Parati, eu sobrevivi
Prezados, estou chegando de cinco dias em Parati, onde estava fazendo o site da Festa Literária Internacional de Parati (FLIP) - aliás, cliquem aqui e confiram o resultado; para ler todas as matérias, basta clicar em Notícias. O evento foi maravilhoso. Senti-me o último dos quadrúpedes diante da erudição de José Miguel Wisnik falando de Guimarães Rosa e voltei de lá fã de carteirinha de Paul Auster.
O notável, porém, foi eu ter conseguido voltar de Parati com os tornozelos intactos. Aquele calçamento é praticamente uma garantia de estabaco. Só posso imaginar que fosse uma estratégia defensiva dos portugueses. Uma tropa invasora que tentasse avançar correndo por aquelas ruas ficaria toda pelo meio do caminho.
Outra curiosidade é o cartel dos R$ 40. Não interessa o tipo do restaurante, o grau de sofisticação etc. Nenhuma refeição sai por menos de R$ 40. Sorte que o voucher da FLIP me permitia comer "de grátis" no bom italiano Punto Divino. Recomendo.
Queria recomendar outro restaurante, o Bartholomeu. Fui lá com Dapieve e Manya, Paulo Roberto Pires e Cristiane, Gustavo Poli e Marcela e Sérgio Rodrigues - tremenda formação de quadrilha. A comida era boa? Assim, assim. Não era ruim, de forma alguma, mas o preço prometia mais sabor e quantidade. Então por que você queria recomendar, mané? Porque a gerente era uma loura com um decote!
Teve um momento memorável. Manya queria um frango, mas preferia que fosse coxa. A gerente curvou-se para falar com ela, expondo ainda mais o decote, e disse: "Eu recomendo o peito, está macio e suculento." Não fosse a presença de tantas esposas (Manya tinha procuração da minha para me vigiar), alguém teria terminado o almoço com um tapa na cara.
Aliás, tenho quer ver quando cobro do Gustavo para não revelar ao mundo uma frase que ele soltou na mesa, daquelas de destruir reputações por umas quatro encarnações.
Antes de terminar, um conselho importante. Se algum dia forem dar com os costados na Pousada Canoas, recusem terminantemente o quarto 66. Tem cheiro de mofo e barata. Enfrentei uma que resumiu bem meu relacionamento com fêmeas: eu era maior, mas ela era mais ágil e fugia de mim.
Espaço onde o jornalista Leonardo Pimentel pode se dedicar a falar mal do que bem entender.
Aviso
Apesar de criado por um jornalista, este blog não é nem pretende ser imparcial. Ele reflete minhas opiniões, meus gostos, desgostos, preconceitos e pós-conceitos. Se alguém se sentir ofendido, "paciência"...
Se quiser, mande-me um e-mail
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terça-feira, 13 de julho de 2004
terça-feira, 6 de julho de 2004
segunda-feira, 5 de julho de 2004
Réquiem para o morcego
Conferindo o blog do Rafa, trombei com uma polêmica em torno de um post no qual ele detonava Andy Warhol, para horror de algumas amigas mudernas. Desnecessário dizer que assino embaixo a bronca dele.
O papo, porém, lembrou-me duas passagens. A primeira foi em julho de 1998 (ou ano 6 a.L.), quando eu e Cristina fomos flanar em Nova York. Lá pelas tantas ela me arrastou para o MoMA e, ao longo de duas horas (das quais pretendo pedir ressarcimento quando tiver que fazer escala o País do Verão), encarei todo o tipo de empulhação disfarçada de arte. Mas nada poderia ter me preparado para dar de cara com seis sujeitos apreciando uma parede pintada de vermelho. Isso mesmo, era uma parede pintada de vermelho. Só. Nem um matiz, nem um tom variado. Só o vermelho e a assinatura do artista. E, claro, um texto enorme e desprovido de qualquer objetividade para explicar porque aquilo era genial.
A outra é bem mais antiga. Um trecho de um episódio da série Batman e Robin, no qual o Coringa, para dar um golpe, se passava por artista moderno. Num dado momento, ele se inscreveu num concurso de pintura moderna. Um dos competidores jogava bolas de tinta numa tela, outro entrava numa banheira com tinta e rolava na tela, um terceiro botava um chimpanzé para pintar. Enquanto isso, o Coringa passava um pincel seco numa paleta vazia e o esfregava numa tela em branco, impecável em sua bata verde e rosa - entre outras provas de um caráter psicótico, o Coringa é mangueirense. Quando o tempo terminou, ele sacou uma caneta e assinou a tela branca.
No final, cada artista tinha que explicar sua obra. Não apareciam os outros, só o "Príncipe Palhaço". Eis o diálogo:
Jurada: Coringa, qual o nome do seu quadro?
Coringa: A morte do morcego.
Jurada (olhando para a tela branca com cara de idiota): Mas onde está o morcego?
Coringa: Morreu.
Platéia: OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
Claro que ele ganhou o concurso...
Conferindo o blog do Rafa, trombei com uma polêmica em torno de um post no qual ele detonava Andy Warhol, para horror de algumas amigas mudernas. Desnecessário dizer que assino embaixo a bronca dele.
O papo, porém, lembrou-me duas passagens. A primeira foi em julho de 1998 (ou ano 6 a.L.), quando eu e Cristina fomos flanar em Nova York. Lá pelas tantas ela me arrastou para o MoMA e, ao longo de duas horas (das quais pretendo pedir ressarcimento quando tiver que fazer escala o País do Verão), encarei todo o tipo de empulhação disfarçada de arte. Mas nada poderia ter me preparado para dar de cara com seis sujeitos apreciando uma parede pintada de vermelho. Isso mesmo, era uma parede pintada de vermelho. Só. Nem um matiz, nem um tom variado. Só o vermelho e a assinatura do artista. E, claro, um texto enorme e desprovido de qualquer objetividade para explicar porque aquilo era genial.
A outra é bem mais antiga. Um trecho de um episódio da série Batman e Robin, no qual o Coringa, para dar um golpe, se passava por artista moderno. Num dado momento, ele se inscreveu num concurso de pintura moderna. Um dos competidores jogava bolas de tinta numa tela, outro entrava numa banheira com tinta e rolava na tela, um terceiro botava um chimpanzé para pintar. Enquanto isso, o Coringa passava um pincel seco numa paleta vazia e o esfregava numa tela em branco, impecável em sua bata verde e rosa - entre outras provas de um caráter psicótico, o Coringa é mangueirense. Quando o tempo terminou, ele sacou uma caneta e assinou a tela branca.
No final, cada artista tinha que explicar sua obra. Não apareciam os outros, só o "Príncipe Palhaço". Eis o diálogo:
Jurada: Coringa, qual o nome do seu quadro?
Coringa: A morte do morcego.
Jurada (olhando para a tela branca com cara de idiota): Mas onde está o morcego?
Coringa: Morreu.
Platéia: OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
Claro que ele ganhou o concurso...
Novidades
Prezados, não deixem de conferir as novidades na lista de links (coluna da esquerda). Lá estão os blogs O Livro dos Insultos (do que meu querido Rafael, colega dos tempos de Approach) e Cyn City, da nossa Cynthia, sócia-atleta aqui da casa. Confiram também o site da Nossa História, revista na qual labuto diariamente.
Prezados, não deixem de conferir as novidades na lista de links (coluna da esquerda). Lá estão os blogs O Livro dos Insultos (do que meu querido Rafael, colega dos tempos de Approach) e Cyn City, da nossa Cynthia, sócia-atleta aqui da casa. Confiram também o site da Nossa História, revista na qual labuto diariamente.
sexta-feira, 2 de julho de 2004
quarta-feira, 23 de junho de 2004
Prazer bobo, mas é prazer
Há semanas que os americanos estão em polvorosa no Orkut por conta da invasão de brasileiros - the plague, como disse um deles. Chegaram ao ponto de criar uma regra de escolha de idioma para impedir que os brazucas publicassem(os) mensagens em português nas comunidades deles.
Não adiantou. Segundo o levantamento do próprio site, os brasileiros já são a principal nacionalidade do orkut (30,64%), seguidos pelos americanos, com 30,12%. Não é nada, não é nada... não é nada mesmo. Mas não deixa de ser divertido ver a fúria deles.
Há semanas que os americanos estão em polvorosa no Orkut por conta da invasão de brasileiros - the plague, como disse um deles. Chegaram ao ponto de criar uma regra de escolha de idioma para impedir que os brazucas publicassem(os) mensagens em português nas comunidades deles.
Não adiantou. Segundo o levantamento do próprio site, os brasileiros já são a principal nacionalidade do orkut (30,64%), seguidos pelos americanos, com 30,12%. Não é nada, não é nada... não é nada mesmo. Mas não deixa de ser divertido ver a fúria deles.
Vide Sucupira
Por conta de um comentário do Xandão sobre a morte fazer bem à biografia, vale dizer que as cenas do velório de Brizola, especialmente a entrevista do Jorge Bornhausen, me lembraram demais o último capítulo da novela O Bem Amado, de Dias Gomes.
Para quem é novinho e não lembra, na novela o prefeito Odorico Paraguassu se elegem em Sucupira prometendo construir um cemitério. Pronta a obra, não consegue inaugurá-la por falta de defunto. Após aprontar todas tentando conseguir um morto, acaba assassinado pelo cangaceiro Zeca Diabo. A última cena da novela é o enterro do prefeito, com seu mais ferrenho inimigo político fazendo um apaixonado discurso de louvor.
Por conta de um comentário do Xandão sobre a morte fazer bem à biografia, vale dizer que as cenas do velório de Brizola, especialmente a entrevista do Jorge Bornhausen, me lembraram demais o último capítulo da novela O Bem Amado, de Dias Gomes.
Para quem é novinho e não lembra, na novela o prefeito Odorico Paraguassu se elegem em Sucupira prometendo construir um cemitério. Pronta a obra, não consegue inaugurá-la por falta de defunto. Após aprontar todas tentando conseguir um morto, acaba assassinado pelo cangaceiro Zeca Diabo. A última cena da novela é o enterro do prefeito, com seu mais ferrenho inimigo político fazendo um apaixonado discurso de louvor.
terça-feira, 22 de junho de 2004
Luto global?
Morreu ontem no Rio o ex-governador Leonel Brizola. Jamais conseguiu se eleger presidente, mas sobreviveu ao arqui-rival Roberto Marinho.
Pode ser coincidência, mas o repórter que fez a repercussão no Rio Grande do Sul, o William Bonner e a Fátima Bernardes estavam de preto no Jornal Nacional. Que coisa?
Morreu ontem no Rio o ex-governador Leonel Brizola. Jamais conseguiu se eleger presidente, mas sobreviveu ao arqui-rival Roberto Marinho.
Pode ser coincidência, mas o repórter que fez a repercussão no Rio Grande do Sul, o William Bonner e a Fátima Bernardes estavam de preto no Jornal Nacional. Que coisa?
terça-feira, 15 de junho de 2004
sexta-feira, 11 de junho de 2004
Mägo de Oz
Sou devedor do meu prezado Quez por ter me apresentado ao grupo espanhol Mägo de Oz. Nos momentos mais fracos, é uma boa banda de rock pesado europeu, com variações de andamento, instrumental exuberante e tudo aquilo que jogaram fora quando fizeram a lobotomia no heavy americano. Nos melhores momentos, é uma banda de música espanhola pesada - e aí eles são devastadores.
Do que ouvi até agora, a canção que melhor sintetiza o estilo e o potencial do grupo é Fiesta Pagana, cuja ótima letra reproduzo abaixo. Como é praticamente impossível achar discos deles por aqui, vale catar num Kazaa da vida.
Fiesta Pagana
Cuando despiertes un día
Y sientas que no puedes más
Que en el nombre del de arriba
Tu vida van a manejar
Si sientes que el miedo se pega a tu piel
Por ser comunero y justicia querer
Si te rindes hermano, por ti nunca pensarás
Cuando vayan a pedirte
Los diezmos a fin de mes
Y la Santa Inquisición
Te "invite" a confesar
Por eso amigo tú alza la voz
Di que nunca pediste opinión
Y si es verdad que existe un Dios
Que trabaje de sol a sol
Ponte en pie
Alza el puño y ven
A la fiesta pagana
En la hoguera hay de beber
De la misma condición
No es el pueblo ni un señor
Ellos tienen el clero
Y nosotros nuestro sudor
Si no hay pan para los tuyos
Y ves muy gordo al abad
Si su virgen viste de oro
Desnúdala
Cómo van a silenciar
Al jilguero o al canario
Si no hay cárcel ni tumba
Para el canto libertario
Ponte en pie
Alza el puño y ven
A la fiesta pagana
En la hoguera hay de beber
De la misma condición
No es el pueblo ni un señor
Ellos tienen el clero
Y nosotros nuestro sudor
Festa Pagã
Quando acordas um dia
E descobres não agüentar mais
Que em nome do Altíssimo
Governam tua vida
Se sentes que o medo se agarra a tua pele
Por seres um homem comum e quereres justiça
Se te renderes, irmão, jamais pensarás por si mesmo
Quando vão pedir-lhe
O dízimo no fim do mês
E a Santa Inquisição
Te "convida" a confessar
Por isso, amigo, ergue tua voz
Dize que nunca pediu opinião
Se é verdade que existe um Deus
Que ele trabalhe de sol a sol
Levanta-te
Ergue teu punho e vêm
Para a festa pagã
E na fogueira hás de beber
Da mesma condição
Não és povo nem senhor
Eles têm o clero
E nós temos nosso suor
Se não há pão para os seus
E o abade esta muito gordo
Se a Virgem deles se veste de ouro
Desnude-a!
Como vão silenciar
O pintassilgo e o canário
Se não há prisão ou tumba
Para o canto libertário
Levanta-te
Ergue teu punho e vêm
Para a festa pagã
E na fogueira hás de beber
Da mesma condição
Não és povo nem senhor
Eles têm o clero
E nós temos nosso suor
Sou devedor do meu prezado Quez por ter me apresentado ao grupo espanhol Mägo de Oz. Nos momentos mais fracos, é uma boa banda de rock pesado europeu, com variações de andamento, instrumental exuberante e tudo aquilo que jogaram fora quando fizeram a lobotomia no heavy americano. Nos melhores momentos, é uma banda de música espanhola pesada - e aí eles são devastadores.
Do que ouvi até agora, a canção que melhor sintetiza o estilo e o potencial do grupo é Fiesta Pagana, cuja ótima letra reproduzo abaixo. Como é praticamente impossível achar discos deles por aqui, vale catar num Kazaa da vida.
Fiesta Pagana
Cuando despiertes un día
Y sientas que no puedes más
Que en el nombre del de arriba
Tu vida van a manejar
Si sientes que el miedo se pega a tu piel
Por ser comunero y justicia querer
Si te rindes hermano, por ti nunca pensarás
Cuando vayan a pedirte
Los diezmos a fin de mes
Y la Santa Inquisición
Te "invite" a confesar
Por eso amigo tú alza la voz
Di que nunca pediste opinión
Y si es verdad que existe un Dios
Que trabaje de sol a sol
Ponte en pie
Alza el puño y ven
A la fiesta pagana
En la hoguera hay de beber
De la misma condición
No es el pueblo ni un señor
Ellos tienen el clero
Y nosotros nuestro sudor
Si no hay pan para los tuyos
Y ves muy gordo al abad
Si su virgen viste de oro
Desnúdala
Cómo van a silenciar
Al jilguero o al canario
Si no hay cárcel ni tumba
Para el canto libertario
Ponte en pie
Alza el puño y ven
A la fiesta pagana
En la hoguera hay de beber
De la misma condición
No es el pueblo ni un señor
Ellos tienen el clero
Y nosotros nuestro sudor
Festa Pagã
Quando acordas um dia
E descobres não agüentar mais
Que em nome do Altíssimo
Governam tua vida
Se sentes que o medo se agarra a tua pele
Por seres um homem comum e quereres justiça
Se te renderes, irmão, jamais pensarás por si mesmo
Quando vão pedir-lhe
O dízimo no fim do mês
E a Santa Inquisição
Te "convida" a confessar
Por isso, amigo, ergue tua voz
Dize que nunca pediu opinião
Se é verdade que existe um Deus
Que ele trabalhe de sol a sol
Levanta-te
Ergue teu punho e vêm
Para a festa pagã
E na fogueira hás de beber
Da mesma condição
Não és povo nem senhor
Eles têm o clero
E nós temos nosso suor
Se não há pão para os seus
E o abade esta muito gordo
Se a Virgem deles se veste de ouro
Desnude-a!
Como vão silenciar
O pintassilgo e o canário
Se não há prisão ou tumba
Para o canto libertário
Levanta-te
Ergue teu punho e vêm
Para a festa pagã
E na fogueira hás de beber
Da mesma condição
Não és povo nem senhor
Eles têm o clero
E nós temos nosso suor
quinta-feira, 3 de junho de 2004
Orkut bêbado não tem dono
Tudo bem, o Orkut é legal, permite contato com bastante gente etc. Mas esse negócio de "expandir a circunferência do seu círculo social" parece papo de boiola...
Tudo bem, o Orkut é legal, permite contato com bastante gente etc. Mas esse negócio de "expandir a circunferência do seu círculo social" parece papo de boiola...
Assim não dá
Por mais que eu goste de escrever piadas e bobeiras, vou ter que parar. Li que, segundo o sub-secretário de Segurança do Rio, Marcelo Itagiba, o governo do estado não pode ser responsabilizado por mortes de presos que estavam dentro de uma penitenciária.
Infelizmente não dá pra competir com um piadista desses.
Por mais que eu goste de escrever piadas e bobeiras, vou ter que parar. Li que, segundo o sub-secretário de Segurança do Rio, Marcelo Itagiba, o governo do estado não pode ser responsabilizado por mortes de presos que estavam dentro de uma penitenciária.
Infelizmente não dá pra competir com um piadista desses.
quarta-feira, 26 de maio de 2004
Psiquiatria em choque!
Cresce nos meios psiquiátricos a inquietação por conta de uma patologia desconhecida que vem se alastrando significativamente: são mulheres, em geral jovens, que desenvolvem uma fixação na figura paterna, chegando mesmo às raias do desejo sexual e da paixão.
"Peraí, Leonardo, isso é Complexo de Elektra", dirão os mais ilustrados.
Complexo de quê, cara-pálida? Se alguém falar "Elektra, filha do rei Agamenon, que vinga o assassinato do pai pelo novo consorte da rainha", pode esquecer. Para milhões de pessoas que viram o filme Tróia - e não fazem a menor idéia do que sejam Ilíada, Odisséia ou Elektra -, Agamenon morre no cerco, não volta para casa, não é assassinado, nem tem filha para vingá-lo - ficando sem nome o complexo supracitado.
Ok, ok, eu sei, filme é filme. Cineastas não têm compromisso com História, com original etc. É preciso fazer adaptações para atrair o público, como valorizar o personagem Arwen no Senhor dos Anéis, ou tornar mais ágil a narrativa - tirando a chatíssima discussão de semiologia de O Nome da Rosa. Mas tem horas que a coisa fica ridícula. Os dez anos da Guerra de Tróia são reduzidos a alguns dias, Páris foi criado com a família real e não por pastores, a intervenção divina desaparece da saga e por aí vai.
Por outro lado esse tipo de coisa segue uma tradição firmada em Hollywood: o gênero Cinema de Estupro Literário, cujos expoentes são A Letra Escarlate com final feliz, Os Três Mosqueteiros pós-adolescentes, Robin Hood de Kevin Costner e, lestibatinotilist, Drácula, no qual Francis Ford Coppola inventou uma origem para o vampiro e um romance tórrido entre ele e Mina, e ainda teve a cara-de-pau de dizer que era uma adaptação fiel à obra de Bram Stocker.
Só falta agora o final feliz para Romeu e Julieta.
Cresce nos meios psiquiátricos a inquietação por conta de uma patologia desconhecida que vem se alastrando significativamente: são mulheres, em geral jovens, que desenvolvem uma fixação na figura paterna, chegando mesmo às raias do desejo sexual e da paixão.
"Peraí, Leonardo, isso é Complexo de Elektra", dirão os mais ilustrados.
Complexo de quê, cara-pálida? Se alguém falar "Elektra, filha do rei Agamenon, que vinga o assassinato do pai pelo novo consorte da rainha", pode esquecer. Para milhões de pessoas que viram o filme Tróia - e não fazem a menor idéia do que sejam Ilíada, Odisséia ou Elektra -, Agamenon morre no cerco, não volta para casa, não é assassinado, nem tem filha para vingá-lo - ficando sem nome o complexo supracitado.
Ok, ok, eu sei, filme é filme. Cineastas não têm compromisso com História, com original etc. É preciso fazer adaptações para atrair o público, como valorizar o personagem Arwen no Senhor dos Anéis, ou tornar mais ágil a narrativa - tirando a chatíssima discussão de semiologia de O Nome da Rosa. Mas tem horas que a coisa fica ridícula. Os dez anos da Guerra de Tróia são reduzidos a alguns dias, Páris foi criado com a família real e não por pastores, a intervenção divina desaparece da saga e por aí vai.
Por outro lado esse tipo de coisa segue uma tradição firmada em Hollywood: o gênero Cinema de Estupro Literário, cujos expoentes são A Letra Escarlate com final feliz, Os Três Mosqueteiros pós-adolescentes, Robin Hood de Kevin Costner e, lestibatinotilist, Drácula, no qual Francis Ford Coppola inventou uma origem para o vampiro e um romance tórrido entre ele e Mina, e ainda teve a cara-de-pau de dizer que era uma adaptação fiel à obra de Bram Stocker.
Só falta agora o final feliz para Romeu e Julieta.
terça-feira, 25 de maio de 2004
Registro chato
Richard Biggs, ator que interpretava o Dr. Stephen Franklin na série Babylon 5 foi flanar no País do Verão. Segundo a CNN, não se sabe ainda a causa da morte, mas suspeita-se de aneurisma ou de um derrame fulminante, pois o ator tinha apenas 44 anos.
Não significa nada, mas vale a coincidência: o primeiro integrante do elenco principal de Jornada nas Estrelas a passar para o outro lado também foi o médico, o ator DeForrest McCoy Kelley.
Que os dois reencarnem bem.
Richard Biggs, ator que interpretava o Dr. Stephen Franklin na série Babylon 5 foi flanar no País do Verão. Segundo a CNN, não se sabe ainda a causa da morte, mas suspeita-se de aneurisma ou de um derrame fulminante, pois o ator tinha apenas 44 anos.
Não significa nada, mas vale a coincidência: o primeiro integrante do elenco principal de Jornada nas Estrelas a passar para o outro lado também foi o médico, o ator DeForrest McCoy Kelley.
Que os dois reencarnem bem.
segunda-feira, 24 de maio de 2004
Mau humor é isso aqui
Cena: sujeito entrando em uma loja de ferragens.
- Tem veneno pra rato?
- Tem!, Vai levar? - Pergunta o balconista.
- Não, vou trazer os ratos pra comer aqui!
*****
Cena: No caixa do banco, o sujeito vai descontar um cheque.
A pergunta: Vai levar em dinheiro?
-Não! Me dá em clips e borrachinhas!
*****
Cena: Casal abraçadinho, entrando no barzinho romântico.
A pergunta: Mesa para dois?
- Não, mesa para quatro, duas são para colocar os pés.
*****
Cena: o sujeito apanhando o talão de cheques e uma caneta.
A pergunta: Vai pagar com cheque?
- Não, vou fazer um poema pra você nesta folhinha.
*****
Cena: Sujeito no elevador (no subsolo-garagem).
A pergunta: Sobe?
- Não, esse elevador anda de lado.
*****
Cena: Sujeito fumando um cigarro.
A pergunta: Ora, ora! Mas você fuma?
- Não eu gosto de bronzear os pulmões também.
*****
Cena: Sujeito voltando do píer com um balde cheio de peixes.
A pergunta: Você pescou todos?
- Não, alguns são peixes suicidas e se atiraram no meu balde.
*****
Cena: Sujeito no caixa do cinema.
A pergunta: Quer uma entrada?
- Não, é que eu vi essa fila imensa e queria saber onde vai dar
*****
Cena: Homem com vara de pesca na mão, linha na água, sentado.
A pergunta: Aqui dá peixe?
- Não, dá tatu, quati, camundongo, ..., Peixe costuma dar lá no mato...
Cortesia da Bete
Cena: sujeito entrando em uma loja de ferragens.
- Tem veneno pra rato?
- Tem!, Vai levar? - Pergunta o balconista.
- Não, vou trazer os ratos pra comer aqui!
*****
Cena: No caixa do banco, o sujeito vai descontar um cheque.
A pergunta: Vai levar em dinheiro?
-Não! Me dá em clips e borrachinhas!
*****
Cena: Casal abraçadinho, entrando no barzinho romântico.
A pergunta: Mesa para dois?
- Não, mesa para quatro, duas são para colocar os pés.
*****
Cena: o sujeito apanhando o talão de cheques e uma caneta.
A pergunta: Vai pagar com cheque?
- Não, vou fazer um poema pra você nesta folhinha.
*****
Cena: Sujeito no elevador (no subsolo-garagem).
A pergunta: Sobe?
- Não, esse elevador anda de lado.
*****
Cena: Sujeito fumando um cigarro.
A pergunta: Ora, ora! Mas você fuma?
- Não eu gosto de bronzear os pulmões também.
*****
Cena: Sujeito voltando do píer com um balde cheio de peixes.
A pergunta: Você pescou todos?
- Não, alguns são peixes suicidas e se atiraram no meu balde.
*****
Cena: Sujeito no caixa do cinema.
A pergunta: Quer uma entrada?
- Não, é que eu vi essa fila imensa e queria saber onde vai dar
*****
Cena: Homem com vara de pesca na mão, linha na água, sentado.
A pergunta: Aqui dá peixe?
- Não, dá tatu, quati, camundongo, ..., Peixe costuma dar lá no mato...
Cortesia da Bete
quarta-feira, 19 de maio de 2004
Soweto II - A Missão
Abro o noticiário e vejo que o exército de Israel lançou mísseis contra uma manifestação num campo de refugiados, matando pelo menos dez palestinos, a maioria crianças em idade escolar. Em seguida, segundo a organização Médicos Sem Fronteiras, impediu que ambulâncias chegassem ao campo.
Lembrei-me de um caso parecido. A polícia sul-africana abriu fogo contra uma manifestação de estudantes em Soweto, um bairro onde os negros viviam confinados. O massacre detonou uma onda de indignação na comunidade internacional, deu voz a figuras moderadas dentro da África do Sul e foi o começo do fim do regime do Apartheid.
Pode acontecer o mesmo agora? Alguns acham que não, que os EUA vão continuar dizendo amém para tudo o que a direita israelense fizer, especialmente num ano eleitoral - judeus são eleitores decisivos na Flórida e em Nova York. Mas eu não sei. O regime racista na África do Sul, durante muito tempo depois de Soweto, também contou com apoio explicito dos EUA. Aliás, a título de curiosidade, no auge da crítica internacional, só dois países continuavam apoiando o governo do Apartheid: Estados Unidos e Israel.
Abro o noticiário e vejo que o exército de Israel lançou mísseis contra uma manifestação num campo de refugiados, matando pelo menos dez palestinos, a maioria crianças em idade escolar. Em seguida, segundo a organização Médicos Sem Fronteiras, impediu que ambulâncias chegassem ao campo.
Lembrei-me de um caso parecido. A polícia sul-africana abriu fogo contra uma manifestação de estudantes em Soweto, um bairro onde os negros viviam confinados. O massacre detonou uma onda de indignação na comunidade internacional, deu voz a figuras moderadas dentro da África do Sul e foi o começo do fim do regime do Apartheid.
Pode acontecer o mesmo agora? Alguns acham que não, que os EUA vão continuar dizendo amém para tudo o que a direita israelense fizer, especialmente num ano eleitoral - judeus são eleitores decisivos na Flórida e em Nova York. Mas eu não sei. O regime racista na África do Sul, durante muito tempo depois de Soweto, também contou com apoio explicito dos EUA. Aliás, a título de curiosidade, no auge da crítica internacional, só dois países continuavam apoiando o governo do Apartheid: Estados Unidos e Israel.
quinta-feira, 13 de maio de 2004
Passo a palavra
Eu ia hoje escrever um texto sobre as duas vergonhas que me assolam. A primeira por ser colega de profissão de Larry Rother, o correspondente do New York Times responsável pela mais perfeita definição de porcalhada pseudo-jornalística que já vi. A segunda, por constatar que ajudei a botar no poder um protoditador de República de Bananas que não parece capaz de perceber o tamanho da burrada que fez.
Ia, porque o meu prezado Sérgio Rodrigues o fez com uma verve maior do que seria possível eu pretender. Confiram aqui.
Eu ia hoje escrever um texto sobre as duas vergonhas que me assolam. A primeira por ser colega de profissão de Larry Rother, o correspondente do New York Times responsável pela mais perfeita definição de porcalhada pseudo-jornalística que já vi. A segunda, por constatar que ajudei a botar no poder um protoditador de República de Bananas que não parece capaz de perceber o tamanho da burrada que fez.
Ia, porque o meu prezado Sérgio Rodrigues o fez com uma verve maior do que seria possível eu pretender. Confiram aqui.
terça-feira, 11 de maio de 2004
segunda-feira, 10 de maio de 2004
quarta-feira, 5 de maio de 2004
quinta-feira, 29 de abril de 2004
Walace de saias
Depois de sua recente e lucrativa experiência na ficção religiosa, Mel Gibson estaria voltando ao épicos históricos e, a exemplo de "Coração Valente", explorando o filão de rebeldes das Ilhas Britânicas.
Segundo a revista inglesa Empire, a Icon, produtora de Gibson, estaria preparando o filme "Warrior" (Guerreira), baseado na história de Boadicea, rainha dos icênios, uma etnia celta da Grã-Bretanha. Segundo biógrafos, por volta de 60 E.A., o marido dela morreu deixando a soberania e as propriedades para as filhas, mas pagando um pesado tributo a Roma, então governada por Nero. Apesar dos bens deixados para o Império, tropas romanas invadiram o território icênio, torturaram Boadicea e estupraram-lhe as filhas.
O ataque aos icênios provocou um levante das demais tribos (potenciais alvos da truculenta pax romana), sob a liderança da já liberta Boadicea. Segundo cronistas, ela reuniu um exército de cem mil guerreiros, arrasou Camulodunum (hoje Colchester) e simplesmente riscou do mapa Londinium, sobre cujas ruínas ergue-se a moderna Londres. No fim das contas, seu exército não foi páreo para as bem treinadas Legiões. Ela foi vencida nas colinas perto de Verulamium (hoje St. Albans). Historiadores romanos contam que ela e as filhas sobreviveram à batalha e mataram-se depois, sendo enterradas com toda a pompa da tradição celta.
A reportagem diz que a Icon está dando uma alteradinha na história, transformando a rainha viúva numa jovem camponesa que se torna líder militar e é chamada de rainha depois de morta. Mais para Joana D'Arc, mas tudo bem.
Boadicéia está em alta, aliás. Além da mini-série (disponível aqui em DVD) e do filme da Icon, a Paramount e a Dreamworks preparam suas versões da história. Depois que "O Senhor dos Anéis" mostrou o potencial dos épicos de batalha, sai da frente...
Depois de sua recente e lucrativa experiência na ficção religiosa, Mel Gibson estaria voltando ao épicos históricos e, a exemplo de "Coração Valente", explorando o filão de rebeldes das Ilhas Britânicas.
Segundo a revista inglesa Empire, a Icon, produtora de Gibson, estaria preparando o filme "Warrior" (Guerreira), baseado na história de Boadicea, rainha dos icênios, uma etnia celta da Grã-Bretanha. Segundo biógrafos, por volta de 60 E.A., o marido dela morreu deixando a soberania e as propriedades para as filhas, mas pagando um pesado tributo a Roma, então governada por Nero. Apesar dos bens deixados para o Império, tropas romanas invadiram o território icênio, torturaram Boadicea e estupraram-lhe as filhas.
O ataque aos icênios provocou um levante das demais tribos (potenciais alvos da truculenta pax romana), sob a liderança da já liberta Boadicea. Segundo cronistas, ela reuniu um exército de cem mil guerreiros, arrasou Camulodunum (hoje Colchester) e simplesmente riscou do mapa Londinium, sobre cujas ruínas ergue-se a moderna Londres. No fim das contas, seu exército não foi páreo para as bem treinadas Legiões. Ela foi vencida nas colinas perto de Verulamium (hoje St. Albans). Historiadores romanos contam que ela e as filhas sobreviveram à batalha e mataram-se depois, sendo enterradas com toda a pompa da tradição celta.
A reportagem diz que a Icon está dando uma alteradinha na história, transformando a rainha viúva numa jovem camponesa que se torna líder militar e é chamada de rainha depois de morta. Mais para Joana D'Arc, mas tudo bem.
Boadicéia está em alta, aliás. Além da mini-série (disponível aqui em DVD) e do filme da Icon, a Paramount e a Dreamworks preparam suas versões da história. Depois que "O Senhor dos Anéis" mostrou o potencial dos épicos de batalha, sai da frente...
terça-feira, 27 de abril de 2004
Humor elétrico
Sabe aquela infinidade de piadas sobre quantas pessoas são necessárias para trocar uma lâmpada? Este site é dedicado exclusivamente a elas, divididas em categorias como Zodíaco, Nacionalidades e, acredite, Jornada nas Estrelas. Faltam diversas, especialmente a longa lista de piadas pagãs sobre lâmpadas, mas vale a diversão.
O carro chefe é uma que sempre irrita a Cristina:
- Quantos arianos são necessários para trocar uma lâmpada?
- Um, e umas duzentas lâmpadas...
Sabe aquela infinidade de piadas sobre quantas pessoas são necessárias para trocar uma lâmpada? Este site é dedicado exclusivamente a elas, divididas em categorias como Zodíaco, Nacionalidades e, acredite, Jornada nas Estrelas. Faltam diversas, especialmente a longa lista de piadas pagãs sobre lâmpadas, mas vale a diversão.
O carro chefe é uma que sempre irrita a Cristina:
- Quantos arianos são necessários para trocar uma lâmpada?
- Um, e umas duzentas lâmpadas...
domingo, 25 de abril de 2004
Fábula da imprensa
As diferentes versões da estória do Chapéuzinho Vermelho segundo cada veículo de comunicação:
CLÁUDIA
Como chegar na casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho
NOVA
Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama
MARIE-CLAIRE
"Na cama com um lobo e minha avó", relato de quem passou por essa experiência
VEJA
"... fulano de tal, 23 anos, o lenhador que retirou Chapeuzinho da barriga do lobo tem sido considerado um herói na região. ‘O lobo estava dormindo, acho que não foi tão perigoso assim’, admite."
FANTÁSTICO (Glória Maria)
"... que gracinha: gente, vcs não vão acreditar, mas essa menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo! não é mesmo..."
CIDADE ALERTA (Luis Datena)
"...onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades? a menina ia para a casa da avózinha. Não tem transporte público! não tem transporte público! e foi devorada viva. Um lobo, um lobo safado. Põe na tela, primo!" e veremos, tintim por tintim, explicadas as táticas para abordar e enganar a vítima.
JORNAL DO BRASIL
"Floresta: Garota é atacada por lobo". Na matéria, a gente não fica sabendo onde, nem quando, nem mais detalhes. O ataque é mais importante que o desfecho.
O GLOBO
"Retirada Viva da Barriga de um Lobo". Na matéria, terá até mapa da região. O salvamento é mais importante que o ataque.
A FOLHA DE S, PAULO
Legenda da foto: "Chapeuzinho, à direita, aperta a mão de seu salvador". Na matéria, teremos um box com um zoólogo explicando os hábitos alimentares dos lobos.
SEXY
(ensaio fotográfico com Chapeuzinho) "Essa garota matou um lobo!"
CARAS
(ensaio fotográfico idem) "Na banheira de hidromassagem na cabana da avozinha, em Campos de Jordão, Chapeuzinho reflete sobre seu futuro"
As diferentes versões da estória do Chapéuzinho Vermelho segundo cada veículo de comunicação:
CLÁUDIA
Como chegar na casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho
NOVA
Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama
MARIE-CLAIRE
"Na cama com um lobo e minha avó", relato de quem passou por essa experiência
VEJA
"... fulano de tal, 23 anos, o lenhador que retirou Chapeuzinho da barriga do lobo tem sido considerado um herói na região. ‘O lobo estava dormindo, acho que não foi tão perigoso assim’, admite."
FANTÁSTICO (Glória Maria)
"... que gracinha: gente, vcs não vão acreditar, mas essa menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo! não é mesmo..."
CIDADE ALERTA (Luis Datena)
"...onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades? a menina ia para a casa da avózinha. Não tem transporte público! não tem transporte público! e foi devorada viva. Um lobo, um lobo safado. Põe na tela, primo!" e veremos, tintim por tintim, explicadas as táticas para abordar e enganar a vítima.
JORNAL DO BRASIL
"Floresta: Garota é atacada por lobo". Na matéria, a gente não fica sabendo onde, nem quando, nem mais detalhes. O ataque é mais importante que o desfecho.
O GLOBO
"Retirada Viva da Barriga de um Lobo". Na matéria, terá até mapa da região. O salvamento é mais importante que o ataque.
A FOLHA DE S, PAULO
Legenda da foto: "Chapeuzinho, à direita, aperta a mão de seu salvador". Na matéria, teremos um box com um zoólogo explicando os hábitos alimentares dos lobos.
SEXY
(ensaio fotográfico com Chapeuzinho) "Essa garota matou um lobo!"
CARAS
(ensaio fotográfico idem) "Na banheira de hidromassagem na cabana da avozinha, em Campos de Jordão, Chapeuzinho reflete sobre seu futuro"
segunda-feira, 19 de abril de 2004
Mudança de nome
Fernando Calazans lembra hoje, no Globo, que, quando era técnico do Corinthians, Geninho foi flagrado pelas câmeras de TV mandando os jogadores pegarem os adversários num jogo da Libertadores. Roger obedeceu e foi expulso, abrindo o caminho para a vitória do River Plate.
Esta semana, novamente as TVs deram um flagra no técnico recomendando a violência contra Felipe na final entre Flamengo e Vasco. Mais uma vez foi obedecido, agora por Coutinho, e o resultado foi o mesmo. Expulso o botinudo – quando o empate já dava o título ao Mais Querido –, o esquema do Vasco se desminingüiu e ficou ainda mais fácil a vitória rubro-negra.
Nas aulas de PNL, minha querida Monique dizia que esperar resultado diferente da mesma ação é sintoma de loucura. Não acho que Geninho seja maluco. Parece mais caso de estreiteza intelectual, mesmo.
Assim, a menos que o apelido já seja em si uma ironia, proponho trocarmos o nome do técnico vascaíno de Geninho para Burrinho.
P.S. Pelo menos um consolo a torcida do Vasco teve. Graças à antecipação de Eurico Miranda, não faltou chopp para afogar as mágoas e esquecer o sacode de domingo à tarde.
Fernando Calazans lembra hoje, no Globo, que, quando era técnico do Corinthians, Geninho foi flagrado pelas câmeras de TV mandando os jogadores pegarem os adversários num jogo da Libertadores. Roger obedeceu e foi expulso, abrindo o caminho para a vitória do River Plate.
Esta semana, novamente as TVs deram um flagra no técnico recomendando a violência contra Felipe na final entre Flamengo e Vasco. Mais uma vez foi obedecido, agora por Coutinho, e o resultado foi o mesmo. Expulso o botinudo – quando o empate já dava o título ao Mais Querido –, o esquema do Vasco se desminingüiu e ficou ainda mais fácil a vitória rubro-negra.
Nas aulas de PNL, minha querida Monique dizia que esperar resultado diferente da mesma ação é sintoma de loucura. Não acho que Geninho seja maluco. Parece mais caso de estreiteza intelectual, mesmo.
Assim, a menos que o apelido já seja em si uma ironia, proponho trocarmos o nome do técnico vascaíno de Geninho para Burrinho.
P.S. Pelo menos um consolo a torcida do Vasco teve. Graças à antecipação de Eurico Miranda, não faltou chopp para afogar as mágoas e esquecer o sacode de domingo à tarde.
domingo, 18 de abril de 2004
Westmoreland cor-de-rosa
A Editoria Rio do Globo lançou mão hoje de um recurso de edição primoroso, imortalizado em "Corações e Mentes", documentário de Peter Davis sobre a Guerra do Vietnã. No filme, Davis mostra o enterro de um vietnamita, a viúva em desespero tentando se jogar dentro da sepultura, os filhos em pranto. No fim, apenas o mais novo, com hábito de noviço budista, chorando com uma foto do pai. Um efeito de som estica o choro do menino, e a cena é angustiantemente longa. Quando já não agüentamos mais aquela dor, corta o para o general William Westmoreland, comandante militar americano, dizendo: "os orientais não valorizam a vida como os ocidentais".
A edição de domingo do Globo deu continuidade à muito boa cobertura da guerra que a falta de governo no Rio deixou se abater sobre a Rocinha. Numa matéria, o perfil do psicopata Dudu, que quer dominar a favela; noutra, como a vida de famosos e anônimos foi afetada pelo crime; mais adiante, como a própria economia da cidade sofre com a crise. Eis que, qual o general supracitado, entra a (que todos os Deuses nos perdoem) governadora Rosinha Garotinho dizendo que "a população do Rio se sente mais segura".
Assim como o filme dispensa uma narração para chamar o general de genocida racista, o jornal nem precisou de um editorial para chamar a governadora de cínica. O completo descolamento entre a realidade e o discurso dela e de seu marido, o secretário Garotinho, fala por si. Não que eles precisem se preocupar muito. O lúmpen evangélico que os sustenta não irá abandoná-los, a menos que o pastor mande.
A turma das teorias conspiratórias acha que o casal diminutivo quer mesmo é uma intervenção federal, pois constatou que não tem como melhorar a segurança e prefere que a batata-quente estoure na mão de outro. Pode até ser, mas vão quebrar a cara, pois é com a tristeza de eleitor arrependido que constato não haver em Brasília ninguém com hombridade para meter a espada nesse nosso nó górdio.
Só um detalhe: em janeiro deste ano, no site No Mínimo, meu prezado Xico Vargas cantava a pedra da invasão iminente da Rocinha, dando inclusive o nome dos Dudus, Lulus e outros dissílabos envolvidos. Ou seja, a incompetência da governadora e do secretário não tem sequer a desculpa da ignorância.
A Editoria Rio do Globo lançou mão hoje de um recurso de edição primoroso, imortalizado em "Corações e Mentes", documentário de Peter Davis sobre a Guerra do Vietnã. No filme, Davis mostra o enterro de um vietnamita, a viúva em desespero tentando se jogar dentro da sepultura, os filhos em pranto. No fim, apenas o mais novo, com hábito de noviço budista, chorando com uma foto do pai. Um efeito de som estica o choro do menino, e a cena é angustiantemente longa. Quando já não agüentamos mais aquela dor, corta o para o general William Westmoreland, comandante militar americano, dizendo: "os orientais não valorizam a vida como os ocidentais".
A edição de domingo do Globo deu continuidade à muito boa cobertura da guerra que a falta de governo no Rio deixou se abater sobre a Rocinha. Numa matéria, o perfil do psicopata Dudu, que quer dominar a favela; noutra, como a vida de famosos e anônimos foi afetada pelo crime; mais adiante, como a própria economia da cidade sofre com a crise. Eis que, qual o general supracitado, entra a (que todos os Deuses nos perdoem) governadora Rosinha Garotinho dizendo que "a população do Rio se sente mais segura".
Assim como o filme dispensa uma narração para chamar o general de genocida racista, o jornal nem precisou de um editorial para chamar a governadora de cínica. O completo descolamento entre a realidade e o discurso dela e de seu marido, o secretário Garotinho, fala por si. Não que eles precisem se preocupar muito. O lúmpen evangélico que os sustenta não irá abandoná-los, a menos que o pastor mande.
A turma das teorias conspiratórias acha que o casal diminutivo quer mesmo é uma intervenção federal, pois constatou que não tem como melhorar a segurança e prefere que a batata-quente estoure na mão de outro. Pode até ser, mas vão quebrar a cara, pois é com a tristeza de eleitor arrependido que constato não haver em Brasília ninguém com hombridade para meter a espada nesse nosso nó górdio.
Só um detalhe: em janeiro deste ano, no site No Mínimo, meu prezado Xico Vargas cantava a pedra da invasão iminente da Rocinha, dando inclusive o nome dos Dudus, Lulus e outros dissílabos envolvidos. Ou seja, a incompetência da governadora e do secretário não tem sequer a desculpa da ignorância.
domingo, 11 de abril de 2004
Depois é implicância minha...
Está para estrear por aqui um bom filme de vampiros e lobisomens, com os dois pés na estética gótica dos RPGs. O título original é "Underworld" - "submundo", "mundo inferior" ou, com alguma licença poética, "mundo oculto". Título perfeito, aliás, pois trata de uma guerra entre as duas espécies travada longe dos olhos dos humanos – a rigor, só há um personagem humano no filme.
Eis que chega a distribuidora brasileira e comete o título "Underworld – Anjos da Noite". Acreditem, estamos quase chegando n'O Filho Que Era Mãe.
Ah, quanto ao filme. Vale a pena. Boa história, boas reviravoltas e Kate Beckinsale linda como sempre.
Está para estrear por aqui um bom filme de vampiros e lobisomens, com os dois pés na estética gótica dos RPGs. O título original é "Underworld" - "submundo", "mundo inferior" ou, com alguma licença poética, "mundo oculto". Título perfeito, aliás, pois trata de uma guerra entre as duas espécies travada longe dos olhos dos humanos – a rigor, só há um personagem humano no filme.
Eis que chega a distribuidora brasileira e comete o título "Underworld – Anjos da Noite". Acreditem, estamos quase chegando n'O Filho Que Era Mãe.
Ah, quanto ao filme. Vale a pena. Boa história, boas reviravoltas e Kate Beckinsale linda como sempre.
quinta-feira, 8 de abril de 2004
Sobrou pro coelhinho
A aparente ausência de limites na psicopatia dos fundamentalistas nunca deixa de me surpreender. Diz o site do jornal norte-americano Sun Sentinel que pais e crianças ficaram chocados com uma exibição feita por evangélicos no estádio de Glassport, na Pensilvânia. No que deveria ser um espetáculo de Páscoa, os pastores/atores simulavam o açoitamento do coelhinho da Páscoa e quebravam ovos de chocolate, enquanto gritavam para as crianças que o dito coelhinho não existia.
Os evangélicos afirmam que o coelho e os ovinhos são símbolos pagãos – modéstia à parte, estão certos, são símbolos da Deusa Oster, da fertilidade, cuja festa coincidia com a chegada da Primavera na Europa pré-necrolatria. Nem precisa ficar por aí: o pinheiro e a guirlanda de Natal e as fogueiras e danças de roda nas Festas Juninas também têm origem pagã.
Agora, era realmente necessário levar crianças às lágrimas simulando o coelhinho apanhando como se estivesse num filme de Mel Gibson?
Dias atrás eu li no Landover Baptist (site que satiriza de maneira ácida a extrema-direita religiosa dos EUA) uma “reportagem” na qual o Pastor Diácono Fred, líder da seita, conclamava os pais a espancarem os filhos que de alguma forma se envolvessem com ovos de chocolate e coelhinhos no período. Depois de ler a matéria do Sun, começo a ter medo de o Landover virar realidade.
A aparente ausência de limites na psicopatia dos fundamentalistas nunca deixa de me surpreender. Diz o site do jornal norte-americano Sun Sentinel que pais e crianças ficaram chocados com uma exibição feita por evangélicos no estádio de Glassport, na Pensilvânia. No que deveria ser um espetáculo de Páscoa, os pastores/atores simulavam o açoitamento do coelhinho da Páscoa e quebravam ovos de chocolate, enquanto gritavam para as crianças que o dito coelhinho não existia.
Os evangélicos afirmam que o coelho e os ovinhos são símbolos pagãos – modéstia à parte, estão certos, são símbolos da Deusa Oster, da fertilidade, cuja festa coincidia com a chegada da Primavera na Europa pré-necrolatria. Nem precisa ficar por aí: o pinheiro e a guirlanda de Natal e as fogueiras e danças de roda nas Festas Juninas também têm origem pagã.
Agora, era realmente necessário levar crianças às lágrimas simulando o coelhinho apanhando como se estivesse num filme de Mel Gibson?
Dias atrás eu li no Landover Baptist (site que satiriza de maneira ácida a extrema-direita religiosa dos EUA) uma “reportagem” na qual o Pastor Diácono Fred, líder da seita, conclamava os pais a espancarem os filhos que de alguma forma se envolvessem com ovos de chocolate e coelhinhos no período. Depois de ler a matéria do Sun, começo a ter medo de o Landover virar realidade.
quarta-feira, 7 de abril de 2004
Divórcio com segundas intenções
Na antevéspera do Rosh Hashaná (Ano Novo judaico) um velho judeu que morava na Flórida liga para o filho, advogado em Nova York, e diz:
- Jacozinho, eu odeio ter que estragar seu dia, mas acho que você precisa saber. Eu e sua mãe vamos nos divorciar.
- Papai, o que você está dizendo? Vocês estão juntos há mais de 40 anos!
- Eu sei, mas não conseguimos nem olhar um para o outro. Vamos nos separar e acabou. Por favor, ligue para sua irmã Raquel e conte a ela.
Desvairado, o rapaz liga para a irmã, que vivia em Los Angeles. Ela, compreensivelmente, dá um chilique.
- De jeito nenhum meus pais irão se divorciar! Que absurdo! Deixe comigo. Vou falar com o papai.
Ela telefona para os pais, tenta todos os argumentos e, como não consegue demove-lo da idéia, apela:
- Pai, eu vou tomar um avião agora. Chego aí amanhã de manhã. Meu irmão também está saindo de Nova York. Por favor, não façam nada até nós chegarmos, ouviu?
O velho concordou, colocou o fone no gancho, virou-se para a mulher e disse:
- Funcionou, Sara. Eles vão passar o Rosh Hashaná conosco e não teremos que pagar as passagens!
Cortesia da Claudia Manes. Agradecido, doc
Na antevéspera do Rosh Hashaná (Ano Novo judaico) um velho judeu que morava na Flórida liga para o filho, advogado em Nova York, e diz:
- Jacozinho, eu odeio ter que estragar seu dia, mas acho que você precisa saber. Eu e sua mãe vamos nos divorciar.
- Papai, o que você está dizendo? Vocês estão juntos há mais de 40 anos!
- Eu sei, mas não conseguimos nem olhar um para o outro. Vamos nos separar e acabou. Por favor, ligue para sua irmã Raquel e conte a ela.
Desvairado, o rapaz liga para a irmã, que vivia em Los Angeles. Ela, compreensivelmente, dá um chilique.
- De jeito nenhum meus pais irão se divorciar! Que absurdo! Deixe comigo. Vou falar com o papai.
Ela telefona para os pais, tenta todos os argumentos e, como não consegue demove-lo da idéia, apela:
- Pai, eu vou tomar um avião agora. Chego aí amanhã de manhã. Meu irmão também está saindo de Nova York. Por favor, não façam nada até nós chegarmos, ouviu?
O velho concordou, colocou o fone no gancho, virou-se para a mulher e disse:
- Funcionou, Sara. Eles vão passar o Rosh Hashaná conosco e não teremos que pagar as passagens!
Cortesia da Claudia Manes. Agradecido, doc
terça-feira, 6 de abril de 2004
Além do surrealismo
Esqueça tudo o que você já viu em termos de surrealismo. Tramita na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara um projeto, de autoria do deputado Nazareno Fonteles (PT-PI), estabelecendo um limite máximo de gastos que um cidadão pode ter consigo e com seus dependentes. O projeto estabelece o Limite Máximo de Consumo, equivalente a dez vezes a renda per capita nacional, estabelecida pelo IBGE –R$ 7.707, segundo dados consolidados de 2002.
Sete anos após a eventual transformação do projeto em lei, tudo o que um cidadão brasileiro (inclusive os que residirem no exterior) ou um estrangeiro que viva aqui ganhar acima desse limite deverá ser depositado compulsoriamente numa caderneta de "Poupança Fraterna" na Caixa Econômica Federal ou no Banco do Brasil. Isso inclui rendimentos obtidos com trabalho assalariado, já tributado na fonte.
O dinheiro será usado para projetos sociais e será gerido por um conselho ligado à Presidência da República, presidindo pelo ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. O dito conselho será formado por representantes de diversos ministérios, de todas as centrais sindicais, do MST, de ONGs, de universidades e por dois representantes dos garfados, digo, dos poupadores.
Pelo projeto, o "poupador" só poderá reaver seu dinheiro 14 anos depois, em módicas prestações. Uma parte pode ser sacada para comprar a casa própria (até o limite de R$ 200 mil) e para custear doença grave. Ainda segundo a proposta, a Receita Federal deverá fazer um cadastro dos poupadores compulsórios e fiscalizar os depósitos em comparação com sua renda.
Tudo bem que uma parcela ínfima da população tem renda mensal superior a R$ 77 mil, mas não parece um tantinho bizarro confiscar (o nome é esse) rendimentos já tributados e ganhos de forma honesta? Não se vê um projeto para aparelhar melhor a Receita no combate à sonegação, para fechar as brechas legais à elisão fiscal, para tornar mais eficiente o gasto do dinheiro de que já se dispõe etc.
Tem toda a pinta de ser mais um projeto que vai entrar para a lista de esquisitices bem intencionadas que caem no vazio do Congresso.
Esqueça tudo o que você já viu em termos de surrealismo. Tramita na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara um projeto, de autoria do deputado Nazareno Fonteles (PT-PI), estabelecendo um limite máximo de gastos que um cidadão pode ter consigo e com seus dependentes. O projeto estabelece o Limite Máximo de Consumo, equivalente a dez vezes a renda per capita nacional, estabelecida pelo IBGE –R$ 7.707, segundo dados consolidados de 2002.
Sete anos após a eventual transformação do projeto em lei, tudo o que um cidadão brasileiro (inclusive os que residirem no exterior) ou um estrangeiro que viva aqui ganhar acima desse limite deverá ser depositado compulsoriamente numa caderneta de "Poupança Fraterna" na Caixa Econômica Federal ou no Banco do Brasil. Isso inclui rendimentos obtidos com trabalho assalariado, já tributado na fonte.
O dinheiro será usado para projetos sociais e será gerido por um conselho ligado à Presidência da República, presidindo pelo ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. O dito conselho será formado por representantes de diversos ministérios, de todas as centrais sindicais, do MST, de ONGs, de universidades e por dois representantes dos garfados, digo, dos poupadores.
Pelo projeto, o "poupador" só poderá reaver seu dinheiro 14 anos depois, em módicas prestações. Uma parte pode ser sacada para comprar a casa própria (até o limite de R$ 200 mil) e para custear doença grave. Ainda segundo a proposta, a Receita Federal deverá fazer um cadastro dos poupadores compulsórios e fiscalizar os depósitos em comparação com sua renda.
Tudo bem que uma parcela ínfima da população tem renda mensal superior a R$ 77 mil, mas não parece um tantinho bizarro confiscar (o nome é esse) rendimentos já tributados e ganhos de forma honesta? Não se vê um projeto para aparelhar melhor a Receita no combate à sonegação, para fechar as brechas legais à elisão fiscal, para tornar mais eficiente o gasto do dinheiro de que já se dispõe etc.
Tem toda a pinta de ser mais um projeto que vai entrar para a lista de esquisitices bem intencionadas que caem no vazio do Congresso.
domingo, 4 de abril de 2004
Ah, ele fala, sim
Acabo de assistir novamente (agora na TV) "Guerra nas Estrelas – O Ataque dos Clones". Voltaram-me à mente três reflexões de quando vi no cinema.
- Ainda que não seja nenhuma Brastemp, o filme é melhor que "A Ameaça Fantasma". Tudo bem que até "Plan 9 From Outer Space" era melhor que "A Ameaça Fantasma". Pior, mesmo, só me ocorre "A Reconquista".
- O casal de protagonistas é ruim de doer. Natalie Portman, que deu um show em "O Profissional" entra para a lista de bons atores mirins que vêem o talento se desintegrar na puberdade. Como disse um crítico americano no lançamento do filme, que falta fazem Tobby Maguire e Kristen Dunst.
- Estou plenamente convencido de que George Lucas fala português. Não só isso, tenho certeza que ele se diverte bolando os nomes dos personagens. No Episódio I tínhamos a Rainha Amídala e o Capitão Panaka. No II, surgem o Conde Dooku e, apenas citado, o inacreditável Mestre Jedi Sifo Dyas. Impossível ser coincidência.
Acabo de assistir novamente (agora na TV) "Guerra nas Estrelas – O Ataque dos Clones". Voltaram-me à mente três reflexões de quando vi no cinema.
- Ainda que não seja nenhuma Brastemp, o filme é melhor que "A Ameaça Fantasma". Tudo bem que até "Plan 9 From Outer Space" era melhor que "A Ameaça Fantasma". Pior, mesmo, só me ocorre "A Reconquista".
- O casal de protagonistas é ruim de doer. Natalie Portman, que deu um show em "O Profissional" entra para a lista de bons atores mirins que vêem o talento se desintegrar na puberdade. Como disse um crítico americano no lançamento do filme, que falta fazem Tobby Maguire e Kristen Dunst.
- Estou plenamente convencido de que George Lucas fala português. Não só isso, tenho certeza que ele se diverte bolando os nomes dos personagens. No Episódio I tínhamos a Rainha Amídala e o Capitão Panaka. No II, surgem o Conde Dooku e, apenas citado, o inacreditável Mestre Jedi Sifo Dyas. Impossível ser coincidência.
sábado, 3 de abril de 2004
Samba do ensino doido
Ontem o governo anunciou com estardalhaço uma nova avaliação para medir a qualidade do ensino básico. A mola mestra será uma prova a que serão submetidos todos os alunos. O objetivo não é saber como está a educação pública básica - todos sabemos que está um lixo -, mas identificar os principais pontos de carência e desenvolver ações para melhorar a base da educação brasileira. Hoje a avaliação é feita por amostragem e, segundo o MEC, não reflete a realidade. O programa prevê, também, a avaliação dos professores e das instituições.
Tudo muito bom, tudo muito bem, mas vale lembrar que há alguns meses, durante sua gestão indigente, o então ministro Cristóvam Buarque destruiu o Provão do ensino superior - possivelmente a única coisa boa da gestão de Paulo Renato na Era FHC. A desculpa para ceder ao lobby da UNE e das faculdades era que não seria necessário testar todos os alunos, bastava fazer prova por amostragem. Por uma questão de coerência, o MEC devia agora voltar atrás na besteira do antigo ocupante - mesmo tendo que assumir que ele era incompetente.
Outra coisa, é importante ver o que vai ser feito com o resultado dessa pesquisa. O Provão, é bom lembrar, comprovou a noção empírica de que a qualidade de ensino restringia-se às universidade públicas e a um punhado de centros de excelência particulares. Na prática, isso não significou muita coisa, uma vez que o Conselho de Ensino Superior, dominado pelas fábricas de diplomas, não permitiu praticamente nenhuma punição aos cursos de avaliação D e E, e ainda liberou a farra dos centros universitários, shoppings centers (inclusive na localização) de diplomas nas quais, como comprovou reportagem, até um analfabeto consegue entrar.
Só uma observação. Cobri com especial atenção Educação quando fui repórter e sempre foi uma das minhas áreas favoritas na época de coordenador da Nacional do Globo. Por conta disso, acompanhei o desenvolvimento e a aplicação do Provão. Posso dizer que uma das principais pedras de toque da UNE, de que o sistema só avaliava o aluno, é mentira. Pura e simples mentira. O Provão acontecia paralelamente a uma avaliação de currículo, instalações e corpo docente igualmente rigorosa - e cujos resultados, pela situação supracitada, nunca se desdobraram em ações concretas.
Ontem o governo anunciou com estardalhaço uma nova avaliação para medir a qualidade do ensino básico. A mola mestra será uma prova a que serão submetidos todos os alunos. O objetivo não é saber como está a educação pública básica - todos sabemos que está um lixo -, mas identificar os principais pontos de carência e desenvolver ações para melhorar a base da educação brasileira. Hoje a avaliação é feita por amostragem e, segundo o MEC, não reflete a realidade. O programa prevê, também, a avaliação dos professores e das instituições.
Tudo muito bom, tudo muito bem, mas vale lembrar que há alguns meses, durante sua gestão indigente, o então ministro Cristóvam Buarque destruiu o Provão do ensino superior - possivelmente a única coisa boa da gestão de Paulo Renato na Era FHC. A desculpa para ceder ao lobby da UNE e das faculdades era que não seria necessário testar todos os alunos, bastava fazer prova por amostragem. Por uma questão de coerência, o MEC devia agora voltar atrás na besteira do antigo ocupante - mesmo tendo que assumir que ele era incompetente.
Outra coisa, é importante ver o que vai ser feito com o resultado dessa pesquisa. O Provão, é bom lembrar, comprovou a noção empírica de que a qualidade de ensino restringia-se às universidade públicas e a um punhado de centros de excelência particulares. Na prática, isso não significou muita coisa, uma vez que o Conselho de Ensino Superior, dominado pelas fábricas de diplomas, não permitiu praticamente nenhuma punição aos cursos de avaliação D e E, e ainda liberou a farra dos centros universitários, shoppings centers (inclusive na localização) de diplomas nas quais, como comprovou reportagem, até um analfabeto consegue entrar.
Só uma observação. Cobri com especial atenção Educação quando fui repórter e sempre foi uma das minhas áreas favoritas na época de coordenador da Nacional do Globo. Por conta disso, acompanhei o desenvolvimento e a aplicação do Provão. Posso dizer que uma das principais pedras de toque da UNE, de que o sistema só avaliava o aluno, é mentira. Pura e simples mentira. O Provão acontecia paralelamente a uma avaliação de currículo, instalações e corpo docente igualmente rigorosa - e cujos resultados, pela situação supracitada, nunca se desdobraram em ações concretas.
segunda-feira, 29 de março de 2004
Grande livro, péssimo título
Existe espaço para sensacionalismo em literatura científica? Por que os tradutores (ou melhor, os tituladores) subestimam tanto a nossa inteligência? No cinema isso já é notório. Praticamente desde a chegas dos primeiros filmes estrangeiros, títulos inteligentes, espirituosos eram massacrados e transformado em tolices sequer dignas de nota. Hoje em dias muitos nem se preocupam em traduzir; deixam o título em inglês e tascam um subtítulo em geral banhado em cretinice. O exemplo mais recente é Minority Report, que, em vez de virar "Relatório Minoritário" ou "Registro Dissonante", virou "Minority Report – A Nova Lei".
Agora isso chegou à literatura científica, e justamente com um dos meus livros favoritos. A Editora Girafa lançou no Brasil em português "Bible Unearthed", dos arqueólogos israelenses Israel Finkelstein e Neil Silberman. O problema é que, na hora de titulá-lo, escorregou no sensacionalismo barato e cometeu "A Bíblia Não Tinha Razão" – como uma resposta ao "E a Bíblia Tinha Razão", pérola do proselitismo disfarçado de ciência escrita pelo alemão Werner Keller. O problema desse título é que ele, de cara, aliena potenciais leitores, gente que não teria preconceito com “A Bíblia Desenterrada” ou mesmo “Escavando a Bíblia” (sugestão da Cristina).
Falando do livro, ele tem como um dos muitos méritos ter como autores judeus israelenses – do contrário, choveriam acusações de anti-semitismo e anti-sionismo. Finkelstein e Silberman inverteram a metodologia dos "arqueólogos bíblicos" do século XIX. Armados com os livros do Velho Testamento, este escavavam a Palestina com o objetivo e provar que as escrituras representavam História literal. Achavam as ruínas de Meggido, conferiam na Bíblia que Meggido fora fundada por Salomão, logo, datavam as ruínas de 1000 a.C.
Em seu livro, os dois arqueólogos israelenses partiram do oposto, foram até as ruínas, fizeram a datação usando as mais modernas técnicas. Conclusão: Meggido é pelo menos 200 anos mais nova, foi construída por Ahab, um rei de Israel execrado no Velho Testamento. E esse é apenas um dos pontos menos polêmicos do livro. Eles descartam toda a passagem de Abraão saindo da Mesopotâmia; sustentam, em vez disso, que os judeus são nativos da Palestina mesmo.
É uma leitura desafiadora, que encheria de questionamentos a cabeça de muitos judeus e cristãos. Infelizmente, poucos deles vão chegar perto de um livro chamado "A Bíblia Não Tinha Razão".
Existe espaço para sensacionalismo em literatura científica? Por que os tradutores (ou melhor, os tituladores) subestimam tanto a nossa inteligência? No cinema isso já é notório. Praticamente desde a chegas dos primeiros filmes estrangeiros, títulos inteligentes, espirituosos eram massacrados e transformado em tolices sequer dignas de nota. Hoje em dias muitos nem se preocupam em traduzir; deixam o título em inglês e tascam um subtítulo em geral banhado em cretinice. O exemplo mais recente é Minority Report, que, em vez de virar "Relatório Minoritário" ou "Registro Dissonante", virou "Minority Report – A Nova Lei".
Agora isso chegou à literatura científica, e justamente com um dos meus livros favoritos. A Editora Girafa lançou no Brasil em português "Bible Unearthed", dos arqueólogos israelenses Israel Finkelstein e Neil Silberman. O problema é que, na hora de titulá-lo, escorregou no sensacionalismo barato e cometeu "A Bíblia Não Tinha Razão" – como uma resposta ao "E a Bíblia Tinha Razão", pérola do proselitismo disfarçado de ciência escrita pelo alemão Werner Keller. O problema desse título é que ele, de cara, aliena potenciais leitores, gente que não teria preconceito com “A Bíblia Desenterrada” ou mesmo “Escavando a Bíblia” (sugestão da Cristina).
Falando do livro, ele tem como um dos muitos méritos ter como autores judeus israelenses – do contrário, choveriam acusações de anti-semitismo e anti-sionismo. Finkelstein e Silberman inverteram a metodologia dos "arqueólogos bíblicos" do século XIX. Armados com os livros do Velho Testamento, este escavavam a Palestina com o objetivo e provar que as escrituras representavam História literal. Achavam as ruínas de Meggido, conferiam na Bíblia que Meggido fora fundada por Salomão, logo, datavam as ruínas de 1000 a.C.
Em seu livro, os dois arqueólogos israelenses partiram do oposto, foram até as ruínas, fizeram a datação usando as mais modernas técnicas. Conclusão: Meggido é pelo menos 200 anos mais nova, foi construída por Ahab, um rei de Israel execrado no Velho Testamento. E esse é apenas um dos pontos menos polêmicos do livro. Eles descartam toda a passagem de Abraão saindo da Mesopotâmia; sustentam, em vez disso, que os judeus são nativos da Palestina mesmo.
É uma leitura desafiadora, que encheria de questionamentos a cabeça de muitos judeus e cristãos. Infelizmente, poucos deles vão chegar perto de um livro chamado "A Bíblia Não Tinha Razão".
sexta-feira, 26 de março de 2004
Vai uma assessoria aí?
Há bem uns 15 anos o Vaticano baixou uma norma classificando como pecado consultar horóscopos, tarô e outras artes divinatórias. Na época, uma amiga que fazia mapa astral disse que ia botar um anúncio no Globo Zona Sul dizendo "venha pecar". Como a determinação foi solenemente ignorada, tempos depois saiu uma nova norma condenando o ocultismo, mas dizendo que, vá lá, não tem problema consultar horóscopos.
Lembrei disso hoje ao ler que, em discurso aos bispos australianos, o Papa João Paulo II condenou o cineminha e o futebol de domingo, dizendo que o dia deve ser dedicado a Deus e não às atividades seculares. Tudo bem que o pontífice já está mais velho que rascunho do Código de Hamurabi e mais tortinho que Frei Damião, mas algum cardeal deveria dar um toque. Fazer exortações que vão cair no vazio ou baixar normas só para voltar atrás depois não contribui em nada para a credibilidade da Igreja.
Há bem uns 15 anos o Vaticano baixou uma norma classificando como pecado consultar horóscopos, tarô e outras artes divinatórias. Na época, uma amiga que fazia mapa astral disse que ia botar um anúncio no Globo Zona Sul dizendo "venha pecar". Como a determinação foi solenemente ignorada, tempos depois saiu uma nova norma condenando o ocultismo, mas dizendo que, vá lá, não tem problema consultar horóscopos.
Lembrei disso hoje ao ler que, em discurso aos bispos australianos, o Papa João Paulo II condenou o cineminha e o futebol de domingo, dizendo que o dia deve ser dedicado a Deus e não às atividades seculares. Tudo bem que o pontífice já está mais velho que rascunho do Código de Hamurabi e mais tortinho que Frei Damião, mas algum cardeal deveria dar um toque. Fazer exortações que vão cair no vazio ou baixar normas só para voltar atrás depois não contribui em nada para a credibilidade da Igreja.
quinta-feira, 25 de março de 2004
Dez anos sem Ayrton
Quando Ayrton Senna chegou no céu, São Pedro foi logo perguntando:
- Como é seu nome, meu filho???
- Ayrton Senna da Silva.
- Ah! Você é aquele corredor da Fórmula 1, não é?
- Sou eu mesmo.
- Aquele que tinha uma ilha em Angra dos Reis com heliporto, quadra de tênis, praia particular entre outras coisas, mais um jato executivo Learjet 60 de 12 lugares comprado por US$ 19.000.000,00, um helicóptero bi-turbo avaliado em US$ 5.000.000,00 uma lancha Off Shore de 58 pés, uma fazenda em Tatuí e que ganhava US$ 1.200.000,00 por corrida?
- Sou eu mesmo.
- Andava de Audi, Honda NSX e tinha uma DUCATI com seu nome?
- Sim senhor!
- Morava em Mônaco, mas tinha apartamentos em NYC, Paris e viajava quando queria para o Brasil no seu próprio jatinho particular?
- Correto.
- Aquele que comeu a Xuxa, a Adriane Galisteu?
- Sim.
- Putz... pode entrar, mas você vai achar o Paraíso uma merda!
Cortesia do meu cumpadi Vicente
Quando Ayrton Senna chegou no céu, São Pedro foi logo perguntando:
- Como é seu nome, meu filho???
- Ayrton Senna da Silva.
- Ah! Você é aquele corredor da Fórmula 1, não é?
- Sou eu mesmo.
- Aquele que tinha uma ilha em Angra dos Reis com heliporto, quadra de tênis, praia particular entre outras coisas, mais um jato executivo Learjet 60 de 12 lugares comprado por US$ 19.000.000,00, um helicóptero bi-turbo avaliado em US$ 5.000.000,00 uma lancha Off Shore de 58 pés, uma fazenda em Tatuí e que ganhava US$ 1.200.000,00 por corrida?
- Sou eu mesmo.
- Andava de Audi, Honda NSX e tinha uma DUCATI com seu nome?
- Sim senhor!
- Morava em Mônaco, mas tinha apartamentos em NYC, Paris e viajava quando queria para o Brasil no seu próprio jatinho particular?
- Correto.
- Aquele que comeu a Xuxa, a Adriane Galisteu?
- Sim.
- Putz... pode entrar, mas você vai achar o Paraíso uma merda!
Cortesia do meu cumpadi Vicente
Relatividade
Numa viagem a Paris, Lula ganhou de Jacques Chirac um corte de tecido de altíssima qualidade. Lá mesmo procurou um alfaiate para fazer um terno. Infelizmente, disse o alfaiate, o corte era muito pequeno e não daria para fazer o paletó e a calça. Decepcionado, Lula desistiu e trouxe o tecido de volta.
Já em Brasília, voltou atrás e decidiu encomendar lá mesmo só o paletó. Qual não foi sua surpresa quando o alfaiate local disse poder fazer paletó, calça e até colete.
- Mas, companheiro, o companheiro alfaiate francês dife que o tefido mal dava pra fazer um paletó. Como você vai confeguir fazer tudo ifo?
- Ah, presidente, é que no exterior o senhor é uma pessoa muito maior que aqui no Brasil.
Numa viagem a Paris, Lula ganhou de Jacques Chirac um corte de tecido de altíssima qualidade. Lá mesmo procurou um alfaiate para fazer um terno. Infelizmente, disse o alfaiate, o corte era muito pequeno e não daria para fazer o paletó e a calça. Decepcionado, Lula desistiu e trouxe o tecido de volta.
Já em Brasília, voltou atrás e decidiu encomendar lá mesmo só o paletó. Qual não foi sua surpresa quando o alfaiate local disse poder fazer paletó, calça e até colete.
- Mas, companheiro, o companheiro alfaiate francês dife que o tefido mal dava pra fazer um paletó. Como você vai confeguir fazer tudo ifo?
- Ah, presidente, é que no exterior o senhor é uma pessoa muito maior que aqui no Brasil.
quarta-feira, 24 de março de 2004
Taxímetro musical
Essa é sensacional. Diz a BBC que os violinistas da Orquestra Beethoven, de Bonn (Alemanha), estão cobrando na Justiça um pagamento diferenciado com base na afirmação que tocam mais notas que os colegas. Os músicos querem algo em torno de US$ 250 a mais por ensaio e apresentação. Os administradores da orquestra, claro, classificam a pretensão como ridícula.
Se a moda pega, os guitarristas de reagge (o emprego mais mole da música) vão acabar ficando de fora do rateio dos cachês.
Essa é sensacional. Diz a BBC que os violinistas da Orquestra Beethoven, de Bonn (Alemanha), estão cobrando na Justiça um pagamento diferenciado com base na afirmação que tocam mais notas que os colegas. Os músicos querem algo em torno de US$ 250 a mais por ensaio e apresentação. Os administradores da orquestra, claro, classificam a pretensão como ridícula.
Se a moda pega, os guitarristas de reagge (o emprego mais mole da música) vão acabar ficando de fora do rateio dos cachês.
domingo, 21 de março de 2004
Um tanto ou quanto surreal
Não sei se sou eu que ando mais maluco do que o normal ou se o mundo anda operando em freqüências aleatórias. Li hoje no Globo um artigo do escritor Frederick Forsyth detonando a Al Qaeda e defendendo o Islamismo como um todo. Entre outras coisas, ele afirma que "o Islã é uma grande religião e, como todas as grandes religiões, baseia-se, teoricamente, no amor: o amor a Deus e a nossos semelhantes" e que "como todos os grandes livros religiosos, o Alcorão ensina que a paz e o amor são melhores que o ódio e a guerra, um estado a ser alcançado pela devoção a Deus e a seu mensageiro". Até aí, tudo bem.
Em seguida, ele desanca a corrente fundada há 300 anos pelo pregador radical Muhammad ibn Abdul Wahhab, que, entre outras coisas, passou a igualar os judeus e cristãos aos idólatras e pagãos. Como lembra o autor do artigo, o Alcorão diz que os pagão e idólatras "são indesejáveis para Deus e devem ser assassinados em massa se se negam a se converter". Deixa eu ver se entendi. Esse livro sagrado que prega a matança de quem decide se manter fiel aos deuses dos seus ancestrais é o mesmo que "ensina que a paz e o amor são melhores que o ódio e a guerra"?
Sinceramente? Wahhab pode ter levado a selvageria ao paroxismo, mas usou uma matriz que já estava prontinha.
Não sei se sou eu que ando mais maluco do que o normal ou se o mundo anda operando em freqüências aleatórias. Li hoje no Globo um artigo do escritor Frederick Forsyth detonando a Al Qaeda e defendendo o Islamismo como um todo. Entre outras coisas, ele afirma que "o Islã é uma grande religião e, como todas as grandes religiões, baseia-se, teoricamente, no amor: o amor a Deus e a nossos semelhantes" e que "como todos os grandes livros religiosos, o Alcorão ensina que a paz e o amor são melhores que o ódio e a guerra, um estado a ser alcançado pela devoção a Deus e a seu mensageiro". Até aí, tudo bem.
Em seguida, ele desanca a corrente fundada há 300 anos pelo pregador radical Muhammad ibn Abdul Wahhab, que, entre outras coisas, passou a igualar os judeus e cristãos aos idólatras e pagãos. Como lembra o autor do artigo, o Alcorão diz que os pagão e idólatras "são indesejáveis para Deus e devem ser assassinados em massa se se negam a se converter". Deixa eu ver se entendi. Esse livro sagrado que prega a matança de quem decide se manter fiel aos deuses dos seus ancestrais é o mesmo que "ensina que a paz e o amor são melhores que o ódio e a guerra"?
Sinceramente? Wahhab pode ter levado a selvageria ao paroxismo, mas usou uma matriz que já estava prontinha.
Realidade? Que realidade?
Li tempos atrás num veículo paulista uma reportagem sobre seqüestros que criticava a postura do governo local quanto à participação de policiais nas quadrilhas. Segundo o texto, o Rio conseguira melhorar a situação porque, entre outras coisas, ao assumir a chefia da Polícia Civil, o então delegado Hélio Luz declarara: "A DAS (Divisão Anti-Seqüestros) não seqüestra mais". A reportagem comparava o caso ao de um vício, cuja cura começa com a admissão da existência do problema.
E daí, Leo? Daí que eu lembrei disso hoje ao ler as entrevistas dos pais dos integrantes de uma quadrilha de pittboys presa no fim de semana após uma mega-arruaça numa boate de Ipanema. Os arruaceiros, um deles menor, foram presos diante das câmeras por uma tropa da PM após espancarem um rapaz e um policial à paisana que tentara apartar – sem sacar a arma, aliás. O policial, que levou mais de cinqüenta pontos no rosto, descreveu a agressão dos pittboys ao rapaz como um linchamento.
Eis que hoje, nos jornais, os pais dos ditos cujos dizem que são todos rapazes exemplares, que não se envolvem em brigas, que é um absurdo tratá-los como marginais – apesar de terem sido presos em flagrante. Que o advogado diga isso, tudo bem. Ele é pago para dizer que o céu é verde para livrar a cara dos clientes. Mas a insistência dos pais em negar o próprio fracasso na criação dos filhos já tem ares de patologia.
Há uns 25 anos, três rapazes de classe média alta profundamente chapados roubaram o carro do meu tio na porta da casa dos meus avós. Chegaram mesmo a disparar um tiro – não sei se intencionalmente ou por efeito das drogas, não acertaram ninguém. Os três foram presos horas depois. Um deles, depois que o barato passou, brigou com um vizinho e foi dar queixa na 19ª, justo onde meu tio relatava o roubo do carro. Acabou preso e entregou os outros. Dois eram filhos de médicos conceituados; o terceiro, de um alto oficial da Aeronáutica.
Pois o militar foi o único que não tentou comprar meu tio para que este não desse queixa. Os demais tentaram de tudo, dizendo que os filhos eram bons rapazes, botando a culpa em más companhias, em más influências etc. Eles próprios não tinham nenhuma culpa no fato de os filhos virarem ladrões e potenciais assassinos.
Com os pittboys está acontecendo a mesma coisa. Em vez de educação, liberalidade desmedida – para não tolher a personalidade. Em vez de valores, bens. Depois, quando eles saem em bandos (eu ia dizer matilhas, mas mudei de idéia em respeito aos lobos) agredindo os outros, são rapazes exemplares. Então tá, então.
Mudando de assunto, mas ainda no tema fuga da realidade, não canso de me divertir com Paulo Maluf. Mesmo depois de a Suíça ter enviado para o Brasil os documentos sobre as contas que ele manteve lá, o ex-prefeito continua afirmando que jamais teve contas em paraísos fiscais. É um pândego.
Li tempos atrás num veículo paulista uma reportagem sobre seqüestros que criticava a postura do governo local quanto à participação de policiais nas quadrilhas. Segundo o texto, o Rio conseguira melhorar a situação porque, entre outras coisas, ao assumir a chefia da Polícia Civil, o então delegado Hélio Luz declarara: "A DAS (Divisão Anti-Seqüestros) não seqüestra mais". A reportagem comparava o caso ao de um vício, cuja cura começa com a admissão da existência do problema.
E daí, Leo? Daí que eu lembrei disso hoje ao ler as entrevistas dos pais dos integrantes de uma quadrilha de pittboys presa no fim de semana após uma mega-arruaça numa boate de Ipanema. Os arruaceiros, um deles menor, foram presos diante das câmeras por uma tropa da PM após espancarem um rapaz e um policial à paisana que tentara apartar – sem sacar a arma, aliás. O policial, que levou mais de cinqüenta pontos no rosto, descreveu a agressão dos pittboys ao rapaz como um linchamento.
Eis que hoje, nos jornais, os pais dos ditos cujos dizem que são todos rapazes exemplares, que não se envolvem em brigas, que é um absurdo tratá-los como marginais – apesar de terem sido presos em flagrante. Que o advogado diga isso, tudo bem. Ele é pago para dizer que o céu é verde para livrar a cara dos clientes. Mas a insistência dos pais em negar o próprio fracasso na criação dos filhos já tem ares de patologia.
Há uns 25 anos, três rapazes de classe média alta profundamente chapados roubaram o carro do meu tio na porta da casa dos meus avós. Chegaram mesmo a disparar um tiro – não sei se intencionalmente ou por efeito das drogas, não acertaram ninguém. Os três foram presos horas depois. Um deles, depois que o barato passou, brigou com um vizinho e foi dar queixa na 19ª, justo onde meu tio relatava o roubo do carro. Acabou preso e entregou os outros. Dois eram filhos de médicos conceituados; o terceiro, de um alto oficial da Aeronáutica.
Pois o militar foi o único que não tentou comprar meu tio para que este não desse queixa. Os demais tentaram de tudo, dizendo que os filhos eram bons rapazes, botando a culpa em más companhias, em más influências etc. Eles próprios não tinham nenhuma culpa no fato de os filhos virarem ladrões e potenciais assassinos.
Com os pittboys está acontecendo a mesma coisa. Em vez de educação, liberalidade desmedida – para não tolher a personalidade. Em vez de valores, bens. Depois, quando eles saem em bandos (eu ia dizer matilhas, mas mudei de idéia em respeito aos lobos) agredindo os outros, são rapazes exemplares. Então tá, então.
Mudando de assunto, mas ainda no tema fuga da realidade, não canso de me divertir com Paulo Maluf. Mesmo depois de a Suíça ter enviado para o Brasil os documentos sobre as contas que ele manteve lá, o ex-prefeito continua afirmando que jamais teve contas em paraísos fiscais. É um pândego.
sexta-feira, 12 de março de 2004
Louvável
Ainda que isso choque algumas pessoas, não me incluo na lista de fãs de Caetano Veloso. Considero-o o Orson Welles brasileiro: um cara que desperdiça seu grande talento glorificando sua suposta genialidade.
Mas devo dizer que o "antigo compositor baiano" cresceu um tiquinho no meu conceito quando li hoje que ele também se recusa a dar audiência ao Big Brother.
Costumo dizer que até dar com a cabeça na parede é uma atividade mais produtiva que ver um monte de neanderthais secretando boçalidade na TV. A única coisa que esse programa produz de interessante costuma estar melhor nas Playboys dos meses seguintes.
Ainda que isso choque algumas pessoas, não me incluo na lista de fãs de Caetano Veloso. Considero-o o Orson Welles brasileiro: um cara que desperdiça seu grande talento glorificando sua suposta genialidade.
Mas devo dizer que o "antigo compositor baiano" cresceu um tiquinho no meu conceito quando li hoje que ele também se recusa a dar audiência ao Big Brother.
Costumo dizer que até dar com a cabeça na parede é uma atividade mais produtiva que ver um monte de neanderthais secretando boçalidade na TV. A única coisa que esse programa produz de interessante costuma estar melhor nas Playboys dos meses seguintes.
Serviço acima do lucro
Na esteira dos medonhos atentados que sacudiram Madri, o excelente diário "El Pais" liberou o acesso gratuito a todo o seu conteúdo.
Mudando de assunto, mas ainda no tema, é impressionante como político é cara-de-pau em qualquer lugar. Mesmo depois de encontrarem uma fita gravada em árabe, de a Europol dizer que os ataques tinham o padrão da Al-Qaeda e de a própria organização terrorista reivindicar os atentados, o partido conservador do primeiro-ministro José Maria Aznar ainda tentava jogar a culpa no ETA para faturar nas próximas eleições. Até porque, os atentados de hoje tem ligação direta com o apoio de Aznar à invasão do Iraque.
Na esteira dos medonhos atentados que sacudiram Madri, o excelente diário "El Pais" liberou o acesso gratuito a todo o seu conteúdo.
Mudando de assunto, mas ainda no tema, é impressionante como político é cara-de-pau em qualquer lugar. Mesmo depois de encontrarem uma fita gravada em árabe, de a Europol dizer que os ataques tinham o padrão da Al-Qaeda e de a própria organização terrorista reivindicar os atentados, o partido conservador do primeiro-ministro José Maria Aznar ainda tentava jogar a culpa no ETA para faturar nas próximas eleições. Até porque, os atentados de hoje tem ligação direta com o apoio de Aznar à invasão do Iraque.
sexta-feira, 5 de março de 2004
Elogio e gozação
A Justiça do Rio Grande do Sul criou uma importante jurisprudência a determinar que os cartórios do estado registrem uniões civis entre pessoas do mesmo sexo. A decisão é histórica, mas deve provocar reações furiosas daquelas pessoas que gostam de ditar como os outros devem levar suas vidas. Há anos a bancada cristã emperra um projeto sobre o assunto no Senado.
Nos EUA, onde os estados têm uma independência muito maior, o Judiciário de Massachusetts concluiu que proibir homossexuais de se casarem viola o princípio de igualdade garantido pela Constituição. Bastou para a extrema-direita cristã tentar aprovar uma emenda constitucional proibindo o casamento gay. Paul Kistof, colunista do New York Times, lembrou há algum tempo que, em vez de criticar a facilidade com que divórcios acontecem nos EUA, os conservadores querem "defender o casamento" impedindo que pessoas se casem.
Paisinho curioso, não? Um sujeito sair na rua armado, representando um risco potencial real para outras pessoas, é considerado um direito individual. Já as relações sexuais de adultos consentidos viram tema de legislação.
Passado o elogio à decisão da Justiça gaúcha, vale lembrar que só podia ter acontecido no Rio Grande, onde "todo mundo é macho!" - aqui no Rio, onde tem macho e fêmea, a gente se diverte mais. Dizem até que vão decretar feriado em Pelotas.
A Justiça do Rio Grande do Sul criou uma importante jurisprudência a determinar que os cartórios do estado registrem uniões civis entre pessoas do mesmo sexo. A decisão é histórica, mas deve provocar reações furiosas daquelas pessoas que gostam de ditar como os outros devem levar suas vidas. Há anos a bancada cristã emperra um projeto sobre o assunto no Senado.
Nos EUA, onde os estados têm uma independência muito maior, o Judiciário de Massachusetts concluiu que proibir homossexuais de se casarem viola o princípio de igualdade garantido pela Constituição. Bastou para a extrema-direita cristã tentar aprovar uma emenda constitucional proibindo o casamento gay. Paul Kistof, colunista do New York Times, lembrou há algum tempo que, em vez de criticar a facilidade com que divórcios acontecem nos EUA, os conservadores querem "defender o casamento" impedindo que pessoas se casem.
Paisinho curioso, não? Um sujeito sair na rua armado, representando um risco potencial real para outras pessoas, é considerado um direito individual. Já as relações sexuais de adultos consentidos viram tema de legislação.
Passado o elogio à decisão da Justiça gaúcha, vale lembrar que só podia ter acontecido no Rio Grande, onde "todo mundo é macho!" - aqui no Rio, onde tem macho e fêmea, a gente se diverte mais. Dizem até que vão decretar feriado em Pelotas.
Nova praia
Atenção galera, a Praia do Nelson, freqüentador assíduo aqui do Espírito de Porco, mudou de nome e endereço. Cliquem aqui e confiram a nova cara.
Atenção galera, a Praia do Nelson, freqüentador assíduo aqui do Espírito de Porco, mudou de nome e endereço. Cliquem aqui e confiram a nova cara.
quinta-feira, 4 de março de 2004
Bobeira das Arábias
Um francês, um argentino e um brasileiro estavam em Riad, capital da Arábia Saudita, quando resolveram tomar um porre. País islâmico ultra-conservador, a lei local proibia bebidas alcoólicas. Os três compram no mercado negro, enchem a cara, saem de carro e provocam um acidente.
Presos, são condenados à morte. Porém, com bons advogados e pressão internacional, a pena foi comutada para prisão perpétua. Eis que, por um capricho da sorte, a esposa favorita do Sheik teve um filho homem. Ele resolve abrandar ainda mais a pena e decreta que os mesmos poderão ser soltos após receberem 20 chibatadas cada. Quando eles estão se preparando para a punição, o Sheik anuncia mais uma benevolência em nome da esposa favorita: Cada um deles teria direito a um pedido antes da sentença, desde que não fosse "não levar as chibatadas".
O francês foi o primeiro da fila. Pensou um pouco e pediu: "Por favor, amarrem dois travesseiros nas minhas costas".
Assim foi feito, mas o verdugo saudita era muito competente e os travesseiros só duraram 10 chibatadas. As dez seguintes foram no couro dele, que teve de ser carregado, sangrando muito.
O argentino, sabido como sempre, viu o que tinha acontecido e, sendo segundo, pediu: "Por favor, amarrem quatro travesseiros nas minhas costas". Porém, mesmo assim, após 15 chibatadas os travesseiros não suportaram e o Argentino foi levado sangrando e maldizendo o acontecido.
O brasileiro foi o último e antes que pudesse dizer o seu pedido, foi interrompido pelo Sheik: "Você é um de um país belíssimo, do futebol e das mulatas. Eu adoro o Brasil, e vou lhe agraciar com dois pedidos antes da punição."
"Obrigado, sua Alteza", disse o brasileiro. "Estou muito envergonhado com a gravidade do nosso crime. Acho que vinte chibatas é uma punição branda. Meu primeiro desejo é que eu receba 100 chibatadas."
Ao que o Sheik respondeu: "Além de ser um homem honrado e gentil, o senhor também um homem corajoso. Que assim seja! Mas e seu segundo pedido?"
Ao que o brasileiro complementou: "Quero que amarrem o argentino às minhas costas".
Enviada por meu cumpadi Vicente
Um francês, um argentino e um brasileiro estavam em Riad, capital da Arábia Saudita, quando resolveram tomar um porre. País islâmico ultra-conservador, a lei local proibia bebidas alcoólicas. Os três compram no mercado negro, enchem a cara, saem de carro e provocam um acidente.
Presos, são condenados à morte. Porém, com bons advogados e pressão internacional, a pena foi comutada para prisão perpétua. Eis que, por um capricho da sorte, a esposa favorita do Sheik teve um filho homem. Ele resolve abrandar ainda mais a pena e decreta que os mesmos poderão ser soltos após receberem 20 chibatadas cada. Quando eles estão se preparando para a punição, o Sheik anuncia mais uma benevolência em nome da esposa favorita: Cada um deles teria direito a um pedido antes da sentença, desde que não fosse "não levar as chibatadas".
O francês foi o primeiro da fila. Pensou um pouco e pediu: "Por favor, amarrem dois travesseiros nas minhas costas".
Assim foi feito, mas o verdugo saudita era muito competente e os travesseiros só duraram 10 chibatadas. As dez seguintes foram no couro dele, que teve de ser carregado, sangrando muito.
O argentino, sabido como sempre, viu o que tinha acontecido e, sendo segundo, pediu: "Por favor, amarrem quatro travesseiros nas minhas costas". Porém, mesmo assim, após 15 chibatadas os travesseiros não suportaram e o Argentino foi levado sangrando e maldizendo o acontecido.
O brasileiro foi o último e antes que pudesse dizer o seu pedido, foi interrompido pelo Sheik: "Você é um de um país belíssimo, do futebol e das mulatas. Eu adoro o Brasil, e vou lhe agraciar com dois pedidos antes da punição."
"Obrigado, sua Alteza", disse o brasileiro. "Estou muito envergonhado com a gravidade do nosso crime. Acho que vinte chibatas é uma punição branda. Meu primeiro desejo é que eu receba 100 chibatadas."
Ao que o Sheik respondeu: "Além de ser um homem honrado e gentil, o senhor também um homem corajoso. Que assim seja! Mas e seu segundo pedido?"
Ao que o brasileiro complementou: "Quero que amarrem o argentino às minhas costas".
Enviada por meu cumpadi Vicente
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2004
Mais pura verdade
Versão feminina:
Mulher 1: Oi! Você cortou o cabelo! Ficou lindo!
Mulher 2: Você acha? Eu não tive certeza quando olhei no espelho. Quer dizer, você não acha que ficou afofado demais?
Mulher 1: Não, está perfeito. Eu adoraria cortar meu cabelo assim, mas meu rosto e' muito fino. Eu fico muito presa a isto.
Mulher 2: Fala serio. Eu acho seu rosto adorável. E você pode facilmente ter um daqueles cortes em camadas, que são todos bonitos. Eu ia fazer exatamente isto, mas fiquei com medo de acentuar meu pescoço comprido.
Mulher 1: Ah, engraçado. Eu adoraria ter o seu pescoço. Qualquer coisa que tirasse a atenção desta minha linha de ombros dois-por-quatro.
Mulher 2: Você tá brincando? Eu conheço garotas que adorariam ter seus ombros. Qualquer coisa cai tão bem em você. Olhe meus braços - como são curtos? Se eu tivesse seus ombros eu poderia conseguir roupas que se encaixassem em mim com muito mais facilidade.
Versão masculina:
Homem 1: Cortou o cabelo?
Homem 2: Cortei
Contribuição da Simone
Versão feminina:
Mulher 1: Oi! Você cortou o cabelo! Ficou lindo!
Mulher 2: Você acha? Eu não tive certeza quando olhei no espelho. Quer dizer, você não acha que ficou afofado demais?
Mulher 1: Não, está perfeito. Eu adoraria cortar meu cabelo assim, mas meu rosto e' muito fino. Eu fico muito presa a isto.
Mulher 2: Fala serio. Eu acho seu rosto adorável. E você pode facilmente ter um daqueles cortes em camadas, que são todos bonitos. Eu ia fazer exatamente isto, mas fiquei com medo de acentuar meu pescoço comprido.
Mulher 1: Ah, engraçado. Eu adoraria ter o seu pescoço. Qualquer coisa que tirasse a atenção desta minha linha de ombros dois-por-quatro.
Mulher 2: Você tá brincando? Eu conheço garotas que adorariam ter seus ombros. Qualquer coisa cai tão bem em você. Olhe meus braços - como são curtos? Se eu tivesse seus ombros eu poderia conseguir roupas que se encaixassem em mim com muito mais facilidade.
Versão masculina:
Homem 1: Cortou o cabelo?
Homem 2: Cortei
Contribuição da Simone
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2004
Paternidade é isso aí
Com a devida alteração de gênero indicada, esta canção da banda inglesa Inkubus Sukkubus resume bem a alegria que eu sinto com Luísa.
BRIGHT STAR
Brightest of souls shining through
Dearest of girls, I love you
Wrapped in my arms I would stay here with you
You are my lifeline
You make the stars shine
All of my life I have waited for you
You are the brightest star
I love all that you are
You are the brightest star
My beautiful child
Beautiful girl, I can see
How you have brought joy to me
The smallest thing you do captures my heart
How I could watch all the day
Watch how you think as you play
You have a mind that has opened my own
You are my bloodline
You make the stars in heaven shine
All of my life I have waited for you
Com a devida alteração de gênero indicada, esta canção da banda inglesa Inkubus Sukkubus resume bem a alegria que eu sinto com Luísa.
BRIGHT STAR
Brightest of souls shining through
Dearest of girls, I love you
Wrapped in my arms I would stay here with you
You are my lifeline
You make the stars shine
All of my life I have waited for you
You are the brightest star
I love all that you are
You are the brightest star
My beautiful child
Beautiful girl, I can see
How you have brought joy to me
The smallest thing you do captures my heart
How I could watch all the day
Watch how you think as you play
You have a mind that has opened my own
You are my bloodline
You make the stars in heaven shine
All of my life I have waited for you
Carinho pela metade
Não que eu seja hipocondríaco, mas tenho carteirinha de sócio atleta da Santa Terezinha, uma casa de saúde perto da minha casa. Durante o Carnaval eu dei uma meia-trava na emergência para ver uma tendinite no pé*. Enquanto aguardava na sala de espera cheia, sentou-se ao meu lado uma moça passando mal, acompanhada de outra garota.
Não precisou muito para eu notar que era um casal. Não só pelo papo doméstico, mas pelo extremo carinho que uma parecia demonstrar pela outra. Se não estivesse em casa cuidando da Luísa (“um apetite voraz numa ponta e nenhuma responsabilidade na outra”), Cristina estaria comigo fazendo gestos de carinho praticamente iguais.
"Praticamente" porque entre elas havia sempre algo contido. Era o carinho no rosto que prenunciava um beijo que não acontecia, por exemplo. Fiquei pensando como deve ser triste precisar esconder o próprio carinho. A rigor, elas não fariam nada que um casal hétero não fosse fazer num lugar público. Mas certamente agravariam o risco cardíaco das velhotas que esperavam para medir a pressão.
"Tá, Leo. Cê tá com essa liberalidade toda porque eram duas mulheres, e homem se amarra em colação de velcro. Se fossem dois marmanjos se carinhando, cê ia achar o fim da picada." Pode ser. De qualquer forma, é triste constatar que os nossos preconceitos acabam maniatando as relações dos outros. Que as pessoas continuam tentando impor os próprios padrões sobre os outros. Não se trata de viver de acordo com seus valores, mas exigir que os outros vivam.
Lembro da foto de um protesto contra a ditadura em 68, na qual se lia num cartaz "Se vocês são fortes, abram as urnas". Será que esse povo tem tão pouca confiança nos próprios valores que precisa tirar da vista tudo o que é diferente deles? Será que a sexualidade do seu Zé e da dona Maria que freqüentam o encontro de casais da igreja vai pras cucuias se forem para a casa ao lado duas mulheres (ok, dois homens, se preferirem) que vivem juntas e felizes?
Pode parecer viagem, eu sei. Mas mesmo agora a direita cristã nos EUA quer uma emenda constitucional proibindo a união civil entre gays. O cerne da hipocrisia foi maravilhosamente capturado pela Onion: Suprema Corte de Massachusetts obriga todos os cidadãos a se casarem com gays. Quem ouve gente com Bush falar, acha que é isso, que a possibilidade de duas pessoas do mesmo sexo legalizarem sua relação torna obrigatório o homossexualismo. Ou que as igrejas seriam obrigadas a dar status de casamento (sacramento) a essas uniões civis.
O engraçado que é a extrema irresponsabilidade com que parte dos americanos trata o casamento (e a leviandade das leis sobre isso lá) não parece "desmoralizar a instituição". Britney Spears encher a cara, entrar numa capela e casar com um amigo por curtição – e anular o casamento no dia seguinte – desmoraliza muito mais do que um casal gay que vive junto há anos tentar regularizar sua situação.
Infelizmente hipocrisia e desinformação continuam a ser a melhor arma dessa gente.
* A tendinite no pé tem suas vantagens: permite-me não gostar de pagode e de “marcha-enredo” sem passar por ruim da cabeça.
Não que eu seja hipocondríaco, mas tenho carteirinha de sócio atleta da Santa Terezinha, uma casa de saúde perto da minha casa. Durante o Carnaval eu dei uma meia-trava na emergência para ver uma tendinite no pé*. Enquanto aguardava na sala de espera cheia, sentou-se ao meu lado uma moça passando mal, acompanhada de outra garota.
Não precisou muito para eu notar que era um casal. Não só pelo papo doméstico, mas pelo extremo carinho que uma parecia demonstrar pela outra. Se não estivesse em casa cuidando da Luísa (“um apetite voraz numa ponta e nenhuma responsabilidade na outra”), Cristina estaria comigo fazendo gestos de carinho praticamente iguais.
"Praticamente" porque entre elas havia sempre algo contido. Era o carinho no rosto que prenunciava um beijo que não acontecia, por exemplo. Fiquei pensando como deve ser triste precisar esconder o próprio carinho. A rigor, elas não fariam nada que um casal hétero não fosse fazer num lugar público. Mas certamente agravariam o risco cardíaco das velhotas que esperavam para medir a pressão.
"Tá, Leo. Cê tá com essa liberalidade toda porque eram duas mulheres, e homem se amarra em colação de velcro. Se fossem dois marmanjos se carinhando, cê ia achar o fim da picada." Pode ser. De qualquer forma, é triste constatar que os nossos preconceitos acabam maniatando as relações dos outros. Que as pessoas continuam tentando impor os próprios padrões sobre os outros. Não se trata de viver de acordo com seus valores, mas exigir que os outros vivam.
Lembro da foto de um protesto contra a ditadura em 68, na qual se lia num cartaz "Se vocês são fortes, abram as urnas". Será que esse povo tem tão pouca confiança nos próprios valores que precisa tirar da vista tudo o que é diferente deles? Será que a sexualidade do seu Zé e da dona Maria que freqüentam o encontro de casais da igreja vai pras cucuias se forem para a casa ao lado duas mulheres (ok, dois homens, se preferirem) que vivem juntas e felizes?
Pode parecer viagem, eu sei. Mas mesmo agora a direita cristã nos EUA quer uma emenda constitucional proibindo a união civil entre gays. O cerne da hipocrisia foi maravilhosamente capturado pela Onion: Suprema Corte de Massachusetts obriga todos os cidadãos a se casarem com gays. Quem ouve gente com Bush falar, acha que é isso, que a possibilidade de duas pessoas do mesmo sexo legalizarem sua relação torna obrigatório o homossexualismo. Ou que as igrejas seriam obrigadas a dar status de casamento (sacramento) a essas uniões civis.
O engraçado que é a extrema irresponsabilidade com que parte dos americanos trata o casamento (e a leviandade das leis sobre isso lá) não parece "desmoralizar a instituição". Britney Spears encher a cara, entrar numa capela e casar com um amigo por curtição – e anular o casamento no dia seguinte – desmoraliza muito mais do que um casal gay que vive junto há anos tentar regularizar sua situação.
Infelizmente hipocrisia e desinformação continuam a ser a melhor arma dessa gente.
* A tendinite no pé tem suas vantagens: permite-me não gostar de pagode e de “marcha-enredo” sem passar por ruim da cabeça.
sábado, 21 de fevereiro de 2004
Quadradura do Círculo
Falando um pouquinho dessa história dos bingos, vou repetir uma pergunta que fiz há quase dez anos, quando eles foram liberados: O que faz o Brasil pensar que vai ser o único país do mundo em que a jogatina não vai ser apenas uma ferramenta de lavagem de dinheiro pelo crime organizado?
Falando um pouquinho dessa história dos bingos, vou repetir uma pergunta que fiz há quase dez anos, quando eles foram liberados: O que faz o Brasil pensar que vai ser o único país do mundo em que a jogatina não vai ser apenas uma ferramenta de lavagem de dinheiro pelo crime organizado?
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2004
Problema de timing
Diz a BBC que cientistas ingleses desenvolveram uma vacina para a Peste Bubônica, transmitida para os seres humanos por pulgas de ratos. Um gigantesco avanço para a medicina, só que com quase 700 anos de atraso. A doença, também chamada de Morte Negra, espalhou-se pela Europa em 1347, matando, em cinco anos, 25 milhões de pessoas – um terço da população do continente.
Brincadeiras à parte, cerca de 2.500 pessoas ainda morrem anualmente desse mal em todo o mundo – tendo havido casos esporádicos no Brasil nos últimos 30 anos. Mas o interesse na vacina é mais militar do que humanitário. As pesquisas começaram na primeira Guerra do Golfo, quando se espalhou que Saddam tinha armas biológicas com a bactéria da Morte Negra. Devem estar escondidas junto com as demais armas de destruição de massa e as provas de que George Bush realmente serviu na Guarda Nacional.
Diz a BBC que cientistas ingleses desenvolveram uma vacina para a Peste Bubônica, transmitida para os seres humanos por pulgas de ratos. Um gigantesco avanço para a medicina, só que com quase 700 anos de atraso. A doença, também chamada de Morte Negra, espalhou-se pela Europa em 1347, matando, em cinco anos, 25 milhões de pessoas – um terço da população do continente.
Brincadeiras à parte, cerca de 2.500 pessoas ainda morrem anualmente desse mal em todo o mundo – tendo havido casos esporádicos no Brasil nos últimos 30 anos. Mas o interesse na vacina é mais militar do que humanitário. As pesquisas começaram na primeira Guerra do Golfo, quando se espalhou que Saddam tinha armas biológicas com a bactéria da Morte Negra. Devem estar escondidas junto com as demais armas de destruição de massa e as provas de que George Bush realmente serviu na Guarda Nacional.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2004
Uncle Fucker
Essa eu roubei da Selina. Clique aqui e veja como você seria se fosse um personagem de South Park.
Essa eu roubei da Selina. Clique aqui e veja como você seria se fosse um personagem de South Park.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2004
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2004
Profissionalismo às favas
Fazendo uma faxina no antigo escritório (doravante conhecido como "quarto da Luísa"), encontrei esta foto do longínquo 1985, quando participei de minha primeira cobertura jornalística, no Rock In Rio 1. Esse foi o momento em que, após entrevistar Ozzy Osbourne, mandei o profissionalismo pras cinco letras que fedem e peguei um autógrafo dele.
Poxa, até que eu não era tão feio. O que aconteceu de lá pra cá - fora a passagem de 19 anos, claro?
Fazendo uma faxina no antigo escritório (doravante conhecido como "quarto da Luísa"), encontrei esta foto do longínquo 1985, quando participei de minha primeira cobertura jornalística, no Rock In Rio 1. Esse foi o momento em que, após entrevistar Ozzy Osbourne, mandei o profissionalismo pras cinco letras que fedem e peguei um autógrafo dele.
Poxa, até que eu não era tão feio. O que aconteceu de lá pra cá - fora a passagem de 19 anos, claro?
sábado, 31 de janeiro de 2004
sexta-feira, 30 de janeiro de 2004
quinta-feira, 29 de janeiro de 2004
quarta-feira, 28 de janeiro de 2004
Diálogos X-Crotos XX (roubado)
"Alô, é da casa de Débora?"
"Não, minha senhora, não é."
"Débora não está?"
"Não, senhora, aqui não tem nenhuma Débora."
"A que horas ela volta?"
"Meu bem, aqui NÃO TEM NENHUMA DÉBORA!"
"Então tá, eu ligo depois."
Essa aconteceu com a minha querida Selina, que relatou em seu blog, Gothan City É Aqui...
"Alô, é da casa de Débora?"
"Não, minha senhora, não é."
"Débora não está?"
"Não, senhora, aqui não tem nenhuma Débora."
"A que horas ela volta?"
"Meu bem, aqui NÃO TEM NENHUMA DÉBORA!"
"Então tá, eu ligo depois."
Essa aconteceu com a minha querida Selina, que relatou em seu blog, Gothan City É Aqui...
Provocação camuflada
Dizem os noticiários que o ministro da Saúde, Humberto Costa, vetou a frase que seria usada na campanha contra a Aids. Pela proposta inicial, os cartazes mostrariam um peixinho nadando dentro de uma camisinha, com os dizeres “Por aqui não passa nada. Bote fé, use camisinha”. Costa considerou que a frase era uma provocação à Igreja Católica, que condena qualquer forma de contracepção e espalha que a camisinha não é eficaz no combate às DST.
O que Costa aparentemente não notou é que existe uma provocação mais sutil: o peixe dentro da camisinha. Esse (o peixe, não a camisinha, claro) foi um dos primeiros símbolos dos cristãos (antes deles adotarem a não menos macabra metáfora do pastores e ovelhas) e ainda hoje é usado por eles. Acho muito difícil ser coincidência.
Dizem os noticiários que o ministro da Saúde, Humberto Costa, vetou a frase que seria usada na campanha contra a Aids. Pela proposta inicial, os cartazes mostrariam um peixinho nadando dentro de uma camisinha, com os dizeres “Por aqui não passa nada. Bote fé, use camisinha”. Costa considerou que a frase era uma provocação à Igreja Católica, que condena qualquer forma de contracepção e espalha que a camisinha não é eficaz no combate às DST.
O que Costa aparentemente não notou é que existe uma provocação mais sutil: o peixe dentro da camisinha. Esse (o peixe, não a camisinha, claro) foi um dos primeiros símbolos dos cristãos (antes deles adotarem a não menos macabra metáfora do pastores e ovelhas) e ainda hoje é usado por eles. Acho muito difícil ser coincidência.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2004
Too gay to rock’n’roll...
Nada mais me surpreende. Acabo de ler que David Palmer, ex-tecladista do Jethro Tull, fez, aos 66 anos, uma cirurgia para mudar de sexo e agora se chama Dee. Apesar de ter tocado em apenas seis discos com a banda, entre 1976 e 1980, David – ou melhor, Dee – participou como arranjador desde o disco de estréia, em 1968, “This Was”. Ian Anderson se disse meio confuso, mas deu apoio ao amigo/a.
Com todo respeito à turma das teclas, mas deve ser mal do instrumento. Em 1972, Walter Carlos, autor da trilha de “Laranja Mecânica”, passou a faca nos documentos e tornou-se Wendy. Ainda Walter, Carlos foi praticamente o sujeito que fez o parto do sintetizador Moog, que logo seria adotado por Keith Emerson. Já Wendy, continuou uma carreira de sucesso, assinando, entre outras, as trilhas de “O Iluminado” e “Tron”.
Agora, isso pode ser comum nos teclados; no contrabaixo não rolam essa frescuras, não...
Nada mais me surpreende. Acabo de ler que David Palmer, ex-tecladista do Jethro Tull, fez, aos 66 anos, uma cirurgia para mudar de sexo e agora se chama Dee. Apesar de ter tocado em apenas seis discos com a banda, entre 1976 e 1980, David – ou melhor, Dee – participou como arranjador desde o disco de estréia, em 1968, “This Was”. Ian Anderson se disse meio confuso, mas deu apoio ao amigo/a.
Com todo respeito à turma das teclas, mas deve ser mal do instrumento. Em 1972, Walter Carlos, autor da trilha de “Laranja Mecânica”, passou a faca nos documentos e tornou-se Wendy. Ainda Walter, Carlos foi praticamente o sujeito que fez o parto do sintetizador Moog, que logo seria adotado por Keith Emerson. Já Wendy, continuou uma carreira de sucesso, assinando, entre outras, as trilhas de “O Iluminado” e “Tron”.
Agora, isso pode ser comum nos teclados; no contrabaixo não rolam essa frescuras, não...
quinta-feira, 15 de janeiro de 2004
É melhor pensar antes
Há tempos li um conto em que Deuses muito antigos esquecidos começavam a conceder desejos. Uma das situações bizarras é que milhares de pessoas acertam ao mesmo tempo na loteria, cada uma ganhando menos de dez dólares. A história falava no suicídio de ganhadores que, antes de saberem o valor do prêmio começaram a fazer coisas como tacar fogo na casa velha ou passar a mão na bunda do patrão.
Lembrei disso hoje ao ver o resultado do concurso 529 da Mega-Sena, que estava acumulado em mais de R$ 5 milhões. Não foram milhares, mas 15 acertadores – ainda assim, acho que foi o maior número já registrado nessa loteria, não contando bolões. Fico imaginando o sujeito que ouviu ontem no rádio os números, acertou, passou a noite sonhando em passar o resto da vida no dolce far niente com a renda dos cinco milhões e hoje, ao ir na Caixa Econômica, descobriu que ia levar R$ 348.732,75. É uma grana respeitável, mas não dá pra viver na flauta.
Uma curiosidade: todos os ganhadores eram de estados do Nordeste. Cinco de Pernambuco, três da Paraíba, dois do Piauí, do Rio Grande do Norte e do Ceará e um da Bahia.
Há tempos li um conto em que Deuses muito antigos esquecidos começavam a conceder desejos. Uma das situações bizarras é que milhares de pessoas acertam ao mesmo tempo na loteria, cada uma ganhando menos de dez dólares. A história falava no suicídio de ganhadores que, antes de saberem o valor do prêmio começaram a fazer coisas como tacar fogo na casa velha ou passar a mão na bunda do patrão.
Lembrei disso hoje ao ver o resultado do concurso 529 da Mega-Sena, que estava acumulado em mais de R$ 5 milhões. Não foram milhares, mas 15 acertadores – ainda assim, acho que foi o maior número já registrado nessa loteria, não contando bolões. Fico imaginando o sujeito que ouviu ontem no rádio os números, acertou, passou a noite sonhando em passar o resto da vida no dolce far niente com a renda dos cinco milhões e hoje, ao ir na Caixa Econômica, descobriu que ia levar R$ 348.732,75. É uma grana respeitável, mas não dá pra viver na flauta.
Uma curiosidade: todos os ganhadores eram de estados do Nordeste. Cinco de Pernambuco, três da Paraíba, dois do Piauí, do Rio Grande do Norte e do Ceará e um da Bahia.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2004
Cultura Zero
Galera, gostaria de dividir com vocês este texto que recebi por e-mail da minha querida Márcia Frazão – talentosa tanto nas letras quanto na vassoura e no caldeirão. Se alguém for passar adiante, não esqueça de dar o crédito a ela.
Cultura Zero
Ao me olhar no espelho, enquanto escovava os dentes e matutava como cobrir o furo da conta no banco, me dei conta de que faço parte de uma classe tão desvalida quanto a dos desvalidos. Num jorro de água a ficha caiu: o beco da cultura não fica a dever nada ao beco da miséria!
Enquanto caçava cáries no fundo da boca, morrendo de medo de me deparar com uma e ficar banguela por não ter grana para ir ao dentista (no beco da cultura, plano de saúde é apenas mais uma discussão teórica), espichei a memória e contei os mortos e feridos dessa classe que tem a estranha mania de sublimar a tristeza e transmutá-la em beleza. Lembrei-me das dores e dos padecimentos financeiros de Freud e um frio me percorreu a espinha: o pai da psicanálise era um masoquista! Se não fosse, não queimaria as pestanas em pesquisas que mal da vam para pagar o aluguel da casa.
Depois de ter constatado que um dos maiores baluartes da cultura praticamente viveu a vida toda "de favor", o frio da espinha tornou-se gelo quando olhei para os lados e percebi que os tempos eram outros: já não existem ricos amantes das belas artes e os emergentes não financiam a cultura e se lixam para ela!
A esta altura, o furo da conta se tornou um buraco. Uma cratera cheia de dentes numerados, à espera de mais um funeral. Pensei em cortar os pulsos, mas rapidamente me lembrei das palavras de Dorothy Parker (outra que penou bons bocados) que sabiamente apontou a sujeira que tais suicídios costumam deixar nos tapetes. Bem verdade que não tenho nenhum tapete, mas desisti só de pensar na possibilidade de escapar e depois ter que limpar tudo (mancha de sangue dá uma trabalheira!).
Com o último dente escovado, e aliviada por não ter encontrado nenhuma cárie, esqueci da buraqueira na conta bancária, dos insensatos planos de suicídio e tomei uma decisão digna do masoquismo do beco da cultura: comecei a escrever um livro! Uma decisão que dá de mil em qualquer modalidade de suicídio.
Marcia Frazão
Galera, gostaria de dividir com vocês este texto que recebi por e-mail da minha querida Márcia Frazão – talentosa tanto nas letras quanto na vassoura e no caldeirão. Se alguém for passar adiante, não esqueça de dar o crédito a ela.
Cultura Zero
Ao me olhar no espelho, enquanto escovava os dentes e matutava como cobrir o furo da conta no banco, me dei conta de que faço parte de uma classe tão desvalida quanto a dos desvalidos. Num jorro de água a ficha caiu: o beco da cultura não fica a dever nada ao beco da miséria!
Enquanto caçava cáries no fundo da boca, morrendo de medo de me deparar com uma e ficar banguela por não ter grana para ir ao dentista (no beco da cultura, plano de saúde é apenas mais uma discussão teórica), espichei a memória e contei os mortos e feridos dessa classe que tem a estranha mania de sublimar a tristeza e transmutá-la em beleza. Lembrei-me das dores e dos padecimentos financeiros de Freud e um frio me percorreu a espinha: o pai da psicanálise era um masoquista! Se não fosse, não queimaria as pestanas em pesquisas que mal da vam para pagar o aluguel da casa.
Depois de ter constatado que um dos maiores baluartes da cultura praticamente viveu a vida toda "de favor", o frio da espinha tornou-se gelo quando olhei para os lados e percebi que os tempos eram outros: já não existem ricos amantes das belas artes e os emergentes não financiam a cultura e se lixam para ela!
A esta altura, o furo da conta se tornou um buraco. Uma cratera cheia de dentes numerados, à espera de mais um funeral. Pensei em cortar os pulsos, mas rapidamente me lembrei das palavras de Dorothy Parker (outra que penou bons bocados) que sabiamente apontou a sujeira que tais suicídios costumam deixar nos tapetes. Bem verdade que não tenho nenhum tapete, mas desisti só de pensar na possibilidade de escapar e depois ter que limpar tudo (mancha de sangue dá uma trabalheira!).
Com o último dente escovado, e aliviada por não ter encontrado nenhuma cárie, esqueci da buraqueira na conta bancária, dos insensatos planos de suicídio e tomei uma decisão digna do masoquismo do beco da cultura: comecei a escrever um livro! Uma decisão que dá de mil em qualquer modalidade de suicídio.
Marcia Frazão
Digital luso
Depois de décadas de pesquisa, nossos primos d'além mar desenvolveram um relógio digital para a Internet. Clique aqui e confira o resultado.
Ah, apesar da brincadeira com o patrícios, o site é japonês.
Enviada pela minha querida Claudia Manes
Depois de décadas de pesquisa, nossos primos d'além mar desenvolveram um relógio digital para a Internet. Clique aqui e confira o resultado.
Ah, apesar da brincadeira com o patrícios, o site é japonês.
Enviada pela minha querida Claudia Manes
terça-feira, 13 de janeiro de 2004
Pacificação semântica
Internet é um meio sensacional. Alguém imaginaria, anos atrás, que um leitor pudesse reclamar de uma tradução e ser respondido pelo próprio tradutor? Pois é, Lenita Maria Rímoli Esteves, tradutora do "Senhor dos Anéis", mandou-me uma resposta furiosa. Na troca de e-mails, porém, a discussão evoluiu para um bom debate sobre critérios de tradução. Como ela preferiu enviar-me e-mail direto e não usar os comentários, não reproduzo aqui o diálogo, sorry.
Continuamos divergindo totalmente quanto aos critérios usados para traduzir nomes próprios no livro, mas, agora num tom bem mais ameno. Em nome desse tom, quero rever publicamente alguns termos que usei e que a magoaram.
Onde lia-se "não entende chongas de Tolkien", leia-se "não tem familiaridade com Tolkien".
Onde lia-se "porcalhadas", leia-se "furos".
Onde lia-se "pirada", leia-se "pirada", mesmo. Desculpe, Lenita, mas quem chega ao ponto de escrever tese sobre "Finnegan’s Wake" tem pelo menos um pé muito bem plantado na piração.
Internet é um meio sensacional. Alguém imaginaria, anos atrás, que um leitor pudesse reclamar de uma tradução e ser respondido pelo próprio tradutor? Pois é, Lenita Maria Rímoli Esteves, tradutora do "Senhor dos Anéis", mandou-me uma resposta furiosa. Na troca de e-mails, porém, a discussão evoluiu para um bom debate sobre critérios de tradução. Como ela preferiu enviar-me e-mail direto e não usar os comentários, não reproduzo aqui o diálogo, sorry.
Continuamos divergindo totalmente quanto aos critérios usados para traduzir nomes próprios no livro, mas, agora num tom bem mais ameno. Em nome desse tom, quero rever publicamente alguns termos que usei e que a magoaram.
Onde lia-se "não entende chongas de Tolkien", leia-se "não tem familiaridade com Tolkien".
Onde lia-se "porcalhadas", leia-se "furos".
Onde lia-se "pirada", leia-se "pirada", mesmo. Desculpe, Lenita, mas quem chega ao ponto de escrever tese sobre "Finnegan’s Wake" tem pelo menos um pé muito bem plantado na piração.
terça-feira, 6 de janeiro de 2004
domingo, 4 de janeiro de 2004
Por falar nisso
Já que o assunto é "O Senhor dos Anéis", acho que já deu tempo de a maioria ver o "Retorno do Rei", de maneira que se pode comentá-lo sem estragar a surpresa. Novamente tenho que fazer um esclarecimento: li o livro pela primeira vez há quase trinta anos e não me canso de relê-lo. Vale também lembrar minha opinião sobre os dois episódios anteriores no cinema:
A Irmandade* do Anel: Gosto do filme. O diretor Peter Jackson tirou passagens importantes (Tom Bombadil e o espírito da sepultura) e simplificou situações (a fuga de Frodo do Shire*, o Conselho de Elrond e os motivos que levam Aragorn a não ocupar o trono), mas essas alterações não influíam demais no andamento da história e tornavam o filme mais ágil. Discordo do meu irmão Gil e acho que o perfil dos personagens foi razoavelmente preservado.
As Duas Torres: Detesto figadalmente. Neste, Jackson inventou situações esdrúxulas (elfos na batalha do Elmo, Aragorn brigando com Legolas, Frodo brigando com Sam etc.), e deturpou feio quatro personagens: Theodén, que passa a ser um isolacionista, Elrond, que despreza os humanos (apesar de ser meio-humano), Faramir, que vira um pau mandando, e, a mais grave, Barba-de-Árvore*, que aparentemente ignora a destruição que Saruman promove em sua floresta.
Já o filme novo exige uma análise dupla. Por um lado, é um dos melhores filmes de ação épica que já vi. A batalha de Pelennor é, na minha modesta opinião, a mais impressionante da História do cinema. A concepção de efeitos especiais nunca mais vai ser a mesma depois do trabalho magnífico da equipe de Jackson. Além disso, ele consegue arrancar excelentes performances até mesmo de atores sofríveis, como Viggo Mortensen.
E Shelob*... Graças à computação gráfica, a equipe de Jackson criou a mais monstruosa aranha de todos os tempos. Anteriormente, aranhas eram modelos mal feitos e mal articulados, como em "A Mosca da Cabeça Branca" ou justaposições de imagens que não permitiam interação entre os personagens, como em "O Incrível Homem que Encolheu". Agora, não. A aranha tem todos os movimentos reais e, na tela, interage o tempo todo com Frodo e Sam. Para alguém com uma aracnofobia igual à minha, foi um momento de terror puro.
Por outro lado... Jackson nem introduziu muita coisa, mas tirou partes fundamentais da história. A primeira foi o confronte entre Gandalf e Saruman. É o momento em que fica claro o tremendo aumento do poder daquele. Além disso, o texto de Tolkien teria ficado magistral nas vozes de Ian McKelan e Christopher Lee. Mas cena inteira foi limada.
Mas o pior foi a volta dos hobbits para casa. Tolkien concebeu sua história como um círculo. Ao voltarem da guerra, Frodo, Sam, Merry e Pippin encontram seu país destruído e tomado por criminosos. Cabe a eles, com o conhecimento, a força e a confiança que adquiriram, sublevar o povo e expulsar os bandidos. O confronto com o líder deles (se você não leu o livro, não vou entregar quem é) é um fecho perfeito. Mas Jackson limou tudo.
Pena. Vamos ver se isso melhora na inevitável versão extendida.
* Caso alguém estranhe esses nomes, eu me recuso a usar as invenções da infeliz tradução na última edição brasileira. Lenita Maria Rimoli Esteves pode ser mestre em tradução, mas não entende chongas de Tolkien e usou critérios no mínimo discutíveis. A culpa nem é dela, mas de quem escalou uma especialista em Joyce para traduzir "O Senhor dos Anéis". São estilos e até filosofias literárias completamente diferentes.
Tolkien era lingüista. Ele inventou idiomas, mas, ao contrário de Joyce, não tinha qualquer pretensão de reinventar o inglês. Ele trabalhava com a lógica das línguas germânica, que permitem justapor duas palavras, formando uma terceira. Daí Imladris, que fica num estreito vale, chamar-se Rivendell (riven=fenda e dell=vale), literalmente "Vale Fendido" ou "Vale da Fenda". Vai Dona Lenita Maria e tasca "Valfenda", que serve apenas de túmulo da eufonia.
Uma melhor ainda: o cavalo cinzento (não branco) de Gandalf movia-se tão rapidamente que mal podia ser visto. Quando corria, as pessoas percebiam somente uma sombra passando. Daí ser chamado de Shadowfax, algo como "Feixe de Sombra" ou "Facho de Sombra" (escolhido pela excelente tradução portuguesa). Nossa especialista em Joyce tirou (sabe-se lá de onde) Scadufax. Shelob ("aranha fêmea" em inglês arcaico) virou Laracna, e por aí vai.
Sinceramente, se eu fosse dono de curso de inglês, faria um propaganda com essas porcalhadas e diria "venha estudar conosco para nunca mais aturar tradutores pirados".
Já que o assunto é "O Senhor dos Anéis", acho que já deu tempo de a maioria ver o "Retorno do Rei", de maneira que se pode comentá-lo sem estragar a surpresa. Novamente tenho que fazer um esclarecimento: li o livro pela primeira vez há quase trinta anos e não me canso de relê-lo. Vale também lembrar minha opinião sobre os dois episódios anteriores no cinema:
A Irmandade* do Anel: Gosto do filme. O diretor Peter Jackson tirou passagens importantes (Tom Bombadil e o espírito da sepultura) e simplificou situações (a fuga de Frodo do Shire*, o Conselho de Elrond e os motivos que levam Aragorn a não ocupar o trono), mas essas alterações não influíam demais no andamento da história e tornavam o filme mais ágil. Discordo do meu irmão Gil e acho que o perfil dos personagens foi razoavelmente preservado.
As Duas Torres: Detesto figadalmente. Neste, Jackson inventou situações esdrúxulas (elfos na batalha do Elmo, Aragorn brigando com Legolas, Frodo brigando com Sam etc.), e deturpou feio quatro personagens: Theodén, que passa a ser um isolacionista, Elrond, que despreza os humanos (apesar de ser meio-humano), Faramir, que vira um pau mandando, e, a mais grave, Barba-de-Árvore*, que aparentemente ignora a destruição que Saruman promove em sua floresta.
Já o filme novo exige uma análise dupla. Por um lado, é um dos melhores filmes de ação épica que já vi. A batalha de Pelennor é, na minha modesta opinião, a mais impressionante da História do cinema. A concepção de efeitos especiais nunca mais vai ser a mesma depois do trabalho magnífico da equipe de Jackson. Além disso, ele consegue arrancar excelentes performances até mesmo de atores sofríveis, como Viggo Mortensen.
E Shelob*... Graças à computação gráfica, a equipe de Jackson criou a mais monstruosa aranha de todos os tempos. Anteriormente, aranhas eram modelos mal feitos e mal articulados, como em "A Mosca da Cabeça Branca" ou justaposições de imagens que não permitiam interação entre os personagens, como em "O Incrível Homem que Encolheu". Agora, não. A aranha tem todos os movimentos reais e, na tela, interage o tempo todo com Frodo e Sam. Para alguém com uma aracnofobia igual à minha, foi um momento de terror puro.
Por outro lado... Jackson nem introduziu muita coisa, mas tirou partes fundamentais da história. A primeira foi o confronte entre Gandalf e Saruman. É o momento em que fica claro o tremendo aumento do poder daquele. Além disso, o texto de Tolkien teria ficado magistral nas vozes de Ian McKelan e Christopher Lee. Mas cena inteira foi limada.
Mas o pior foi a volta dos hobbits para casa. Tolkien concebeu sua história como um círculo. Ao voltarem da guerra, Frodo, Sam, Merry e Pippin encontram seu país destruído e tomado por criminosos. Cabe a eles, com o conhecimento, a força e a confiança que adquiriram, sublevar o povo e expulsar os bandidos. O confronto com o líder deles (se você não leu o livro, não vou entregar quem é) é um fecho perfeito. Mas Jackson limou tudo.
Pena. Vamos ver se isso melhora na inevitável versão extendida.
* Caso alguém estranhe esses nomes, eu me recuso a usar as invenções da infeliz tradução na última edição brasileira. Lenita Maria Rimoli Esteves pode ser mestre em tradução, mas não entende chongas de Tolkien e usou critérios no mínimo discutíveis. A culpa nem é dela, mas de quem escalou uma especialista em Joyce para traduzir "O Senhor dos Anéis". São estilos e até filosofias literárias completamente diferentes.
Tolkien era lingüista. Ele inventou idiomas, mas, ao contrário de Joyce, não tinha qualquer pretensão de reinventar o inglês. Ele trabalhava com a lógica das línguas germânica, que permitem justapor duas palavras, formando uma terceira. Daí Imladris, que fica num estreito vale, chamar-se Rivendell (riven=fenda e dell=vale), literalmente "Vale Fendido" ou "Vale da Fenda". Vai Dona Lenita Maria e tasca "Valfenda", que serve apenas de túmulo da eufonia.
Uma melhor ainda: o cavalo cinzento (não branco) de Gandalf movia-se tão rapidamente que mal podia ser visto. Quando corria, as pessoas percebiam somente uma sombra passando. Daí ser chamado de Shadowfax, algo como "Feixe de Sombra" ou "Facho de Sombra" (escolhido pela excelente tradução portuguesa). Nossa especialista em Joyce tirou (sabe-se lá de onde) Scadufax. Shelob ("aranha fêmea" em inglês arcaico) virou Laracna, e por aí vai.
Sinceramente, se eu fosse dono de curso de inglês, faria um propaganda com essas porcalhadas e diria "venha estudar conosco para nunca mais aturar tradutores pirados".
Dance in the dark night
Que o “Senhor dos Anéis” influenciou uma penca de gente é manjado. Mas às vezes a extensão da influência surpreende. Por exemplo, na música The Battle Of Evermore, do Led Zeppelin, a frase “the ringwraiths ride in black” (“os espectros do anel cavalgam de preto”) entrega essa referência.
Agora, minha querida Claudia Manes (valeu, Doc!) mandou-me este site, no qual o autor disseca toda a letra e afirma – a meu ver, com razão – que ela inteira se refere à batalha de Pelennor, ponto alto do “Retorno do Rei”.
Vão lá e confiram.
Que o “Senhor dos Anéis” influenciou uma penca de gente é manjado. Mas às vezes a extensão da influência surpreende. Por exemplo, na música The Battle Of Evermore, do Led Zeppelin, a frase “the ringwraiths ride in black” (“os espectros do anel cavalgam de preto”) entrega essa referência.
Agora, minha querida Claudia Manes (valeu, Doc!) mandou-me este site, no qual o autor disseca toda a letra e afirma – a meu ver, com razão – que ela inteira se refere à batalha de Pelennor, ponto alto do “Retorno do Rei”.
Vão lá e confiram.
Sing to the morning light
Aproveitando o ensejo, seguem aqui a letra e a tradução (meio porquinha):
“The Battle Of Evermore” (Page/Plant)
The Queen of Light took her bow
And then she turned to go,
The Prince of Peace embraced the gloom
And walked the night alone
Oh, dance in the dark night
Sing to the morning light
The Dark Lord rides in force tonight
And time will tell us all
Oh, throw down your plow and hoe
Rest not to lock your homes
Side by side we wait the might
Of the darkest of them all
I hear the horses’ thunder
Down in the valley below,
I’m waiting for the angels of Avalon
Waiting for the eastern glow
The apples of the valley hold
The seeds of happiness,
The ground is rich from tender care
Repay, do not forget, no, no
Oh, dance in the dark night
Sing to the morning light
The apples turn to brown and black
The tyrant’s face is red
Oh, war is the common cry,
Pick up your sword and fly
The sky is filled with good and bad
That mortals never know
Oh, well the night is long,
The beads of time pass slow,
Tired eyes on the sunrise
Waiting for the eastern glow
The pain of war cannot exceed
The woe of aftermath,
The drums will shake the castle wall
The Ring Wraiths ride in black, ride on!
Sing as you raise your bow,
Shoot straighter than before
No comfort has the fire at night
That lights the face so cold
Oh, dance in the dark night
Sing to the morning light
The magic runes are writ in gold
To bring the balance back
Bring it back...
At last the sun is shinning,
The clouds of blue roll by,
With flames form the dragon of darkness
The sunlight blinds his eyes
“A Batalha de Eternamente”
A Rainha de Luz pegou seu arco
E então virou-se para partir,
O Príncipe de Paz abraçou a escuridão
E caminhou sozinho na noite
Oh, dance na noite escura
Cante à luz matutina
O Senhor das Trevas cavalga com vigor esta noite
E o tempo nos contará tudo
Oh, joguem ao chão seu arado e enxada
Não percam tempo em fechar suas casas
Lado a lado nós esperamos a força
Do mais sombrio de todos
Eu ouço o trovão dos cavalos
Vindo do vale abaixo
Eu espero pelos anjos de Avalon
Espero pelo brilho oriental
As maçãs de vale contêm
As sementes de felicidade,
O chão é rico devido ao cuidado carinhoso
Retribua, não esqueça, não, não
Oh, dance na noite escura
Cante à luz matutina
As maçãs tornam-se marrons e negras
A face do tirano é vermelha
Oh, guerra é o grito comum,
Apanhe sua espada e corra
O céu está cheio de Bem e Mal
Que os mortais jamais conhecem
Oh, bem, a noite é longa,
As contas do tempo passam lentamente
Olhos cansados no amanhecer
Esperam pelo brilho oriental
A dor de guerra não pode exceder
A aflição de resultado,
Os tambores sacudirão o muro de castelo
Os Espectros do Anel cavalgam de preto, cavalgue!
Cante enquanto ergue seu arco,
Atire mais diretamente que antes
Não há conforto no fogo à noite
Que ilumina o rosto tão frio
Oh, dance na noite escura
Cante à luz matutina
As runas mágicas estão escritas em ouro
Trazendo de volta o equilíbrio
Traga de volta...
Afinal o sol esta brilhando,
As nuvens azuis seguem ao vento,
Com as chamas do dragão de escuridão
A luz do Sol cega seus olhos
Aproveitando o ensejo, seguem aqui a letra e a tradução (meio porquinha):
“The Battle Of Evermore” (Page/Plant)
The Queen of Light took her bow
And then she turned to go,
The Prince of Peace embraced the gloom
And walked the night alone
Oh, dance in the dark night
Sing to the morning light
The Dark Lord rides in force tonight
And time will tell us all
Oh, throw down your plow and hoe
Rest not to lock your homes
Side by side we wait the might
Of the darkest of them all
I hear the horses’ thunder
Down in the valley below,
I’m waiting for the angels of Avalon
Waiting for the eastern glow
The apples of the valley hold
The seeds of happiness,
The ground is rich from tender care
Repay, do not forget, no, no
Oh, dance in the dark night
Sing to the morning light
The apples turn to brown and black
The tyrant’s face is red
Oh, war is the common cry,
Pick up your sword and fly
The sky is filled with good and bad
That mortals never know
Oh, well the night is long,
The beads of time pass slow,
Tired eyes on the sunrise
Waiting for the eastern glow
The pain of war cannot exceed
The woe of aftermath,
The drums will shake the castle wall
The Ring Wraiths ride in black, ride on!
Sing as you raise your bow,
Shoot straighter than before
No comfort has the fire at night
That lights the face so cold
Oh, dance in the dark night
Sing to the morning light
The magic runes are writ in gold
To bring the balance back
Bring it back...
At last the sun is shinning,
The clouds of blue roll by,
With flames form the dragon of darkness
The sunlight blinds his eyes
“A Batalha de Eternamente”
A Rainha de Luz pegou seu arco
E então virou-se para partir,
O Príncipe de Paz abraçou a escuridão
E caminhou sozinho na noite
Oh, dance na noite escura
Cante à luz matutina
O Senhor das Trevas cavalga com vigor esta noite
E o tempo nos contará tudo
Oh, joguem ao chão seu arado e enxada
Não percam tempo em fechar suas casas
Lado a lado nós esperamos a força
Do mais sombrio de todos
Eu ouço o trovão dos cavalos
Vindo do vale abaixo
Eu espero pelos anjos de Avalon
Espero pelo brilho oriental
As maçãs de vale contêm
As sementes de felicidade,
O chão é rico devido ao cuidado carinhoso
Retribua, não esqueça, não, não
Oh, dance na noite escura
Cante à luz matutina
As maçãs tornam-se marrons e negras
A face do tirano é vermelha
Oh, guerra é o grito comum,
Apanhe sua espada e corra
O céu está cheio de Bem e Mal
Que os mortais jamais conhecem
Oh, bem, a noite é longa,
As contas do tempo passam lentamente
Olhos cansados no amanhecer
Esperam pelo brilho oriental
A dor de guerra não pode exceder
A aflição de resultado,
Os tambores sacudirão o muro de castelo
Os Espectros do Anel cavalgam de preto, cavalgue!
Cante enquanto ergue seu arco,
Atire mais diretamente que antes
Não há conforto no fogo à noite
Que ilumina o rosto tão frio
Oh, dance na noite escura
Cante à luz matutina
As runas mágicas estão escritas em ouro
Trazendo de volta o equilíbrio
Traga de volta...
Afinal o sol esta brilhando,
As nuvens azuis seguem ao vento,
Com as chamas do dragão de escuridão
A luz do Sol cega seus olhos
quinta-feira, 1 de janeiro de 2004
Leni vive
Passei o Reveillon em Niterói, onde se têm duas queimas de fogos (a belíssima de Icaraí e outra linda lá longe em Botafogo). O que atrapalhou um pouco foi o palco de um show evangélico no qual um pastor tangia seu gado em altíssimo volume (esses caras acham que Jesus é surdo) ao som da banda “O Triunfo da Vontade”.
Quer dizer, esse certamente não era o nome do grupo, mas bem que podia ser. É que os caras eram muito competentes, fazendo um instrumental de alta qualidade. Daí (guardadas as devidas proporções, claro) ter lembrado o filme homônimo de Leni Riefenstahl sobre a convenção do partido nazista em 1934. Um primor técnico, mas com um tema, eh, bem...
Passei o Reveillon em Niterói, onde se têm duas queimas de fogos (a belíssima de Icaraí e outra linda lá longe em Botafogo). O que atrapalhou um pouco foi o palco de um show evangélico no qual um pastor tangia seu gado em altíssimo volume (esses caras acham que Jesus é surdo) ao som da banda “O Triunfo da Vontade”.
Quer dizer, esse certamente não era o nome do grupo, mas bem que podia ser. É que os caras eram muito competentes, fazendo um instrumental de alta qualidade. Daí (guardadas as devidas proporções, claro) ter lembrado o filme homônimo de Leni Riefenstahl sobre a convenção do partido nazista em 1934. Um primor técnico, mas com um tema, eh, bem...
Momento ecológico
Havia na rua um sujeito que nasceu sem braços ou pernas. Seu pés atrofiados eram ligados à bacia, e as mãozinhas aos ombros. O pobre coitado, chamado carinhosamente de “toquinho” pelos vizinhos e parentes, precisava ser carregado o tempo todo.
Um dia, com pena do rapaz, os vizinhos decidiram levá-lo à praia. Toquinho ficou feliz da vida diante do mar. Colocado na beirinha d’água, deliciava-se com a marola tocando-lhe a pele. Estava tão bem e tão tranqüilo que os amigos, entre uma cervejinha e outra acabaram esquecendo dele.
O problema é que a maré começou a subir, e Toquinho foi entrando em desespero, pois não conseguia sair da areia fofa. Deitado de costas e já em pânico, ele não conseguia falar ou respirar, pois a água já chegara no seu rosto.
Eis que passa um ecologista pela praia, vê o desespero do Toquinho, corre na direção dele. Só que, em vez de puxá-lo para a areia seca, leva-o ainda mais para dentro d’água, vira-o de bruços, empurra-o para o fundo e diz, com lágrimas de alegria nos olhos:
- Vai, cumpre o seu destino, tartaruguinha.
Cometida pelo Flávio Falcão
Havia na rua um sujeito que nasceu sem braços ou pernas. Seu pés atrofiados eram ligados à bacia, e as mãozinhas aos ombros. O pobre coitado, chamado carinhosamente de “toquinho” pelos vizinhos e parentes, precisava ser carregado o tempo todo.
Um dia, com pena do rapaz, os vizinhos decidiram levá-lo à praia. Toquinho ficou feliz da vida diante do mar. Colocado na beirinha d’água, deliciava-se com a marola tocando-lhe a pele. Estava tão bem e tão tranqüilo que os amigos, entre uma cervejinha e outra acabaram esquecendo dele.
O problema é que a maré começou a subir, e Toquinho foi entrando em desespero, pois não conseguia sair da areia fofa. Deitado de costas e já em pânico, ele não conseguia falar ou respirar, pois a água já chegara no seu rosto.
Eis que passa um ecologista pela praia, vê o desespero do Toquinho, corre na direção dele. Só que, em vez de puxá-lo para a areia seca, leva-o ainda mais para dentro d’água, vira-o de bruços, empurra-o para o fundo e diz, com lágrimas de alegria nos olhos:
- Vai, cumpre o seu destino, tartaruguinha.
Cometida pelo Flávio Falcão
quarta-feira, 31 de dezembro de 2003
quinta-feira, 25 de dezembro de 2003
Essa vai longe II
Minha sobrinha Beatriz, que acaba de fazer dois anos, ganhou de minha irmã uma carteira, que veio cheia de notinhas de brinquedo – para ela comprar água de coco. Na ida seguinte ao shopping, ela vibrou ao ver o quiosque da dita água, mas mostrou que já sabe como melhorar na vida.
– Coco, mamãe. Coco!
– Isso, filhinha. Vamos comprar água de coco e você paga com seu dinheirinho (a vendedora já estava mancomunada para aceitar as notas de brinquedo).
– Não, tutu neném, não. Tutu papai, tutu papai.
Finalmente apareceu alguém na família com vocação pra juntar dinheiro.
Minha sobrinha Beatriz, que acaba de fazer dois anos, ganhou de minha irmã uma carteira, que veio cheia de notinhas de brinquedo – para ela comprar água de coco. Na ida seguinte ao shopping, ela vibrou ao ver o quiosque da dita água, mas mostrou que já sabe como melhorar na vida.
– Coco, mamãe. Coco!
– Isso, filhinha. Vamos comprar água de coco e você paga com seu dinheirinho (a vendedora já estava mancomunada para aceitar as notas de brinquedo).
– Não, tutu neném, não. Tutu papai, tutu papai.
Finalmente apareceu alguém na família com vocação pra juntar dinheiro.
domingo, 21 de dezembro de 2003
Valeu, Sir Paul
Ganhei de amigo oculto (gracias, Marcelo) o CD Let It Be... Naked, do Beatles. Como se sabe, é a versão crua de Let It Be, da qual Paul McCartney tirou as firulas do produtor Phil Spector. Antes de mais nada, por uma questão de honestidade, quero deixar claro que não sou fã dos Beatles. Gosto de diversas músicas deles, mas não tenho a relação de fanatismo que a maioria cultua.
Apesar disso – ou talvez por isso –, gostei muito do resultado. O disco parece fluir melhor, com mais coesão. Sem falar que a nova versão conseguiu algo que sempre achei impossível: fez “The Long And Winding Road” deixar de ser uma canção irremediavelmente brega. Aquelas cordas e aquele coral pareciam saídos direto de uma vinheta do programa Haroldo de Andrade. Agora é uma música lenta e romântica tocada por uma banda de rock, com ênfase no piano, mas também com guitarra, baixo e, bem, eh... bateria.
Falando nisso, longe de mim vilipendiar a religião alheia, mas, putz, o Ringo é realmente de lascar. Possivelmente o sujeito mais fraco a ganhar a vida como baterista profissional – antes, claro de os punks redefinirem os padrões de mediocridade musical, claro.
Ganhei de amigo oculto (gracias, Marcelo) o CD Let It Be... Naked, do Beatles. Como se sabe, é a versão crua de Let It Be, da qual Paul McCartney tirou as firulas do produtor Phil Spector. Antes de mais nada, por uma questão de honestidade, quero deixar claro que não sou fã dos Beatles. Gosto de diversas músicas deles, mas não tenho a relação de fanatismo que a maioria cultua.
Apesar disso – ou talvez por isso –, gostei muito do resultado. O disco parece fluir melhor, com mais coesão. Sem falar que a nova versão conseguiu algo que sempre achei impossível: fez “The Long And Winding Road” deixar de ser uma canção irremediavelmente brega. Aquelas cordas e aquele coral pareciam saídos direto de uma vinheta do programa Haroldo de Andrade. Agora é uma música lenta e romântica tocada por uma banda de rock, com ênfase no piano, mas também com guitarra, baixo e, bem, eh... bateria.
Falando nisso, longe de mim vilipendiar a religião alheia, mas, putz, o Ringo é realmente de lascar. Possivelmente o sujeito mais fraco a ganhar a vida como baterista profissional – antes, claro de os punks redefinirem os padrões de mediocridade musical, claro.
Rock’n’roll neonatal
Vejam que injustiça. Estamos organizando o chá-de-bebê/chá-de-fralda de Luísa (nossa filhota, com estréia prevista para o começo de fevereiro). Sendo minha filha, certamente será roqueira. Logo, eu queria incluir o DVD novo do Rush na lista de presentes. Não é que Cristina vetou?
Vejam que injustiça. Estamos organizando o chá-de-bebê/chá-de-fralda de Luísa (nossa filhota, com estréia prevista para o começo de fevereiro). Sendo minha filha, certamente será roqueira. Logo, eu queria incluir o DVD novo do Rush na lista de presentes. Não é que Cristina vetou?
quinta-feira, 18 de dezembro de 2003
terça-feira, 16 de dezembro de 2003
Saudades do idioma
Hoje de manhã eu estava vendo uma reportagem na TV que falava de avanços científicos no combate ao crime, tendo como gancho a primeira condenação no Brasil de um homicida com base exclusivamente nos testes de DNA.
Aí lembrei de uma aula de biologia há uns 25 anos, quando ouvi falar pela primeira vez de DNA, só que não era DNA. Naquela época ainda nos referíamos ao ácido desoxiribo-nucleico com ADN. Somando-se a essa curiosa inversão de siglas o fato de sermos o único país latino no qual a Síndrome de Imuno-Deficiência Adquirida é chamada de Aids e não de Sida, fica bem claro que estamos perdendo o idioma.
Não se trata de ser contra estrangeirismos – acho restaurante (do francês restaurant) muito melhor que “casa de pasto” –, mas, quando começamos a usar siglas em inglês para palavras em português e a mudar o sentido de nossas palavras, a coisa realmente complica. “Penalizado”, que quer dizer “com pena de” já virou sinônimo de “punido”. Mesmo no auge da influência francesa no Brasil, “portanto” não ganhou o sentido de “entretanto”.
Claro que a má qualidade da educação ajuda a matar a língua. As pessoas hoje não conhecem mais a lógica do idioma. Gente com nível superior não é capaz de se fazer entender falando, o que dirá escrevendo. Qual a saída? Não faço a menor idéia – e isso torna ainda mais triste o cenário.
Hoje de manhã eu estava vendo uma reportagem na TV que falava de avanços científicos no combate ao crime, tendo como gancho a primeira condenação no Brasil de um homicida com base exclusivamente nos testes de DNA.
Aí lembrei de uma aula de biologia há uns 25 anos, quando ouvi falar pela primeira vez de DNA, só que não era DNA. Naquela época ainda nos referíamos ao ácido desoxiribo-nucleico com ADN. Somando-se a essa curiosa inversão de siglas o fato de sermos o único país latino no qual a Síndrome de Imuno-Deficiência Adquirida é chamada de Aids e não de Sida, fica bem claro que estamos perdendo o idioma.
Não se trata de ser contra estrangeirismos – acho restaurante (do francês restaurant) muito melhor que “casa de pasto” –, mas, quando começamos a usar siglas em inglês para palavras em português e a mudar o sentido de nossas palavras, a coisa realmente complica. “Penalizado”, que quer dizer “com pena de” já virou sinônimo de “punido”. Mesmo no auge da influência francesa no Brasil, “portanto” não ganhou o sentido de “entretanto”.
Claro que a má qualidade da educação ajuda a matar a língua. As pessoas hoje não conhecem mais a lógica do idioma. Gente com nível superior não é capaz de se fazer entender falando, o que dirá escrevendo. Qual a saída? Não faço a menor idéia – e isso torna ainda mais triste o cenário.
domingo, 14 de dezembro de 2003
Campeã absoluta
Depois da renúncia de Fujimori e de uma outra penca de roubadas de sábado e domingo, a captura de Saddam Hussein garante a minha prezada Cláudia Sarmento o troféu César Seabra de Pé Frio em plantões de fim-de-semana no Globo.
Cesão, inspirador desse prêmio, tem em seu currículo, entre outras, as mortes de PC Farias e dos Mamonas Assassinas, sempre quando ele estava de plantão na primeira página do jornal.
Depois da renúncia de Fujimori e de uma outra penca de roubadas de sábado e domingo, a captura de Saddam Hussein garante a minha prezada Cláudia Sarmento o troféu César Seabra de Pé Frio em plantões de fim-de-semana no Globo.
Cesão, inspirador desse prêmio, tem em seu currículo, entre outras, as mortes de PC Farias e dos Mamonas Assassinas, sempre quando ele estava de plantão na primeira página do jornal.
terça-feira, 9 de dezembro de 2003
Efeito infalível
No Japão descobriram o Viagra para a mulher.
O nome que deram lá é Taron.
Quando você dá o Taron pra mulher, dizem os japoneses, "ela fica alegre, carinhosa ao extremo. Te beija e abraça o dia inteiro e a noite inteirinha. Não dá sossego a noite toda. Ela quer transar quantas vezes você agüentar. Só te chama de meu amor, minha vida, te adoro. Te amo!"
Aí , perguntaram para o Japonês:
- Poxa, este produto é fantástico mesmo?
- Sim, sim! Galantido, non? Funciona mesmo! Non falha, non!
- Mas o nome é mesmo... Taron?
- Sim! É taron, taron de cheque.
Enviada por Nuno
No Japão descobriram o Viagra para a mulher.
O nome que deram lá é Taron.
Quando você dá o Taron pra mulher, dizem os japoneses, "ela fica alegre, carinhosa ao extremo. Te beija e abraça o dia inteiro e a noite inteirinha. Não dá sossego a noite toda. Ela quer transar quantas vezes você agüentar. Só te chama de meu amor, minha vida, te adoro. Te amo!"
Aí , perguntaram para o Japonês:
- Poxa, este produto é fantástico mesmo?
- Sim, sim! Galantido, non? Funciona mesmo! Non falha, non!
- Mas o nome é mesmo... Taron?
- Sim! É taron, taron de cheque.
Enviada por Nuno
sexta-feira, 5 de dezembro de 2003
Alegria da mulherada
O que é um PF?
É um "Personal Fucker".
Sim, foi o que você entendeu.
Um "Personal Fucker". Para quem ainda não arrumou um cara legal, digno de namoro (recolhidos pelo Ibama, portanto fora do mercado), faça de alguém seu PF.
Para que serve?
PF (Personal Fucker) é a nova modalidade de sexo ao seu alcance.
Considerando que sexo é uma necessidade física comum a todos, o PF torna-se item indispensável. Para as felizardas que já tem onde se aninhar, ótimo. Mas no dia que precisarem, saibam também como ter seu PF de cada dia.
Como conseguir um?
Para ter um PF, você tem que estar disposta a abrir mão do romantismo, do mão na mão, do sorvete no entardecer.
O escolhido para ser o seu, não pode ser alguém que você namoraria, e sim, alguém pelo qual você sente um tesão incontrolável,aquele tesão estilo TPM. Nada de compromissos, que compromisso é coisa de na-mo-ra-do. Se quiser compromisso, nada feito. Seu negócio não é PF.
Fortes candidatos
Geralmente são seus amigos antigos (com quem você não tem mais muito contato e pretende agora ter aquele contato), amigos do seu ex, pessoas que você não vê há muito tempo e pessoas que você nunca viu mesmo e está vendo agora. Não valem ex-namorados, nem casinhos antigos, daqueles que ainda deixam a perna bamba.
A experiência tem que ser nova para os dois.
Pois sendo ele o seu PF, você passa a ser o PF dele.
Maiores definições
Trata-se de uma amizade colorida dos tempos modernos.
Vocês são amigos, mas não trocam confidências e dividem os ambientes mais íntimos entre duas pessoas: a cama, o banheiro, a sauna, a pia, o chão, o estacionamento e os degraus da escada. O lugar não tem muita importância, desde que você também não espante o rapaz levando-o para um chalezinho cinco estrelas decorado com flores-do-campo. Você sabe, cinco estrelas e flores-do-campo são coisas de na-mo-ra-do.
Instruções
Você pode ter liberdade com seu PF, mas dentro de alguns limites, claro.
Vale ligar a qualquer hora do dia, propondo um encontro casual. Vale ligar depois de tomar alguns gorós, quando bate aquela carência sexual. E também vale ligar propondo uma massagem básica. Só não vale ficar mal se ele não puder ir ao seu encontro. PFs são ótimos para realizar aquelas fantasias sexuais que você sempre teve vontade de realizar, mas nunca teve coragem. Vale gritar, escancarar, fazer tudo aquilo que você sempre quis. O máximo que pode acontecer é, quando você estiver fazendo seu strip em cima da mesa da sala cantando Madonna, ele dizer pra você parar, porque está morrendo de vontade de rir... e você ter que procurar outro PF.
O que é um PF?
É um "Personal Fucker".
Sim, foi o que você entendeu.
Um "Personal Fucker". Para quem ainda não arrumou um cara legal, digno de namoro (recolhidos pelo Ibama, portanto fora do mercado), faça de alguém seu PF.
Para que serve?
PF (Personal Fucker) é a nova modalidade de sexo ao seu alcance.
Considerando que sexo é uma necessidade física comum a todos, o PF torna-se item indispensável. Para as felizardas que já tem onde se aninhar, ótimo. Mas no dia que precisarem, saibam também como ter seu PF de cada dia.
Como conseguir um?
Para ter um PF, você tem que estar disposta a abrir mão do romantismo, do mão na mão, do sorvete no entardecer.
O escolhido para ser o seu, não pode ser alguém que você namoraria, e sim, alguém pelo qual você sente um tesão incontrolável,aquele tesão estilo TPM. Nada de compromissos, que compromisso é coisa de na-mo-ra-do. Se quiser compromisso, nada feito. Seu negócio não é PF.
Fortes candidatos
Geralmente são seus amigos antigos (com quem você não tem mais muito contato e pretende agora ter aquele contato), amigos do seu ex, pessoas que você não vê há muito tempo e pessoas que você nunca viu mesmo e está vendo agora. Não valem ex-namorados, nem casinhos antigos, daqueles que ainda deixam a perna bamba.
A experiência tem que ser nova para os dois.
Pois sendo ele o seu PF, você passa a ser o PF dele.
Maiores definições
Trata-se de uma amizade colorida dos tempos modernos.
Vocês são amigos, mas não trocam confidências e dividem os ambientes mais íntimos entre duas pessoas: a cama, o banheiro, a sauna, a pia, o chão, o estacionamento e os degraus da escada. O lugar não tem muita importância, desde que você também não espante o rapaz levando-o para um chalezinho cinco estrelas decorado com flores-do-campo. Você sabe, cinco estrelas e flores-do-campo são coisas de na-mo-ra-do.
Instruções
Você pode ter liberdade com seu PF, mas dentro de alguns limites, claro.
Vale ligar a qualquer hora do dia, propondo um encontro casual. Vale ligar depois de tomar alguns gorós, quando bate aquela carência sexual. E também vale ligar propondo uma massagem básica. Só não vale ficar mal se ele não puder ir ao seu encontro. PFs são ótimos para realizar aquelas fantasias sexuais que você sempre teve vontade de realizar, mas nunca teve coragem. Vale gritar, escancarar, fazer tudo aquilo que você sempre quis. O máximo que pode acontecer é, quando você estiver fazendo seu strip em cima da mesa da sala cantando Madonna, ele dizer pra você parar, porque está morrendo de vontade de rir... e você ter que procurar outro PF.
Sem discussão
Mesmo para aqueles que não encaram o doce suplício da profissão de jornalista, vale a pena ler este artigo de Alberto Dines esta semana no Observatório da Imprensa. No texto, ele entra num tema tão espinhoso quanto explosivo: o debate, ou melhor, a falta de debate a respeito da maioridade penal depois da comoção causada pelo assassinato de Liana Friedenbach e Felipe Caffé, em São Paulo.
Dines critica com muita propriedade a postura do governo e da patrulha politicamente correta de barrar qualquer discussão que envolva alguma revisão do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, sem nenhuma ironia com a sigla). A crítica é importante porque essa patrulha usa o próprio observatório como tribuna, adotando com ampliada virulência a mesma técnica do ex-presidente FHC. Quando criticado, em vez de responder às críticas, ele desqualificava os críticos (neobobos, nhém-nhém-nhém etc.). Só faltava chamá-los de feios, chatos e cocozentos.
Assim, quem defende qualquer mudança na lei é tachado de fascista e assassino, mesmo que, na véspera, fosse campeão dos Direitos Humanos - aliás, volto a esse tema em outra ocasião. A questão é que existem duas correntes que tratam do assunto como se fossem torcidas de times de futebol. De um lado, os que vêem a pena a um criminoso (ou infrator, sendo menor - coisas da semântica) como um instrumento de reabilitação e ressocialização. Do outro, os que a encaram como segregação e proteção da sociedade.
O problema é que os dois lados estão certos. O objetivo de uma prisão é punir pela privação da liberdade e reabilitar, proteger a sociedade de um indivíduo que a ameaça e proporcionar-lhe possibilidades de ser novamente inserido nessa sociedade. São situações complementares, não conflitantes. Precisamos de lei e procedimentos jurídicos que punam quem comete crimes (ou infrações) e instituições que os recuperem - ou, no caso dos irrecuperáveis, isolem. Infelizmente temos o contrário.
Na prática, a lei hoje iguala o menor que rouba uma maçã para comer ao que estupra e mata. São ambos enfiados numa Febem ou num Padre Severino, de onde aquele vai sair invariavelmente pior do que entrou e este não vai melhorar em nada. Mas me pergunto por que motivo as pessoas que brigam tanto para manter a maioridade penal em 18 anos não fazem tanto barulho nem tentam mobilizar a sociedade para melhorar o sistema de atendimento a menores infratores.
Pessoalmente, sou contra o conceito de maioridade ou minoridade penal. Acho que cada caso deve ser avaliado isoladamente, envolvendo aspectos criminais, psicológicos e sociais. Hoje, um menor não pode ficar mais de três anos internado, independentemente do crime (desculpe, infração) que tenha cometido. Três anos vão recuperar o assassino de Liana e Felipe, por melhor que seja a instituição em que o internem? Reservo-me o direito de duvidar muito disso.
Mudar a maioridade penal (ou, como eu preferiria, acabar com ela) não vai resolver o problema da delinqüência infanto-juvenil. Claro que não, pois não existem soluções mágicas. É preciso investir, e muito, em educação, assistência social, geração de emprego etc. etc. Mas vai reduzir a sensação de impunidade, que sabota qualquer esforço sério para lidar com a violência cometida por menores.
Infelizmente, como lembra o Dines, tem gente que não quer ao menos discutir o assunto.
Mesmo para aqueles que não encaram o doce suplício da profissão de jornalista, vale a pena ler este artigo de Alberto Dines esta semana no Observatório da Imprensa. No texto, ele entra num tema tão espinhoso quanto explosivo: o debate, ou melhor, a falta de debate a respeito da maioridade penal depois da comoção causada pelo assassinato de Liana Friedenbach e Felipe Caffé, em São Paulo.
Dines critica com muita propriedade a postura do governo e da patrulha politicamente correta de barrar qualquer discussão que envolva alguma revisão do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, sem nenhuma ironia com a sigla). A crítica é importante porque essa patrulha usa o próprio observatório como tribuna, adotando com ampliada virulência a mesma técnica do ex-presidente FHC. Quando criticado, em vez de responder às críticas, ele desqualificava os críticos (neobobos, nhém-nhém-nhém etc.). Só faltava chamá-los de feios, chatos e cocozentos.
Assim, quem defende qualquer mudança na lei é tachado de fascista e assassino, mesmo que, na véspera, fosse campeão dos Direitos Humanos - aliás, volto a esse tema em outra ocasião. A questão é que existem duas correntes que tratam do assunto como se fossem torcidas de times de futebol. De um lado, os que vêem a pena a um criminoso (ou infrator, sendo menor - coisas da semântica) como um instrumento de reabilitação e ressocialização. Do outro, os que a encaram como segregação e proteção da sociedade.
O problema é que os dois lados estão certos. O objetivo de uma prisão é punir pela privação da liberdade e reabilitar, proteger a sociedade de um indivíduo que a ameaça e proporcionar-lhe possibilidades de ser novamente inserido nessa sociedade. São situações complementares, não conflitantes. Precisamos de lei e procedimentos jurídicos que punam quem comete crimes (ou infrações) e instituições que os recuperem - ou, no caso dos irrecuperáveis, isolem. Infelizmente temos o contrário.
Na prática, a lei hoje iguala o menor que rouba uma maçã para comer ao que estupra e mata. São ambos enfiados numa Febem ou num Padre Severino, de onde aquele vai sair invariavelmente pior do que entrou e este não vai melhorar em nada. Mas me pergunto por que motivo as pessoas que brigam tanto para manter a maioridade penal em 18 anos não fazem tanto barulho nem tentam mobilizar a sociedade para melhorar o sistema de atendimento a menores infratores.
Pessoalmente, sou contra o conceito de maioridade ou minoridade penal. Acho que cada caso deve ser avaliado isoladamente, envolvendo aspectos criminais, psicológicos e sociais. Hoje, um menor não pode ficar mais de três anos internado, independentemente do crime (desculpe, infração) que tenha cometido. Três anos vão recuperar o assassino de Liana e Felipe, por melhor que seja a instituição em que o internem? Reservo-me o direito de duvidar muito disso.
Mudar a maioridade penal (ou, como eu preferiria, acabar com ela) não vai resolver o problema da delinqüência infanto-juvenil. Claro que não, pois não existem soluções mágicas. É preciso investir, e muito, em educação, assistência social, geração de emprego etc. etc. Mas vai reduzir a sensação de impunidade, que sabota qualquer esforço sério para lidar com a violência cometida por menores.
Infelizmente, como lembra o Dines, tem gente que não quer ao menos discutir o assunto.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2003
Velha rotina
Diz o noticiário que, apesar dos protestos do governo de Israel, Collin Powell mantém o encontro com o negociador palestino do acordo de paz alternativo proposto em Genebra, Yasser Abed Rabbo. Não chega a ser bem uma novidade. Há tempos que os palestinos só participam desse processo com o Rabbo.
Diz o noticiário que, apesar dos protestos do governo de Israel, Collin Powell mantém o encontro com o negociador palestino do acordo de paz alternativo proposto em Genebra, Yasser Abed Rabbo. Não chega a ser bem uma novidade. Há tempos que os palestinos só participam desse processo com o Rabbo.
terça-feira, 2 de dezembro de 2003
Como não ser roubado no McDonald's
A única maneira realmente segura de não ser garfado no McDonald´s é não botar os pés lá. Mas, se o nobre visitante é como eu e não resiste a um Cheddar McMelt, vão aqui três dicas:
1) Peça refrigerante sem gelo. Num copo de 500ml eles enfiam modestamente 150ml de gelo. O distinto paga pela Coca Light, mas leva mais de um quinto da boa e velha H2O - nada contra ela, mas custa bem menos. Se quiser realmente irritá-los, peça o gelo num copinho separado.
Esse trambique envolve ainda uma propaganda enganosa, pois um aviso malocado na parede da loja diz que o gelo é para conservar a temperatura e o sabor da bebida. Pombas, refrigerantes são fórmulas químicas. O gelo derrete e acrescenta água a essa composição química, alterando, e muito, o sabor.
2) Fique de olho na batata frita. Em geral os atendentes do McDonald´s não são lá muito empenhados na hora de encher as embalagens de batata. O caso nem é tão grave na pequena, que vem num saquinho de papel flexível. Na média e na grande, cuja embalagem é de um papelão mais rígido, eles deitam e rolam. Não desdobram a embalagem totalmente, escorregam a batata para dentro e o balconista, também malandro, bota a embalagem deitada na bandeja. Um consumidor distraído acha que está cheinho. Mas basta botar a embalagem de pé que logo aparecem as listas amarelas do fundo.
Aí você reclama, o balconista vai lá, bota a embalagem numa balancinha e volta dizendo que "está no padrão". Dois detalhes: a balança é inclinada, logo, o sujeito nunca larga inteiramente a embalagem; e você não sabe qual "o padrão", pois não está escrito em lugar algum. O cara pode dizer que o padrão é 200g, 150g ou 10g.
Um dia desses isso aconteceu comigo. Reclamei, e o gerente disse que o padrão era com "a embalagem normal" - o que ele insinuava é que eu apertara a embalagem dos lados para ela ficar mais larga. Eu pedi licença ao cliente ao lado no caixa, cuja batata acabara de ser posta deitadinha na bandeja, peguei a embalagem pela lingüeta de papelão atrás e, sem exercer qualquer pressão, coloquei-a de pé. Com a gravidade, viu-se que o conteúdo mal chegava a dois terços da capacidade. Em vez de uma, o imbecil do gerente teve que recarregar duas batatas.
3) Nunca, jamais, sob hipótese alguma peça a entrega a domicílio, pois eles vão ignorar solenemente todas as suas orientações. E nem pense em ligar para reclamar, pois vão lhe empurrar de um lado para outro sem solução.
Caso para o Procon
A única maneira realmente segura de não ser garfado no McDonald´s é não botar os pés lá. Mas, se o nobre visitante é como eu e não resiste a um Cheddar McMelt, vão aqui três dicas:
1) Peça refrigerante sem gelo. Num copo de 500ml eles enfiam modestamente 150ml de gelo. O distinto paga pela Coca Light, mas leva mais de um quinto da boa e velha H2O - nada contra ela, mas custa bem menos. Se quiser realmente irritá-los, peça o gelo num copinho separado.
Esse trambique envolve ainda uma propaganda enganosa, pois um aviso malocado na parede da loja diz que o gelo é para conservar a temperatura e o sabor da bebida. Pombas, refrigerantes são fórmulas químicas. O gelo derrete e acrescenta água a essa composição química, alterando, e muito, o sabor.
2) Fique de olho na batata frita. Em geral os atendentes do McDonald´s não são lá muito empenhados na hora de encher as embalagens de batata. O caso nem é tão grave na pequena, que vem num saquinho de papel flexível. Na média e na grande, cuja embalagem é de um papelão mais rígido, eles deitam e rolam. Não desdobram a embalagem totalmente, escorregam a batata para dentro e o balconista, também malandro, bota a embalagem deitada na bandeja. Um consumidor distraído acha que está cheinho. Mas basta botar a embalagem de pé que logo aparecem as listas amarelas do fundo.
Aí você reclama, o balconista vai lá, bota a embalagem numa balancinha e volta dizendo que "está no padrão". Dois detalhes: a balança é inclinada, logo, o sujeito nunca larga inteiramente a embalagem; e você não sabe qual "o padrão", pois não está escrito em lugar algum. O cara pode dizer que o padrão é 200g, 150g ou 10g.
Um dia desses isso aconteceu comigo. Reclamei, e o gerente disse que o padrão era com "a embalagem normal" - o que ele insinuava é que eu apertara a embalagem dos lados para ela ficar mais larga. Eu pedi licença ao cliente ao lado no caixa, cuja batata acabara de ser posta deitadinha na bandeja, peguei a embalagem pela lingüeta de papelão atrás e, sem exercer qualquer pressão, coloquei-a de pé. Com a gravidade, viu-se que o conteúdo mal chegava a dois terços da capacidade. Em vez de uma, o imbecil do gerente teve que recarregar duas batatas.
3) Nunca, jamais, sob hipótese alguma peça a entrega a domicílio, pois eles vão ignorar solenemente todas as suas orientações. E nem pense em ligar para reclamar, pois vão lhe empurrar de um lado para outro sem solução.
Caso para o Procon
Um candidato, rápido!
Sou um marxista convicto. Acho que o homem mais sábio de todos os tempos foi Marx. Groucho...
No antológico Diabo a Quatro, em dado momento ele diz: “Uma criança de quatro anos entende esse plano. Alguém me arranje uma criança de quatro anos.”
Lembrei-me disso ao ler no excelente site de pesquisas de opinião Polling Report que até um poste venceria George W. Bush na campanha para a reeleição no ano que vem. O problema é que os democratas ainda não conseguiram um poste para se candidatar.
Segundo as pesquisas feitas em novembro, há um empate técnico entre os eleitores inclinados a votar em Bush (47%) e não inclinados (48%). Apenas 42% acham que ele merece ser reeleito, contra 46% contrários.
Entretanto, quando a pesquisa testa o confronto direto entre ele os seis (isso mesmo, meia dúzia) pré-candidatos do Partido Democrata, Bush ganha mole de todos.
Tudo bem, Bob Fields (que reencarne como couro de zabumba na Feira de São Cristóvão) dizia que estatística é quem nem biquíni: mostra tudo, menos o mais importante. Mas esse números mostram que, ou os democratas arranjam um candidato que entusiasme, ou vão perder uma das eleições mais moles que já tiveram.
Sou um marxista convicto. Acho que o homem mais sábio de todos os tempos foi Marx. Groucho...
No antológico Diabo a Quatro, em dado momento ele diz: “Uma criança de quatro anos entende esse plano. Alguém me arranje uma criança de quatro anos.”
Lembrei-me disso ao ler no excelente site de pesquisas de opinião Polling Report que até um poste venceria George W. Bush na campanha para a reeleição no ano que vem. O problema é que os democratas ainda não conseguiram um poste para se candidatar.
Segundo as pesquisas feitas em novembro, há um empate técnico entre os eleitores inclinados a votar em Bush (47%) e não inclinados (48%). Apenas 42% acham que ele merece ser reeleito, contra 46% contrários.
Entretanto, quando a pesquisa testa o confronto direto entre ele os seis (isso mesmo, meia dúzia) pré-candidatos do Partido Democrata, Bush ganha mole de todos.
Tudo bem, Bob Fields (que reencarne como couro de zabumba na Feira de São Cristóvão) dizia que estatística é quem nem biquíni: mostra tudo, menos o mais importante. Mas esse números mostram que, ou os democratas arranjam um candidato que entusiasme, ou vão perder uma das eleições mais moles que já tiveram.
quinta-feira, 13 de novembro de 2003
Só divagação
Hoje eu vi numa livraria um belo livro importado de História sobre as nossas raízes orientais. A ilustração da capa traz um busto de um faraó egípcio e uma estátua de Buda. Só não comprei porque as minhas vacas andam mais magras que aquela mocréia do seriado Ally McBeal.
Voltando ao assunto, alguma coisa ali não bateu direito na minha cabeça. Depois me toquei do que era. O conceito do Egito como “oriental” é, no mínimo bizarro. Ou melhor, é apenas cultural, não geográfico. Quer ver só? A longitude de Atenas é 23 graus e 43 minutos a Leste de Greenwich. A do Cairo é 31 graus e vinte minutos. Realmente, o Egito está a Leste da Grécia, seria Oriente.
Mas Jerusalém tem como longitude 35 graus e treze minutos. Ninguém se refere ao Judaísmo como uma cultura oriental. Muito menos o Cristianismo – apesar de este ser uma acochambração do próprio Judaísmo com o Masdaísmo da Pérsia, que está mais a Leste ainda.
Alguém tem que lembrar ao autor que, em termos de geografia, a Estrela de Davi e até a cruz são bem mais orientais que o Olho de Hórus.
Hoje eu vi numa livraria um belo livro importado de História sobre as nossas raízes orientais. A ilustração da capa traz um busto de um faraó egípcio e uma estátua de Buda. Só não comprei porque as minhas vacas andam mais magras que aquela mocréia do seriado Ally McBeal.
Voltando ao assunto, alguma coisa ali não bateu direito na minha cabeça. Depois me toquei do que era. O conceito do Egito como “oriental” é, no mínimo bizarro. Ou melhor, é apenas cultural, não geográfico. Quer ver só? A longitude de Atenas é 23 graus e 43 minutos a Leste de Greenwich. A do Cairo é 31 graus e vinte minutos. Realmente, o Egito está a Leste da Grécia, seria Oriente.
Mas Jerusalém tem como longitude 35 graus e treze minutos. Ninguém se refere ao Judaísmo como uma cultura oriental. Muito menos o Cristianismo – apesar de este ser uma acochambração do próprio Judaísmo com o Masdaísmo da Pérsia, que está mais a Leste ainda.
Alguém tem que lembrar ao autor que, em termos de geografia, a Estrela de Davi e até a cruz são bem mais orientais que o Olho de Hórus.
quarta-feira, 5 de novembro de 2003
Trevas cariocas
Há um ano, quando as urnas decretaram quatro anos de obscurantismo cor-de-rosa para o Estado do Rio, eu comentei com amigos que iríamos encarar uma dobradinha do lumpesinato evangélico com a banda podre da polícia. Hoje esses dois exemplos do que o Rio de Janeiro produziu de pior tiveram momentos de glória graças à caneta malsã da nossa governadora diminutiva.
Primeiro ela exonerou o secretário de Direitos Humanos, João Luiz Duboc Pinaud, que havia denunciado e investigava a morte sob tortura de um comerciante num presídio. Deu com isso um inequívoco sinal verde à facção da polícia que considera moer um preso de pancada a forma mais eficiente de investigação.
Depois, vetou a lei (aprovada por 52 votos a 2 na Alerj) que institui o ensino religioso ecumênico nas escolas públicas. Pela lei, professores laicos falarão sobre ética religiosa, história comparada das religiões etc. Mas nossa “juíza Moore” dos pobres quer ensino confessional, catecismo em sala de aula, sob tutela das igrejas e às custas do dinheiro público. E ainda prometeu recorrer da liminar que cancelou o concurso para catequista, quer dizer, professor de religião. Qualquer semelhança com as escolas do regime Talibã não é mera coincidência. Resta a tênue esperança de que a Alerj derrube o veto e a Justiça mantenha a liminar.
O pior é que ela foi eleita em primeiro turno, o que me deixa profundamente preocupado com o tipo de população que o carioca está se tornando.
Há um ano, quando as urnas decretaram quatro anos de obscurantismo cor-de-rosa para o Estado do Rio, eu comentei com amigos que iríamos encarar uma dobradinha do lumpesinato evangélico com a banda podre da polícia. Hoje esses dois exemplos do que o Rio de Janeiro produziu de pior tiveram momentos de glória graças à caneta malsã da nossa governadora diminutiva.
Primeiro ela exonerou o secretário de Direitos Humanos, João Luiz Duboc Pinaud, que havia denunciado e investigava a morte sob tortura de um comerciante num presídio. Deu com isso um inequívoco sinal verde à facção da polícia que considera moer um preso de pancada a forma mais eficiente de investigação.
Depois, vetou a lei (aprovada por 52 votos a 2 na Alerj) que institui o ensino religioso ecumênico nas escolas públicas. Pela lei, professores laicos falarão sobre ética religiosa, história comparada das religiões etc. Mas nossa “juíza Moore” dos pobres quer ensino confessional, catecismo em sala de aula, sob tutela das igrejas e às custas do dinheiro público. E ainda prometeu recorrer da liminar que cancelou o concurso para catequista, quer dizer, professor de religião. Qualquer semelhança com as escolas do regime Talibã não é mera coincidência. Resta a tênue esperança de que a Alerj derrube o veto e a Justiça mantenha a liminar.
O pior é que ela foi eleita em primeiro turno, o que me deixa profundamente preocupado com o tipo de população que o carioca está se tornando.