltar cadeia...

domingo, 27 de setembro de 2009

Menos, Guillermo, menos

Estou lendo o ótimo Noturno, de Guillermo del Toro e Chuck Hogan. O livro é uma espécie de cruzamento de Drácula com A Próxima Peste, tratando uma invasão de vampiros em Nova York como um infecção por um parasita.

No ponto em que eu estou, porém, os autores carregaram demais as cores no fantasia e eliminaram qualquer plausibilidade. O protagonista Eph, um epidemiologista, descobre que a ex-esposa foi capturada, mas evita que o filho seja levado também. Depois de deixar o garoto num local seguro, ele e outros caçadores vão invadir o covil, embaixo do Marco Zero do World Trade Center, para resgatar a supracitada ex-digníssima.

Numa boa, eu até engulo que vermes produzam o vampirismo, mas que um sujeito arrisque o pescoço para salvar a ex, especialmente depois de pegar o filho que disputava com ela na Justiça, já é abusar da credulidade...

Nada de novo

O ministro Carlos Minc anunciou hoje, como se fosse uma grande novidade, que placas de ferro vão "proteger a perereca" nas obras do PAC. Grandes coisas, há séculos os cruzados já usavam cintos de castidade para proteger as pererecas que deixavam em casa.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Já vi esse filme...

Há cerca de doze anos, numa reunião de pauta no Globo, uma editora se referiu ao pastor Caio Fábio como “Luke Skywalker”, ou, como explicou melhor, “um pastor do bem”. Era esse o marketing do personagem, que circulava entre a intelectualidade como um contraponto ético aos “bispos” da Igreja Universal. Eu respondi que “pastor do bem” era uma contradição de termos e que, se ele parecia limpo, era porque ninguém se preocupava em investigá-lo. Um monte de gente na mesa me olhou feio, mas, dois anos depois, a bolha explodiu.

Acusado de intermediar um dossiê falso sobre políticos, Caio Fábio foi alvo da mídia e da polícia, revelando-se uma rede de ligações que estava mais para Jabba The Hutt que para Luke Skywalker. Tempos depois, descobriu-se que seu principal projeto social, a Fábrica da Esperança, na favela de Acari, funcionava (não necessariamente com o conhecimento dele) como paiol e depósito para traficantes locais. Citando aquela motoneta do desenho “Carangos e Motocas”, eu te disse, eu te disse, mas eu te disse...

Agora eu vejo um movimento igualzinho falando do dito “funk do bem”, suposto contraponto politicamente correto ao funk explicitamente ligado aos traficantes de drogas. Exclusão social de dentro para fora. Resta ver quanto tempo leva até mais essa bolha de ingenuidade estourar...

sábado, 16 de fevereiro de 2008

O sr. e um fanfarrão, sr. Ministério

Este ano, uma comissão do Ministério da Cultura responsável pela indicação de um filme brasileiro para a disputa do Oscar de Melhor Filme em Língua Não Inglesa (chamado erroneamente de Melhor Filme Estrangeiro) escolheu para a disputa "O ano em que meus pais saíram de férias", um filme piegas e politicamente correto (perdoem a redundância) calcado no sempre apelativo recurso de ter uma criança como protagonista. O grande preterido na ocasião foi "Tropa de Elite", um retrato brutal e chocante das relações entre polícia, crime e sociedade no Rio de Janeiro. Enquanto "O ano..." caiu no esquecimento tão rapidamente quanto foi sua passagem pelos cinemas, "Tropa" converteu-se num fenômeno cultural, criou expressões adotadas pelo povo e suscitou debates incômodos sobre brutalidade policial, sociopatia da violência e cumplicidade da sociedade com o crime. Mas, provavelmente, não era a imagem que o Ministério queria mostrar.

Pois bem, enquanto "O ano..." foi solenemente ignorado lista final de indicados ao Oscar, "Tropa de Elite" acaba de ganhar o Urso de Ouro do Festival de Berlim.

A única coisa que se pode dizer aos luminares do Ministério da Cultura é: "Pede pra sair".

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Aliás

Nos últimos anos fiz algumas viagens a fronteiras agrícolas por conta do trabalho. Fui a São Raimundo Nonato, no Piauí (entrevistar a antropóloga Niede Guidon), e a São Félix do Araguaia, no Mato Grosso (entrevistar Dom Pedro Casaldáliga). Voltei das duas convencido que, se pretendemos salvar o meio-ambiente naquelas regiões, temos que começar a boicotar os produtos derivados da soja (incluindo tofu e shoyo), pois é essa cultura que está avançando predatoriamente sobre a vegetação nativa.

Mas vá explicar isso para um amigo natureba...

Decide, pô!

Recebi de uma amiga semi-natureba uma mensagem de fim de ano cheia de conselhos edificantes politicamente corretos. O problema é que quatro deles guardam uma certa incoerência: "Coma menos carne", "coma mais vegetais orgânicos", "gaste menos água", "gaste menos papel". Ora, se uma pessoa decide ir contra sua natureza biológica e parar de comer carne e ainda por cima aumentar o consumo de alimentos orgânicos (o que é muito bom), vai ter um aporte maior de fibras, o que implica uma produção maior de matéria fecal. Ergo, vai gastar mais papel para limpar a buzanfa e mais água para dar o acabamento. E aí, qual a melhor maneira de salvar o planeta?

Ah, alguém pode explicar para o tosco aqui como é que o consumo de carne "agrava a desigualdade social"?

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

domingo, 30 de dezembro de 2007

Antes e depois

Para quem, ao ler sobre a cirurgia de redução de estômago, ficou curioso sobre o resultado da operação, vale conferir a montagem abaixo. A foto da esquerda foi tirada na manhã do dia 20 de março, antes de eu ir para o hospital. A da direita, no início de dezembro, no lançamento do livro da minha querida Kiki Ramalho. Realmente, dá pra perdoar quem não me reconhece, não?

Diálogos X-Crotos - Filho possessivo

Bem galera, neste ano que estive fora do ar muita coisa aconteceu. Nossa História, a revista em que eu trabalhava, fechou; BR História, criada na esteira, foi fugaz, e hoje sou assessor de imprensa do TRE-RJ – daí evitar fazer comentários sobre política partidária nesta encarnação do EP. Mas a mudança mais importante não foi profissional. Depois de muito adiar, fiz, em 20 de março, uma cirurgia de redução de estômago. Em nove meses, baixei de 130kg para 83,6kg, livrei-me da diabetes e da hipertensão (e de todo o meu guarda-roupa), fiz as pazes com a ginástica e desenvolvi uma auto-estima inédita em 41 anos assombrando este plano da existência.

Como é normal após essa operação, comecei a perder um pouco de cabelo, e resolvi da forma mais radical: comprei uma máquina e passei-a no cocoruto. Como disse na época, é preferível adotar o visual Bruce Willis que me resignar com o visual Zacarias. De quebra, há pouco mais de um mês resolvi também tirar a barba, que usava desde outubro de 2004. Resultado? Um monte de gente não me reconhece, especialmente se me encontra de terno, traje que eu nunca usava e que agora tenho que usar todo dia. No aniversário do André Machado, minha querida Elis Monteiro ficou um tempo tentando identificar aquele magrelo engravatado.

Essa história de reconhecimento produziu um momento inusitado na semana passada. Na manhã de quarta-feira, cerca de 200 pais e alunos irados afluímos para o São José a fim de cobrar explicações sobre a demissão generalizada de professores (que atingiu não só a pré-escola, mas todas as séries). Lá encontrei Márcia, mulher do meu irmão postiço André, como filho mais velho, Rodrigo. Conversei rapidamente com ela e entramos no auditório para a reunião com uma assustada direção da escola. Lá pelas tantas o padreco-diretor soltou três afirmações que ofendiam a inteligência dos pais. Pedi a palavra, peguei o microfone e desmontei as afirmações uma por uma. No meio da platéia, Rodrigo perguntou à mãe:

- Quem é esse cara com que você tava conversando e que agora tá falando lá na frente?

- Ué, seu tio Leo.

- Não é não!

- Claro que é, Rodrigo.

- Nem vem, mãe. Cê tá inventando que é o tio Leo só pra eu não contar pro meu pai que você tava conversando com um sujeito.

Agora tá perfeito

Queridos, consegui recuperar os comentários antigos do blog. Agora o Espírito de Porco está completinho na sua tela.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Mudança no Blog

Galera, com a retomada do blog, resolvi também mudar um pouco o lay-out – podendo aproveitar alguns recursos mais modernos do Blogger. Uma coisa boa é que consegui com isso recuperar os arquivos. Temia ter perdido tudo o que tinha publicado desde 2002. Por outro lado, na mudança de visual, perdi os comentários, o que é uma perda irreparável. Espero que os comentadores não se chateiem nem deixem de comentar daqui em diante.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Décadas depois

Para quem não sabe, comecei minha carreira de jornalista aos 17 anos, fazendo resenhas de discos para as falecidas revistas Roll e Metal. Com o passar dos anos, fui me afastando do jornalismo de música – embora meu interesse pelo tema só tenha crescido com o tempo. Por essas e outras, foi com nostalgia e indisfarçável orgulho que recebi um convite de Bento Araújo, cérebro (e corpo também) do Poeira Zine para escrever uma resenha para a edição de cinco anos da revista. Quem puder, por favor confira. Como eu disse a ele ao receber uma cópia da edição, o "zine" do nome hoje é mera marra. O PZ é em tudo uma revista – e das boas.

Homenagem

Para não deixar a data passar em branco...

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

E você, quem é?

Essa aqui eu achei no excelente blog Taverna do Bárbaro. É um quiz para saber que super-herói ou vilão você é. Caso queira fazer, clique aqui. Eu fiz e o resultado foi esse abaixo:



sábado, 22 de dezembro de 2007

Espírito natalino

Ok, galera. Eu sei que a frase que norteia o cristianismo é "faça o que eu mando, não o que eu faço", mas tem horas que eles exageram. O Colégio Marista São José, uma das mais tradicionais instituições católicas de ensino do Rio de Janeiro, demitiu ontem oito pessoas da pré-escola – fala-se de um passaralho também nas outras séries. Foram cinco das sete professoras, as duas coordenadoras e o inspetor (o Tio Artur, adorado pelas crianças). Não, queridos, vocês não leram errado. A escola católica promoveu essa degola a menos de uma semana do Natal.

Não satisfeita, o fez com lances de canalhice explícita. Demitiu as professoras, a maioria com mais de 20 anos de casa, numa época em que as demais instituições já planejaram as contratações para o ano seguinte, o que dificulta uma recolocação a curto prazo. Uma das coordenadoras demitidas chegou a ajudar na seleção de currículos, informada pela direção que duas professoras já aposentadas, mas que ainda atuava, iriam sair. Mentira.

E a vigarice não ficou restrita ao trato com os demitidos. A degola aconteceu uma semana depois do período de renovação de matrícula. Uma das mães esteve na escola ontem mesmo e, de dedo na cara do diretor, disse que estava entrando na Justiça com uma ação contra o São José por quebra de contrato. De fato, os pais matricularam os filhos numa escola e, de um dia para o outro, descobriram que seria uma escola completamente diferente. Ah, um detalhe: a decisão não foi comunicada oficialmente aos pais. Seriam todos pegos de surpresa no dia 30 de janeiro, na reunião de início do ano letivo. A escola só não contava que a notícia vazasse e provocasse uma reação tão forte dos pais. Aliás, a notícia está hoje na coluna do Ancelmo Gois, ainda que com alguns errinhos.

Em reunião com representantes dos pais ainda na tarde de ontem, o diretor e a coordenadora pedagógica estavam numa visível saia justa. Ao que tudo indica, a ordem de cortar cabeças veio do comando dos Irmãos Maristas, uma multinacional clérigo-educacional fundada na França no início do século XIX e que controla colégios em diversos países. Havia na reunião, inclusive, um funcionário ligado a essa organização com toda a pinta de oficial da KGB. Bem, por mais que os pais indagassem, o diretor e a coordenadora não davam uma explicação para as demissões. O tal oficial chegou a dizer que "uma instituição se reserva o direito de fazer mudanças sem precisar se explicar", enquanto a coordenadora dizia "haver um limite de informação que podia ser fornecida". Pelo que se pôde entender, com o passar dos anos, os colégios maristas mais importantes foram ganhando mais e mais autonomia, e agora, talvez sob inspiração do Papa Adolf XVI, a Irmandade decidiu "uniformizar e alinhar" as instituições. E isso incluiria mudanças de caráter pedagógico.

Tudo bem, mas os pais não têm uma relação com a Irmandade. Eles têm com a escola. Ao fazerem e/ou renovarem as matrículas, firmaram um compromisso com uma equipe e um projeto pedagógico que foi, na surdina, desfeito pela instituição. Compraram uma coisa e receberiam outra – em bom português, estelionato. Do ponto de vista de imagem, é um desastre. Do ponto de vista pedagógico, outro. As crianças vão chegar em fevereiro tendo como único referencial as paredes.

Um colégio desse tipo tem dois assets básicos: tradição (que inclui a qualidade de ensino) e princípios. Quando demite praticamente toda a equipe e insinua mudanças no caráter pedagógico, manda essa tradição para o espaço. E quando o faz de uma forma sórdida, manda junto os princípios. Como disse uma das mães, aos prantos, o colégio não é o prédio, por mais adorável que seja, mas pessoas. Até porque, quase todo aberto e encravado entre as perigosas favelas do Borel e da Formiga, o prédio hoje é mais um risco que um atrativo.

Num completo descolamento com a realidade, o diretor pediu aos pais um voto de confiança. Foi preciso explicar a ele (quase desenhando) que a relação de confiança fora quebrada, que a direção agora precisava de atos concretos para tentar reconstruí-la. Talvez sejam conceitos difíceis de assimilar para alguém vindo de uma instituição milenar em que as palavras não correspondem aos atos e os gestos arbitrários não admitem contestação. Só que eles lidam com público e com consumidores de serviços. Talvez a transição para o século XXI seja penosa demais...

De volta

Galera, após uma loooooonga muda, o Espírito de Porco está de volta, um tantinho mais tímido. Para quem sentir falta dos comentários ácidos sobre política, um esclarecimento: Meu atual trabalho faz com que parte desses comentários soe anti-ética. Ergo...

Bem, isto posto, espero que perdoem o hiato como sempre perdoaram (com raras exceções) os arroubos do blogueiro.

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Depressão democrática

Isso aqui era para ser um comentário ao comentário do Luiz, mas como acabei me estendendo demais, é melhor virar um post. Para o contexto ficar claro, reproduzo antes a mensagem do nosso gentil visitante:

Leo,

Algumas considerações:

- Antes de mais nada, provavelmente não votarei em nenhum dos candidatos a presidente (parece que você também não). Votei Cristovam no primeiro turno e não me sinto representado por nenhum dos dois e suas quadr.., perdão, "bases de apoio"

- Passo a anos-luz de distãncia de qualquer edição da Veja (quem te viu, quem te vê ...). Tá quase igual à finada Primeira Leitura dos últimos tempos.

- Não considero que a Carta Capital tenha manipulado a pauta com fins eleitoreiros, apesar da revista ser declarada e abertamente pró-Lula. Na minha visão de leigo, ela apenas mostrou os detalhes até então obscuros de uma história totalmente nojenta (o dossiê, a tentativa de compra e divulgação do mesmo, tudo nojento, sem inocentes).

- Os detalhes que apareceram após a publicação da reportagem reforçaram a credibilidade da mesma. A gravação do diálogo entre o delegado e os repórteres deixa muito mal todos os órgãos de imprensa envolvidos. Não pela divulgação da fotos em si (deveriam ter sido divulgadas de cara pela própria PF), e nem pela preservação inicial da identidade da fonte (correta), mas por omitir fatos e declarações dessa fonte, e por divulgar um fato que sabiam ser mentiroso: o suposto furto das imagens de dentro da PF.

Como disse antes, é opinião de um leigo em jornalismo.

Luiz


Agora o meu:

Oi Luiz

O buraco é um pouco mais embaixo.

Primeiramente, e isso ficou claro na leitura da matéria, havia o interesse de usar um desvio ético (o vazamento das fotos pelo delegado e a ocultação pela imprensa da forma como o vazamento se deu) como manobra diversionista para um crime - a compra do dossiê por integrantes da campanha petista com dinheiro de origem ilegal. ATENÇÃO: "Ilegal", como lembrou o Biscaia, pelo simples fato de não fazer parte da contabilidade legal da campanha. Fora uma merreca com carimbos de bancas de bicho, não há (ao menos até agora) sinais de origem criminosa do grosso da bolada.

"Segundamente", houve extrema má fé na edição das gravações. O delegado, de fato, falou no Jornal Nacional, mas também falou no Jornal do SBT e na Band. Ele queria que as fotos aparecessem na TV naquele dia, se possível em todas. Mas essa informação enfraquecia a espinha dorsal do artigo, que era o complô entre o PSDB e a Globo para forçar um segundo turno. Isso é ofender a inteligência alheia: um complô desse tipo não seria tratado na porta da PF entre um delegado e meia dúzia de repórteres. Pior, em nenhum lugar do mundo alguém pleiteia exclusividade para um veículo dando a informação para um grupo de jornalista de outros órgãos de comunicação.

Não foi um complô que levou a eleição para o segundo turno. Foi, com o perdão da má palavra, uma cagada perpetrada por um grupo de petistas. Esconder a montanha de dinheiro só serviu para manter o assunto em destaque. Sebe o que é pior? As fotos foram divulgadas na antevéspera da eleição e, de fato, tiveram um efeito devastador. Mas, 15 dias depois, já tinham sido absorvidas e Lula abria uma ampla vantagem nas pesquistas. Se tivessem sido divulgadas no dia 15 de semtembro, dia da prisão dos petistas, talvez seu impacto inicial tivesse sido absorvido nas duas semanas seguintes.

Manobras diversionistas como essa da Carta Capital tentam tapar o sol com a peneira e prejudicam um eventual esforço do próprio PT para se purgar para um provável segundo mandato do "Noço Guia". Isso me lembra um pouco o que aconteceu em 1989. Eu não tinha votado em Lula no primeiro turno, mas era voto anti-Collor garantido no segundo. Aí veio aquele fatídico debate na Globo. Eu vi até o fim. Quanto acabou, botei as mãos na cabeça e disse pra mim mesmo "nos lascamos" (quer dizer, o expletivo foi outro, mas já gastei a cota de palavrão lá em cima). Lula tinha sido péssimo. Por três vezes Collor olhou na cara dele e disse "o sr. não sabe ler" e ficou no ora veja. Gagejou, se enrolou. O pior momento foi quando Collor, dono de uma rede de TV e um jornal e de sei mais quantas outras empresas, disse que não tinha condições de ter um três-em-um igual ao de Lula, que foi incapaz de esboçar uma reação.

No dia seguinte, o clima entre meus colegas de faculdade (esses sim, petistas de carteirinha) era de desolação. Todos tiveram a mesma reação que eu. Eis que de noite o Jornal Nacional fez aquela edição malsã do debate, juntando os melhores momentos de Collor com os piores de Lula, não que houvesse muitos bons momentos dele para exibir. Pois bem, na segunda-feira, passada a eleição, aqueles mesmos colegas afirmavam que Lula fora muito bem no debate e que a culpa da derrota fora o JN. Até hoje procuro um eleitor do Collor (e era fácil achá-los antes do caso PC) que afirmasse ter mudado o voto por conta da edição do jornal ou mesmo do debate. Nunca achei.

Mas, deixando a digressão de lado, me parece que nós da imprensa é que saímos pior na foto da eleição. E isso de lado a lado. Enquanto Carta Capital edita marotamente a gravação do delegado, Veja usa e abusa de fontes anônimas como se fossem fatos. Como o mestre Luís Garcia não cansa de repetir (e mesmo lá no Globo não é todo mundo que ouve), informação anônima é pauta, não é matéria. A partir dela se apura para chegar aos fatos que a confirmem. Só aí se tem algo para publicar. "Três delegados da PF" dizendo que Freud visitou Gedimar (cada nome...) são, no máximo, uma pauta sólida. Bastava pedir a qualquer um deles a gravação do circuito interno de TV mostrando Freud na PF naquele dia e pronto, a matéria já existiria. Mas não, aparentemente a fonte anônima já é boa o bastante.

Aqui no Rio, o cenário é pior ainda, a começar pelas manchetes. Gosto demais do Globo e fui muito feliz trabalhando lá, mas "PT vai usar facção criminosa para abafar dossiê" foi de lascar. Dentro a notícia era algo como: "Para contrapor o discurso do PSDB sobre ética, o PT ia chamar a atenção para a consolidação do PCC durante os governos tucanos em São Paulo". Beeem diferente.

Mas, como um lado não é melhor que o outro (dia 29, 00 confirma), O Dia, tradicionalmente ligado ao PMDB fluminense e momentaneamente lulista, mandou uma seqüência de manchetes falando do "delegado da farsa do dossiê". Peralá! Farsa do roubo das fotos, tudo bem. Farsa do dossiê, não. Os aloprados foram presos com a grana – cuja origem, aliás, ainda não foi explicada.

Em suma, democracia é bom, mas tem horas que deprime...

sábado, 14 de outubro de 2006

Zerou o placar

Parabéns à revista Carta Capital. Com a edição deste fim de semana ela conseguiu finalmente se igualar a Veja em termos de manipulação de uma pauta para fins político-partidários.

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

Blog em chamas

Blog em chamas

Ok, ok. Eu sei que pagão e fogueira nunca acabam bem, mas... A convite da minha querida Ana Paula Baltazar, estou participando de umas polêmicas no blog Lenha na Fogueira.

Passem lá para conferir.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

Lado positivo

O debate entre Lula e Alkmin ontem à noite mostrou um tremendo avanço para a democracia brasileira.

Alkmin disse que o governo do PT é corrupto. Lula disse que os governos do PSDB (em São Paulo e no Brasil) foram corruptos.

Há quanto tempo não víamos políticos falarem tantas verdades na TV?

domingo, 8 de outubro de 2006

Diálogos X-Crotos (sei lá que número)

Essa aconteceu com meu amigo Eduardo numa Blockbuster em Campinas, onde a mulher dele trabalhou por uns tempos. Um belo dia ele entrou na locadora (era a primeira vez que ia numa Blockbuster), olhou daqui, olhou dali e não encontrou o que procurava. Pediu então ajuda a um funcionário, e travou-se o seguinte diálogo:

- Vocês aqui trabalham com sala reservada ou tem que pedir por número do catálogo?

- Como, senhor?

- É, por filmes adultos. Onde eles ficam?

- Ué, cavalheiro, tirando a estante de filmes infantis, os outros são todos adultos.

- Não. Estou falando dos filmes eróticos, os pornôs.

- Queisso, cavalheiro?! A Blockbuster não trabalha com isso. É uma locadora da família.

- Ué, família não é pai, mãe e filho? Como é que você acha que o filho é feito?

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Vivo, nem morto

ou "Como dar adeus a um cliente"

Como dá pra notar pelo título, eu mandei a operadora de telefonia móvel Vivo para as cinco letras que fedem. Não foi um processo simples. Por algum motivo minha mente inconsciente não queria abandonar a operadora e me fazia engolir sapos piores que o célebre "sapo barbudo". Mas, para minha sorte, a equipe da Vivo estava empenhadíssima em me botar para correr.

Comprei o celular da Vivo em 1999, quando ela ainda nadava nas ondas do monopólio herdado na compra da Telerj Celular. Era um LG pré-pago, bem menor que o autêntico paralelepípedo que minha mulher usava (aqueles celulares de segunda geração que pesavam quase meio quilo). Logo logo constatei o grande problema do celular pré-pago: a Lei de Murphy aplicada ao cartão de carga. Ou seja, ele sempre acaba no meio de uma ligação importante.

Mesmo assim, especialmente para evitar mais uma conta, levei o LG de cartão até meados de 2004, quando o valente aparelhinho bateu pino. Nessa época, recebi uma mala-direta da Oi me oferecendo um aparelho bacana da Nokia a troco de goiaba. Quase topei, mas, quando fui ver as condições, descobri que era plano para vizinha fofoqueira, do tipo que passa do dia pendurada no telefone. Em dois meses de conta eu teria pago o valor de fato do aparelho. Isso, e a encheção de saco de trocar o número do celular me demoveram da migração, mas a idéia de um aparelho novo ficou.

Fui numa loja da Vivo, passei o plano de pré-pago para pós-pago com 120 minutos e levei um Nokia bacaninha, com câmera e toques polifônicos. Não tinha flip, mas só descobri os problemas que isso implica bem depois.

Seguia eu, dando meus telefonemas quando descobri os torpedos, que não estavam incluídos no plano. Por pagar à parte, usava com grande parcimônia. Eis que me ligam da Vivo oferecendo um adendo do plano: Por um preço promocional, eu teria direito a uma cota de torpedos por mês. Fiz as contas, valia a pena, topei. Só que, na conta seguinte, lá estavam todos os torpedos sendo cobrados. Liguei para a Vivo e descobri que havia uma "linha fina" que o atendente "se esquecera" de mencionar: o pacote, apesar de ser uma oferta deles, levava até três meses para entrar em vigor.

Tudo bem, vamos em frente... No começo deste ano, o sistema de cobrança da Vivo entrou em pane. Meu vencimento era no dia 22. Como já era dia 21 e nada da conta, fui na loja da Vivo e dei de cara com uma multidão com a mesma reclamação. Fomos avisados que o vencimento seria prorrogado. Isso se repetiu por uns três meses. Houve um mês em que paguei duas contas: a do mês anterior, no dia 5, e a do mês corrente, no dia 28. No mês seguinte, para quando estava prevista a normalização do serviço, chegou a conta no dia 12, com vencimento no dia 17.

Liguei para a Vivo e fui informado que minha data de vencimento fora mudada. Isso mesmo, eles acabaram com a data do dia 22 e mudaram-me para o dia 17 sem qualquer consulta. Como eu bufava horrores, a atendente disse que eu podia optar por outras datas, que eles tinham dia 5, dia 10, dia 12, dia 15, dia 17, dia 21... PERAÍ!!!! Se existia uma data no dia 21, por que passaram meu vencimento do dia 22 para o dia 17??? A atendente, como é típico dos serviços de atendimento ao cliente, não sabia explicar. Para finalizar, passei o vencimento para o dia 21.

Esse tipo de coisa foi amadurecendo na minha cabeça a idéia de migrar, que acabava posta na geladeira pela necessidade de trocar o número. Só que aí começaram a surgir os problemas do aparelho sem flip. Mesmo com o teclado bloqueado, as teclas ficam levando bordoada dentro do bolso ou da pasta. Com o tempo, perdem a sensibilidade. Assim, eu clicava num número (2, por exemplo) e não acontecia nada; clicava de novo, com mais força, e aparecia 2 umas quatro vezes. Chegou um momento em que ficou impossível recuperar recados na caixa-postal, pois o sistema registra cada tentativa de toque como um dígito da senha. Portanto, sempre dava erro. Trocar o aparelho já era imperativo.

Foi quando fiquei sabendo do tal plano de pontos da Vivo, no qual o valor da conta virava uma pontuação na troca do aparelho. Liguei para conseguir mais informações e descobri que tinha 25 mil pontos, o que me dava um desconto assaz razoável. Perguntei se tinham algum Nokia com câmera e flip. Nope. Tinham um com frente deslizante, mas era caro de doer. A menina então me ofereceu um Motorolla cheio das bossas a um bom preço. Tudo bem, mas eu queria saber qual o prazo, pois o meu estava já no telhado. "Seis dias úteis. O senhor vai estar recebendo no dia 22 de setembro." Ok, topei. Só depois ela me disse que implicava mais um ano de fidelização, mas tudo bem.

No fatídico dia 22, eu cheguei no trabalho e liguei para a Vivo para saber se tinha previsão do horário de entrega, pois a empregada iria buscar minha filha na escola no fim da tarde. Para meu eterno assombro, o atendente me informou que não havia previsão de entrega pois "o processo ainda estava em andamento" e o prazo de seis dias úteis só começava a contar a partir da "conclusão do processo". A outra atendente, disse ele, devia ter se enganado ou eu podia ter entendido errado. Não, respondi, ela deu uma data. E eu só havia comprado porque havia uma previsão certa de entrega. Não era engano, era má fé. Pedi ao rapaz que me passasse o telefone da ouvidoria. Ele deixou-me na espera e, ao voltar, disse que, segundo o supervisor, a ouvidoria só era acionada após duas solicitações não atendidas. Eu, então, declarei que estava tendo meu direito de consumidor cerceado e exigi o nome dele e o do supervisor e o protocolo daquele atendimento, pois iria levar o caso à Anatel. Ele deixou-me em espera mais uma vez e, de repente, entrou a pesquisa de atendimento, sinal de que a ligação estava encerrada. O filho de uma vaca batera com o telefone na minha cara...

(Parênteses. Acabo de saber que a mesma falta de respeito aconteceu com minha querida Sabrina Cassará, motivando-a a também abandonar a Vivo. Fecha parênteses)

Liguei novamente, soltei os cachorros no primeiro infeliz que me atendeu, cancelei o resgate de pontos e a compra do aparelho e peguei o protocolo dos atendimentos. Telefonei em seguida para a Anatel e formalizei uma denúncia contra a Vivo (que, aliás, lidera o ranking de reclamações da agência). Desci, fui numa loja da TIM, comprei um Motorolla bacana e fiz um plano de 120 minutos mais barato e com torpedos e WAP incluídos. Nos próximos dias, vou cancelar a linha da Vivo e esquecer essa operadora dos infernos.

O irônico é que, de sábado para cá recebi dois telefonemas da "central de relacionamentos Vivo" me oferecendo vantagens no plano de pontos. Despachei com uma pedra em cada mão. Fico imaginando o que vão me oferecer quando eu ligar para cancelar a linha. Não aceito nada menos que três Motorolla V3 super-luxo grátis, franquia de mil minutos grátis por dez anos e direito de escolher dez funcionários do atendimento da Vivo para serem queimados vivos em praça pública.

terça-feira, 15 de agosto de 2006

Não vote, mesmo

Não vote, mesmo

Pessoas, o blog ficou um tempo parado e vai continuar mais um pouco. Os motivos são vários: mudança de casa, acúmulo de trabalho, morte na família etc. Mas tem uma história que não pode esperar.

Há quatro anos, eu - idiota - ajudei a entregar o Brasil a uma quadrilha chamada PT. De lá para cá, todos os motivos que eu tive para dar aquele voto imbecil foram traídos. Todos, sem exceção. Continuísmo na política econômica, agravamento da carga tributária da classe média e do setor produtivo, descaso com o meio-ambiente, com a educação (acabando com uma rara boa idéia tucana, o Provão), com a segurança etc. Além disso, aparelhamento do estado sem se preocupar com honestidade (Correios) ou competência (Inca) e corrupção que conseguiu superar o balcão de negócios montado por Sérgio Motta para comprar a reeleição de FHC. Para culminar, vejo o canalha em quem votei subir ao palanque do Bispo Crivella.

Bem, está claro que não vou repetir o voto no canalha em questão, ainda que não saiba bem em quem vá votar. Mas o tema aqui é outro. A cereja podre no sundae autoritário e corrupto do PT foi noticiada hoje pelo Comunique-se: A quadrilha encaminhou notícia-crime à Justiça contra o jornalista Cláudio Weber Abramo, responsável pela ONG Transparência Brasil, fundada há seis anos com o objetivo de combater a corrupção. O motivo é uma campanha deflagrada no site da organização chamada "Não vote em mensaleiro", deflagrada por um artigo de Abramo no Correio Braziliense. Alegam os advogados da facção, digo, do partido, que o jornalista prejulga políticos que ainda não passaram pelos tribunais e que, por conta da frase "É o que fará o eleitor se permitir que mensaleiros, vampiros e outros animais dessa mesma família retornem à Câmara dos Deputados", ofende a honra dos acusados. Isso mesmo, a honra do Professor Luizinho, do João Paulo Cunha, do Costa Neto e de outros. Como o dinheiro que esses advogados recebem é chamado de "honorário", deve tudo ser parte da mesma piada.

Antes que o PT consiga tirar a campanha do ar, confira o site da Transparência Brasil. Dê atenção especial ao Projeto Excelências, um banco de dados com a ficha corrida de todos os deputados. Traz sua atuação parlamentar, sua assiduidade, sua declaração de renda e, mais importante, a lista de processos a que já respondeu em qualquer instância. De quebra, um clipping com vezes e o contexto em que o nome do excelentíssimo foi citado em matérias envolvendo corrupção. Um serviço inestimável à democracia, mas pouco divulgado.

domingo, 2 de julho de 2006

Parreira é maluco

Quem já assistiu a alguma palestra de programação neurolingüística deve ter ouvido uma definição de loucura que considero perfeita: "Esperar resultado diferente da repetição de uma mesma ação". Roberto Calos e Cafu foram, em quatro jogos, uma dupla de mamilos masculinos, aquele troço que não é útil nem decorativo. Mesmo assim Parreira os manteve. Com base na PNL podemos dizer que o ex-técnico da seleção é doido.

sábado, 1 de julho de 2006

Ixpirito d'Porco

Por afinidade ancestral, o blog declara apoio irrestrito a Portugal.
E a resposta?

"O que é melhor, jogar bonito e perder ou jogar feio e ser campeão?" perguntou Carlos Alberto Parreira dias atrás. Nunca saberemos a resposta...
Na mesma linha

Roberto Carlos, ao parar para ajeitar a meia e deixar Henry livre para marcar, confirmou-se como um Janick Gers do futebol. Gers, para quem não sabe, é um guitarrista medíocre que, inexplicavelmente é mantido há anos no Iron Maiden. Eu acredito que Gers forneça drogas ou algo do gênero para Steve Harris. Resta saber o que Roberto Carlos fornecia para Parreira mantê-lo no time.
Título errado

O Globo On Line errou ao cravar, logo após a derrota, o título "Brasil mais uma vez treme diante da França". Não é verdade. O Brasil mostrou hoje o mesmo futebolzinho chinfrin que apresentou durante toda a Copa, com a exceção da partida contra o Japão. A diferença é que, dessa vez, havia um adversário.

terça-feira, 27 de junho de 2006

Te cuida, Lúcio

Que Gilberto, que nada. Quem anda tirando Roberto Carlos do sério é o zagueiro Lúcio com essa história de ser o rei do fairplay na Copa. Justiça seja feita, se existe alguém que há muito tempo não faz falta na seleção é o Pinduca do Real Madrid.

quarta-feira, 21 de junho de 2006

Fora da ordem

Me prezado Pedro Doria revela em no.mínimo que foi encontrada na Suécia a mais antiga camisinha do mundo. Data de 1640 e vem com manual de instruções em latim recomendando, para evitar contaminações, lavá-la com leite morno antes do uso.

O que a nota não informa é em que momento alguém percebeu que camisinha tem que receber leite morno ao fim do uso.