Depois é implicância minha...
Está para estrear por aqui um bom filme de vampiros e lobisomens, com os dois pés na estética gótica dos RPGs. O título original é "Underworld" - "submundo", "mundo inferior" ou, com alguma licença poética, "mundo oculto". Título perfeito, aliás, pois trata de uma guerra entre as duas espécies travada longe dos olhos dos humanos – a rigor, só há um personagem humano no filme.
Eis que chega a distribuidora brasileira e comete o título "Underworld – Anjos da Noite". Acreditem, estamos quase chegando n'O Filho Que Era Mãe.
Ah, quanto ao filme. Vale a pena. Boa história, boas reviravoltas e Kate Beckinsale linda como sempre.
Espaço onde o jornalista Leonardo Pimentel pode se dedicar a falar mal do que bem entender.
Aviso
Apesar de criado por um jornalista, este blog não é nem pretende ser imparcial. Ele reflete minhas opiniões, meus gostos, desgostos, preconceitos e pós-conceitos. Se alguém se sentir ofendido, "paciência"...
Se quiser, mande-me um e-mail
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domingo, 11 de abril de 2004
quinta-feira, 8 de abril de 2004
Sobrou pro coelhinho
A aparente ausência de limites na psicopatia dos fundamentalistas nunca deixa de me surpreender. Diz o site do jornal norte-americano Sun Sentinel que pais e crianças ficaram chocados com uma exibição feita por evangélicos no estádio de Glassport, na Pensilvânia. No que deveria ser um espetáculo de Páscoa, os pastores/atores simulavam o açoitamento do coelhinho da Páscoa e quebravam ovos de chocolate, enquanto gritavam para as crianças que o dito coelhinho não existia.
Os evangélicos afirmam que o coelho e os ovinhos são símbolos pagãos – modéstia à parte, estão certos, são símbolos da Deusa Oster, da fertilidade, cuja festa coincidia com a chegada da Primavera na Europa pré-necrolatria. Nem precisa ficar por aí: o pinheiro e a guirlanda de Natal e as fogueiras e danças de roda nas Festas Juninas também têm origem pagã.
Agora, era realmente necessário levar crianças às lágrimas simulando o coelhinho apanhando como se estivesse num filme de Mel Gibson?
Dias atrás eu li no Landover Baptist (site que satiriza de maneira ácida a extrema-direita religiosa dos EUA) uma “reportagem” na qual o Pastor Diácono Fred, líder da seita, conclamava os pais a espancarem os filhos que de alguma forma se envolvessem com ovos de chocolate e coelhinhos no período. Depois de ler a matéria do Sun, começo a ter medo de o Landover virar realidade.
A aparente ausência de limites na psicopatia dos fundamentalistas nunca deixa de me surpreender. Diz o site do jornal norte-americano Sun Sentinel que pais e crianças ficaram chocados com uma exibição feita por evangélicos no estádio de Glassport, na Pensilvânia. No que deveria ser um espetáculo de Páscoa, os pastores/atores simulavam o açoitamento do coelhinho da Páscoa e quebravam ovos de chocolate, enquanto gritavam para as crianças que o dito coelhinho não existia.
Os evangélicos afirmam que o coelho e os ovinhos são símbolos pagãos – modéstia à parte, estão certos, são símbolos da Deusa Oster, da fertilidade, cuja festa coincidia com a chegada da Primavera na Europa pré-necrolatria. Nem precisa ficar por aí: o pinheiro e a guirlanda de Natal e as fogueiras e danças de roda nas Festas Juninas também têm origem pagã.
Agora, era realmente necessário levar crianças às lágrimas simulando o coelhinho apanhando como se estivesse num filme de Mel Gibson?
Dias atrás eu li no Landover Baptist (site que satiriza de maneira ácida a extrema-direita religiosa dos EUA) uma “reportagem” na qual o Pastor Diácono Fred, líder da seita, conclamava os pais a espancarem os filhos que de alguma forma se envolvessem com ovos de chocolate e coelhinhos no período. Depois de ler a matéria do Sun, começo a ter medo de o Landover virar realidade.
quarta-feira, 7 de abril de 2004
Divórcio com segundas intenções
Na antevéspera do Rosh Hashaná (Ano Novo judaico) um velho judeu que morava na Flórida liga para o filho, advogado em Nova York, e diz:
- Jacozinho, eu odeio ter que estragar seu dia, mas acho que você precisa saber. Eu e sua mãe vamos nos divorciar.
- Papai, o que você está dizendo? Vocês estão juntos há mais de 40 anos!
- Eu sei, mas não conseguimos nem olhar um para o outro. Vamos nos separar e acabou. Por favor, ligue para sua irmã Raquel e conte a ela.
Desvairado, o rapaz liga para a irmã, que vivia em Los Angeles. Ela, compreensivelmente, dá um chilique.
- De jeito nenhum meus pais irão se divorciar! Que absurdo! Deixe comigo. Vou falar com o papai.
Ela telefona para os pais, tenta todos os argumentos e, como não consegue demove-lo da idéia, apela:
- Pai, eu vou tomar um avião agora. Chego aí amanhã de manhã. Meu irmão também está saindo de Nova York. Por favor, não façam nada até nós chegarmos, ouviu?
O velho concordou, colocou o fone no gancho, virou-se para a mulher e disse:
- Funcionou, Sara. Eles vão passar o Rosh Hashaná conosco e não teremos que pagar as passagens!
Cortesia da Claudia Manes. Agradecido, doc
Na antevéspera do Rosh Hashaná (Ano Novo judaico) um velho judeu que morava na Flórida liga para o filho, advogado em Nova York, e diz:
- Jacozinho, eu odeio ter que estragar seu dia, mas acho que você precisa saber. Eu e sua mãe vamos nos divorciar.
- Papai, o que você está dizendo? Vocês estão juntos há mais de 40 anos!
- Eu sei, mas não conseguimos nem olhar um para o outro. Vamos nos separar e acabou. Por favor, ligue para sua irmã Raquel e conte a ela.
Desvairado, o rapaz liga para a irmã, que vivia em Los Angeles. Ela, compreensivelmente, dá um chilique.
- De jeito nenhum meus pais irão se divorciar! Que absurdo! Deixe comigo. Vou falar com o papai.
Ela telefona para os pais, tenta todos os argumentos e, como não consegue demove-lo da idéia, apela:
- Pai, eu vou tomar um avião agora. Chego aí amanhã de manhã. Meu irmão também está saindo de Nova York. Por favor, não façam nada até nós chegarmos, ouviu?
O velho concordou, colocou o fone no gancho, virou-se para a mulher e disse:
- Funcionou, Sara. Eles vão passar o Rosh Hashaná conosco e não teremos que pagar as passagens!
Cortesia da Claudia Manes. Agradecido, doc
terça-feira, 6 de abril de 2004
Além do surrealismo
Esqueça tudo o que você já viu em termos de surrealismo. Tramita na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara um projeto, de autoria do deputado Nazareno Fonteles (PT-PI), estabelecendo um limite máximo de gastos que um cidadão pode ter consigo e com seus dependentes. O projeto estabelece o Limite Máximo de Consumo, equivalente a dez vezes a renda per capita nacional, estabelecida pelo IBGE –R$ 7.707, segundo dados consolidados de 2002.
Sete anos após a eventual transformação do projeto em lei, tudo o que um cidadão brasileiro (inclusive os que residirem no exterior) ou um estrangeiro que viva aqui ganhar acima desse limite deverá ser depositado compulsoriamente numa caderneta de "Poupança Fraterna" na Caixa Econômica Federal ou no Banco do Brasil. Isso inclui rendimentos obtidos com trabalho assalariado, já tributado na fonte.
O dinheiro será usado para projetos sociais e será gerido por um conselho ligado à Presidência da República, presidindo pelo ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. O dito conselho será formado por representantes de diversos ministérios, de todas as centrais sindicais, do MST, de ONGs, de universidades e por dois representantes dos garfados, digo, dos poupadores.
Pelo projeto, o "poupador" só poderá reaver seu dinheiro 14 anos depois, em módicas prestações. Uma parte pode ser sacada para comprar a casa própria (até o limite de R$ 200 mil) e para custear doença grave. Ainda segundo a proposta, a Receita Federal deverá fazer um cadastro dos poupadores compulsórios e fiscalizar os depósitos em comparação com sua renda.
Tudo bem que uma parcela ínfima da população tem renda mensal superior a R$ 77 mil, mas não parece um tantinho bizarro confiscar (o nome é esse) rendimentos já tributados e ganhos de forma honesta? Não se vê um projeto para aparelhar melhor a Receita no combate à sonegação, para fechar as brechas legais à elisão fiscal, para tornar mais eficiente o gasto do dinheiro de que já se dispõe etc.
Tem toda a pinta de ser mais um projeto que vai entrar para a lista de esquisitices bem intencionadas que caem no vazio do Congresso.
Esqueça tudo o que você já viu em termos de surrealismo. Tramita na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara um projeto, de autoria do deputado Nazareno Fonteles (PT-PI), estabelecendo um limite máximo de gastos que um cidadão pode ter consigo e com seus dependentes. O projeto estabelece o Limite Máximo de Consumo, equivalente a dez vezes a renda per capita nacional, estabelecida pelo IBGE –R$ 7.707, segundo dados consolidados de 2002.
Sete anos após a eventual transformação do projeto em lei, tudo o que um cidadão brasileiro (inclusive os que residirem no exterior) ou um estrangeiro que viva aqui ganhar acima desse limite deverá ser depositado compulsoriamente numa caderneta de "Poupança Fraterna" na Caixa Econômica Federal ou no Banco do Brasil. Isso inclui rendimentos obtidos com trabalho assalariado, já tributado na fonte.
O dinheiro será usado para projetos sociais e será gerido por um conselho ligado à Presidência da República, presidindo pelo ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. O dito conselho será formado por representantes de diversos ministérios, de todas as centrais sindicais, do MST, de ONGs, de universidades e por dois representantes dos garfados, digo, dos poupadores.
Pelo projeto, o "poupador" só poderá reaver seu dinheiro 14 anos depois, em módicas prestações. Uma parte pode ser sacada para comprar a casa própria (até o limite de R$ 200 mil) e para custear doença grave. Ainda segundo a proposta, a Receita Federal deverá fazer um cadastro dos poupadores compulsórios e fiscalizar os depósitos em comparação com sua renda.
Tudo bem que uma parcela ínfima da população tem renda mensal superior a R$ 77 mil, mas não parece um tantinho bizarro confiscar (o nome é esse) rendimentos já tributados e ganhos de forma honesta? Não se vê um projeto para aparelhar melhor a Receita no combate à sonegação, para fechar as brechas legais à elisão fiscal, para tornar mais eficiente o gasto do dinheiro de que já se dispõe etc.
Tem toda a pinta de ser mais um projeto que vai entrar para a lista de esquisitices bem intencionadas que caem no vazio do Congresso.
domingo, 4 de abril de 2004
Ah, ele fala, sim
Acabo de assistir novamente (agora na TV) "Guerra nas Estrelas – O Ataque dos Clones". Voltaram-me à mente três reflexões de quando vi no cinema.
- Ainda que não seja nenhuma Brastemp, o filme é melhor que "A Ameaça Fantasma". Tudo bem que até "Plan 9 From Outer Space" era melhor que "A Ameaça Fantasma". Pior, mesmo, só me ocorre "A Reconquista".
- O casal de protagonistas é ruim de doer. Natalie Portman, que deu um show em "O Profissional" entra para a lista de bons atores mirins que vêem o talento se desintegrar na puberdade. Como disse um crítico americano no lançamento do filme, que falta fazem Tobby Maguire e Kristen Dunst.
- Estou plenamente convencido de que George Lucas fala português. Não só isso, tenho certeza que ele se diverte bolando os nomes dos personagens. No Episódio I tínhamos a Rainha Amídala e o Capitão Panaka. No II, surgem o Conde Dooku e, apenas citado, o inacreditável Mestre Jedi Sifo Dyas. Impossível ser coincidência.
Acabo de assistir novamente (agora na TV) "Guerra nas Estrelas – O Ataque dos Clones". Voltaram-me à mente três reflexões de quando vi no cinema.
- Ainda que não seja nenhuma Brastemp, o filme é melhor que "A Ameaça Fantasma". Tudo bem que até "Plan 9 From Outer Space" era melhor que "A Ameaça Fantasma". Pior, mesmo, só me ocorre "A Reconquista".
- O casal de protagonistas é ruim de doer. Natalie Portman, que deu um show em "O Profissional" entra para a lista de bons atores mirins que vêem o talento se desintegrar na puberdade. Como disse um crítico americano no lançamento do filme, que falta fazem Tobby Maguire e Kristen Dunst.
- Estou plenamente convencido de que George Lucas fala português. Não só isso, tenho certeza que ele se diverte bolando os nomes dos personagens. No Episódio I tínhamos a Rainha Amídala e o Capitão Panaka. No II, surgem o Conde Dooku e, apenas citado, o inacreditável Mestre Jedi Sifo Dyas. Impossível ser coincidência.
sábado, 3 de abril de 2004
Samba do ensino doido
Ontem o governo anunciou com estardalhaço uma nova avaliação para medir a qualidade do ensino básico. A mola mestra será uma prova a que serão submetidos todos os alunos. O objetivo não é saber como está a educação pública básica - todos sabemos que está um lixo -, mas identificar os principais pontos de carência e desenvolver ações para melhorar a base da educação brasileira. Hoje a avaliação é feita por amostragem e, segundo o MEC, não reflete a realidade. O programa prevê, também, a avaliação dos professores e das instituições.
Tudo muito bom, tudo muito bem, mas vale lembrar que há alguns meses, durante sua gestão indigente, o então ministro Cristóvam Buarque destruiu o Provão do ensino superior - possivelmente a única coisa boa da gestão de Paulo Renato na Era FHC. A desculpa para ceder ao lobby da UNE e das faculdades era que não seria necessário testar todos os alunos, bastava fazer prova por amostragem. Por uma questão de coerência, o MEC devia agora voltar atrás na besteira do antigo ocupante - mesmo tendo que assumir que ele era incompetente.
Outra coisa, é importante ver o que vai ser feito com o resultado dessa pesquisa. O Provão, é bom lembrar, comprovou a noção empírica de que a qualidade de ensino restringia-se às universidade públicas e a um punhado de centros de excelência particulares. Na prática, isso não significou muita coisa, uma vez que o Conselho de Ensino Superior, dominado pelas fábricas de diplomas, não permitiu praticamente nenhuma punição aos cursos de avaliação D e E, e ainda liberou a farra dos centros universitários, shoppings centers (inclusive na localização) de diplomas nas quais, como comprovou reportagem, até um analfabeto consegue entrar.
Só uma observação. Cobri com especial atenção Educação quando fui repórter e sempre foi uma das minhas áreas favoritas na época de coordenador da Nacional do Globo. Por conta disso, acompanhei o desenvolvimento e a aplicação do Provão. Posso dizer que uma das principais pedras de toque da UNE, de que o sistema só avaliava o aluno, é mentira. Pura e simples mentira. O Provão acontecia paralelamente a uma avaliação de currículo, instalações e corpo docente igualmente rigorosa - e cujos resultados, pela situação supracitada, nunca se desdobraram em ações concretas.
Ontem o governo anunciou com estardalhaço uma nova avaliação para medir a qualidade do ensino básico. A mola mestra será uma prova a que serão submetidos todos os alunos. O objetivo não é saber como está a educação pública básica - todos sabemos que está um lixo -, mas identificar os principais pontos de carência e desenvolver ações para melhorar a base da educação brasileira. Hoje a avaliação é feita por amostragem e, segundo o MEC, não reflete a realidade. O programa prevê, também, a avaliação dos professores e das instituições.
Tudo muito bom, tudo muito bem, mas vale lembrar que há alguns meses, durante sua gestão indigente, o então ministro Cristóvam Buarque destruiu o Provão do ensino superior - possivelmente a única coisa boa da gestão de Paulo Renato na Era FHC. A desculpa para ceder ao lobby da UNE e das faculdades era que não seria necessário testar todos os alunos, bastava fazer prova por amostragem. Por uma questão de coerência, o MEC devia agora voltar atrás na besteira do antigo ocupante - mesmo tendo que assumir que ele era incompetente.
Outra coisa, é importante ver o que vai ser feito com o resultado dessa pesquisa. O Provão, é bom lembrar, comprovou a noção empírica de que a qualidade de ensino restringia-se às universidade públicas e a um punhado de centros de excelência particulares. Na prática, isso não significou muita coisa, uma vez que o Conselho de Ensino Superior, dominado pelas fábricas de diplomas, não permitiu praticamente nenhuma punição aos cursos de avaliação D e E, e ainda liberou a farra dos centros universitários, shoppings centers (inclusive na localização) de diplomas nas quais, como comprovou reportagem, até um analfabeto consegue entrar.
Só uma observação. Cobri com especial atenção Educação quando fui repórter e sempre foi uma das minhas áreas favoritas na época de coordenador da Nacional do Globo. Por conta disso, acompanhei o desenvolvimento e a aplicação do Provão. Posso dizer que uma das principais pedras de toque da UNE, de que o sistema só avaliava o aluno, é mentira. Pura e simples mentira. O Provão acontecia paralelamente a uma avaliação de currículo, instalações e corpo docente igualmente rigorosa - e cujos resultados, pela situação supracitada, nunca se desdobraram em ações concretas.
segunda-feira, 29 de março de 2004
Grande livro, péssimo título
Existe espaço para sensacionalismo em literatura científica? Por que os tradutores (ou melhor, os tituladores) subestimam tanto a nossa inteligência? No cinema isso já é notório. Praticamente desde a chegas dos primeiros filmes estrangeiros, títulos inteligentes, espirituosos eram massacrados e transformado em tolices sequer dignas de nota. Hoje em dias muitos nem se preocupam em traduzir; deixam o título em inglês e tascam um subtítulo em geral banhado em cretinice. O exemplo mais recente é Minority Report, que, em vez de virar "Relatório Minoritário" ou "Registro Dissonante", virou "Minority Report – A Nova Lei".
Agora isso chegou à literatura científica, e justamente com um dos meus livros favoritos. A Editora Girafa lançou no Brasil em português "Bible Unearthed", dos arqueólogos israelenses Israel Finkelstein e Neil Silberman. O problema é que, na hora de titulá-lo, escorregou no sensacionalismo barato e cometeu "A Bíblia Não Tinha Razão" – como uma resposta ao "E a Bíblia Tinha Razão", pérola do proselitismo disfarçado de ciência escrita pelo alemão Werner Keller. O problema desse título é que ele, de cara, aliena potenciais leitores, gente que não teria preconceito com “A Bíblia Desenterrada” ou mesmo “Escavando a Bíblia” (sugestão da Cristina).
Falando do livro, ele tem como um dos muitos méritos ter como autores judeus israelenses – do contrário, choveriam acusações de anti-semitismo e anti-sionismo. Finkelstein e Silberman inverteram a metodologia dos "arqueólogos bíblicos" do século XIX. Armados com os livros do Velho Testamento, este escavavam a Palestina com o objetivo e provar que as escrituras representavam História literal. Achavam as ruínas de Meggido, conferiam na Bíblia que Meggido fora fundada por Salomão, logo, datavam as ruínas de 1000 a.C.
Em seu livro, os dois arqueólogos israelenses partiram do oposto, foram até as ruínas, fizeram a datação usando as mais modernas técnicas. Conclusão: Meggido é pelo menos 200 anos mais nova, foi construída por Ahab, um rei de Israel execrado no Velho Testamento. E esse é apenas um dos pontos menos polêmicos do livro. Eles descartam toda a passagem de Abraão saindo da Mesopotâmia; sustentam, em vez disso, que os judeus são nativos da Palestina mesmo.
É uma leitura desafiadora, que encheria de questionamentos a cabeça de muitos judeus e cristãos. Infelizmente, poucos deles vão chegar perto de um livro chamado "A Bíblia Não Tinha Razão".
Existe espaço para sensacionalismo em literatura científica? Por que os tradutores (ou melhor, os tituladores) subestimam tanto a nossa inteligência? No cinema isso já é notório. Praticamente desde a chegas dos primeiros filmes estrangeiros, títulos inteligentes, espirituosos eram massacrados e transformado em tolices sequer dignas de nota. Hoje em dias muitos nem se preocupam em traduzir; deixam o título em inglês e tascam um subtítulo em geral banhado em cretinice. O exemplo mais recente é Minority Report, que, em vez de virar "Relatório Minoritário" ou "Registro Dissonante", virou "Minority Report – A Nova Lei".
Agora isso chegou à literatura científica, e justamente com um dos meus livros favoritos. A Editora Girafa lançou no Brasil em português "Bible Unearthed", dos arqueólogos israelenses Israel Finkelstein e Neil Silberman. O problema é que, na hora de titulá-lo, escorregou no sensacionalismo barato e cometeu "A Bíblia Não Tinha Razão" – como uma resposta ao "E a Bíblia Tinha Razão", pérola do proselitismo disfarçado de ciência escrita pelo alemão Werner Keller. O problema desse título é que ele, de cara, aliena potenciais leitores, gente que não teria preconceito com “A Bíblia Desenterrada” ou mesmo “Escavando a Bíblia” (sugestão da Cristina).
Falando do livro, ele tem como um dos muitos méritos ter como autores judeus israelenses – do contrário, choveriam acusações de anti-semitismo e anti-sionismo. Finkelstein e Silberman inverteram a metodologia dos "arqueólogos bíblicos" do século XIX. Armados com os livros do Velho Testamento, este escavavam a Palestina com o objetivo e provar que as escrituras representavam História literal. Achavam as ruínas de Meggido, conferiam na Bíblia que Meggido fora fundada por Salomão, logo, datavam as ruínas de 1000 a.C.
Em seu livro, os dois arqueólogos israelenses partiram do oposto, foram até as ruínas, fizeram a datação usando as mais modernas técnicas. Conclusão: Meggido é pelo menos 200 anos mais nova, foi construída por Ahab, um rei de Israel execrado no Velho Testamento. E esse é apenas um dos pontos menos polêmicos do livro. Eles descartam toda a passagem de Abraão saindo da Mesopotâmia; sustentam, em vez disso, que os judeus são nativos da Palestina mesmo.
É uma leitura desafiadora, que encheria de questionamentos a cabeça de muitos judeus e cristãos. Infelizmente, poucos deles vão chegar perto de um livro chamado "A Bíblia Não Tinha Razão".
sexta-feira, 26 de março de 2004
Vai uma assessoria aí?
Há bem uns 15 anos o Vaticano baixou uma norma classificando como pecado consultar horóscopos, tarô e outras artes divinatórias. Na época, uma amiga que fazia mapa astral disse que ia botar um anúncio no Globo Zona Sul dizendo "venha pecar". Como a determinação foi solenemente ignorada, tempos depois saiu uma nova norma condenando o ocultismo, mas dizendo que, vá lá, não tem problema consultar horóscopos.
Lembrei disso hoje ao ler que, em discurso aos bispos australianos, o Papa João Paulo II condenou o cineminha e o futebol de domingo, dizendo que o dia deve ser dedicado a Deus e não às atividades seculares. Tudo bem que o pontífice já está mais velho que rascunho do Código de Hamurabi e mais tortinho que Frei Damião, mas algum cardeal deveria dar um toque. Fazer exortações que vão cair no vazio ou baixar normas só para voltar atrás depois não contribui em nada para a credibilidade da Igreja.
Há bem uns 15 anos o Vaticano baixou uma norma classificando como pecado consultar horóscopos, tarô e outras artes divinatórias. Na época, uma amiga que fazia mapa astral disse que ia botar um anúncio no Globo Zona Sul dizendo "venha pecar". Como a determinação foi solenemente ignorada, tempos depois saiu uma nova norma condenando o ocultismo, mas dizendo que, vá lá, não tem problema consultar horóscopos.
Lembrei disso hoje ao ler que, em discurso aos bispos australianos, o Papa João Paulo II condenou o cineminha e o futebol de domingo, dizendo que o dia deve ser dedicado a Deus e não às atividades seculares. Tudo bem que o pontífice já está mais velho que rascunho do Código de Hamurabi e mais tortinho que Frei Damião, mas algum cardeal deveria dar um toque. Fazer exortações que vão cair no vazio ou baixar normas só para voltar atrás depois não contribui em nada para a credibilidade da Igreja.
quinta-feira, 25 de março de 2004
Dez anos sem Ayrton
Quando Ayrton Senna chegou no céu, São Pedro foi logo perguntando:
- Como é seu nome, meu filho???
- Ayrton Senna da Silva.
- Ah! Você é aquele corredor da Fórmula 1, não é?
- Sou eu mesmo.
- Aquele que tinha uma ilha em Angra dos Reis com heliporto, quadra de tênis, praia particular entre outras coisas, mais um jato executivo Learjet 60 de 12 lugares comprado por US$ 19.000.000,00, um helicóptero bi-turbo avaliado em US$ 5.000.000,00 uma lancha Off Shore de 58 pés, uma fazenda em Tatuí e que ganhava US$ 1.200.000,00 por corrida?
- Sou eu mesmo.
- Andava de Audi, Honda NSX e tinha uma DUCATI com seu nome?
- Sim senhor!
- Morava em Mônaco, mas tinha apartamentos em NYC, Paris e viajava quando queria para o Brasil no seu próprio jatinho particular?
- Correto.
- Aquele que comeu a Xuxa, a Adriane Galisteu?
- Sim.
- Putz... pode entrar, mas você vai achar o Paraíso uma merda!
Cortesia do meu cumpadi Vicente
Quando Ayrton Senna chegou no céu, São Pedro foi logo perguntando:
- Como é seu nome, meu filho???
- Ayrton Senna da Silva.
- Ah! Você é aquele corredor da Fórmula 1, não é?
- Sou eu mesmo.
- Aquele que tinha uma ilha em Angra dos Reis com heliporto, quadra de tênis, praia particular entre outras coisas, mais um jato executivo Learjet 60 de 12 lugares comprado por US$ 19.000.000,00, um helicóptero bi-turbo avaliado em US$ 5.000.000,00 uma lancha Off Shore de 58 pés, uma fazenda em Tatuí e que ganhava US$ 1.200.000,00 por corrida?
- Sou eu mesmo.
- Andava de Audi, Honda NSX e tinha uma DUCATI com seu nome?
- Sim senhor!
- Morava em Mônaco, mas tinha apartamentos em NYC, Paris e viajava quando queria para o Brasil no seu próprio jatinho particular?
- Correto.
- Aquele que comeu a Xuxa, a Adriane Galisteu?
- Sim.
- Putz... pode entrar, mas você vai achar o Paraíso uma merda!
Cortesia do meu cumpadi Vicente
Relatividade
Numa viagem a Paris, Lula ganhou de Jacques Chirac um corte de tecido de altíssima qualidade. Lá mesmo procurou um alfaiate para fazer um terno. Infelizmente, disse o alfaiate, o corte era muito pequeno e não daria para fazer o paletó e a calça. Decepcionado, Lula desistiu e trouxe o tecido de volta.
Já em Brasília, voltou atrás e decidiu encomendar lá mesmo só o paletó. Qual não foi sua surpresa quando o alfaiate local disse poder fazer paletó, calça e até colete.
- Mas, companheiro, o companheiro alfaiate francês dife que o tefido mal dava pra fazer um paletó. Como você vai confeguir fazer tudo ifo?
- Ah, presidente, é que no exterior o senhor é uma pessoa muito maior que aqui no Brasil.
Numa viagem a Paris, Lula ganhou de Jacques Chirac um corte de tecido de altíssima qualidade. Lá mesmo procurou um alfaiate para fazer um terno. Infelizmente, disse o alfaiate, o corte era muito pequeno e não daria para fazer o paletó e a calça. Decepcionado, Lula desistiu e trouxe o tecido de volta.
Já em Brasília, voltou atrás e decidiu encomendar lá mesmo só o paletó. Qual não foi sua surpresa quando o alfaiate local disse poder fazer paletó, calça e até colete.
- Mas, companheiro, o companheiro alfaiate francês dife que o tefido mal dava pra fazer um paletó. Como você vai confeguir fazer tudo ifo?
- Ah, presidente, é que no exterior o senhor é uma pessoa muito maior que aqui no Brasil.
quarta-feira, 24 de março de 2004
Taxímetro musical
Essa é sensacional. Diz a BBC que os violinistas da Orquestra Beethoven, de Bonn (Alemanha), estão cobrando na Justiça um pagamento diferenciado com base na afirmação que tocam mais notas que os colegas. Os músicos querem algo em torno de US$ 250 a mais por ensaio e apresentação. Os administradores da orquestra, claro, classificam a pretensão como ridícula.
Se a moda pega, os guitarristas de reagge (o emprego mais mole da música) vão acabar ficando de fora do rateio dos cachês.
Essa é sensacional. Diz a BBC que os violinistas da Orquestra Beethoven, de Bonn (Alemanha), estão cobrando na Justiça um pagamento diferenciado com base na afirmação que tocam mais notas que os colegas. Os músicos querem algo em torno de US$ 250 a mais por ensaio e apresentação. Os administradores da orquestra, claro, classificam a pretensão como ridícula.
Se a moda pega, os guitarristas de reagge (o emprego mais mole da música) vão acabar ficando de fora do rateio dos cachês.
domingo, 21 de março de 2004
Um tanto ou quanto surreal
Não sei se sou eu que ando mais maluco do que o normal ou se o mundo anda operando em freqüências aleatórias. Li hoje no Globo um artigo do escritor Frederick Forsyth detonando a Al Qaeda e defendendo o Islamismo como um todo. Entre outras coisas, ele afirma que "o Islã é uma grande religião e, como todas as grandes religiões, baseia-se, teoricamente, no amor: o amor a Deus e a nossos semelhantes" e que "como todos os grandes livros religiosos, o Alcorão ensina que a paz e o amor são melhores que o ódio e a guerra, um estado a ser alcançado pela devoção a Deus e a seu mensageiro". Até aí, tudo bem.
Em seguida, ele desanca a corrente fundada há 300 anos pelo pregador radical Muhammad ibn Abdul Wahhab, que, entre outras coisas, passou a igualar os judeus e cristãos aos idólatras e pagãos. Como lembra o autor do artigo, o Alcorão diz que os pagão e idólatras "são indesejáveis para Deus e devem ser assassinados em massa se se negam a se converter". Deixa eu ver se entendi. Esse livro sagrado que prega a matança de quem decide se manter fiel aos deuses dos seus ancestrais é o mesmo que "ensina que a paz e o amor são melhores que o ódio e a guerra"?
Sinceramente? Wahhab pode ter levado a selvageria ao paroxismo, mas usou uma matriz que já estava prontinha.
Não sei se sou eu que ando mais maluco do que o normal ou se o mundo anda operando em freqüências aleatórias. Li hoje no Globo um artigo do escritor Frederick Forsyth detonando a Al Qaeda e defendendo o Islamismo como um todo. Entre outras coisas, ele afirma que "o Islã é uma grande religião e, como todas as grandes religiões, baseia-se, teoricamente, no amor: o amor a Deus e a nossos semelhantes" e que "como todos os grandes livros religiosos, o Alcorão ensina que a paz e o amor são melhores que o ódio e a guerra, um estado a ser alcançado pela devoção a Deus e a seu mensageiro". Até aí, tudo bem.
Em seguida, ele desanca a corrente fundada há 300 anos pelo pregador radical Muhammad ibn Abdul Wahhab, que, entre outras coisas, passou a igualar os judeus e cristãos aos idólatras e pagãos. Como lembra o autor do artigo, o Alcorão diz que os pagão e idólatras "são indesejáveis para Deus e devem ser assassinados em massa se se negam a se converter". Deixa eu ver se entendi. Esse livro sagrado que prega a matança de quem decide se manter fiel aos deuses dos seus ancestrais é o mesmo que "ensina que a paz e o amor são melhores que o ódio e a guerra"?
Sinceramente? Wahhab pode ter levado a selvageria ao paroxismo, mas usou uma matriz que já estava prontinha.
Realidade? Que realidade?
Li tempos atrás num veículo paulista uma reportagem sobre seqüestros que criticava a postura do governo local quanto à participação de policiais nas quadrilhas. Segundo o texto, o Rio conseguira melhorar a situação porque, entre outras coisas, ao assumir a chefia da Polícia Civil, o então delegado Hélio Luz declarara: "A DAS (Divisão Anti-Seqüestros) não seqüestra mais". A reportagem comparava o caso ao de um vício, cuja cura começa com a admissão da existência do problema.
E daí, Leo? Daí que eu lembrei disso hoje ao ler as entrevistas dos pais dos integrantes de uma quadrilha de pittboys presa no fim de semana após uma mega-arruaça numa boate de Ipanema. Os arruaceiros, um deles menor, foram presos diante das câmeras por uma tropa da PM após espancarem um rapaz e um policial à paisana que tentara apartar – sem sacar a arma, aliás. O policial, que levou mais de cinqüenta pontos no rosto, descreveu a agressão dos pittboys ao rapaz como um linchamento.
Eis que hoje, nos jornais, os pais dos ditos cujos dizem que são todos rapazes exemplares, que não se envolvem em brigas, que é um absurdo tratá-los como marginais – apesar de terem sido presos em flagrante. Que o advogado diga isso, tudo bem. Ele é pago para dizer que o céu é verde para livrar a cara dos clientes. Mas a insistência dos pais em negar o próprio fracasso na criação dos filhos já tem ares de patologia.
Há uns 25 anos, três rapazes de classe média alta profundamente chapados roubaram o carro do meu tio na porta da casa dos meus avós. Chegaram mesmo a disparar um tiro – não sei se intencionalmente ou por efeito das drogas, não acertaram ninguém. Os três foram presos horas depois. Um deles, depois que o barato passou, brigou com um vizinho e foi dar queixa na 19ª, justo onde meu tio relatava o roubo do carro. Acabou preso e entregou os outros. Dois eram filhos de médicos conceituados; o terceiro, de um alto oficial da Aeronáutica.
Pois o militar foi o único que não tentou comprar meu tio para que este não desse queixa. Os demais tentaram de tudo, dizendo que os filhos eram bons rapazes, botando a culpa em más companhias, em más influências etc. Eles próprios não tinham nenhuma culpa no fato de os filhos virarem ladrões e potenciais assassinos.
Com os pittboys está acontecendo a mesma coisa. Em vez de educação, liberalidade desmedida – para não tolher a personalidade. Em vez de valores, bens. Depois, quando eles saem em bandos (eu ia dizer matilhas, mas mudei de idéia em respeito aos lobos) agredindo os outros, são rapazes exemplares. Então tá, então.
Mudando de assunto, mas ainda no tema fuga da realidade, não canso de me divertir com Paulo Maluf. Mesmo depois de a Suíça ter enviado para o Brasil os documentos sobre as contas que ele manteve lá, o ex-prefeito continua afirmando que jamais teve contas em paraísos fiscais. É um pândego.
Li tempos atrás num veículo paulista uma reportagem sobre seqüestros que criticava a postura do governo local quanto à participação de policiais nas quadrilhas. Segundo o texto, o Rio conseguira melhorar a situação porque, entre outras coisas, ao assumir a chefia da Polícia Civil, o então delegado Hélio Luz declarara: "A DAS (Divisão Anti-Seqüestros) não seqüestra mais". A reportagem comparava o caso ao de um vício, cuja cura começa com a admissão da existência do problema.
E daí, Leo? Daí que eu lembrei disso hoje ao ler as entrevistas dos pais dos integrantes de uma quadrilha de pittboys presa no fim de semana após uma mega-arruaça numa boate de Ipanema. Os arruaceiros, um deles menor, foram presos diante das câmeras por uma tropa da PM após espancarem um rapaz e um policial à paisana que tentara apartar – sem sacar a arma, aliás. O policial, que levou mais de cinqüenta pontos no rosto, descreveu a agressão dos pittboys ao rapaz como um linchamento.
Eis que hoje, nos jornais, os pais dos ditos cujos dizem que são todos rapazes exemplares, que não se envolvem em brigas, que é um absurdo tratá-los como marginais – apesar de terem sido presos em flagrante. Que o advogado diga isso, tudo bem. Ele é pago para dizer que o céu é verde para livrar a cara dos clientes. Mas a insistência dos pais em negar o próprio fracasso na criação dos filhos já tem ares de patologia.
Há uns 25 anos, três rapazes de classe média alta profundamente chapados roubaram o carro do meu tio na porta da casa dos meus avós. Chegaram mesmo a disparar um tiro – não sei se intencionalmente ou por efeito das drogas, não acertaram ninguém. Os três foram presos horas depois. Um deles, depois que o barato passou, brigou com um vizinho e foi dar queixa na 19ª, justo onde meu tio relatava o roubo do carro. Acabou preso e entregou os outros. Dois eram filhos de médicos conceituados; o terceiro, de um alto oficial da Aeronáutica.
Pois o militar foi o único que não tentou comprar meu tio para que este não desse queixa. Os demais tentaram de tudo, dizendo que os filhos eram bons rapazes, botando a culpa em más companhias, em más influências etc. Eles próprios não tinham nenhuma culpa no fato de os filhos virarem ladrões e potenciais assassinos.
Com os pittboys está acontecendo a mesma coisa. Em vez de educação, liberalidade desmedida – para não tolher a personalidade. Em vez de valores, bens. Depois, quando eles saem em bandos (eu ia dizer matilhas, mas mudei de idéia em respeito aos lobos) agredindo os outros, são rapazes exemplares. Então tá, então.
Mudando de assunto, mas ainda no tema fuga da realidade, não canso de me divertir com Paulo Maluf. Mesmo depois de a Suíça ter enviado para o Brasil os documentos sobre as contas que ele manteve lá, o ex-prefeito continua afirmando que jamais teve contas em paraísos fiscais. É um pândego.
sexta-feira, 12 de março de 2004
Louvável
Ainda que isso choque algumas pessoas, não me incluo na lista de fãs de Caetano Veloso. Considero-o o Orson Welles brasileiro: um cara que desperdiça seu grande talento glorificando sua suposta genialidade.
Mas devo dizer que o "antigo compositor baiano" cresceu um tiquinho no meu conceito quando li hoje que ele também se recusa a dar audiência ao Big Brother.
Costumo dizer que até dar com a cabeça na parede é uma atividade mais produtiva que ver um monte de neanderthais secretando boçalidade na TV. A única coisa que esse programa produz de interessante costuma estar melhor nas Playboys dos meses seguintes.
Ainda que isso choque algumas pessoas, não me incluo na lista de fãs de Caetano Veloso. Considero-o o Orson Welles brasileiro: um cara que desperdiça seu grande talento glorificando sua suposta genialidade.
Mas devo dizer que o "antigo compositor baiano" cresceu um tiquinho no meu conceito quando li hoje que ele também se recusa a dar audiência ao Big Brother.
Costumo dizer que até dar com a cabeça na parede é uma atividade mais produtiva que ver um monte de neanderthais secretando boçalidade na TV. A única coisa que esse programa produz de interessante costuma estar melhor nas Playboys dos meses seguintes.
Serviço acima do lucro
Na esteira dos medonhos atentados que sacudiram Madri, o excelente diário "El Pais" liberou o acesso gratuito a todo o seu conteúdo.
Mudando de assunto, mas ainda no tema, é impressionante como político é cara-de-pau em qualquer lugar. Mesmo depois de encontrarem uma fita gravada em árabe, de a Europol dizer que os ataques tinham o padrão da Al-Qaeda e de a própria organização terrorista reivindicar os atentados, o partido conservador do primeiro-ministro José Maria Aznar ainda tentava jogar a culpa no ETA para faturar nas próximas eleições. Até porque, os atentados de hoje tem ligação direta com o apoio de Aznar à invasão do Iraque.
Na esteira dos medonhos atentados que sacudiram Madri, o excelente diário "El Pais" liberou o acesso gratuito a todo o seu conteúdo.
Mudando de assunto, mas ainda no tema, é impressionante como político é cara-de-pau em qualquer lugar. Mesmo depois de encontrarem uma fita gravada em árabe, de a Europol dizer que os ataques tinham o padrão da Al-Qaeda e de a própria organização terrorista reivindicar os atentados, o partido conservador do primeiro-ministro José Maria Aznar ainda tentava jogar a culpa no ETA para faturar nas próximas eleições. Até porque, os atentados de hoje tem ligação direta com o apoio de Aznar à invasão do Iraque.
sexta-feira, 5 de março de 2004
Elogio e gozação
A Justiça do Rio Grande do Sul criou uma importante jurisprudência a determinar que os cartórios do estado registrem uniões civis entre pessoas do mesmo sexo. A decisão é histórica, mas deve provocar reações furiosas daquelas pessoas que gostam de ditar como os outros devem levar suas vidas. Há anos a bancada cristã emperra um projeto sobre o assunto no Senado.
Nos EUA, onde os estados têm uma independência muito maior, o Judiciário de Massachusetts concluiu que proibir homossexuais de se casarem viola o princípio de igualdade garantido pela Constituição. Bastou para a extrema-direita cristã tentar aprovar uma emenda constitucional proibindo o casamento gay. Paul Kistof, colunista do New York Times, lembrou há algum tempo que, em vez de criticar a facilidade com que divórcios acontecem nos EUA, os conservadores querem "defender o casamento" impedindo que pessoas se casem.
Paisinho curioso, não? Um sujeito sair na rua armado, representando um risco potencial real para outras pessoas, é considerado um direito individual. Já as relações sexuais de adultos consentidos viram tema de legislação.
Passado o elogio à decisão da Justiça gaúcha, vale lembrar que só podia ter acontecido no Rio Grande, onde "todo mundo é macho!" - aqui no Rio, onde tem macho e fêmea, a gente se diverte mais. Dizem até que vão decretar feriado em Pelotas.
A Justiça do Rio Grande do Sul criou uma importante jurisprudência a determinar que os cartórios do estado registrem uniões civis entre pessoas do mesmo sexo. A decisão é histórica, mas deve provocar reações furiosas daquelas pessoas que gostam de ditar como os outros devem levar suas vidas. Há anos a bancada cristã emperra um projeto sobre o assunto no Senado.
Nos EUA, onde os estados têm uma independência muito maior, o Judiciário de Massachusetts concluiu que proibir homossexuais de se casarem viola o princípio de igualdade garantido pela Constituição. Bastou para a extrema-direita cristã tentar aprovar uma emenda constitucional proibindo o casamento gay. Paul Kistof, colunista do New York Times, lembrou há algum tempo que, em vez de criticar a facilidade com que divórcios acontecem nos EUA, os conservadores querem "defender o casamento" impedindo que pessoas se casem.
Paisinho curioso, não? Um sujeito sair na rua armado, representando um risco potencial real para outras pessoas, é considerado um direito individual. Já as relações sexuais de adultos consentidos viram tema de legislação.
Passado o elogio à decisão da Justiça gaúcha, vale lembrar que só podia ter acontecido no Rio Grande, onde "todo mundo é macho!" - aqui no Rio, onde tem macho e fêmea, a gente se diverte mais. Dizem até que vão decretar feriado em Pelotas.
Nova praia
Atenção galera, a Praia do Nelson, freqüentador assíduo aqui do Espírito de Porco, mudou de nome e endereço. Cliquem aqui e confiram a nova cara.
Atenção galera, a Praia do Nelson, freqüentador assíduo aqui do Espírito de Porco, mudou de nome e endereço. Cliquem aqui e confiram a nova cara.
quinta-feira, 4 de março de 2004
Bobeira das Arábias
Um francês, um argentino e um brasileiro estavam em Riad, capital da Arábia Saudita, quando resolveram tomar um porre. País islâmico ultra-conservador, a lei local proibia bebidas alcoólicas. Os três compram no mercado negro, enchem a cara, saem de carro e provocam um acidente.
Presos, são condenados à morte. Porém, com bons advogados e pressão internacional, a pena foi comutada para prisão perpétua. Eis que, por um capricho da sorte, a esposa favorita do Sheik teve um filho homem. Ele resolve abrandar ainda mais a pena e decreta que os mesmos poderão ser soltos após receberem 20 chibatadas cada. Quando eles estão se preparando para a punição, o Sheik anuncia mais uma benevolência em nome da esposa favorita: Cada um deles teria direito a um pedido antes da sentença, desde que não fosse "não levar as chibatadas".
O francês foi o primeiro da fila. Pensou um pouco e pediu: "Por favor, amarrem dois travesseiros nas minhas costas".
Assim foi feito, mas o verdugo saudita era muito competente e os travesseiros só duraram 10 chibatadas. As dez seguintes foram no couro dele, que teve de ser carregado, sangrando muito.
O argentino, sabido como sempre, viu o que tinha acontecido e, sendo segundo, pediu: "Por favor, amarrem quatro travesseiros nas minhas costas". Porém, mesmo assim, após 15 chibatadas os travesseiros não suportaram e o Argentino foi levado sangrando e maldizendo o acontecido.
O brasileiro foi o último e antes que pudesse dizer o seu pedido, foi interrompido pelo Sheik: "Você é um de um país belíssimo, do futebol e das mulatas. Eu adoro o Brasil, e vou lhe agraciar com dois pedidos antes da punição."
"Obrigado, sua Alteza", disse o brasileiro. "Estou muito envergonhado com a gravidade do nosso crime. Acho que vinte chibatas é uma punição branda. Meu primeiro desejo é que eu receba 100 chibatadas."
Ao que o Sheik respondeu: "Além de ser um homem honrado e gentil, o senhor também um homem corajoso. Que assim seja! Mas e seu segundo pedido?"
Ao que o brasileiro complementou: "Quero que amarrem o argentino às minhas costas".
Enviada por meu cumpadi Vicente
Um francês, um argentino e um brasileiro estavam em Riad, capital da Arábia Saudita, quando resolveram tomar um porre. País islâmico ultra-conservador, a lei local proibia bebidas alcoólicas. Os três compram no mercado negro, enchem a cara, saem de carro e provocam um acidente.
Presos, são condenados à morte. Porém, com bons advogados e pressão internacional, a pena foi comutada para prisão perpétua. Eis que, por um capricho da sorte, a esposa favorita do Sheik teve um filho homem. Ele resolve abrandar ainda mais a pena e decreta que os mesmos poderão ser soltos após receberem 20 chibatadas cada. Quando eles estão se preparando para a punição, o Sheik anuncia mais uma benevolência em nome da esposa favorita: Cada um deles teria direito a um pedido antes da sentença, desde que não fosse "não levar as chibatadas".
O francês foi o primeiro da fila. Pensou um pouco e pediu: "Por favor, amarrem dois travesseiros nas minhas costas".
Assim foi feito, mas o verdugo saudita era muito competente e os travesseiros só duraram 10 chibatadas. As dez seguintes foram no couro dele, que teve de ser carregado, sangrando muito.
O argentino, sabido como sempre, viu o que tinha acontecido e, sendo segundo, pediu: "Por favor, amarrem quatro travesseiros nas minhas costas". Porém, mesmo assim, após 15 chibatadas os travesseiros não suportaram e o Argentino foi levado sangrando e maldizendo o acontecido.
O brasileiro foi o último e antes que pudesse dizer o seu pedido, foi interrompido pelo Sheik: "Você é um de um país belíssimo, do futebol e das mulatas. Eu adoro o Brasil, e vou lhe agraciar com dois pedidos antes da punição."
"Obrigado, sua Alteza", disse o brasileiro. "Estou muito envergonhado com a gravidade do nosso crime. Acho que vinte chibatas é uma punição branda. Meu primeiro desejo é que eu receba 100 chibatadas."
Ao que o Sheik respondeu: "Além de ser um homem honrado e gentil, o senhor também um homem corajoso. Que assim seja! Mas e seu segundo pedido?"
Ao que o brasileiro complementou: "Quero que amarrem o argentino às minhas costas".
Enviada por meu cumpadi Vicente
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2004
Mais pura verdade
Versão feminina:
Mulher 1: Oi! Você cortou o cabelo! Ficou lindo!
Mulher 2: Você acha? Eu não tive certeza quando olhei no espelho. Quer dizer, você não acha que ficou afofado demais?
Mulher 1: Não, está perfeito. Eu adoraria cortar meu cabelo assim, mas meu rosto e' muito fino. Eu fico muito presa a isto.
Mulher 2: Fala serio. Eu acho seu rosto adorável. E você pode facilmente ter um daqueles cortes em camadas, que são todos bonitos. Eu ia fazer exatamente isto, mas fiquei com medo de acentuar meu pescoço comprido.
Mulher 1: Ah, engraçado. Eu adoraria ter o seu pescoço. Qualquer coisa que tirasse a atenção desta minha linha de ombros dois-por-quatro.
Mulher 2: Você tá brincando? Eu conheço garotas que adorariam ter seus ombros. Qualquer coisa cai tão bem em você. Olhe meus braços - como são curtos? Se eu tivesse seus ombros eu poderia conseguir roupas que se encaixassem em mim com muito mais facilidade.
Versão masculina:
Homem 1: Cortou o cabelo?
Homem 2: Cortei
Contribuição da Simone
Versão feminina:
Mulher 1: Oi! Você cortou o cabelo! Ficou lindo!
Mulher 2: Você acha? Eu não tive certeza quando olhei no espelho. Quer dizer, você não acha que ficou afofado demais?
Mulher 1: Não, está perfeito. Eu adoraria cortar meu cabelo assim, mas meu rosto e' muito fino. Eu fico muito presa a isto.
Mulher 2: Fala serio. Eu acho seu rosto adorável. E você pode facilmente ter um daqueles cortes em camadas, que são todos bonitos. Eu ia fazer exatamente isto, mas fiquei com medo de acentuar meu pescoço comprido.
Mulher 1: Ah, engraçado. Eu adoraria ter o seu pescoço. Qualquer coisa que tirasse a atenção desta minha linha de ombros dois-por-quatro.
Mulher 2: Você tá brincando? Eu conheço garotas que adorariam ter seus ombros. Qualquer coisa cai tão bem em você. Olhe meus braços - como são curtos? Se eu tivesse seus ombros eu poderia conseguir roupas que se encaixassem em mim com muito mais facilidade.
Versão masculina:
Homem 1: Cortou o cabelo?
Homem 2: Cortei
Contribuição da Simone
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2004
Paternidade é isso aí
Com a devida alteração de gênero indicada, esta canção da banda inglesa Inkubus Sukkubus resume bem a alegria que eu sinto com Luísa.
BRIGHT STAR
Brightest of souls shining through
Dearest of girls, I love you
Wrapped in my arms I would stay here with you
You are my lifeline
You make the stars shine
All of my life I have waited for you
You are the brightest star
I love all that you are
You are the brightest star
My beautiful child
Beautiful girl, I can see
How you have brought joy to me
The smallest thing you do captures my heart
How I could watch all the day
Watch how you think as you play
You have a mind that has opened my own
You are my bloodline
You make the stars in heaven shine
All of my life I have waited for you
Com a devida alteração de gênero indicada, esta canção da banda inglesa Inkubus Sukkubus resume bem a alegria que eu sinto com Luísa.
BRIGHT STAR
Brightest of souls shining through
Dearest of girls, I love you
Wrapped in my arms I would stay here with you
You are my lifeline
You make the stars shine
All of my life I have waited for you
You are the brightest star
I love all that you are
You are the brightest star
My beautiful child
Beautiful girl, I can see
How you have brought joy to me
The smallest thing you do captures my heart
How I could watch all the day
Watch how you think as you play
You have a mind that has opened my own
You are my bloodline
You make the stars in heaven shine
All of my life I have waited for you
Carinho pela metade
Não que eu seja hipocondríaco, mas tenho carteirinha de sócio atleta da Santa Terezinha, uma casa de saúde perto da minha casa. Durante o Carnaval eu dei uma meia-trava na emergência para ver uma tendinite no pé*. Enquanto aguardava na sala de espera cheia, sentou-se ao meu lado uma moça passando mal, acompanhada de outra garota.
Não precisou muito para eu notar que era um casal. Não só pelo papo doméstico, mas pelo extremo carinho que uma parecia demonstrar pela outra. Se não estivesse em casa cuidando da Luísa (“um apetite voraz numa ponta e nenhuma responsabilidade na outra”), Cristina estaria comigo fazendo gestos de carinho praticamente iguais.
"Praticamente" porque entre elas havia sempre algo contido. Era o carinho no rosto que prenunciava um beijo que não acontecia, por exemplo. Fiquei pensando como deve ser triste precisar esconder o próprio carinho. A rigor, elas não fariam nada que um casal hétero não fosse fazer num lugar público. Mas certamente agravariam o risco cardíaco das velhotas que esperavam para medir a pressão.
"Tá, Leo. Cê tá com essa liberalidade toda porque eram duas mulheres, e homem se amarra em colação de velcro. Se fossem dois marmanjos se carinhando, cê ia achar o fim da picada." Pode ser. De qualquer forma, é triste constatar que os nossos preconceitos acabam maniatando as relações dos outros. Que as pessoas continuam tentando impor os próprios padrões sobre os outros. Não se trata de viver de acordo com seus valores, mas exigir que os outros vivam.
Lembro da foto de um protesto contra a ditadura em 68, na qual se lia num cartaz "Se vocês são fortes, abram as urnas". Será que esse povo tem tão pouca confiança nos próprios valores que precisa tirar da vista tudo o que é diferente deles? Será que a sexualidade do seu Zé e da dona Maria que freqüentam o encontro de casais da igreja vai pras cucuias se forem para a casa ao lado duas mulheres (ok, dois homens, se preferirem) que vivem juntas e felizes?
Pode parecer viagem, eu sei. Mas mesmo agora a direita cristã nos EUA quer uma emenda constitucional proibindo a união civil entre gays. O cerne da hipocrisia foi maravilhosamente capturado pela Onion: Suprema Corte de Massachusetts obriga todos os cidadãos a se casarem com gays. Quem ouve gente com Bush falar, acha que é isso, que a possibilidade de duas pessoas do mesmo sexo legalizarem sua relação torna obrigatório o homossexualismo. Ou que as igrejas seriam obrigadas a dar status de casamento (sacramento) a essas uniões civis.
O engraçado que é a extrema irresponsabilidade com que parte dos americanos trata o casamento (e a leviandade das leis sobre isso lá) não parece "desmoralizar a instituição". Britney Spears encher a cara, entrar numa capela e casar com um amigo por curtição – e anular o casamento no dia seguinte – desmoraliza muito mais do que um casal gay que vive junto há anos tentar regularizar sua situação.
Infelizmente hipocrisia e desinformação continuam a ser a melhor arma dessa gente.
* A tendinite no pé tem suas vantagens: permite-me não gostar de pagode e de “marcha-enredo” sem passar por ruim da cabeça.
Não que eu seja hipocondríaco, mas tenho carteirinha de sócio atleta da Santa Terezinha, uma casa de saúde perto da minha casa. Durante o Carnaval eu dei uma meia-trava na emergência para ver uma tendinite no pé*. Enquanto aguardava na sala de espera cheia, sentou-se ao meu lado uma moça passando mal, acompanhada de outra garota.
Não precisou muito para eu notar que era um casal. Não só pelo papo doméstico, mas pelo extremo carinho que uma parecia demonstrar pela outra. Se não estivesse em casa cuidando da Luísa (“um apetite voraz numa ponta e nenhuma responsabilidade na outra”), Cristina estaria comigo fazendo gestos de carinho praticamente iguais.
"Praticamente" porque entre elas havia sempre algo contido. Era o carinho no rosto que prenunciava um beijo que não acontecia, por exemplo. Fiquei pensando como deve ser triste precisar esconder o próprio carinho. A rigor, elas não fariam nada que um casal hétero não fosse fazer num lugar público. Mas certamente agravariam o risco cardíaco das velhotas que esperavam para medir a pressão.
"Tá, Leo. Cê tá com essa liberalidade toda porque eram duas mulheres, e homem se amarra em colação de velcro. Se fossem dois marmanjos se carinhando, cê ia achar o fim da picada." Pode ser. De qualquer forma, é triste constatar que os nossos preconceitos acabam maniatando as relações dos outros. Que as pessoas continuam tentando impor os próprios padrões sobre os outros. Não se trata de viver de acordo com seus valores, mas exigir que os outros vivam.
Lembro da foto de um protesto contra a ditadura em 68, na qual se lia num cartaz "Se vocês são fortes, abram as urnas". Será que esse povo tem tão pouca confiança nos próprios valores que precisa tirar da vista tudo o que é diferente deles? Será que a sexualidade do seu Zé e da dona Maria que freqüentam o encontro de casais da igreja vai pras cucuias se forem para a casa ao lado duas mulheres (ok, dois homens, se preferirem) que vivem juntas e felizes?
Pode parecer viagem, eu sei. Mas mesmo agora a direita cristã nos EUA quer uma emenda constitucional proibindo a união civil entre gays. O cerne da hipocrisia foi maravilhosamente capturado pela Onion: Suprema Corte de Massachusetts obriga todos os cidadãos a se casarem com gays. Quem ouve gente com Bush falar, acha que é isso, que a possibilidade de duas pessoas do mesmo sexo legalizarem sua relação torna obrigatório o homossexualismo. Ou que as igrejas seriam obrigadas a dar status de casamento (sacramento) a essas uniões civis.
O engraçado que é a extrema irresponsabilidade com que parte dos americanos trata o casamento (e a leviandade das leis sobre isso lá) não parece "desmoralizar a instituição". Britney Spears encher a cara, entrar numa capela e casar com um amigo por curtição – e anular o casamento no dia seguinte – desmoraliza muito mais do que um casal gay que vive junto há anos tentar regularizar sua situação.
Infelizmente hipocrisia e desinformação continuam a ser a melhor arma dessa gente.
* A tendinite no pé tem suas vantagens: permite-me não gostar de pagode e de “marcha-enredo” sem passar por ruim da cabeça.
sábado, 21 de fevereiro de 2004
Quadradura do Círculo
Falando um pouquinho dessa história dos bingos, vou repetir uma pergunta que fiz há quase dez anos, quando eles foram liberados: O que faz o Brasil pensar que vai ser o único país do mundo em que a jogatina não vai ser apenas uma ferramenta de lavagem de dinheiro pelo crime organizado?
Falando um pouquinho dessa história dos bingos, vou repetir uma pergunta que fiz há quase dez anos, quando eles foram liberados: O que faz o Brasil pensar que vai ser o único país do mundo em que a jogatina não vai ser apenas uma ferramenta de lavagem de dinheiro pelo crime organizado?
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2004
Problema de timing
Diz a BBC que cientistas ingleses desenvolveram uma vacina para a Peste Bubônica, transmitida para os seres humanos por pulgas de ratos. Um gigantesco avanço para a medicina, só que com quase 700 anos de atraso. A doença, também chamada de Morte Negra, espalhou-se pela Europa em 1347, matando, em cinco anos, 25 milhões de pessoas – um terço da população do continente.
Brincadeiras à parte, cerca de 2.500 pessoas ainda morrem anualmente desse mal em todo o mundo – tendo havido casos esporádicos no Brasil nos últimos 30 anos. Mas o interesse na vacina é mais militar do que humanitário. As pesquisas começaram na primeira Guerra do Golfo, quando se espalhou que Saddam tinha armas biológicas com a bactéria da Morte Negra. Devem estar escondidas junto com as demais armas de destruição de massa e as provas de que George Bush realmente serviu na Guarda Nacional.
Diz a BBC que cientistas ingleses desenvolveram uma vacina para a Peste Bubônica, transmitida para os seres humanos por pulgas de ratos. Um gigantesco avanço para a medicina, só que com quase 700 anos de atraso. A doença, também chamada de Morte Negra, espalhou-se pela Europa em 1347, matando, em cinco anos, 25 milhões de pessoas – um terço da população do continente.
Brincadeiras à parte, cerca de 2.500 pessoas ainda morrem anualmente desse mal em todo o mundo – tendo havido casos esporádicos no Brasil nos últimos 30 anos. Mas o interesse na vacina é mais militar do que humanitário. As pesquisas começaram na primeira Guerra do Golfo, quando se espalhou que Saddam tinha armas biológicas com a bactéria da Morte Negra. Devem estar escondidas junto com as demais armas de destruição de massa e as provas de que George Bush realmente serviu na Guarda Nacional.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2004
Uncle Fucker
Essa eu roubei da Selina. Clique aqui e veja como você seria se fosse um personagem de South Park.
Essa eu roubei da Selina. Clique aqui e veja como você seria se fosse um personagem de South Park.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2004
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2004
Profissionalismo às favas
Fazendo uma faxina no antigo escritório (doravante conhecido como "quarto da Luísa"), encontrei esta foto do longínquo 1985, quando participei de minha primeira cobertura jornalística, no Rock In Rio 1. Esse foi o momento em que, após entrevistar Ozzy Osbourne, mandei o profissionalismo pras cinco letras que fedem e peguei um autógrafo dele.
Poxa, até que eu não era tão feio. O que aconteceu de lá pra cá - fora a passagem de 19 anos, claro?
Fazendo uma faxina no antigo escritório (doravante conhecido como "quarto da Luísa"), encontrei esta foto do longínquo 1985, quando participei de minha primeira cobertura jornalística, no Rock In Rio 1. Esse foi o momento em que, após entrevistar Ozzy Osbourne, mandei o profissionalismo pras cinco letras que fedem e peguei um autógrafo dele.
Poxa, até que eu não era tão feio. O que aconteceu de lá pra cá - fora a passagem de 19 anos, claro?
sábado, 31 de janeiro de 2004
sexta-feira, 30 de janeiro de 2004
quinta-feira, 29 de janeiro de 2004
quarta-feira, 28 de janeiro de 2004
Diálogos X-Crotos XX (roubado)
"Alô, é da casa de Débora?"
"Não, minha senhora, não é."
"Débora não está?"
"Não, senhora, aqui não tem nenhuma Débora."
"A que horas ela volta?"
"Meu bem, aqui NÃO TEM NENHUMA DÉBORA!"
"Então tá, eu ligo depois."
Essa aconteceu com a minha querida Selina, que relatou em seu blog, Gothan City É Aqui...
"Alô, é da casa de Débora?"
"Não, minha senhora, não é."
"Débora não está?"
"Não, senhora, aqui não tem nenhuma Débora."
"A que horas ela volta?"
"Meu bem, aqui NÃO TEM NENHUMA DÉBORA!"
"Então tá, eu ligo depois."
Essa aconteceu com a minha querida Selina, que relatou em seu blog, Gothan City É Aqui...
Provocação camuflada
Dizem os noticiários que o ministro da Saúde, Humberto Costa, vetou a frase que seria usada na campanha contra a Aids. Pela proposta inicial, os cartazes mostrariam um peixinho nadando dentro de uma camisinha, com os dizeres “Por aqui não passa nada. Bote fé, use camisinha”. Costa considerou que a frase era uma provocação à Igreja Católica, que condena qualquer forma de contracepção e espalha que a camisinha não é eficaz no combate às DST.
O que Costa aparentemente não notou é que existe uma provocação mais sutil: o peixe dentro da camisinha. Esse (o peixe, não a camisinha, claro) foi um dos primeiros símbolos dos cristãos (antes deles adotarem a não menos macabra metáfora do pastores e ovelhas) e ainda hoje é usado por eles. Acho muito difícil ser coincidência.
Dizem os noticiários que o ministro da Saúde, Humberto Costa, vetou a frase que seria usada na campanha contra a Aids. Pela proposta inicial, os cartazes mostrariam um peixinho nadando dentro de uma camisinha, com os dizeres “Por aqui não passa nada. Bote fé, use camisinha”. Costa considerou que a frase era uma provocação à Igreja Católica, que condena qualquer forma de contracepção e espalha que a camisinha não é eficaz no combate às DST.
O que Costa aparentemente não notou é que existe uma provocação mais sutil: o peixe dentro da camisinha. Esse (o peixe, não a camisinha, claro) foi um dos primeiros símbolos dos cristãos (antes deles adotarem a não menos macabra metáfora do pastores e ovelhas) e ainda hoje é usado por eles. Acho muito difícil ser coincidência.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2004
Too gay to rock’n’roll...
Nada mais me surpreende. Acabo de ler que David Palmer, ex-tecladista do Jethro Tull, fez, aos 66 anos, uma cirurgia para mudar de sexo e agora se chama Dee. Apesar de ter tocado em apenas seis discos com a banda, entre 1976 e 1980, David – ou melhor, Dee – participou como arranjador desde o disco de estréia, em 1968, “This Was”. Ian Anderson se disse meio confuso, mas deu apoio ao amigo/a.
Com todo respeito à turma das teclas, mas deve ser mal do instrumento. Em 1972, Walter Carlos, autor da trilha de “Laranja Mecânica”, passou a faca nos documentos e tornou-se Wendy. Ainda Walter, Carlos foi praticamente o sujeito que fez o parto do sintetizador Moog, que logo seria adotado por Keith Emerson. Já Wendy, continuou uma carreira de sucesso, assinando, entre outras, as trilhas de “O Iluminado” e “Tron”.
Agora, isso pode ser comum nos teclados; no contrabaixo não rolam essa frescuras, não...
Nada mais me surpreende. Acabo de ler que David Palmer, ex-tecladista do Jethro Tull, fez, aos 66 anos, uma cirurgia para mudar de sexo e agora se chama Dee. Apesar de ter tocado em apenas seis discos com a banda, entre 1976 e 1980, David – ou melhor, Dee – participou como arranjador desde o disco de estréia, em 1968, “This Was”. Ian Anderson se disse meio confuso, mas deu apoio ao amigo/a.
Com todo respeito à turma das teclas, mas deve ser mal do instrumento. Em 1972, Walter Carlos, autor da trilha de “Laranja Mecânica”, passou a faca nos documentos e tornou-se Wendy. Ainda Walter, Carlos foi praticamente o sujeito que fez o parto do sintetizador Moog, que logo seria adotado por Keith Emerson. Já Wendy, continuou uma carreira de sucesso, assinando, entre outras, as trilhas de “O Iluminado” e “Tron”.
Agora, isso pode ser comum nos teclados; no contrabaixo não rolam essa frescuras, não...
quinta-feira, 15 de janeiro de 2004
É melhor pensar antes
Há tempos li um conto em que Deuses muito antigos esquecidos começavam a conceder desejos. Uma das situações bizarras é que milhares de pessoas acertam ao mesmo tempo na loteria, cada uma ganhando menos de dez dólares. A história falava no suicídio de ganhadores que, antes de saberem o valor do prêmio começaram a fazer coisas como tacar fogo na casa velha ou passar a mão na bunda do patrão.
Lembrei disso hoje ao ver o resultado do concurso 529 da Mega-Sena, que estava acumulado em mais de R$ 5 milhões. Não foram milhares, mas 15 acertadores – ainda assim, acho que foi o maior número já registrado nessa loteria, não contando bolões. Fico imaginando o sujeito que ouviu ontem no rádio os números, acertou, passou a noite sonhando em passar o resto da vida no dolce far niente com a renda dos cinco milhões e hoje, ao ir na Caixa Econômica, descobriu que ia levar R$ 348.732,75. É uma grana respeitável, mas não dá pra viver na flauta.
Uma curiosidade: todos os ganhadores eram de estados do Nordeste. Cinco de Pernambuco, três da Paraíba, dois do Piauí, do Rio Grande do Norte e do Ceará e um da Bahia.
Há tempos li um conto em que Deuses muito antigos esquecidos começavam a conceder desejos. Uma das situações bizarras é que milhares de pessoas acertam ao mesmo tempo na loteria, cada uma ganhando menos de dez dólares. A história falava no suicídio de ganhadores que, antes de saberem o valor do prêmio começaram a fazer coisas como tacar fogo na casa velha ou passar a mão na bunda do patrão.
Lembrei disso hoje ao ver o resultado do concurso 529 da Mega-Sena, que estava acumulado em mais de R$ 5 milhões. Não foram milhares, mas 15 acertadores – ainda assim, acho que foi o maior número já registrado nessa loteria, não contando bolões. Fico imaginando o sujeito que ouviu ontem no rádio os números, acertou, passou a noite sonhando em passar o resto da vida no dolce far niente com a renda dos cinco milhões e hoje, ao ir na Caixa Econômica, descobriu que ia levar R$ 348.732,75. É uma grana respeitável, mas não dá pra viver na flauta.
Uma curiosidade: todos os ganhadores eram de estados do Nordeste. Cinco de Pernambuco, três da Paraíba, dois do Piauí, do Rio Grande do Norte e do Ceará e um da Bahia.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2004
Cultura Zero
Galera, gostaria de dividir com vocês este texto que recebi por e-mail da minha querida Márcia Frazão – talentosa tanto nas letras quanto na vassoura e no caldeirão. Se alguém for passar adiante, não esqueça de dar o crédito a ela.
Cultura Zero
Ao me olhar no espelho, enquanto escovava os dentes e matutava como cobrir o furo da conta no banco, me dei conta de que faço parte de uma classe tão desvalida quanto a dos desvalidos. Num jorro de água a ficha caiu: o beco da cultura não fica a dever nada ao beco da miséria!
Enquanto caçava cáries no fundo da boca, morrendo de medo de me deparar com uma e ficar banguela por não ter grana para ir ao dentista (no beco da cultura, plano de saúde é apenas mais uma discussão teórica), espichei a memória e contei os mortos e feridos dessa classe que tem a estranha mania de sublimar a tristeza e transmutá-la em beleza. Lembrei-me das dores e dos padecimentos financeiros de Freud e um frio me percorreu a espinha: o pai da psicanálise era um masoquista! Se não fosse, não queimaria as pestanas em pesquisas que mal da vam para pagar o aluguel da casa.
Depois de ter constatado que um dos maiores baluartes da cultura praticamente viveu a vida toda "de favor", o frio da espinha tornou-se gelo quando olhei para os lados e percebi que os tempos eram outros: já não existem ricos amantes das belas artes e os emergentes não financiam a cultura e se lixam para ela!
A esta altura, o furo da conta se tornou um buraco. Uma cratera cheia de dentes numerados, à espera de mais um funeral. Pensei em cortar os pulsos, mas rapidamente me lembrei das palavras de Dorothy Parker (outra que penou bons bocados) que sabiamente apontou a sujeira que tais suicídios costumam deixar nos tapetes. Bem verdade que não tenho nenhum tapete, mas desisti só de pensar na possibilidade de escapar e depois ter que limpar tudo (mancha de sangue dá uma trabalheira!).
Com o último dente escovado, e aliviada por não ter encontrado nenhuma cárie, esqueci da buraqueira na conta bancária, dos insensatos planos de suicídio e tomei uma decisão digna do masoquismo do beco da cultura: comecei a escrever um livro! Uma decisão que dá de mil em qualquer modalidade de suicídio.
Marcia Frazão
Galera, gostaria de dividir com vocês este texto que recebi por e-mail da minha querida Márcia Frazão – talentosa tanto nas letras quanto na vassoura e no caldeirão. Se alguém for passar adiante, não esqueça de dar o crédito a ela.
Cultura Zero
Ao me olhar no espelho, enquanto escovava os dentes e matutava como cobrir o furo da conta no banco, me dei conta de que faço parte de uma classe tão desvalida quanto a dos desvalidos. Num jorro de água a ficha caiu: o beco da cultura não fica a dever nada ao beco da miséria!
Enquanto caçava cáries no fundo da boca, morrendo de medo de me deparar com uma e ficar banguela por não ter grana para ir ao dentista (no beco da cultura, plano de saúde é apenas mais uma discussão teórica), espichei a memória e contei os mortos e feridos dessa classe que tem a estranha mania de sublimar a tristeza e transmutá-la em beleza. Lembrei-me das dores e dos padecimentos financeiros de Freud e um frio me percorreu a espinha: o pai da psicanálise era um masoquista! Se não fosse, não queimaria as pestanas em pesquisas que mal da vam para pagar o aluguel da casa.
Depois de ter constatado que um dos maiores baluartes da cultura praticamente viveu a vida toda "de favor", o frio da espinha tornou-se gelo quando olhei para os lados e percebi que os tempos eram outros: já não existem ricos amantes das belas artes e os emergentes não financiam a cultura e se lixam para ela!
A esta altura, o furo da conta se tornou um buraco. Uma cratera cheia de dentes numerados, à espera de mais um funeral. Pensei em cortar os pulsos, mas rapidamente me lembrei das palavras de Dorothy Parker (outra que penou bons bocados) que sabiamente apontou a sujeira que tais suicídios costumam deixar nos tapetes. Bem verdade que não tenho nenhum tapete, mas desisti só de pensar na possibilidade de escapar e depois ter que limpar tudo (mancha de sangue dá uma trabalheira!).
Com o último dente escovado, e aliviada por não ter encontrado nenhuma cárie, esqueci da buraqueira na conta bancária, dos insensatos planos de suicídio e tomei uma decisão digna do masoquismo do beco da cultura: comecei a escrever um livro! Uma decisão que dá de mil em qualquer modalidade de suicídio.
Marcia Frazão
Digital luso
Depois de décadas de pesquisa, nossos primos d'além mar desenvolveram um relógio digital para a Internet. Clique aqui e confira o resultado.
Ah, apesar da brincadeira com o patrícios, o site é japonês.
Enviada pela minha querida Claudia Manes
Depois de décadas de pesquisa, nossos primos d'além mar desenvolveram um relógio digital para a Internet. Clique aqui e confira o resultado.
Ah, apesar da brincadeira com o patrícios, o site é japonês.
Enviada pela minha querida Claudia Manes
terça-feira, 13 de janeiro de 2004
Pacificação semântica
Internet é um meio sensacional. Alguém imaginaria, anos atrás, que um leitor pudesse reclamar de uma tradução e ser respondido pelo próprio tradutor? Pois é, Lenita Maria Rímoli Esteves, tradutora do "Senhor dos Anéis", mandou-me uma resposta furiosa. Na troca de e-mails, porém, a discussão evoluiu para um bom debate sobre critérios de tradução. Como ela preferiu enviar-me e-mail direto e não usar os comentários, não reproduzo aqui o diálogo, sorry.
Continuamos divergindo totalmente quanto aos critérios usados para traduzir nomes próprios no livro, mas, agora num tom bem mais ameno. Em nome desse tom, quero rever publicamente alguns termos que usei e que a magoaram.
Onde lia-se "não entende chongas de Tolkien", leia-se "não tem familiaridade com Tolkien".
Onde lia-se "porcalhadas", leia-se "furos".
Onde lia-se "pirada", leia-se "pirada", mesmo. Desculpe, Lenita, mas quem chega ao ponto de escrever tese sobre "Finnegan’s Wake" tem pelo menos um pé muito bem plantado na piração.
Internet é um meio sensacional. Alguém imaginaria, anos atrás, que um leitor pudesse reclamar de uma tradução e ser respondido pelo próprio tradutor? Pois é, Lenita Maria Rímoli Esteves, tradutora do "Senhor dos Anéis", mandou-me uma resposta furiosa. Na troca de e-mails, porém, a discussão evoluiu para um bom debate sobre critérios de tradução. Como ela preferiu enviar-me e-mail direto e não usar os comentários, não reproduzo aqui o diálogo, sorry.
Continuamos divergindo totalmente quanto aos critérios usados para traduzir nomes próprios no livro, mas, agora num tom bem mais ameno. Em nome desse tom, quero rever publicamente alguns termos que usei e que a magoaram.
Onde lia-se "não entende chongas de Tolkien", leia-se "não tem familiaridade com Tolkien".
Onde lia-se "porcalhadas", leia-se "furos".
Onde lia-se "pirada", leia-se "pirada", mesmo. Desculpe, Lenita, mas quem chega ao ponto de escrever tese sobre "Finnegan’s Wake" tem pelo menos um pé muito bem plantado na piração.
terça-feira, 6 de janeiro de 2004
domingo, 4 de janeiro de 2004
Por falar nisso
Já que o assunto é "O Senhor dos Anéis", acho que já deu tempo de a maioria ver o "Retorno do Rei", de maneira que se pode comentá-lo sem estragar a surpresa. Novamente tenho que fazer um esclarecimento: li o livro pela primeira vez há quase trinta anos e não me canso de relê-lo. Vale também lembrar minha opinião sobre os dois episódios anteriores no cinema:
A Irmandade* do Anel: Gosto do filme. O diretor Peter Jackson tirou passagens importantes (Tom Bombadil e o espírito da sepultura) e simplificou situações (a fuga de Frodo do Shire*, o Conselho de Elrond e os motivos que levam Aragorn a não ocupar o trono), mas essas alterações não influíam demais no andamento da história e tornavam o filme mais ágil. Discordo do meu irmão Gil e acho que o perfil dos personagens foi razoavelmente preservado.
As Duas Torres: Detesto figadalmente. Neste, Jackson inventou situações esdrúxulas (elfos na batalha do Elmo, Aragorn brigando com Legolas, Frodo brigando com Sam etc.), e deturpou feio quatro personagens: Theodén, que passa a ser um isolacionista, Elrond, que despreza os humanos (apesar de ser meio-humano), Faramir, que vira um pau mandando, e, a mais grave, Barba-de-Árvore*, que aparentemente ignora a destruição que Saruman promove em sua floresta.
Já o filme novo exige uma análise dupla. Por um lado, é um dos melhores filmes de ação épica que já vi. A batalha de Pelennor é, na minha modesta opinião, a mais impressionante da História do cinema. A concepção de efeitos especiais nunca mais vai ser a mesma depois do trabalho magnífico da equipe de Jackson. Além disso, ele consegue arrancar excelentes performances até mesmo de atores sofríveis, como Viggo Mortensen.
E Shelob*... Graças à computação gráfica, a equipe de Jackson criou a mais monstruosa aranha de todos os tempos. Anteriormente, aranhas eram modelos mal feitos e mal articulados, como em "A Mosca da Cabeça Branca" ou justaposições de imagens que não permitiam interação entre os personagens, como em "O Incrível Homem que Encolheu". Agora, não. A aranha tem todos os movimentos reais e, na tela, interage o tempo todo com Frodo e Sam. Para alguém com uma aracnofobia igual à minha, foi um momento de terror puro.
Por outro lado... Jackson nem introduziu muita coisa, mas tirou partes fundamentais da história. A primeira foi o confronte entre Gandalf e Saruman. É o momento em que fica claro o tremendo aumento do poder daquele. Além disso, o texto de Tolkien teria ficado magistral nas vozes de Ian McKelan e Christopher Lee. Mas cena inteira foi limada.
Mas o pior foi a volta dos hobbits para casa. Tolkien concebeu sua história como um círculo. Ao voltarem da guerra, Frodo, Sam, Merry e Pippin encontram seu país destruído e tomado por criminosos. Cabe a eles, com o conhecimento, a força e a confiança que adquiriram, sublevar o povo e expulsar os bandidos. O confronto com o líder deles (se você não leu o livro, não vou entregar quem é) é um fecho perfeito. Mas Jackson limou tudo.
Pena. Vamos ver se isso melhora na inevitável versão extendida.
* Caso alguém estranhe esses nomes, eu me recuso a usar as invenções da infeliz tradução na última edição brasileira. Lenita Maria Rimoli Esteves pode ser mestre em tradução, mas não entende chongas de Tolkien e usou critérios no mínimo discutíveis. A culpa nem é dela, mas de quem escalou uma especialista em Joyce para traduzir "O Senhor dos Anéis". São estilos e até filosofias literárias completamente diferentes.
Tolkien era lingüista. Ele inventou idiomas, mas, ao contrário de Joyce, não tinha qualquer pretensão de reinventar o inglês. Ele trabalhava com a lógica das línguas germânica, que permitem justapor duas palavras, formando uma terceira. Daí Imladris, que fica num estreito vale, chamar-se Rivendell (riven=fenda e dell=vale), literalmente "Vale Fendido" ou "Vale da Fenda". Vai Dona Lenita Maria e tasca "Valfenda", que serve apenas de túmulo da eufonia.
Uma melhor ainda: o cavalo cinzento (não branco) de Gandalf movia-se tão rapidamente que mal podia ser visto. Quando corria, as pessoas percebiam somente uma sombra passando. Daí ser chamado de Shadowfax, algo como "Feixe de Sombra" ou "Facho de Sombra" (escolhido pela excelente tradução portuguesa). Nossa especialista em Joyce tirou (sabe-se lá de onde) Scadufax. Shelob ("aranha fêmea" em inglês arcaico) virou Laracna, e por aí vai.
Sinceramente, se eu fosse dono de curso de inglês, faria um propaganda com essas porcalhadas e diria "venha estudar conosco para nunca mais aturar tradutores pirados".
Já que o assunto é "O Senhor dos Anéis", acho que já deu tempo de a maioria ver o "Retorno do Rei", de maneira que se pode comentá-lo sem estragar a surpresa. Novamente tenho que fazer um esclarecimento: li o livro pela primeira vez há quase trinta anos e não me canso de relê-lo. Vale também lembrar minha opinião sobre os dois episódios anteriores no cinema:
A Irmandade* do Anel: Gosto do filme. O diretor Peter Jackson tirou passagens importantes (Tom Bombadil e o espírito da sepultura) e simplificou situações (a fuga de Frodo do Shire*, o Conselho de Elrond e os motivos que levam Aragorn a não ocupar o trono), mas essas alterações não influíam demais no andamento da história e tornavam o filme mais ágil. Discordo do meu irmão Gil e acho que o perfil dos personagens foi razoavelmente preservado.
As Duas Torres: Detesto figadalmente. Neste, Jackson inventou situações esdrúxulas (elfos na batalha do Elmo, Aragorn brigando com Legolas, Frodo brigando com Sam etc.), e deturpou feio quatro personagens: Theodén, que passa a ser um isolacionista, Elrond, que despreza os humanos (apesar de ser meio-humano), Faramir, que vira um pau mandando, e, a mais grave, Barba-de-Árvore*, que aparentemente ignora a destruição que Saruman promove em sua floresta.
Já o filme novo exige uma análise dupla. Por um lado, é um dos melhores filmes de ação épica que já vi. A batalha de Pelennor é, na minha modesta opinião, a mais impressionante da História do cinema. A concepção de efeitos especiais nunca mais vai ser a mesma depois do trabalho magnífico da equipe de Jackson. Além disso, ele consegue arrancar excelentes performances até mesmo de atores sofríveis, como Viggo Mortensen.
E Shelob*... Graças à computação gráfica, a equipe de Jackson criou a mais monstruosa aranha de todos os tempos. Anteriormente, aranhas eram modelos mal feitos e mal articulados, como em "A Mosca da Cabeça Branca" ou justaposições de imagens que não permitiam interação entre os personagens, como em "O Incrível Homem que Encolheu". Agora, não. A aranha tem todos os movimentos reais e, na tela, interage o tempo todo com Frodo e Sam. Para alguém com uma aracnofobia igual à minha, foi um momento de terror puro.
Por outro lado... Jackson nem introduziu muita coisa, mas tirou partes fundamentais da história. A primeira foi o confronte entre Gandalf e Saruman. É o momento em que fica claro o tremendo aumento do poder daquele. Além disso, o texto de Tolkien teria ficado magistral nas vozes de Ian McKelan e Christopher Lee. Mas cena inteira foi limada.
Mas o pior foi a volta dos hobbits para casa. Tolkien concebeu sua história como um círculo. Ao voltarem da guerra, Frodo, Sam, Merry e Pippin encontram seu país destruído e tomado por criminosos. Cabe a eles, com o conhecimento, a força e a confiança que adquiriram, sublevar o povo e expulsar os bandidos. O confronto com o líder deles (se você não leu o livro, não vou entregar quem é) é um fecho perfeito. Mas Jackson limou tudo.
Pena. Vamos ver se isso melhora na inevitável versão extendida.
* Caso alguém estranhe esses nomes, eu me recuso a usar as invenções da infeliz tradução na última edição brasileira. Lenita Maria Rimoli Esteves pode ser mestre em tradução, mas não entende chongas de Tolkien e usou critérios no mínimo discutíveis. A culpa nem é dela, mas de quem escalou uma especialista em Joyce para traduzir "O Senhor dos Anéis". São estilos e até filosofias literárias completamente diferentes.
Tolkien era lingüista. Ele inventou idiomas, mas, ao contrário de Joyce, não tinha qualquer pretensão de reinventar o inglês. Ele trabalhava com a lógica das línguas germânica, que permitem justapor duas palavras, formando uma terceira. Daí Imladris, que fica num estreito vale, chamar-se Rivendell (riven=fenda e dell=vale), literalmente "Vale Fendido" ou "Vale da Fenda". Vai Dona Lenita Maria e tasca "Valfenda", que serve apenas de túmulo da eufonia.
Uma melhor ainda: o cavalo cinzento (não branco) de Gandalf movia-se tão rapidamente que mal podia ser visto. Quando corria, as pessoas percebiam somente uma sombra passando. Daí ser chamado de Shadowfax, algo como "Feixe de Sombra" ou "Facho de Sombra" (escolhido pela excelente tradução portuguesa). Nossa especialista em Joyce tirou (sabe-se lá de onde) Scadufax. Shelob ("aranha fêmea" em inglês arcaico) virou Laracna, e por aí vai.
Sinceramente, se eu fosse dono de curso de inglês, faria um propaganda com essas porcalhadas e diria "venha estudar conosco para nunca mais aturar tradutores pirados".
Dance in the dark night
Que o “Senhor dos Anéis” influenciou uma penca de gente é manjado. Mas às vezes a extensão da influência surpreende. Por exemplo, na música The Battle Of Evermore, do Led Zeppelin, a frase “the ringwraiths ride in black” (“os espectros do anel cavalgam de preto”) entrega essa referência.
Agora, minha querida Claudia Manes (valeu, Doc!) mandou-me este site, no qual o autor disseca toda a letra e afirma – a meu ver, com razão – que ela inteira se refere à batalha de Pelennor, ponto alto do “Retorno do Rei”.
Vão lá e confiram.
Que o “Senhor dos Anéis” influenciou uma penca de gente é manjado. Mas às vezes a extensão da influência surpreende. Por exemplo, na música The Battle Of Evermore, do Led Zeppelin, a frase “the ringwraiths ride in black” (“os espectros do anel cavalgam de preto”) entrega essa referência.
Agora, minha querida Claudia Manes (valeu, Doc!) mandou-me este site, no qual o autor disseca toda a letra e afirma – a meu ver, com razão – que ela inteira se refere à batalha de Pelennor, ponto alto do “Retorno do Rei”.
Vão lá e confiram.
Sing to the morning light
Aproveitando o ensejo, seguem aqui a letra e a tradução (meio porquinha):
“The Battle Of Evermore” (Page/Plant)
The Queen of Light took her bow
And then she turned to go,
The Prince of Peace embraced the gloom
And walked the night alone
Oh, dance in the dark night
Sing to the morning light
The Dark Lord rides in force tonight
And time will tell us all
Oh, throw down your plow and hoe
Rest not to lock your homes
Side by side we wait the might
Of the darkest of them all
I hear the horses’ thunder
Down in the valley below,
I’m waiting for the angels of Avalon
Waiting for the eastern glow
The apples of the valley hold
The seeds of happiness,
The ground is rich from tender care
Repay, do not forget, no, no
Oh, dance in the dark night
Sing to the morning light
The apples turn to brown and black
The tyrant’s face is red
Oh, war is the common cry,
Pick up your sword and fly
The sky is filled with good and bad
That mortals never know
Oh, well the night is long,
The beads of time pass slow,
Tired eyes on the sunrise
Waiting for the eastern glow
The pain of war cannot exceed
The woe of aftermath,
The drums will shake the castle wall
The Ring Wraiths ride in black, ride on!
Sing as you raise your bow,
Shoot straighter than before
No comfort has the fire at night
That lights the face so cold
Oh, dance in the dark night
Sing to the morning light
The magic runes are writ in gold
To bring the balance back
Bring it back...
At last the sun is shinning,
The clouds of blue roll by,
With flames form the dragon of darkness
The sunlight blinds his eyes
“A Batalha de Eternamente”
A Rainha de Luz pegou seu arco
E então virou-se para partir,
O Príncipe de Paz abraçou a escuridão
E caminhou sozinho na noite
Oh, dance na noite escura
Cante à luz matutina
O Senhor das Trevas cavalga com vigor esta noite
E o tempo nos contará tudo
Oh, joguem ao chão seu arado e enxada
Não percam tempo em fechar suas casas
Lado a lado nós esperamos a força
Do mais sombrio de todos
Eu ouço o trovão dos cavalos
Vindo do vale abaixo
Eu espero pelos anjos de Avalon
Espero pelo brilho oriental
As maçãs de vale contêm
As sementes de felicidade,
O chão é rico devido ao cuidado carinhoso
Retribua, não esqueça, não, não
Oh, dance na noite escura
Cante à luz matutina
As maçãs tornam-se marrons e negras
A face do tirano é vermelha
Oh, guerra é o grito comum,
Apanhe sua espada e corra
O céu está cheio de Bem e Mal
Que os mortais jamais conhecem
Oh, bem, a noite é longa,
As contas do tempo passam lentamente
Olhos cansados no amanhecer
Esperam pelo brilho oriental
A dor de guerra não pode exceder
A aflição de resultado,
Os tambores sacudirão o muro de castelo
Os Espectros do Anel cavalgam de preto, cavalgue!
Cante enquanto ergue seu arco,
Atire mais diretamente que antes
Não há conforto no fogo à noite
Que ilumina o rosto tão frio
Oh, dance na noite escura
Cante à luz matutina
As runas mágicas estão escritas em ouro
Trazendo de volta o equilíbrio
Traga de volta...
Afinal o sol esta brilhando,
As nuvens azuis seguem ao vento,
Com as chamas do dragão de escuridão
A luz do Sol cega seus olhos
Aproveitando o ensejo, seguem aqui a letra e a tradução (meio porquinha):
“The Battle Of Evermore” (Page/Plant)
The Queen of Light took her bow
And then she turned to go,
The Prince of Peace embraced the gloom
And walked the night alone
Oh, dance in the dark night
Sing to the morning light
The Dark Lord rides in force tonight
And time will tell us all
Oh, throw down your plow and hoe
Rest not to lock your homes
Side by side we wait the might
Of the darkest of them all
I hear the horses’ thunder
Down in the valley below,
I’m waiting for the angels of Avalon
Waiting for the eastern glow
The apples of the valley hold
The seeds of happiness,
The ground is rich from tender care
Repay, do not forget, no, no
Oh, dance in the dark night
Sing to the morning light
The apples turn to brown and black
The tyrant’s face is red
Oh, war is the common cry,
Pick up your sword and fly
The sky is filled with good and bad
That mortals never know
Oh, well the night is long,
The beads of time pass slow,
Tired eyes on the sunrise
Waiting for the eastern glow
The pain of war cannot exceed
The woe of aftermath,
The drums will shake the castle wall
The Ring Wraiths ride in black, ride on!
Sing as you raise your bow,
Shoot straighter than before
No comfort has the fire at night
That lights the face so cold
Oh, dance in the dark night
Sing to the morning light
The magic runes are writ in gold
To bring the balance back
Bring it back...
At last the sun is shinning,
The clouds of blue roll by,
With flames form the dragon of darkness
The sunlight blinds his eyes
“A Batalha de Eternamente”
A Rainha de Luz pegou seu arco
E então virou-se para partir,
O Príncipe de Paz abraçou a escuridão
E caminhou sozinho na noite
Oh, dance na noite escura
Cante à luz matutina
O Senhor das Trevas cavalga com vigor esta noite
E o tempo nos contará tudo
Oh, joguem ao chão seu arado e enxada
Não percam tempo em fechar suas casas
Lado a lado nós esperamos a força
Do mais sombrio de todos
Eu ouço o trovão dos cavalos
Vindo do vale abaixo
Eu espero pelos anjos de Avalon
Espero pelo brilho oriental
As maçãs de vale contêm
As sementes de felicidade,
O chão é rico devido ao cuidado carinhoso
Retribua, não esqueça, não, não
Oh, dance na noite escura
Cante à luz matutina
As maçãs tornam-se marrons e negras
A face do tirano é vermelha
Oh, guerra é o grito comum,
Apanhe sua espada e corra
O céu está cheio de Bem e Mal
Que os mortais jamais conhecem
Oh, bem, a noite é longa,
As contas do tempo passam lentamente
Olhos cansados no amanhecer
Esperam pelo brilho oriental
A dor de guerra não pode exceder
A aflição de resultado,
Os tambores sacudirão o muro de castelo
Os Espectros do Anel cavalgam de preto, cavalgue!
Cante enquanto ergue seu arco,
Atire mais diretamente que antes
Não há conforto no fogo à noite
Que ilumina o rosto tão frio
Oh, dance na noite escura
Cante à luz matutina
As runas mágicas estão escritas em ouro
Trazendo de volta o equilíbrio
Traga de volta...
Afinal o sol esta brilhando,
As nuvens azuis seguem ao vento,
Com as chamas do dragão de escuridão
A luz do Sol cega seus olhos
quinta-feira, 1 de janeiro de 2004
Leni vive
Passei o Reveillon em Niterói, onde se têm duas queimas de fogos (a belíssima de Icaraí e outra linda lá longe em Botafogo). O que atrapalhou um pouco foi o palco de um show evangélico no qual um pastor tangia seu gado em altíssimo volume (esses caras acham que Jesus é surdo) ao som da banda “O Triunfo da Vontade”.
Quer dizer, esse certamente não era o nome do grupo, mas bem que podia ser. É que os caras eram muito competentes, fazendo um instrumental de alta qualidade. Daí (guardadas as devidas proporções, claro) ter lembrado o filme homônimo de Leni Riefenstahl sobre a convenção do partido nazista em 1934. Um primor técnico, mas com um tema, eh, bem...
Passei o Reveillon em Niterói, onde se têm duas queimas de fogos (a belíssima de Icaraí e outra linda lá longe em Botafogo). O que atrapalhou um pouco foi o palco de um show evangélico no qual um pastor tangia seu gado em altíssimo volume (esses caras acham que Jesus é surdo) ao som da banda “O Triunfo da Vontade”.
Quer dizer, esse certamente não era o nome do grupo, mas bem que podia ser. É que os caras eram muito competentes, fazendo um instrumental de alta qualidade. Daí (guardadas as devidas proporções, claro) ter lembrado o filme homônimo de Leni Riefenstahl sobre a convenção do partido nazista em 1934. Um primor técnico, mas com um tema, eh, bem...
Momento ecológico
Havia na rua um sujeito que nasceu sem braços ou pernas. Seu pés atrofiados eram ligados à bacia, e as mãozinhas aos ombros. O pobre coitado, chamado carinhosamente de “toquinho” pelos vizinhos e parentes, precisava ser carregado o tempo todo.
Um dia, com pena do rapaz, os vizinhos decidiram levá-lo à praia. Toquinho ficou feliz da vida diante do mar. Colocado na beirinha d’água, deliciava-se com a marola tocando-lhe a pele. Estava tão bem e tão tranqüilo que os amigos, entre uma cervejinha e outra acabaram esquecendo dele.
O problema é que a maré começou a subir, e Toquinho foi entrando em desespero, pois não conseguia sair da areia fofa. Deitado de costas e já em pânico, ele não conseguia falar ou respirar, pois a água já chegara no seu rosto.
Eis que passa um ecologista pela praia, vê o desespero do Toquinho, corre na direção dele. Só que, em vez de puxá-lo para a areia seca, leva-o ainda mais para dentro d’água, vira-o de bruços, empurra-o para o fundo e diz, com lágrimas de alegria nos olhos:
- Vai, cumpre o seu destino, tartaruguinha.
Cometida pelo Flávio Falcão
Havia na rua um sujeito que nasceu sem braços ou pernas. Seu pés atrofiados eram ligados à bacia, e as mãozinhas aos ombros. O pobre coitado, chamado carinhosamente de “toquinho” pelos vizinhos e parentes, precisava ser carregado o tempo todo.
Um dia, com pena do rapaz, os vizinhos decidiram levá-lo à praia. Toquinho ficou feliz da vida diante do mar. Colocado na beirinha d’água, deliciava-se com a marola tocando-lhe a pele. Estava tão bem e tão tranqüilo que os amigos, entre uma cervejinha e outra acabaram esquecendo dele.
O problema é que a maré começou a subir, e Toquinho foi entrando em desespero, pois não conseguia sair da areia fofa. Deitado de costas e já em pânico, ele não conseguia falar ou respirar, pois a água já chegara no seu rosto.
Eis que passa um ecologista pela praia, vê o desespero do Toquinho, corre na direção dele. Só que, em vez de puxá-lo para a areia seca, leva-o ainda mais para dentro d’água, vira-o de bruços, empurra-o para o fundo e diz, com lágrimas de alegria nos olhos:
- Vai, cumpre o seu destino, tartaruguinha.
Cometida pelo Flávio Falcão
quarta-feira, 31 de dezembro de 2003
quinta-feira, 25 de dezembro de 2003
Essa vai longe II
Minha sobrinha Beatriz, que acaba de fazer dois anos, ganhou de minha irmã uma carteira, que veio cheia de notinhas de brinquedo – para ela comprar água de coco. Na ida seguinte ao shopping, ela vibrou ao ver o quiosque da dita água, mas mostrou que já sabe como melhorar na vida.
– Coco, mamãe. Coco!
– Isso, filhinha. Vamos comprar água de coco e você paga com seu dinheirinho (a vendedora já estava mancomunada para aceitar as notas de brinquedo).
– Não, tutu neném, não. Tutu papai, tutu papai.
Finalmente apareceu alguém na família com vocação pra juntar dinheiro.
Minha sobrinha Beatriz, que acaba de fazer dois anos, ganhou de minha irmã uma carteira, que veio cheia de notinhas de brinquedo – para ela comprar água de coco. Na ida seguinte ao shopping, ela vibrou ao ver o quiosque da dita água, mas mostrou que já sabe como melhorar na vida.
– Coco, mamãe. Coco!
– Isso, filhinha. Vamos comprar água de coco e você paga com seu dinheirinho (a vendedora já estava mancomunada para aceitar as notas de brinquedo).
– Não, tutu neném, não. Tutu papai, tutu papai.
Finalmente apareceu alguém na família com vocação pra juntar dinheiro.
domingo, 21 de dezembro de 2003
Valeu, Sir Paul
Ganhei de amigo oculto (gracias, Marcelo) o CD Let It Be... Naked, do Beatles. Como se sabe, é a versão crua de Let It Be, da qual Paul McCartney tirou as firulas do produtor Phil Spector. Antes de mais nada, por uma questão de honestidade, quero deixar claro que não sou fã dos Beatles. Gosto de diversas músicas deles, mas não tenho a relação de fanatismo que a maioria cultua.
Apesar disso – ou talvez por isso –, gostei muito do resultado. O disco parece fluir melhor, com mais coesão. Sem falar que a nova versão conseguiu algo que sempre achei impossível: fez “The Long And Winding Road” deixar de ser uma canção irremediavelmente brega. Aquelas cordas e aquele coral pareciam saídos direto de uma vinheta do programa Haroldo de Andrade. Agora é uma música lenta e romântica tocada por uma banda de rock, com ênfase no piano, mas também com guitarra, baixo e, bem, eh... bateria.
Falando nisso, longe de mim vilipendiar a religião alheia, mas, putz, o Ringo é realmente de lascar. Possivelmente o sujeito mais fraco a ganhar a vida como baterista profissional – antes, claro de os punks redefinirem os padrões de mediocridade musical, claro.
Ganhei de amigo oculto (gracias, Marcelo) o CD Let It Be... Naked, do Beatles. Como se sabe, é a versão crua de Let It Be, da qual Paul McCartney tirou as firulas do produtor Phil Spector. Antes de mais nada, por uma questão de honestidade, quero deixar claro que não sou fã dos Beatles. Gosto de diversas músicas deles, mas não tenho a relação de fanatismo que a maioria cultua.
Apesar disso – ou talvez por isso –, gostei muito do resultado. O disco parece fluir melhor, com mais coesão. Sem falar que a nova versão conseguiu algo que sempre achei impossível: fez “The Long And Winding Road” deixar de ser uma canção irremediavelmente brega. Aquelas cordas e aquele coral pareciam saídos direto de uma vinheta do programa Haroldo de Andrade. Agora é uma música lenta e romântica tocada por uma banda de rock, com ênfase no piano, mas também com guitarra, baixo e, bem, eh... bateria.
Falando nisso, longe de mim vilipendiar a religião alheia, mas, putz, o Ringo é realmente de lascar. Possivelmente o sujeito mais fraco a ganhar a vida como baterista profissional – antes, claro de os punks redefinirem os padrões de mediocridade musical, claro.
Rock’n’roll neonatal
Vejam que injustiça. Estamos organizando o chá-de-bebê/chá-de-fralda de Luísa (nossa filhota, com estréia prevista para o começo de fevereiro). Sendo minha filha, certamente será roqueira. Logo, eu queria incluir o DVD novo do Rush na lista de presentes. Não é que Cristina vetou?
Vejam que injustiça. Estamos organizando o chá-de-bebê/chá-de-fralda de Luísa (nossa filhota, com estréia prevista para o começo de fevereiro). Sendo minha filha, certamente será roqueira. Logo, eu queria incluir o DVD novo do Rush na lista de presentes. Não é que Cristina vetou?
quinta-feira, 18 de dezembro de 2003
terça-feira, 16 de dezembro de 2003
Saudades do idioma
Hoje de manhã eu estava vendo uma reportagem na TV que falava de avanços científicos no combate ao crime, tendo como gancho a primeira condenação no Brasil de um homicida com base exclusivamente nos testes de DNA.
Aí lembrei de uma aula de biologia há uns 25 anos, quando ouvi falar pela primeira vez de DNA, só que não era DNA. Naquela época ainda nos referíamos ao ácido desoxiribo-nucleico com ADN. Somando-se a essa curiosa inversão de siglas o fato de sermos o único país latino no qual a Síndrome de Imuno-Deficiência Adquirida é chamada de Aids e não de Sida, fica bem claro que estamos perdendo o idioma.
Não se trata de ser contra estrangeirismos – acho restaurante (do francês restaurant) muito melhor que “casa de pasto” –, mas, quando começamos a usar siglas em inglês para palavras em português e a mudar o sentido de nossas palavras, a coisa realmente complica. “Penalizado”, que quer dizer “com pena de” já virou sinônimo de “punido”. Mesmo no auge da influência francesa no Brasil, “portanto” não ganhou o sentido de “entretanto”.
Claro que a má qualidade da educação ajuda a matar a língua. As pessoas hoje não conhecem mais a lógica do idioma. Gente com nível superior não é capaz de se fazer entender falando, o que dirá escrevendo. Qual a saída? Não faço a menor idéia – e isso torna ainda mais triste o cenário.
Hoje de manhã eu estava vendo uma reportagem na TV que falava de avanços científicos no combate ao crime, tendo como gancho a primeira condenação no Brasil de um homicida com base exclusivamente nos testes de DNA.
Aí lembrei de uma aula de biologia há uns 25 anos, quando ouvi falar pela primeira vez de DNA, só que não era DNA. Naquela época ainda nos referíamos ao ácido desoxiribo-nucleico com ADN. Somando-se a essa curiosa inversão de siglas o fato de sermos o único país latino no qual a Síndrome de Imuno-Deficiência Adquirida é chamada de Aids e não de Sida, fica bem claro que estamos perdendo o idioma.
Não se trata de ser contra estrangeirismos – acho restaurante (do francês restaurant) muito melhor que “casa de pasto” –, mas, quando começamos a usar siglas em inglês para palavras em português e a mudar o sentido de nossas palavras, a coisa realmente complica. “Penalizado”, que quer dizer “com pena de” já virou sinônimo de “punido”. Mesmo no auge da influência francesa no Brasil, “portanto” não ganhou o sentido de “entretanto”.
Claro que a má qualidade da educação ajuda a matar a língua. As pessoas hoje não conhecem mais a lógica do idioma. Gente com nível superior não é capaz de se fazer entender falando, o que dirá escrevendo. Qual a saída? Não faço a menor idéia – e isso torna ainda mais triste o cenário.
domingo, 14 de dezembro de 2003
Campeã absoluta
Depois da renúncia de Fujimori e de uma outra penca de roubadas de sábado e domingo, a captura de Saddam Hussein garante a minha prezada Cláudia Sarmento o troféu César Seabra de Pé Frio em plantões de fim-de-semana no Globo.
Cesão, inspirador desse prêmio, tem em seu currículo, entre outras, as mortes de PC Farias e dos Mamonas Assassinas, sempre quando ele estava de plantão na primeira página do jornal.
Depois da renúncia de Fujimori e de uma outra penca de roubadas de sábado e domingo, a captura de Saddam Hussein garante a minha prezada Cláudia Sarmento o troféu César Seabra de Pé Frio em plantões de fim-de-semana no Globo.
Cesão, inspirador desse prêmio, tem em seu currículo, entre outras, as mortes de PC Farias e dos Mamonas Assassinas, sempre quando ele estava de plantão na primeira página do jornal.
terça-feira, 9 de dezembro de 2003
Efeito infalível
No Japão descobriram o Viagra para a mulher.
O nome que deram lá é Taron.
Quando você dá o Taron pra mulher, dizem os japoneses, "ela fica alegre, carinhosa ao extremo. Te beija e abraça o dia inteiro e a noite inteirinha. Não dá sossego a noite toda. Ela quer transar quantas vezes você agüentar. Só te chama de meu amor, minha vida, te adoro. Te amo!"
Aí , perguntaram para o Japonês:
- Poxa, este produto é fantástico mesmo?
- Sim, sim! Galantido, non? Funciona mesmo! Non falha, non!
- Mas o nome é mesmo... Taron?
- Sim! É taron, taron de cheque.
Enviada por Nuno
No Japão descobriram o Viagra para a mulher.
O nome que deram lá é Taron.
Quando você dá o Taron pra mulher, dizem os japoneses, "ela fica alegre, carinhosa ao extremo. Te beija e abraça o dia inteiro e a noite inteirinha. Não dá sossego a noite toda. Ela quer transar quantas vezes você agüentar. Só te chama de meu amor, minha vida, te adoro. Te amo!"
Aí , perguntaram para o Japonês:
- Poxa, este produto é fantástico mesmo?
- Sim, sim! Galantido, non? Funciona mesmo! Non falha, non!
- Mas o nome é mesmo... Taron?
- Sim! É taron, taron de cheque.
Enviada por Nuno
sexta-feira, 5 de dezembro de 2003
Alegria da mulherada
O que é um PF?
É um "Personal Fucker".
Sim, foi o que você entendeu.
Um "Personal Fucker". Para quem ainda não arrumou um cara legal, digno de namoro (recolhidos pelo Ibama, portanto fora do mercado), faça de alguém seu PF.
Para que serve?
PF (Personal Fucker) é a nova modalidade de sexo ao seu alcance.
Considerando que sexo é uma necessidade física comum a todos, o PF torna-se item indispensável. Para as felizardas que já tem onde se aninhar, ótimo. Mas no dia que precisarem, saibam também como ter seu PF de cada dia.
Como conseguir um?
Para ter um PF, você tem que estar disposta a abrir mão do romantismo, do mão na mão, do sorvete no entardecer.
O escolhido para ser o seu, não pode ser alguém que você namoraria, e sim, alguém pelo qual você sente um tesão incontrolável,aquele tesão estilo TPM. Nada de compromissos, que compromisso é coisa de na-mo-ra-do. Se quiser compromisso, nada feito. Seu negócio não é PF.
Fortes candidatos
Geralmente são seus amigos antigos (com quem você não tem mais muito contato e pretende agora ter aquele contato), amigos do seu ex, pessoas que você não vê há muito tempo e pessoas que você nunca viu mesmo e está vendo agora. Não valem ex-namorados, nem casinhos antigos, daqueles que ainda deixam a perna bamba.
A experiência tem que ser nova para os dois.
Pois sendo ele o seu PF, você passa a ser o PF dele.
Maiores definições
Trata-se de uma amizade colorida dos tempos modernos.
Vocês são amigos, mas não trocam confidências e dividem os ambientes mais íntimos entre duas pessoas: a cama, o banheiro, a sauna, a pia, o chão, o estacionamento e os degraus da escada. O lugar não tem muita importância, desde que você também não espante o rapaz levando-o para um chalezinho cinco estrelas decorado com flores-do-campo. Você sabe, cinco estrelas e flores-do-campo são coisas de na-mo-ra-do.
Instruções
Você pode ter liberdade com seu PF, mas dentro de alguns limites, claro.
Vale ligar a qualquer hora do dia, propondo um encontro casual. Vale ligar depois de tomar alguns gorós, quando bate aquela carência sexual. E também vale ligar propondo uma massagem básica. Só não vale ficar mal se ele não puder ir ao seu encontro. PFs são ótimos para realizar aquelas fantasias sexuais que você sempre teve vontade de realizar, mas nunca teve coragem. Vale gritar, escancarar, fazer tudo aquilo que você sempre quis. O máximo que pode acontecer é, quando você estiver fazendo seu strip em cima da mesa da sala cantando Madonna, ele dizer pra você parar, porque está morrendo de vontade de rir... e você ter que procurar outro PF.
O que é um PF?
É um "Personal Fucker".
Sim, foi o que você entendeu.
Um "Personal Fucker". Para quem ainda não arrumou um cara legal, digno de namoro (recolhidos pelo Ibama, portanto fora do mercado), faça de alguém seu PF.
Para que serve?
PF (Personal Fucker) é a nova modalidade de sexo ao seu alcance.
Considerando que sexo é uma necessidade física comum a todos, o PF torna-se item indispensável. Para as felizardas que já tem onde se aninhar, ótimo. Mas no dia que precisarem, saibam também como ter seu PF de cada dia.
Como conseguir um?
Para ter um PF, você tem que estar disposta a abrir mão do romantismo, do mão na mão, do sorvete no entardecer.
O escolhido para ser o seu, não pode ser alguém que você namoraria, e sim, alguém pelo qual você sente um tesão incontrolável,aquele tesão estilo TPM. Nada de compromissos, que compromisso é coisa de na-mo-ra-do. Se quiser compromisso, nada feito. Seu negócio não é PF.
Fortes candidatos
Geralmente são seus amigos antigos (com quem você não tem mais muito contato e pretende agora ter aquele contato), amigos do seu ex, pessoas que você não vê há muito tempo e pessoas que você nunca viu mesmo e está vendo agora. Não valem ex-namorados, nem casinhos antigos, daqueles que ainda deixam a perna bamba.
A experiência tem que ser nova para os dois.
Pois sendo ele o seu PF, você passa a ser o PF dele.
Maiores definições
Trata-se de uma amizade colorida dos tempos modernos.
Vocês são amigos, mas não trocam confidências e dividem os ambientes mais íntimos entre duas pessoas: a cama, o banheiro, a sauna, a pia, o chão, o estacionamento e os degraus da escada. O lugar não tem muita importância, desde que você também não espante o rapaz levando-o para um chalezinho cinco estrelas decorado com flores-do-campo. Você sabe, cinco estrelas e flores-do-campo são coisas de na-mo-ra-do.
Instruções
Você pode ter liberdade com seu PF, mas dentro de alguns limites, claro.
Vale ligar a qualquer hora do dia, propondo um encontro casual. Vale ligar depois de tomar alguns gorós, quando bate aquela carência sexual. E também vale ligar propondo uma massagem básica. Só não vale ficar mal se ele não puder ir ao seu encontro. PFs são ótimos para realizar aquelas fantasias sexuais que você sempre teve vontade de realizar, mas nunca teve coragem. Vale gritar, escancarar, fazer tudo aquilo que você sempre quis. O máximo que pode acontecer é, quando você estiver fazendo seu strip em cima da mesa da sala cantando Madonna, ele dizer pra você parar, porque está morrendo de vontade de rir... e você ter que procurar outro PF.
Sem discussão
Mesmo para aqueles que não encaram o doce suplício da profissão de jornalista, vale a pena ler este artigo de Alberto Dines esta semana no Observatório da Imprensa. No texto, ele entra num tema tão espinhoso quanto explosivo: o debate, ou melhor, a falta de debate a respeito da maioridade penal depois da comoção causada pelo assassinato de Liana Friedenbach e Felipe Caffé, em São Paulo.
Dines critica com muita propriedade a postura do governo e da patrulha politicamente correta de barrar qualquer discussão que envolva alguma revisão do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, sem nenhuma ironia com a sigla). A crítica é importante porque essa patrulha usa o próprio observatório como tribuna, adotando com ampliada virulência a mesma técnica do ex-presidente FHC. Quando criticado, em vez de responder às críticas, ele desqualificava os críticos (neobobos, nhém-nhém-nhém etc.). Só faltava chamá-los de feios, chatos e cocozentos.
Assim, quem defende qualquer mudança na lei é tachado de fascista e assassino, mesmo que, na véspera, fosse campeão dos Direitos Humanos - aliás, volto a esse tema em outra ocasião. A questão é que existem duas correntes que tratam do assunto como se fossem torcidas de times de futebol. De um lado, os que vêem a pena a um criminoso (ou infrator, sendo menor - coisas da semântica) como um instrumento de reabilitação e ressocialização. Do outro, os que a encaram como segregação e proteção da sociedade.
O problema é que os dois lados estão certos. O objetivo de uma prisão é punir pela privação da liberdade e reabilitar, proteger a sociedade de um indivíduo que a ameaça e proporcionar-lhe possibilidades de ser novamente inserido nessa sociedade. São situações complementares, não conflitantes. Precisamos de lei e procedimentos jurídicos que punam quem comete crimes (ou infrações) e instituições que os recuperem - ou, no caso dos irrecuperáveis, isolem. Infelizmente temos o contrário.
Na prática, a lei hoje iguala o menor que rouba uma maçã para comer ao que estupra e mata. São ambos enfiados numa Febem ou num Padre Severino, de onde aquele vai sair invariavelmente pior do que entrou e este não vai melhorar em nada. Mas me pergunto por que motivo as pessoas que brigam tanto para manter a maioridade penal em 18 anos não fazem tanto barulho nem tentam mobilizar a sociedade para melhorar o sistema de atendimento a menores infratores.
Pessoalmente, sou contra o conceito de maioridade ou minoridade penal. Acho que cada caso deve ser avaliado isoladamente, envolvendo aspectos criminais, psicológicos e sociais. Hoje, um menor não pode ficar mais de três anos internado, independentemente do crime (desculpe, infração) que tenha cometido. Três anos vão recuperar o assassino de Liana e Felipe, por melhor que seja a instituição em que o internem? Reservo-me o direito de duvidar muito disso.
Mudar a maioridade penal (ou, como eu preferiria, acabar com ela) não vai resolver o problema da delinqüência infanto-juvenil. Claro que não, pois não existem soluções mágicas. É preciso investir, e muito, em educação, assistência social, geração de emprego etc. etc. Mas vai reduzir a sensação de impunidade, que sabota qualquer esforço sério para lidar com a violência cometida por menores.
Infelizmente, como lembra o Dines, tem gente que não quer ao menos discutir o assunto.
Mesmo para aqueles que não encaram o doce suplício da profissão de jornalista, vale a pena ler este artigo de Alberto Dines esta semana no Observatório da Imprensa. No texto, ele entra num tema tão espinhoso quanto explosivo: o debate, ou melhor, a falta de debate a respeito da maioridade penal depois da comoção causada pelo assassinato de Liana Friedenbach e Felipe Caffé, em São Paulo.
Dines critica com muita propriedade a postura do governo e da patrulha politicamente correta de barrar qualquer discussão que envolva alguma revisão do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, sem nenhuma ironia com a sigla). A crítica é importante porque essa patrulha usa o próprio observatório como tribuna, adotando com ampliada virulência a mesma técnica do ex-presidente FHC. Quando criticado, em vez de responder às críticas, ele desqualificava os críticos (neobobos, nhém-nhém-nhém etc.). Só faltava chamá-los de feios, chatos e cocozentos.
Assim, quem defende qualquer mudança na lei é tachado de fascista e assassino, mesmo que, na véspera, fosse campeão dos Direitos Humanos - aliás, volto a esse tema em outra ocasião. A questão é que existem duas correntes que tratam do assunto como se fossem torcidas de times de futebol. De um lado, os que vêem a pena a um criminoso (ou infrator, sendo menor - coisas da semântica) como um instrumento de reabilitação e ressocialização. Do outro, os que a encaram como segregação e proteção da sociedade.
O problema é que os dois lados estão certos. O objetivo de uma prisão é punir pela privação da liberdade e reabilitar, proteger a sociedade de um indivíduo que a ameaça e proporcionar-lhe possibilidades de ser novamente inserido nessa sociedade. São situações complementares, não conflitantes. Precisamos de lei e procedimentos jurídicos que punam quem comete crimes (ou infrações) e instituições que os recuperem - ou, no caso dos irrecuperáveis, isolem. Infelizmente temos o contrário.
Na prática, a lei hoje iguala o menor que rouba uma maçã para comer ao que estupra e mata. São ambos enfiados numa Febem ou num Padre Severino, de onde aquele vai sair invariavelmente pior do que entrou e este não vai melhorar em nada. Mas me pergunto por que motivo as pessoas que brigam tanto para manter a maioridade penal em 18 anos não fazem tanto barulho nem tentam mobilizar a sociedade para melhorar o sistema de atendimento a menores infratores.
Pessoalmente, sou contra o conceito de maioridade ou minoridade penal. Acho que cada caso deve ser avaliado isoladamente, envolvendo aspectos criminais, psicológicos e sociais. Hoje, um menor não pode ficar mais de três anos internado, independentemente do crime (desculpe, infração) que tenha cometido. Três anos vão recuperar o assassino de Liana e Felipe, por melhor que seja a instituição em que o internem? Reservo-me o direito de duvidar muito disso.
Mudar a maioridade penal (ou, como eu preferiria, acabar com ela) não vai resolver o problema da delinqüência infanto-juvenil. Claro que não, pois não existem soluções mágicas. É preciso investir, e muito, em educação, assistência social, geração de emprego etc. etc. Mas vai reduzir a sensação de impunidade, que sabota qualquer esforço sério para lidar com a violência cometida por menores.
Infelizmente, como lembra o Dines, tem gente que não quer ao menos discutir o assunto.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2003
Velha rotina
Diz o noticiário que, apesar dos protestos do governo de Israel, Collin Powell mantém o encontro com o negociador palestino do acordo de paz alternativo proposto em Genebra, Yasser Abed Rabbo. Não chega a ser bem uma novidade. Há tempos que os palestinos só participam desse processo com o Rabbo.
Diz o noticiário que, apesar dos protestos do governo de Israel, Collin Powell mantém o encontro com o negociador palestino do acordo de paz alternativo proposto em Genebra, Yasser Abed Rabbo. Não chega a ser bem uma novidade. Há tempos que os palestinos só participam desse processo com o Rabbo.
terça-feira, 2 de dezembro de 2003
Como não ser roubado no McDonald's
A única maneira realmente segura de não ser garfado no McDonald´s é não botar os pés lá. Mas, se o nobre visitante é como eu e não resiste a um Cheddar McMelt, vão aqui três dicas:
1) Peça refrigerante sem gelo. Num copo de 500ml eles enfiam modestamente 150ml de gelo. O distinto paga pela Coca Light, mas leva mais de um quinto da boa e velha H2O - nada contra ela, mas custa bem menos. Se quiser realmente irritá-los, peça o gelo num copinho separado.
Esse trambique envolve ainda uma propaganda enganosa, pois um aviso malocado na parede da loja diz que o gelo é para conservar a temperatura e o sabor da bebida. Pombas, refrigerantes são fórmulas químicas. O gelo derrete e acrescenta água a essa composição química, alterando, e muito, o sabor.
2) Fique de olho na batata frita. Em geral os atendentes do McDonald´s não são lá muito empenhados na hora de encher as embalagens de batata. O caso nem é tão grave na pequena, que vem num saquinho de papel flexível. Na média e na grande, cuja embalagem é de um papelão mais rígido, eles deitam e rolam. Não desdobram a embalagem totalmente, escorregam a batata para dentro e o balconista, também malandro, bota a embalagem deitada na bandeja. Um consumidor distraído acha que está cheinho. Mas basta botar a embalagem de pé que logo aparecem as listas amarelas do fundo.
Aí você reclama, o balconista vai lá, bota a embalagem numa balancinha e volta dizendo que "está no padrão". Dois detalhes: a balança é inclinada, logo, o sujeito nunca larga inteiramente a embalagem; e você não sabe qual "o padrão", pois não está escrito em lugar algum. O cara pode dizer que o padrão é 200g, 150g ou 10g.
Um dia desses isso aconteceu comigo. Reclamei, e o gerente disse que o padrão era com "a embalagem normal" - o que ele insinuava é que eu apertara a embalagem dos lados para ela ficar mais larga. Eu pedi licença ao cliente ao lado no caixa, cuja batata acabara de ser posta deitadinha na bandeja, peguei a embalagem pela lingüeta de papelão atrás e, sem exercer qualquer pressão, coloquei-a de pé. Com a gravidade, viu-se que o conteúdo mal chegava a dois terços da capacidade. Em vez de uma, o imbecil do gerente teve que recarregar duas batatas.
3) Nunca, jamais, sob hipótese alguma peça a entrega a domicílio, pois eles vão ignorar solenemente todas as suas orientações. E nem pense em ligar para reclamar, pois vão lhe empurrar de um lado para outro sem solução.
Caso para o Procon
A única maneira realmente segura de não ser garfado no McDonald´s é não botar os pés lá. Mas, se o nobre visitante é como eu e não resiste a um Cheddar McMelt, vão aqui três dicas:
1) Peça refrigerante sem gelo. Num copo de 500ml eles enfiam modestamente 150ml de gelo. O distinto paga pela Coca Light, mas leva mais de um quinto da boa e velha H2O - nada contra ela, mas custa bem menos. Se quiser realmente irritá-los, peça o gelo num copinho separado.
Esse trambique envolve ainda uma propaganda enganosa, pois um aviso malocado na parede da loja diz que o gelo é para conservar a temperatura e o sabor da bebida. Pombas, refrigerantes são fórmulas químicas. O gelo derrete e acrescenta água a essa composição química, alterando, e muito, o sabor.
2) Fique de olho na batata frita. Em geral os atendentes do McDonald´s não são lá muito empenhados na hora de encher as embalagens de batata. O caso nem é tão grave na pequena, que vem num saquinho de papel flexível. Na média e na grande, cuja embalagem é de um papelão mais rígido, eles deitam e rolam. Não desdobram a embalagem totalmente, escorregam a batata para dentro e o balconista, também malandro, bota a embalagem deitada na bandeja. Um consumidor distraído acha que está cheinho. Mas basta botar a embalagem de pé que logo aparecem as listas amarelas do fundo.
Aí você reclama, o balconista vai lá, bota a embalagem numa balancinha e volta dizendo que "está no padrão". Dois detalhes: a balança é inclinada, logo, o sujeito nunca larga inteiramente a embalagem; e você não sabe qual "o padrão", pois não está escrito em lugar algum. O cara pode dizer que o padrão é 200g, 150g ou 10g.
Um dia desses isso aconteceu comigo. Reclamei, e o gerente disse que o padrão era com "a embalagem normal" - o que ele insinuava é que eu apertara a embalagem dos lados para ela ficar mais larga. Eu pedi licença ao cliente ao lado no caixa, cuja batata acabara de ser posta deitadinha na bandeja, peguei a embalagem pela lingüeta de papelão atrás e, sem exercer qualquer pressão, coloquei-a de pé. Com a gravidade, viu-se que o conteúdo mal chegava a dois terços da capacidade. Em vez de uma, o imbecil do gerente teve que recarregar duas batatas.
3) Nunca, jamais, sob hipótese alguma peça a entrega a domicílio, pois eles vão ignorar solenemente todas as suas orientações. E nem pense em ligar para reclamar, pois vão lhe empurrar de um lado para outro sem solução.
Caso para o Procon
Um candidato, rápido!
Sou um marxista convicto. Acho que o homem mais sábio de todos os tempos foi Marx. Groucho...
No antológico Diabo a Quatro, em dado momento ele diz: “Uma criança de quatro anos entende esse plano. Alguém me arranje uma criança de quatro anos.”
Lembrei-me disso ao ler no excelente site de pesquisas de opinião Polling Report que até um poste venceria George W. Bush na campanha para a reeleição no ano que vem. O problema é que os democratas ainda não conseguiram um poste para se candidatar.
Segundo as pesquisas feitas em novembro, há um empate técnico entre os eleitores inclinados a votar em Bush (47%) e não inclinados (48%). Apenas 42% acham que ele merece ser reeleito, contra 46% contrários.
Entretanto, quando a pesquisa testa o confronto direto entre ele os seis (isso mesmo, meia dúzia) pré-candidatos do Partido Democrata, Bush ganha mole de todos.
Tudo bem, Bob Fields (que reencarne como couro de zabumba na Feira de São Cristóvão) dizia que estatística é quem nem biquíni: mostra tudo, menos o mais importante. Mas esse números mostram que, ou os democratas arranjam um candidato que entusiasme, ou vão perder uma das eleições mais moles que já tiveram.
Sou um marxista convicto. Acho que o homem mais sábio de todos os tempos foi Marx. Groucho...
No antológico Diabo a Quatro, em dado momento ele diz: “Uma criança de quatro anos entende esse plano. Alguém me arranje uma criança de quatro anos.”
Lembrei-me disso ao ler no excelente site de pesquisas de opinião Polling Report que até um poste venceria George W. Bush na campanha para a reeleição no ano que vem. O problema é que os democratas ainda não conseguiram um poste para se candidatar.
Segundo as pesquisas feitas em novembro, há um empate técnico entre os eleitores inclinados a votar em Bush (47%) e não inclinados (48%). Apenas 42% acham que ele merece ser reeleito, contra 46% contrários.
Entretanto, quando a pesquisa testa o confronto direto entre ele os seis (isso mesmo, meia dúzia) pré-candidatos do Partido Democrata, Bush ganha mole de todos.
Tudo bem, Bob Fields (que reencarne como couro de zabumba na Feira de São Cristóvão) dizia que estatística é quem nem biquíni: mostra tudo, menos o mais importante. Mas esse números mostram que, ou os democratas arranjam um candidato que entusiasme, ou vão perder uma das eleições mais moles que já tiveram.
quinta-feira, 13 de novembro de 2003
Só divagação
Hoje eu vi numa livraria um belo livro importado de História sobre as nossas raízes orientais. A ilustração da capa traz um busto de um faraó egípcio e uma estátua de Buda. Só não comprei porque as minhas vacas andam mais magras que aquela mocréia do seriado Ally McBeal.
Voltando ao assunto, alguma coisa ali não bateu direito na minha cabeça. Depois me toquei do que era. O conceito do Egito como “oriental” é, no mínimo bizarro. Ou melhor, é apenas cultural, não geográfico. Quer ver só? A longitude de Atenas é 23 graus e 43 minutos a Leste de Greenwich. A do Cairo é 31 graus e vinte minutos. Realmente, o Egito está a Leste da Grécia, seria Oriente.
Mas Jerusalém tem como longitude 35 graus e treze minutos. Ninguém se refere ao Judaísmo como uma cultura oriental. Muito menos o Cristianismo – apesar de este ser uma acochambração do próprio Judaísmo com o Masdaísmo da Pérsia, que está mais a Leste ainda.
Alguém tem que lembrar ao autor que, em termos de geografia, a Estrela de Davi e até a cruz são bem mais orientais que o Olho de Hórus.
Hoje eu vi numa livraria um belo livro importado de História sobre as nossas raízes orientais. A ilustração da capa traz um busto de um faraó egípcio e uma estátua de Buda. Só não comprei porque as minhas vacas andam mais magras que aquela mocréia do seriado Ally McBeal.
Voltando ao assunto, alguma coisa ali não bateu direito na minha cabeça. Depois me toquei do que era. O conceito do Egito como “oriental” é, no mínimo bizarro. Ou melhor, é apenas cultural, não geográfico. Quer ver só? A longitude de Atenas é 23 graus e 43 minutos a Leste de Greenwich. A do Cairo é 31 graus e vinte minutos. Realmente, o Egito está a Leste da Grécia, seria Oriente.
Mas Jerusalém tem como longitude 35 graus e treze minutos. Ninguém se refere ao Judaísmo como uma cultura oriental. Muito menos o Cristianismo – apesar de este ser uma acochambração do próprio Judaísmo com o Masdaísmo da Pérsia, que está mais a Leste ainda.
Alguém tem que lembrar ao autor que, em termos de geografia, a Estrela de Davi e até a cruz são bem mais orientais que o Olho de Hórus.
quarta-feira, 5 de novembro de 2003
Trevas cariocas
Há um ano, quando as urnas decretaram quatro anos de obscurantismo cor-de-rosa para o Estado do Rio, eu comentei com amigos que iríamos encarar uma dobradinha do lumpesinato evangélico com a banda podre da polícia. Hoje esses dois exemplos do que o Rio de Janeiro produziu de pior tiveram momentos de glória graças à caneta malsã da nossa governadora diminutiva.
Primeiro ela exonerou o secretário de Direitos Humanos, João Luiz Duboc Pinaud, que havia denunciado e investigava a morte sob tortura de um comerciante num presídio. Deu com isso um inequívoco sinal verde à facção da polícia que considera moer um preso de pancada a forma mais eficiente de investigação.
Depois, vetou a lei (aprovada por 52 votos a 2 na Alerj) que institui o ensino religioso ecumênico nas escolas públicas. Pela lei, professores laicos falarão sobre ética religiosa, história comparada das religiões etc. Mas nossa “juíza Moore” dos pobres quer ensino confessional, catecismo em sala de aula, sob tutela das igrejas e às custas do dinheiro público. E ainda prometeu recorrer da liminar que cancelou o concurso para catequista, quer dizer, professor de religião. Qualquer semelhança com as escolas do regime Talibã não é mera coincidência. Resta a tênue esperança de que a Alerj derrube o veto e a Justiça mantenha a liminar.
O pior é que ela foi eleita em primeiro turno, o que me deixa profundamente preocupado com o tipo de população que o carioca está se tornando.
Há um ano, quando as urnas decretaram quatro anos de obscurantismo cor-de-rosa para o Estado do Rio, eu comentei com amigos que iríamos encarar uma dobradinha do lumpesinato evangélico com a banda podre da polícia. Hoje esses dois exemplos do que o Rio de Janeiro produziu de pior tiveram momentos de glória graças à caneta malsã da nossa governadora diminutiva.
Primeiro ela exonerou o secretário de Direitos Humanos, João Luiz Duboc Pinaud, que havia denunciado e investigava a morte sob tortura de um comerciante num presídio. Deu com isso um inequívoco sinal verde à facção da polícia que considera moer um preso de pancada a forma mais eficiente de investigação.
Depois, vetou a lei (aprovada por 52 votos a 2 na Alerj) que institui o ensino religioso ecumênico nas escolas públicas. Pela lei, professores laicos falarão sobre ética religiosa, história comparada das religiões etc. Mas nossa “juíza Moore” dos pobres quer ensino confessional, catecismo em sala de aula, sob tutela das igrejas e às custas do dinheiro público. E ainda prometeu recorrer da liminar que cancelou o concurso para catequista, quer dizer, professor de religião. Qualquer semelhança com as escolas do regime Talibã não é mera coincidência. Resta a tênue esperança de que a Alerj derrube o veto e a Justiça mantenha a liminar.
O pior é que ela foi eleita em primeiro turno, o que me deixa profundamente preocupado com o tipo de população que o carioca está se tornando.
quinta-feira, 30 de outubro de 2003
quarta-feira, 29 de outubro de 2003
Tem solução?
Hoje, indo para o trabalho no carro da Cristina, tomei uma fechada criminosa de um taxista – que vai reencarnar na Somália. A navalhada me lembrou uma conversa que tive com outro taxista há alguns dias. Num dado momento ele disse “eu, que sou profissional...” e eu interrompi perguntando como ele se tornara profissional, o que tivera de fazer. Não que eu esteja pensando em mudar de profissão; era curiosidade, mesmo.
Descobri que ele inscreveu-se no INSS, pagou meia dúzia de taxas no sindicato e na Prefeitura e, bingo, tornou-se taxista. Aí eu, espírito de porco como sempre, argumentei que ele não fez nada para se profissionalizar, apenas cumpriu trâmites burocráticos. Em termos de habilitação, não diferia em nada de mim. Depois andei num carro que o motorista não sabia onde ficava a São Clemente. É mais ou menos como jornalista escrever “haveriam erros”. Acontece, mas não deveria acontecer.
O problema é que isso é um fenômeno generalizado. Seja pela crise, pelo desemprego ou pela falência dos meios de capacitação, os serviços estão cada dia piores. Você entra num restaurante, pergunta como é o Filé à Moda da Casa e o garçom responde “é um filé feito à moda da casa” e ainda te olha como se você tivesse obrigação de saber o que passa pela cabeça do cozinheiro. No Bob’s, então, é de doer. Parece que fazem um teste de QI na seleção de balconistas e só contratam quem tira abaixo de 50.
Qual a solução para isso? Não faço a menor idéia. Essas pessoas têm que trabalhar honestamente, claro. Mas a absoluta falta de capacitação já está passando de todos os limites – e no caso dos taxistas, já vira até risco para os outros.
Hoje, indo para o trabalho no carro da Cristina, tomei uma fechada criminosa de um taxista – que vai reencarnar na Somália. A navalhada me lembrou uma conversa que tive com outro taxista há alguns dias. Num dado momento ele disse “eu, que sou profissional...” e eu interrompi perguntando como ele se tornara profissional, o que tivera de fazer. Não que eu esteja pensando em mudar de profissão; era curiosidade, mesmo.
Descobri que ele inscreveu-se no INSS, pagou meia dúzia de taxas no sindicato e na Prefeitura e, bingo, tornou-se taxista. Aí eu, espírito de porco como sempre, argumentei que ele não fez nada para se profissionalizar, apenas cumpriu trâmites burocráticos. Em termos de habilitação, não diferia em nada de mim. Depois andei num carro que o motorista não sabia onde ficava a São Clemente. É mais ou menos como jornalista escrever “haveriam erros”. Acontece, mas não deveria acontecer.
O problema é que isso é um fenômeno generalizado. Seja pela crise, pelo desemprego ou pela falência dos meios de capacitação, os serviços estão cada dia piores. Você entra num restaurante, pergunta como é o Filé à Moda da Casa e o garçom responde “é um filé feito à moda da casa” e ainda te olha como se você tivesse obrigação de saber o que passa pela cabeça do cozinheiro. No Bob’s, então, é de doer. Parece que fazem um teste de QI na seleção de balconistas e só contratam quem tira abaixo de 50.
Qual a solução para isso? Não faço a menor idéia. Essas pessoas têm que trabalhar honestamente, claro. Mas a absoluta falta de capacitação já está passando de todos os limites – e no caso dos taxistas, já vira até risco para os outros.
Dos males o pior
Oi povo. Como muita gente manifestou solidariedade pelo meu infortúnio automobilístico-policial, venho anunciar que o carro apareceu. Infelizmente apareceu sem ar condicionado, som, alto-falantes, estepe, macaco etc. Eu achava que ele ia ser encontrado porque todo mundo que sabia do roubo dizia “agora é torcer para que não encontrem”. Isso porque se o carro sumisse de vez, a seguradora pagaria uma grana que me permitiria comprar um mais baratinho e ainda ficar com um qualquer. Claro que Murphy, pra variar, falou mais alto... Acharam e vou morrer na franquia do seguro.
E atenção aos donos de Palio. Segundo tanto a polícia quanto os caras da oficina, esse carro está sendo roubado loucamente por conta do ar condicionado. Ao que parece, o aparelho se adapta a qualquer veículo.
Oi povo. Como muita gente manifestou solidariedade pelo meu infortúnio automobilístico-policial, venho anunciar que o carro apareceu. Infelizmente apareceu sem ar condicionado, som, alto-falantes, estepe, macaco etc. Eu achava que ele ia ser encontrado porque todo mundo que sabia do roubo dizia “agora é torcer para que não encontrem”. Isso porque se o carro sumisse de vez, a seguradora pagaria uma grana que me permitiria comprar um mais baratinho e ainda ficar com um qualquer. Claro que Murphy, pra variar, falou mais alto... Acharam e vou morrer na franquia do seguro.
E atenção aos donos de Palio. Segundo tanto a polícia quanto os caras da oficina, esse carro está sendo roubado loucamente por conta do ar condicionado. Ao que parece, o aparelho se adapta a qualquer veículo.
terça-feira, 21 de outubro de 2003
quarta-feira, 15 de outubro de 2003
sexta-feira, 10 de outubro de 2003
Queria ter dito essa
Maravilhosa frase do colunista Bob Herbert hoje no New York Times:
“Vender uma guerra desencaminhada é como vender cigarros. Você não pode falar a trágica verdade sobre seu produto.”
Maravilhosa frase do colunista Bob Herbert hoje no New York Times:
“Vender uma guerra desencaminhada é como vender cigarros. Você não pode falar a trágica verdade sobre seu produto.”
quinta-feira, 9 de outubro de 2003
No peito e na raça
Bem legal a matéria no site da BBC sobre a campanha para incentivar a amamentação no Brasil, exibida com destaque na página da emissora. O correspondente Steve Kingstone só carregou nas tintas ao apresentar Luiza Tomé, musa lactante da campanha, como uma das mais conhecidas atrizes do país.
Ela é linda (ainda mais turbinada pela amamentação), mas alguém aí se lembra de seu último papel de destaque? Vai ver Mr. Kingstone se deixou exaltar pela opulência de Luiza. Totalmente justificável.
Bem legal a matéria no site da BBC sobre a campanha para incentivar a amamentação no Brasil, exibida com destaque na página da emissora. O correspondente Steve Kingstone só carregou nas tintas ao apresentar Luiza Tomé, musa lactante da campanha, como uma das mais conhecidas atrizes do país.
Ela é linda (ainda mais turbinada pela amamentação), mas alguém aí se lembra de seu último papel de destaque? Vai ver Mr. Kingstone se deixou exaltar pela opulência de Luiza. Totalmente justificável.
Conserto caro
O gaúcho tinha um Opala "jóia", daqueles antigos, motor 4.100, "inteiraço". Tinha um ciúme doentio do carro. Um dia alguém bateu na porta do Opala e amassou. O gaúcho ficou tão puto da vida que encostou o carro na garagem e disse que não ia mais sair com ele.
Alguns meses depois, o gaúcho, louco de saudade do carrão, querendo dar uma volta, senta ao volante, põe a chave na partida e nada. A bateria havia descarregado. Depois de várias tentativas, desiste e chama o mecânico. Este chega, dá uma olhada, tenta ligar e diz:
- É fácil de consertar, e só fazer uma chupeta.
E o gaúcho:
- Se eu der a bunda, você arruma a porta também?
Essa quem mandou foi o Flávio Falcão, como parte de sua relação complicada com Yuri Totti...
O gaúcho tinha um Opala "jóia", daqueles antigos, motor 4.100, "inteiraço". Tinha um ciúme doentio do carro. Um dia alguém bateu na porta do Opala e amassou. O gaúcho ficou tão puto da vida que encostou o carro na garagem e disse que não ia mais sair com ele.
Alguns meses depois, o gaúcho, louco de saudade do carrão, querendo dar uma volta, senta ao volante, põe a chave na partida e nada. A bateria havia descarregado. Depois de várias tentativas, desiste e chama o mecânico. Este chega, dá uma olhada, tenta ligar e diz:
- É fácil de consertar, e só fazer uma chupeta.
E o gaúcho:
- Se eu der a bunda, você arruma a porta também?
Essa quem mandou foi o Flávio Falcão, como parte de sua relação complicada com Yuri Totti...
domingo, 5 de outubro de 2003
A força da genética
Minha afilhada Beatriz ainda nem fez dois anos e já mostra que o DNA da família está firmemente instalado. As primeiras suspeitas começaram quando minha irmã passou a fazer a vitamina de costas para ela, do contrário Beatriz queria comer as frutas antes que elas fossem para o liquidificador.
Esta semana veio a confirmação: A família almoçava num La Mole da vida, e ela estava instalada na obrigatória cadeirinha de bebê. O garçom começou a servir pelo lado da mesa onde ela estava, mas pulou-a, já que minha irmã ia servir e partir a comida da filha. Beatriz ficou agoniada ao ver o garçom ignorá-la, e, quando ele passou para o outro lado da mesa, não agüentou e reclamou (na sua linguagem, claro):
- Titio... neném, neném.
Essa vai longe.
Minha afilhada Beatriz ainda nem fez dois anos e já mostra que o DNA da família está firmemente instalado. As primeiras suspeitas começaram quando minha irmã passou a fazer a vitamina de costas para ela, do contrário Beatriz queria comer as frutas antes que elas fossem para o liquidificador.
Esta semana veio a confirmação: A família almoçava num La Mole da vida, e ela estava instalada na obrigatória cadeirinha de bebê. O garçom começou a servir pelo lado da mesa onde ela estava, mas pulou-a, já que minha irmã ia servir e partir a comida da filha. Beatriz ficou agoniada ao ver o garçom ignorá-la, e, quando ele passou para o outro lado da mesa, não agüentou e reclamou (na sua linguagem, claro):
- Titio... neném, neném.
Essa vai longe.
quinta-feira, 2 de outubro de 2003
Dá pra não renegar?
Depois alguns conhecidos estranham eu ter renegado o voto para presidente que dei no ano passado.
O Globo On Line diz que o presidente Lula (que eu ajudei a eleger num momento de insensatez) não vai demitir a ministra (do que mesmo?) Benedita da Silva por ter usado recursos públicos para ir a um evento privado – um encontro de gado em Buenos Aires.
Depois que a patuscada, aliás, o crime de improbidade administrativa ficou público, a equipe de Benedita inventou apressadamente um encontro com sua contraparte Argentina para tentar dar algum ar oficial à garfada no erário. Não convenceu ninguém.
O curioso é que o noticiário matinal dizia que Lula estava tiririca e queria que ela devolvesse o dinheiro usado indevidamente. Em conversa com governadores, aliás, José Dirceu disse que o ideal era a ministra entregasse, junto com a grana, sua carta de demissão.
Aparentemente no decorrer do dia a coisa mudou. Lula deve ter se tocado que respeito ao dinheiro público era só mais uma das promessas de campanha e dos compromissos históricos do partido que não precisaria honrar depois de eleito.
Lula chegou a dizer que alguém com um histórico como o de Benedita não cometeria um erro desses. Ele só pode estar nos gozando, não? Quando vereadora, a hoje ministra nomeou a família para cargos de confiança – incluindo um filho que tinha escolaridade apenas para ser contínuo. Depois quando esse filho usou um diploma falso para entrar num trem da alegria, disse que não tinha nada a ver com isso. Já senadora, gastou uma fábula de dinheiro público para enfiar no apartamento funcional uma jacuzzi – se não me engano, teve que devolver o dinheiro. Nada contra ela ter uma jacuzzi. Eu também queria. Mas que tirasse do seu bolso, não do meu.
Desde que foi nomeada ministra (como prêmio de consolação pela sova de levou do casal diminutivo que ora assombra o estado do Rio) ela vinha se mostrando num verdadeiro seio masculino - aquele troço que não é útil nem ornamental. Se tivesse ficado nisso, já seria lucro.
Enquanto isso, o partido vai expulsar Heloísa Helena por honrar sua história política.
Depois alguns conhecidos estranham eu ter renegado o voto para presidente que dei no ano passado.
O Globo On Line diz que o presidente Lula (que eu ajudei a eleger num momento de insensatez) não vai demitir a ministra (do que mesmo?) Benedita da Silva por ter usado recursos públicos para ir a um evento privado – um encontro de gado em Buenos Aires.
Depois que a patuscada, aliás, o crime de improbidade administrativa ficou público, a equipe de Benedita inventou apressadamente um encontro com sua contraparte Argentina para tentar dar algum ar oficial à garfada no erário. Não convenceu ninguém.
O curioso é que o noticiário matinal dizia que Lula estava tiririca e queria que ela devolvesse o dinheiro usado indevidamente. Em conversa com governadores, aliás, José Dirceu disse que o ideal era a ministra entregasse, junto com a grana, sua carta de demissão.
Aparentemente no decorrer do dia a coisa mudou. Lula deve ter se tocado que respeito ao dinheiro público era só mais uma das promessas de campanha e dos compromissos históricos do partido que não precisaria honrar depois de eleito.
Lula chegou a dizer que alguém com um histórico como o de Benedita não cometeria um erro desses. Ele só pode estar nos gozando, não? Quando vereadora, a hoje ministra nomeou a família para cargos de confiança – incluindo um filho que tinha escolaridade apenas para ser contínuo. Depois quando esse filho usou um diploma falso para entrar num trem da alegria, disse que não tinha nada a ver com isso. Já senadora, gastou uma fábula de dinheiro público para enfiar no apartamento funcional uma jacuzzi – se não me engano, teve que devolver o dinheiro. Nada contra ela ter uma jacuzzi. Eu também queria. Mas que tirasse do seu bolso, não do meu.
Desde que foi nomeada ministra (como prêmio de consolação pela sova de levou do casal diminutivo que ora assombra o estado do Rio) ela vinha se mostrando num verdadeiro seio masculino - aquele troço que não é útil nem ornamental. Se tivesse ficado nisso, já seria lucro.
Enquanto isso, o partido vai expulsar Heloísa Helena por honrar sua história política.
terça-feira, 30 de setembro de 2003
Melhor não saber
O pai pergunta ao filho de 12 anos se ele sabe como são feitos os bebês e ele, aos prantos, responde:
- Não quero saber! Prometa que não vai me contar.
E o pai, espantado, pergunta por que o filho não quer saber e ele, ainda aos prantos, responde:
- Quando eu tinha 6 anos me contaram que não havia coelho da Páscoa, aos 7 descobri que não havia Fada Madrinha e aos 8 me contaram que o Papai Noel é você ! Se eu descobrir que os adultos não trepam, não tenho mais razão para viver!
Essa quem me mandou foi a Gwynn
O pai pergunta ao filho de 12 anos se ele sabe como são feitos os bebês e ele, aos prantos, responde:
- Não quero saber! Prometa que não vai me contar.
E o pai, espantado, pergunta por que o filho não quer saber e ele, ainda aos prantos, responde:
- Quando eu tinha 6 anos me contaram que não havia coelho da Páscoa, aos 7 descobri que não havia Fada Madrinha e aos 8 me contaram que o Papai Noel é você ! Se eu descobrir que os adultos não trepam, não tenho mais razão para viver!
Essa quem me mandou foi a Gwynn
domingo, 28 de setembro de 2003
Boa pancada
Recomendo muito a leitura desse artigo do mestre Marcos Sá Corrêa sobre a viagem da ministra Benedita para um encontro pecuário na Argentina às custas do Tesouro e sobre a liberação da soja transgênica - mais dois lindos momentos desse governo infame que eu ajudei a eleger num momento de desatino que, juro, nunca mais vai se repetir.
Recomendo muito a leitura desse artigo do mestre Marcos Sá Corrêa sobre a viagem da ministra Benedita para um encontro pecuário na Argentina às custas do Tesouro e sobre a liberação da soja transgênica - mais dois lindos momentos desse governo infame que eu ajudei a eleger num momento de desatino que, juro, nunca mais vai se repetir.
terça-feira, 23 de setembro de 2003
Questão de gosto
Diz a imprensa italiana que o Vaticano vai editar uma diretiva coibindo o que classifica como “abusos litúrgicos”. Além de danças, aplausos e textos laicos na missa, o documento recomenda evitar o uso de meninas em vez de meninos como coroinhas.
A justificativa é que a função é um posto potencial para o desenvolvimento da vocação sacerdotal – e a igreja católica veta o sacerdócio a mulheres. Logo, quanto mais meninas forem coroinhas, menos meninos o serão e menor será o número de futuros padres.
Ok, faz sentido. Mas, diante dos recentes escândalos de pedofilia (na maioria envolvendo vítimas do sexo masculino), dá para desconfiar que os padres querem mesmo é ter mais menininhos por perto.
Depois os comunistas é que comiam criancinha...
Diz a imprensa italiana que o Vaticano vai editar uma diretiva coibindo o que classifica como “abusos litúrgicos”. Além de danças, aplausos e textos laicos na missa, o documento recomenda evitar o uso de meninas em vez de meninos como coroinhas.
A justificativa é que a função é um posto potencial para o desenvolvimento da vocação sacerdotal – e a igreja católica veta o sacerdócio a mulheres. Logo, quanto mais meninas forem coroinhas, menos meninos o serão e menor será o número de futuros padres.
Ok, faz sentido. Mas, diante dos recentes escândalos de pedofilia (na maioria envolvendo vítimas do sexo masculino), dá para desconfiar que os padres querem mesmo é ter mais menininhos por perto.
Depois os comunistas é que comiam criancinha...
domingo, 14 de setembro de 2003
Diálogos X-Crotos XIX
No Cefet, havia apenas dois negros em nossa turma, um deles meu querido irmão Cócis. Quando estávamos no terceiro ano, a professora de Geografia, Sônia (também negra), quis puxar um papo engajado com meu amigo por conta do nome dele:
– Cócis? Que nome diferente. É africano?
– Não, é húngaro.
Ela ficou emputecida e queria mandá-lo para a coordenação de disciplina. Foi um custo convencê-la que era verdade, que o nome era homenagem ao jogador Kocsis, da seleção húngara de 1954.
No Cefet, havia apenas dois negros em nossa turma, um deles meu querido irmão Cócis. Quando estávamos no terceiro ano, a professora de Geografia, Sônia (também negra), quis puxar um papo engajado com meu amigo por conta do nome dele:
– Cócis? Que nome diferente. É africano?
– Não, é húngaro.
Ela ficou emputecida e queria mandá-lo para a coordenação de disciplina. Foi um custo convencê-la que era verdade, que o nome era homenagem ao jogador Kocsis, da seleção húngara de 1954.
sexta-feira, 12 de setembro de 2003
Gentileza quase fatal
Hoje de manhã eu estava me vestindo quando o telefone tocou. Atendi e uma voz feminina mandou um “Senhor, Leonardo?”. Fiquei cabreiro, telefonema matutino me chamando de “senhor” não podia ser boa coisa.
– Sim – disse eu, quase num gemido.
– Aqui é fulana, sua gerente no Banco Real.
Aí que eu gelei mesmo. Minha conta não está no vermelho (ainda) e não estou devendo nada ao banco. Mas mesmo assim, fiquei repassando mentalmente todos os cheques emitidos desde 1996, imaginando que alguém tivesse limpado a conta ou comprado um iate no meu nome... Essas paranóias de praxe.
– Pois não – emendei, já num fiapo de voz.
– Estou lhe telefonando para desejar um feliz aniversário e mais uma vez me colocar à disposição.
Eu agradeci a gentileza, mas fiquei pensando: numa dessas, uma pessoa com as coronárias menos em dia acaba fazendo check out. Da próxima vez vou pedir para ela cantar “Parabéns pra você” antes de se identificar.
Ah, sim. Estou completando hoje 37 invernos assombrando este plano da existência.
Hoje de manhã eu estava me vestindo quando o telefone tocou. Atendi e uma voz feminina mandou um “Senhor, Leonardo?”. Fiquei cabreiro, telefonema matutino me chamando de “senhor” não podia ser boa coisa.
– Sim – disse eu, quase num gemido.
– Aqui é fulana, sua gerente no Banco Real.
Aí que eu gelei mesmo. Minha conta não está no vermelho (ainda) e não estou devendo nada ao banco. Mas mesmo assim, fiquei repassando mentalmente todos os cheques emitidos desde 1996, imaginando que alguém tivesse limpado a conta ou comprado um iate no meu nome... Essas paranóias de praxe.
– Pois não – emendei, já num fiapo de voz.
– Estou lhe telefonando para desejar um feliz aniversário e mais uma vez me colocar à disposição.
Eu agradeci a gentileza, mas fiquei pensando: numa dessas, uma pessoa com as coronárias menos em dia acaba fazendo check out. Da próxima vez vou pedir para ela cantar “Parabéns pra você” antes de se identificar.
Ah, sim. Estou completando hoje 37 invernos assombrando este plano da existência.
quinta-feira, 11 de setembro de 2003
Chega de dívidas
Gente, dei adeus à pindaíba. Minha querida Selina enviou-me o endereço de um site maravilhoso para quem está precisando de dinheiro. Fui lá e descobri que posso levantar quase dez mil libras nas condições atuais.
Francamente, nunca imaginei que minha alma valesse tanto.
Vai lá você também.
Gente, dei adeus à pindaíba. Minha querida Selina enviou-me o endereço de um site maravilhoso para quem está precisando de dinheiro. Fui lá e descobri que posso levantar quase dez mil libras nas condições atuais.
Francamente, nunca imaginei que minha alma valesse tanto.
Vai lá você também.
quarta-feira, 10 de setembro de 2003
Preconceito é o seguinte...
Atenção galera
Está circulando pela Internet um e-mail com uma mensagem com uma série de frases muito cretinas atribuídas a Lula, do gênero “a maior parte de nossas importações vem de outros países”.
Muito engraçado, muito divertido, mas tem um detalhe: nenhuma das frases é realmente dele. São todas de George W. Bush, compiladas e datadas pela revista virtual Slate (clique aqui para ver mais).
Não que Lula não tenha sua própria coleção de citações infelizes. Só que elas não provêm de estupidez ou de – como no caso do antecessor dele – arrogância. Estão mais para elaboração atabalhoada de conceitos nem sempre errados. A melhor para mim é “Quero fazer do Brasil um líder dos países pobres”. Ok, mas qual o eleitor que deseja continuar a ser pobre?
De qualquer forma, esse e-mail que anda circulando é mais um exemplo do preconceito que ainda campeia por aí. Ele tem que ser burro – como se alguém, no Brasil, pudesse passar de retirante a presidente sendo burro...
Se, como Bush, ele tivesse nascido no seio da plutocracia da Nova Inglaterra e fosse inteiramente identificado com sua classe, aí sim, poderia cursar Yale sem ser um aluno mais que medíocre até ser eleito (ops, nomeado) presidente, mesmo dizendo coisas como “não penso muito em mim e nos motivos para fazer o que faço”.
Mas deve ser mais divertido ser preconceituoso, não?
Atenção galera
Está circulando pela Internet um e-mail com uma mensagem com uma série de frases muito cretinas atribuídas a Lula, do gênero “a maior parte de nossas importações vem de outros países”.
Muito engraçado, muito divertido, mas tem um detalhe: nenhuma das frases é realmente dele. São todas de George W. Bush, compiladas e datadas pela revista virtual Slate (clique aqui para ver mais).
Não que Lula não tenha sua própria coleção de citações infelizes. Só que elas não provêm de estupidez ou de – como no caso do antecessor dele – arrogância. Estão mais para elaboração atabalhoada de conceitos nem sempre errados. A melhor para mim é “Quero fazer do Brasil um líder dos países pobres”. Ok, mas qual o eleitor que deseja continuar a ser pobre?
De qualquer forma, esse e-mail que anda circulando é mais um exemplo do preconceito que ainda campeia por aí. Ele tem que ser burro – como se alguém, no Brasil, pudesse passar de retirante a presidente sendo burro...
Se, como Bush, ele tivesse nascido no seio da plutocracia da Nova Inglaterra e fosse inteiramente identificado com sua classe, aí sim, poderia cursar Yale sem ser um aluno mais que medíocre até ser eleito (ops, nomeado) presidente, mesmo dizendo coisas como “não penso muito em mim e nos motivos para fazer o que faço”.
Mas deve ser mais divertido ser preconceituoso, não?
terça-feira, 9 de setembro de 2003
É chato concordar, mas...
Do ponto de vista do ensino fundamental e do ensino médio, o ex-ministro Paulo Renato só não foi um zero à esquerda porque zeros à esquerda não atrapalham. No afã de produzir as estatísticas das quais os tucanos tanto gostam, permitiu a mais completa esculhambação da educação básica brasileira e contribuiu em muito para 75% dos nossos alfabetizados só o sejam no nome.
Mas, no ensino superior (a despeito de diversos erros e violências) a gestão anterior nos deixou a primeira e (até prova em contrário) melhor forma avaliação dos cursos universitários, da qual o Provão é apenas a face mais conhecida.
Paulo Renato publica hoje no Globo um artigo duro defendendo a avaliação atual e criticando a proposta apresentada ao MEC de desfigurar todo o sistema. O que mais me dói é ter que concordar com um sujeito que, em outros setores, fez atrocidades. Mas...
Se o ministro Cristóvam Buarque desfizer 10% das infelicidades do antecessor (as fábricas de analfabetos funcionais, a farra dos centros universitários etc.) já terá entrado para a História. Não precisa esculhambar as poucas coisas boas.
Do ponto de vista do ensino fundamental e do ensino médio, o ex-ministro Paulo Renato só não foi um zero à esquerda porque zeros à esquerda não atrapalham. No afã de produzir as estatísticas das quais os tucanos tanto gostam, permitiu a mais completa esculhambação da educação básica brasileira e contribuiu em muito para 75% dos nossos alfabetizados só o sejam no nome.
Mas, no ensino superior (a despeito de diversos erros e violências) a gestão anterior nos deixou a primeira e (até prova em contrário) melhor forma avaliação dos cursos universitários, da qual o Provão é apenas a face mais conhecida.
Paulo Renato publica hoje no Globo um artigo duro defendendo a avaliação atual e criticando a proposta apresentada ao MEC de desfigurar todo o sistema. O que mais me dói é ter que concordar com um sujeito que, em outros setores, fez atrocidades. Mas...
Se o ministro Cristóvam Buarque desfizer 10% das infelicidades do antecessor (as fábricas de analfabetos funcionais, a farra dos centros universitários etc.) já terá entrado para a História. Não precisa esculhambar as poucas coisas boas.
Glacê de titica
Experimente fazer um bolo (ou comprar, se não tiver intimidade com a cozinha) bem suculento, de preferência com um pouco de rum na massa, recheado com baba de moça ou doce de leite. Maravilha, não? Agora pegue um pote bem cheio de fezes. Pode ser de qualquer tipo, tanto faz. Cubra todo o bolo com ela – use uma colher de confeiteiro para ficar bonitinho, faça uma decoração fecal no bolo.
Repare uma coisa: o bolo perdeu completamente sua atração e sua finalidade, e nem por isso as fezes ficaram mais apetitosas – a não ser que você seja uma mosca ou tenha alguma perversão muito doentia.
Pensei nessa escatologia ao ouvir no rádio um troço chamado “Sing For The Moment”, no qual Eminem despeja sua usual boçalidade withe trash em cima de “Dream On”, primeiro sucesso do Aerosmith. Suas letras (se é que se pode usar a expressão) passaram da glorificação da violência para a auto-justificativa, mas não consegue sair do estacionamento de trailers. Refletem maravilhosamente a indigência mental que tomou conta da América e é festejada por aqui também.
“Ah, mas os autores permitiram.” Claro, isso representa dinheiro. Cada ameba que comprar o CD para ser chamada de cadela (“mulher” no estranho idioma rapper) vai estar contribuindo para a conta bancária de Stephen Tyler e Joe Perry. A coisa é cada vez menos show e cada vez mais business.
De qualquer forma, nessa receita o bolo fino que era “Dream On” deixou de ser comestível. Mas e o rap de Eminem, ficou mais apetitoso? Francamente? Acho que as moscas nem notaram.
Experimente fazer um bolo (ou comprar, se não tiver intimidade com a cozinha) bem suculento, de preferência com um pouco de rum na massa, recheado com baba de moça ou doce de leite. Maravilha, não? Agora pegue um pote bem cheio de fezes. Pode ser de qualquer tipo, tanto faz. Cubra todo o bolo com ela – use uma colher de confeiteiro para ficar bonitinho, faça uma decoração fecal no bolo.
Repare uma coisa: o bolo perdeu completamente sua atração e sua finalidade, e nem por isso as fezes ficaram mais apetitosas – a não ser que você seja uma mosca ou tenha alguma perversão muito doentia.
Pensei nessa escatologia ao ouvir no rádio um troço chamado “Sing For The Moment”, no qual Eminem despeja sua usual boçalidade withe trash em cima de “Dream On”, primeiro sucesso do Aerosmith. Suas letras (se é que se pode usar a expressão) passaram da glorificação da violência para a auto-justificativa, mas não consegue sair do estacionamento de trailers. Refletem maravilhosamente a indigência mental que tomou conta da América e é festejada por aqui também.
“Ah, mas os autores permitiram.” Claro, isso representa dinheiro. Cada ameba que comprar o CD para ser chamada de cadela (“mulher” no estranho idioma rapper) vai estar contribuindo para a conta bancária de Stephen Tyler e Joe Perry. A coisa é cada vez menos show e cada vez mais business.
De qualquer forma, nessa receita o bolo fino que era “Dream On” deixou de ser comestível. Mas e o rap de Eminem, ficou mais apetitoso? Francamente? Acho que as moscas nem notaram.
quarta-feira, 3 de setembro de 2003
Vai ser só decepção?
Eu costumo dizer que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso só me deu uma decepção: sair candidato com um programa de direita e aliado à pior escória que a ditadura militar produziu. Dali em diante, não esperava nada de bom. O desmantelamento do Estado brasileiro e da indústria nacional, a formação dos monopólios privados, o desemprego galopante, a fragilidade da economia... tudo isso estava dentro da expectativa. As poucas coisas (a meu ver, claro) positivas contaram como bônus inesperados.
Com o governo Lula esta acontecendo para mim exatamente o inverso. Engolidas a aliança com o PL e a suavizada no programa de governo, ainda era, em síntese, o que se espera de um candidato de oposição: mudar o que não funciona, preservar o que funciona. Fui lá e votei, como havia votado nas eleições anteriores. Infelizmente, está sendo para mim uma decepção atrás da outra.
Ok, ok. No que se refere ao "mudar o que não funciona", especialmente na área econômica, ainda podem alegar a herança do governo anterior etc. etc. Claro que esse argumento se enfraquece a cada dia e logo vai perder a validade.
Mas não é isso que está me incomodando. O problema é ver práticas sórdidas da política sempre condenadas pelo PT (como apadrinhamento político em detrimento da qualidade do serviço público) serem adotadas pelo partido e defendidas pelos caciques. E não justifica dizer que "sempre foi assim". Para encarar o que "sempre foi assim" eu teria votado no PFL.
Conheço gente muito séria dentro do Inca e as histórias que essas pessoas contam são ainda piores que as publicadas nos jornais. Quantos outros centros de excelência estão sendo sucateados porque foram entregues a deputados, que nomearam parentes, que eram casados com outros políticos etc. etc. etc.?
Para mim, a cereja bichada nesse creme azedo veio hoje, ao ler no Globo que um relatório apresentado ao ministro da Educação, Cristovam Buarque, (e com toda pinta de ter sido bem recebido) pretende, na prática, acabar com o Provão, eliminando sua obrigatoriedade, fazendo-o por amostragem e atribuindo às próprias universidades a avaliação dos cursos. Francamente? Ao ler isso lamentei muito não ter anulado meu voto.
Educação sempre foi uma das minhas áreas de interesse - fui do Caderno Vestibular do Globo e, quando coordenador da editoria de País, sempre batalhei por mais espaço para o assunto. Por conta disso, acho que o ex-ministro Paulo Renato fez diversas barbaridades no afã tucano para fabricação de estatísticas - autorizar cursos relâmpago que dão diploma de ensino básico em seis meses, às vezes sem aulas, por exemplo. As estatísticas de alunos matriculados e portadores de diploma são lindas, mas do ponto de vista qualitativo produziram-se multidões de analfabetos funcionais.
Imaginava (ok, ok, esperava) que Cristovam fosse atacar esse tipo de coisa, ou a esbórnia dos "centros universitários" que não produzem uma linha de pesquisa ou fazem atividades extensão, mas gozam dos privilégios do título e cobram caro pelo diploma.
Em vez disso, o MEC avança numa das poucas coisas boas que seu antecessor de Cristovam fez. O Provão foi a primeira forma objetiva de avaliar a qualidade dos cursos - via qualidade dos formandos - e, junto com o sistema de avaliação feito pelo MEC nas instituições, pintou um quadro bem mais preciso do ensino superior brasileiro. Comprovou, entre outras coisas, a superioridade das universidades públicas e, por conta do boicote, o pavor que os cursos de Comunicação Social das supracitadas têm de serem avaliados por sua eficiência.
Mas não foi só isso, a avaliação obrigou diversas faculdades particulares a investirem, deu aos vestibulandos um parâmetro para saberem onde é melhor o curso que querem seguir e ainda permitiu ao bom aluno da faculdade não tão boa ter uma comprovação de sua qualidade.
Em vez disso, o grupo propõe que as instituições façam uma auto-avaliação que depois será checada por uma comissão. Burocracria tola; se a comissão vai checar mesmo, qual a necessidade da auto-avaliação? Já o Provão deixa de ser obrigatório e passa a ser feito por amostragem aleatória. E o resultado, claro, sem notas ou rankings de instituições.
As Faculdades Integradas São Furdúncio, que funcionam à noite numa salinha do Jardim Escola Leitãozinho Tarado, e não agüentavam mais levar conceito E, agradecem penhoradamente.
Eu costumo dizer que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso só me deu uma decepção: sair candidato com um programa de direita e aliado à pior escória que a ditadura militar produziu. Dali em diante, não esperava nada de bom. O desmantelamento do Estado brasileiro e da indústria nacional, a formação dos monopólios privados, o desemprego galopante, a fragilidade da economia... tudo isso estava dentro da expectativa. As poucas coisas (a meu ver, claro) positivas contaram como bônus inesperados.
Com o governo Lula esta acontecendo para mim exatamente o inverso. Engolidas a aliança com o PL e a suavizada no programa de governo, ainda era, em síntese, o que se espera de um candidato de oposição: mudar o que não funciona, preservar o que funciona. Fui lá e votei, como havia votado nas eleições anteriores. Infelizmente, está sendo para mim uma decepção atrás da outra.
Ok, ok. No que se refere ao "mudar o que não funciona", especialmente na área econômica, ainda podem alegar a herança do governo anterior etc. etc. Claro que esse argumento se enfraquece a cada dia e logo vai perder a validade.
Mas não é isso que está me incomodando. O problema é ver práticas sórdidas da política sempre condenadas pelo PT (como apadrinhamento político em detrimento da qualidade do serviço público) serem adotadas pelo partido e defendidas pelos caciques. E não justifica dizer que "sempre foi assim". Para encarar o que "sempre foi assim" eu teria votado no PFL.
Conheço gente muito séria dentro do Inca e as histórias que essas pessoas contam são ainda piores que as publicadas nos jornais. Quantos outros centros de excelência estão sendo sucateados porque foram entregues a deputados, que nomearam parentes, que eram casados com outros políticos etc. etc. etc.?
Para mim, a cereja bichada nesse creme azedo veio hoje, ao ler no Globo que um relatório apresentado ao ministro da Educação, Cristovam Buarque, (e com toda pinta de ter sido bem recebido) pretende, na prática, acabar com o Provão, eliminando sua obrigatoriedade, fazendo-o por amostragem e atribuindo às próprias universidades a avaliação dos cursos. Francamente? Ao ler isso lamentei muito não ter anulado meu voto.
Educação sempre foi uma das minhas áreas de interesse - fui do Caderno Vestibular do Globo e, quando coordenador da editoria de País, sempre batalhei por mais espaço para o assunto. Por conta disso, acho que o ex-ministro Paulo Renato fez diversas barbaridades no afã tucano para fabricação de estatísticas - autorizar cursos relâmpago que dão diploma de ensino básico em seis meses, às vezes sem aulas, por exemplo. As estatísticas de alunos matriculados e portadores de diploma são lindas, mas do ponto de vista qualitativo produziram-se multidões de analfabetos funcionais.
Imaginava (ok, ok, esperava) que Cristovam fosse atacar esse tipo de coisa, ou a esbórnia dos "centros universitários" que não produzem uma linha de pesquisa ou fazem atividades extensão, mas gozam dos privilégios do título e cobram caro pelo diploma.
Em vez disso, o MEC avança numa das poucas coisas boas que seu antecessor de Cristovam fez. O Provão foi a primeira forma objetiva de avaliar a qualidade dos cursos - via qualidade dos formandos - e, junto com o sistema de avaliação feito pelo MEC nas instituições, pintou um quadro bem mais preciso do ensino superior brasileiro. Comprovou, entre outras coisas, a superioridade das universidades públicas e, por conta do boicote, o pavor que os cursos de Comunicação Social das supracitadas têm de serem avaliados por sua eficiência.
Mas não foi só isso, a avaliação obrigou diversas faculdades particulares a investirem, deu aos vestibulandos um parâmetro para saberem onde é melhor o curso que querem seguir e ainda permitiu ao bom aluno da faculdade não tão boa ter uma comprovação de sua qualidade.
Em vez disso, o grupo propõe que as instituições façam uma auto-avaliação que depois será checada por uma comissão. Burocracria tola; se a comissão vai checar mesmo, qual a necessidade da auto-avaliação? Já o Provão deixa de ser obrigatório e passa a ser feito por amostragem aleatória. E o resultado, claro, sem notas ou rankings de instituições.
As Faculdades Integradas São Furdúncio, que funcionam à noite numa salinha do Jardim Escola Leitãozinho Tarado, e não agüentavam mais levar conceito E, agradecem penhoradamente.
segunda-feira, 1 de setembro de 2003
terça-feira, 26 de agosto de 2003
Saúde é o que interessa
Primeiro descobriu-se que pizza reduz o risco de câncer no estômago.
Depois que cerveja combate a osteoporose.
Agora que masturbação previne o câncer de próstata.
Moral da história: nunca foi tão fácil cuidar da saúde.
Contribuição do Blau, titular do Só de Onda
Primeiro descobriu-se que pizza reduz o risco de câncer no estômago.
Depois que cerveja combate a osteoporose.
Agora que masturbação previne o câncer de próstata.
Moral da história: nunca foi tão fácil cuidar da saúde.
Contribuição do Blau, titular do Só de Onda
domingo, 24 de agosto de 2003
Dá pra processar
Juro que vou parar de pegar no pé do Skank, mas essa é irresistível.
No encarte do (bom) Cosmotron há um momento de merchandising explícito: a lista de instrumentos ou acessórios usados pelos integrantes da banda. Lá descobrimos que o baixista Lelo Zaneti usa baixos Yamaha.
Nada contra a prática, difundida nos anos 70 pelo Kiss – grande pioneiro na arte de ganhar dinheiro.
O problema é que em todas as fotos do encarte Zaneti aparece com um baixo Rickenbaker. Ok, ok, o Rickenbaker é uma jóia, foi meu sonho de consumo por anos a fio e, se eu tivesse um, também ia querer mostrar pra todo mundo. Maldade é arrancar dinheiro dos japas da Yamaha e depois posar com o instrumento da concorrência.
Juro que vou parar de pegar no pé do Skank, mas essa é irresistível.
No encarte do (bom) Cosmotron há um momento de merchandising explícito: a lista de instrumentos ou acessórios usados pelos integrantes da banda. Lá descobrimos que o baixista Lelo Zaneti usa baixos Yamaha.
Nada contra a prática, difundida nos anos 70 pelo Kiss – grande pioneiro na arte de ganhar dinheiro.
O problema é que em todas as fotos do encarte Zaneti aparece com um baixo Rickenbaker. Ok, ok, o Rickenbaker é uma jóia, foi meu sonho de consumo por anos a fio e, se eu tivesse um, também ia querer mostrar pra todo mundo. Maldade é arrancar dinheiro dos japas da Yamaha e depois posar com o instrumento da concorrência.
sexta-feira, 22 de agosto de 2003
Imagine nós...
Diz o Globo On Line que o ator Ewan McGregor teve depressão e encheu a cara regularmente por conta do trabalho em “Guerra nas Estrelas – Episódio I – A Ameaça Fantasma”, que classifica como cúmulo da chatice.
Podia ser pior: ele podia estar vendo Jar Jar Binks (como nós tivemos que ver), podia ter participado da cena em que Anakim Skywalker (não acredito que aquele viadinho mirim vá virar Darth Vader) disse “Mamãe, o problema do universo é as pessoas não ajudam umas às outras”, e, claro, podia ter pagado para ver aquela bomba, em vez de ganhar os tubos para usar uma trancinha e dar uns pulos.
Nós é que devíamos tomar um porre
Diz o Globo On Line que o ator Ewan McGregor teve depressão e encheu a cara regularmente por conta do trabalho em “Guerra nas Estrelas – Episódio I – A Ameaça Fantasma”, que classifica como cúmulo da chatice.
Podia ser pior: ele podia estar vendo Jar Jar Binks (como nós tivemos que ver), podia ter participado da cena em que Anakim Skywalker (não acredito que aquele viadinho mirim vá virar Darth Vader) disse “Mamãe, o problema do universo é as pessoas não ajudam umas às outras”, e, claro, podia ter pagado para ver aquela bomba, em vez de ganhar os tubos para usar uma trancinha e dar uns pulos.
Nós é que devíamos tomar um porre
quinta-feira, 21 de agosto de 2003
quarta-feira, 20 de agosto de 2003
Loura no cassino
Antes que a Gwynn me dê porrada...
Uma loura muito sensual entrou num cassino. Trocou dez mil dólares por fichas e dirigiu-se à mesa da roleta. Lá chegando, anunciou que apostaria todo o seu dinheiro e que acertaria os números em um único lance. E, fitando os dois empregados responsáveis pela roleta, acrescentou:
- Olha, espero que vocês não se importem, mas tenho mais sorte quando estou toda nua...
Dito isto, ela se despiu completamente e depois colocou as fichas todas sobre a mesa.
Inteiramente abestalhado, o "croupier" acionou a
roleta. Enquanto esta girava, a loura cantava:
- "MÃEZINHA PRECISA DE ROUPAS NOVAS! MÃEZINHA PRECISA DE ROUPAS NOVAS!"
Assim que a roleta parou, ela começou a dar grandes pulos e a gritar:
- GANHEI!!! GANHEI!!! QUE MARAVIIIIILHAAA!!! GANHEEEI!!!
Ela então abraçou e beijou cada um dos croupiers. Em seguida debruçou-se sobre a mesa e recolheu todo o dinheiro e as fichas. Vestiu-se rapidissimamente e se mandou.
Os croupiers se entreolharam boquiabertos. Finalmente, um deles, voltando a si, perguntou:
- No que que ela apostou, você viu?
E o outro:
- Eu não... Pensei que VOCÊ estivesse olhando...
Moral da história: Nem toda loura é burra, mas homem é sempre homem...
Antes que a Gwynn me dê porrada...
Uma loura muito sensual entrou num cassino. Trocou dez mil dólares por fichas e dirigiu-se à mesa da roleta. Lá chegando, anunciou que apostaria todo o seu dinheiro e que acertaria os números em um único lance. E, fitando os dois empregados responsáveis pela roleta, acrescentou:
- Olha, espero que vocês não se importem, mas tenho mais sorte quando estou toda nua...
Dito isto, ela se despiu completamente e depois colocou as fichas todas sobre a mesa.
Inteiramente abestalhado, o "croupier" acionou a
roleta. Enquanto esta girava, a loura cantava:
- "MÃEZINHA PRECISA DE ROUPAS NOVAS! MÃEZINHA PRECISA DE ROUPAS NOVAS!"
Assim que a roleta parou, ela começou a dar grandes pulos e a gritar:
- GANHEI!!! GANHEI!!! QUE MARAVIIIIILHAAA!!! GANHEEEI!!!
Ela então abraçou e beijou cada um dos croupiers. Em seguida debruçou-se sobre a mesa e recolheu todo o dinheiro e as fichas. Vestiu-se rapidissimamente e se mandou.
Os croupiers se entreolharam boquiabertos. Finalmente, um deles, voltando a si, perguntou:
- No que que ela apostou, você viu?
E o outro:
- Eu não... Pensei que VOCÊ estivesse olhando...
Moral da história: Nem toda loura é burra, mas homem é sempre homem...