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terça-feira, 12 de julho de 2005

A dona do puteiro

A dona do puteiro

Reflexões de uma cafetina brasiliense:

"Baixa tanto político no meu privê que coloquei o nome do estabelecimento de 'Metida Provisória'. Esta semana, com tanta gente para me aparecer, adivinha quem resolve dar o ar da graça? Severino.

"Depois dizem que puta é mulher de vida fácil. Fácil? Quero ver encarar. Se um milhão de pessoas vaiaram o sujeito vestido, imagina sem roupa. Mas nada que cinco notas de cem não o transformem num Suplicy. Vem com a mamãe, Severino. Apaguei as luzes por motivos óbvios. Desci com a mão até o baixo clero, mas o dito-cujo era nanico. Pensei: É, Severino, está precisando conseguir um aumento pro rapaz aqui, hein? Para incentivar, comecei a falar umas palavras de 'baixo escalão':

"- Vem, Severo. Me chama de Congresso e me desarruma. Pensa que eu sou o governo e me mete o pau. Finge que eu sou teu filho e me bota lá dentro. Pensa que eu sou o orçamento e acaba comigo. Vai, Severo. Finge que eu sou o povo e me leva à loucura.

"O Severo deve ter gostado. Tanto que começou a dizer que ia me tirar dessa vida, que ia me arrumar um emprego no Congresso e coisa e tal. Isso já é 'neputismo', pensei. Mas, como ele conseguiu transformar o Congresso numa zona, até faz sentido..."

Cortesia da Marcela

sábado, 9 de julho de 2005

Questão étnica

Questão étnica

Comentário na redação do Globo a respeito dos traços aparentemente orientais de José Adalberto Vieira da Silva:

"Cueca de japonês deve mesmo ter mais espaço pra levar dinheiro."

Caramuru! Caramuru!

Caramuru! Caramuru!

Strippers masculinos de todo o mundo estão marcando viagens ao Brasil para homenagear José Adalberto Vieira da Silva, diretor de Organização do PT do Ceará e assessor do irmão de José Genoíno. Devem estar imaginando que showzaço o cara deve ter dado para botarem cem mil dólares na cueca dele.

Está sendo considerado o messias da categoria.

Essa é da minha lavra mesmo.

quinta-feira, 7 de julho de 2005

Diálogos X-Crotos - Vida Real

Diálogos X-Crotos - Vida Real

Dois carinhas conversando sobre uma garota:

- Bem que eu queria convidar a fulana para jantar lá em casa. Sou doido pra dar uns pegas nela.
- Por que você não chama?
- Porque eu tenho medo de ela me dar um tapão na cara.
- Mas mesmo assim você sai no lucro. Pelo menos ela te deu alguma coisa.

Cortesia da Gwynn, que jura ter ouvido essa conversa.

terça-feira, 5 de julho de 2005

Valeu, Bill Gates

Valeu, Bill Gates

Os dispositivos de segurança do Windows XP salvaram minha pele agora. Volta e meia eu recebia e-mails supostamente do site O Carteiro, dizendo que fulana, beltrana ou sicrana tinha mandado um cartão para mim. Às vezes nem dava o nome das ditas cujas, dizia só "alguém especial". Eu nunca caí nessa por três motivos.

- Sou um sujeito casado que não sai abrindo cartão que outra mulher mande;

- Apesar de os nomes de "fulana, beltrana e sicrana" serem comuns, eu não conheço nenhuma mulher com aqueles nomes;

- Eu sou mocréio. Se recebo um cartão de uma admiradora secreta, tá na cara que é armadilha, a menos que venha de um servidor @pinel.gov.br.

Só que hoje quase que eu danço por conta da curiosidade jornalística. Recebi um e-mail de brasil@istoe.com.br com todo o lay out das matérias da revista, trazendo uma entrevista com a gerente financeira do Marcos Valério. Pelo texto, ela dizia temer virar o bode expiatório da história dos saques nas agências de publicidade e do mensalão, e abria o bico. Tinha até fotos dela (que já saíram na própria revista).

Abaixo da chamada e de algumas perguntas com respostas genéricas, havia um link para o texto completo em java e, abaixo, um "se o link acima não abrir, clique aqui", com um endereço (falso) da revista. O mané aqui, claro, clicou. A sorte é que o XP está com todos os dispositivos de segurança acionador e barrou a instalação de um worm.

Devo essa ao Bill Gates e aprendi a não ser tão idiota.

Cena brasiliense

Cena brasiliense

Um sujeito vai visitar um amigo deputado e aproveita para lhe pedir um emprego para o seu filho que tinha acabado de completar o supletivo do primeiro grau.
- Eu tenho uma vaga de assessor, só que o salário não é muito bom...
- Quanto é doutor?
- Pouco mais de dez mil reais!
- Dez mil? Mas é muito dinheiro para o garoto! Ele não vai saber o que fazer com tudo isso não, doutor! Não tem uma vaguinha mais modesta?
- Só se for para trabalhar na Assembléia. Meio período. E eles estão pagando sete mil!
- Ainda é muito, doutor! Isso vai acabar estragando o menino!
- Bom, então tenho de consultor. Estão pagando cinco mil reais.
- Isso tudo é muito. O senhor não tem um emprego que pagasse uns mil e quinhentos ou até dois mil reais?
- Ter eu até tenho. Mas aí e só por concurso e é para quem tem curso superior em Engenharia, Administração, Medicina, Economia, Direito ou Contabilidade... E ainda tem que ter Pós-Graduação e com bons conhecimentos em informática, além de fluência no Inglês, Francês e Espanhol...

Cortesia da Alê

quarta-feira, 29 de junho de 2005

Nada pessoal

Nada pessoal

Um brasileiro entra na polícia em plena Caxias do Sul e dirige-se ao delegado:
- Vim me entregar, cometi um crime e desde então não consigo viver em paz.
- Meu senhor, as leis aqui são muito severas e são cumpridas e se o senhor é mesmo culpado não haverá apelação nem dor de consciência que o livre da cadeia!
- Atropelei um argentino na estrada ao sul de Caxias.
- Ora meu amigo, como o senhor pode se culpar se estes argentinos atravessam as ruas e as estradas a todo o momento?
- Mas ele estava no acostamento.
- Se estava no acostamento é porque queria atravessar, se não fosse o senhor seria outro qualquer.
- Mas não tive nem a hombridade de avisar a família daquele homem, sou um crápula!
- Meu amigo, se o senhor tivesse avisado haveria manifestação, repúdio popular, passeata, repressão, pancadaria e morreria muito mais gente, acho o senhor um pacifista, merece uma estátua.
- Eu enterrei o pobre homem ali mesmo, na beira da estrada.
- O senhor é um grande humanista, enterrar um argentino, é um benfeitor, outro qualquer o abandonaria ali mesmo para ser comido por urubus e outros animais, provavelmente até hienas.
- Mas enquanto eu o enterrava, ele gritava: Estoy vivo, estoy vivo.
- Esses argentinos mentem muito...

Cortesia da Bete

domingo, 26 de junho de 2005

Quadrilha

Quadrilha

Cenário, uma mega-festa junina na Zona Oeste do Rio na tarde de domingo. Na hora da quadrilha, o animador dá o mote e os participantes respondem.

- Olha a cobra!
- É mentira!
- Olha a chuva!
- É mentira!
- Olha o mensalão de vinte milhões!
- É verdade!

Numa boa, quando a suspeita se arraiga nesse nível, não há como descolar.

sábado, 18 de junho de 2005

Soltaram o morcego

Soltaram o morcego

Batman begins não é o título ideal para o filme que acabo de ver. Nem me refiro à patuscada de usar no Brasil o título em inglês, não. Por uma questão de coerência com as versões anteriores, deveria se chamar Batman at last. Pela primeira vez se fez um filme cujo objetivo era contar a história do Homem-Morcego, não servir de veículo para os delírios visuais de Tim Burton ou as fantasias homoeróticas de Joel Schumacher.

Vi o primeiro Batman de Burton na estréia (estréia mesmo, primeira sessão no Odeon). Saí do cinema impressionado com o visual do filme, mas insatisfeito. Não era Batman, era "Batman de Tim Burton". Para transformar o baixinho e franzino Michael Keaton (um dos mais clássicos miscastings do cinema) no herói foi preciso enfiá-lo numa armadura que o transformou num Robocop. Aliás, até o Robocop tinha mais mobilidade que ele.

Transformar o Coringa no assassino do casal Wayne foi uma tijolada, jogando para escanteio a relação de contraponto entre ele e Batman. Da mesma forma, Burton "reinventou" o Pingüim e a Mulher Gato na continuação. Por fim - e esse é motivo de uma querela eterna aqui em casa - centrou suas histórias num personagem que não existe: Bruce Wayne.

Dos filmes de Schumacher nem vale a pena falar, ainda que eu considere Val Kilmer o Batman menos ruim daquele ciclo. No terceiro filme, Jim Carey (Charada) e Tommy Lee Jones (Duas-Caras) ficam disputando quem teria sido o melhor Coringa. Do quarto, então, com George Clooney, não há nada que se possa dizer de bom.

Chegamos então a esse. Vou tentar ao máximo não cometer spoilers. Num dado momento, um personagem fala a verdade que Burton preferiu ignorar: Bruce Wayne é a máscara. O personagem de verdade é Batman. Ainda que a fantasia de morcego só apareça na segunda metade, é Batman que está ali desde o começo, treinando com o personagem de Lian Nesson - uma espécie de Qui-Gon Jinn sith.

O filme é inspirado em Batman - Ano um, de Frank Miller - que, na época, chamávamos de "a mini-série do tenente Gordon". Personagens como o mafioso Falcone e o policial corrupto Flass estão lá. A seqüência final é quase idêntica à da revista, assim como um recurso engenhoso que Batman usa quando é encurralado pela Swat.

A personagem de Kate Holmes não é "a namorada do Batman". Ela é a pessoa do herói na promotoria, um papel que, na revista, era desempenhado pelo promotor Harvey Dent - futuro Duas-Caras. Christian Bale está excelente como Batman - excelente a ponto de não ser engolido por feras como Neeson, Michael Caine (Alfred), Morgan Freeman (Lucius Fox, o armeiro de Batman) e Gary Oldman (Gordon).

Dessa vez não há nada de risível ou patético nos vilões. Todos os outros eram, de alguma forma, vítimas. Falcone e o Espantalho não. São movidos por ganância e desejo de poder. Sem falar no vilão de verdade na história - aliás, o meu favorito entre os inimigos de Batman. Mas aí eu não posso detalhar, se não vira spoiler demais.

quinta-feira, 16 de junho de 2005

País do buraco

País do buraco

Acabo de atravessar a BR 235, que cruza Pernambuco, Bahia e Piauí. Tirando o trecho pernambucano, não da pra chamar aquilo de estrada. Onde havia acostamento de barro, era mais rápido seguir por ele, dada a inacreditável quantidade de buracos.

Na saída de Casa Nova (BA), um grupo de operários recapeava um trecho de não mais de 500 metros. Quer dizer, recapeava é gentileza minha. Como bem definiu nosso motorista, eles estavam "pintando o barro com cor de asfalto", de tão fina que era a camada. Uma chuva leve (como a que caía na região ontem) ou um caminhão vazio leva tudo embora.

Agora, como desenvolver as cidades da região sem produção? Como produzir sem levar os produtos aos centros consumidores? Como fazer esse transporte por vias tão precárias? E o turismo? Quem é um herói que vai fazer em seis horas uma viagem que mal levaria três, sacudindo como um peão nesses rodeios infames? Sem contar que o trajeto só pode ser feito de dia. À noite, juntam-se aos buracos hordas de assaltantes.

Ida e volta por aquela zona de bombardeio (ou queda de meteoros) me levou a constatar que, para fins de estradas, Brasil e Bahia não tem governo. Não é questão de ter governo incompetente. É não ter governo at all.

segunda-feira, 13 de junho de 2005

De Naya a Jackson

De Naya a Jackson

Não sei se serve de consolo, mas, pelo menos em termos de Justiça esculhambada, estamos pau a pau com os EUA.

quarta-feira, 8 de junho de 2005

Daí é que não sai nada

Daí é que não sai nada

Imagine a seguinte situação: No meio de uma partida de futebol, jogadores de um dos times denunciam ao juiz que um adversário deu um chute sem bola na canela do goleiro. O árbitro chama o suposto agressor e este, para se defender da acusação, mostra as mãos, para o juiz ver que não há marcas.

Conclusão? O cara está embromando o juiz. Se deu um chute, não haveria mesmo marcas nas mãos.

A situação pode parecer ridícula, mas é exatamente o que o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, está tentando fazer, segundo o noticiário. Pivô da atual crise política, ele ofereceu abrir mão dos sigilos fiscal e bancário.

Bonitinho, não? Só tem um problema: No momento, ele não é acusado de enriquecimento ilícito ou de sonegação fiscal. A acusação é que pagava mesada a deputados da escória aliada para votarem com o governo. É improbabilíssimo que ele usasse uma conta oficial para isso ou que declarasse ao fisco. A quebra dos sigilos, para citar o Analista de Bagé, é tão produtiva quando mijar num incêndio.

Será que ele não topa trocar pela quebra do sigilo telefônico de casa, do celular e do escritório? Aí é que pode estar uma pista.

segunda-feira, 6 de junho de 2005

De volta ao assunto

De volta ao assunto

Raciocínio (por si só maquiavélico) da Cristina: "Sei que é o cúmulo do maquiavelismo, mas e se o Roberto Jefferson inventou essa história há mais de um ano e foi falando dela com as pessoas para, quando viesse a público, elas confirmarem que tinham sido alertadas?"

O pior é que não é uma hipótese a ser descartada...

Pausa pra respirar II - A Missão

Pausa pra respirar II - A Missão

Depois de décadas de mistério, revelou-se a identidade de "Garganta Profunda", a secretíssima fonte de Bob Woodward e Karl Bernstein, do Washington Post, no caso Watergate. Fiquei pensando, se George Lucas tivesse dirigido Todos os Homens do Presidente, daqui a alguns meses teríamos uma versão revista do filme com um ator criado por computador vivendo Mark Felt, o então vice-diretor do FBI que fornecia informações para os repórteres.

Pausa pra respirar

Pausa pra respirar

Leio hoje que a Apple pretende adotar processadores Intel em seus computadores a partir do ano que vem. Durante anos meus amigos usuários de Mac - Pedro Doria e Octávio Aragão à frente - viviam deitando falação sobre a confiabilidade das maçãs. Não só do celebrado Mac-OS, mas do hardware propriamente dito. Parece que Steve Jobs não concorda...

Fico que imaginando a cara da turma que se divertia nas convenções de usuários de Apple com adesivos dizendo "Intel Outside"...

Cara a tapa

Cara a tapa

Por mais chocante que seja, tudo indica que a denúncia de Roberto Jefferson está se configurando como verdade, ainda que falte o revólver fumegante na mão de Delúbio Soares, tesoureiro do PT. Primeiro foi o deputado Miro Teixeira (PT-RJ) que confirmou ter recebido a denúncia de Jefferson quando era ministro das Comunicações. Miro disse que, na época, insistiu com Jefferson que a denúncia fosse levada a Lula, mas o deputado amarelou. Por isso, declarou hoje, não acreditava que ele tivesse, de fato, contado ao presidente. Mas deixou no ar que existem denúncias de corrupção ainda piores a caminho.

Eis que agora à noite o ministro Aldo Rabelo, da Coordenação Política, admitiu que Lula realmente recebeu a denúncia, mas sem os detalhes e a reação lacrimosa de que Jefferson falou. Por mais ridículo que pareça, a tônica da fala de Aldo que é as acusações não são contra o governo, mas contra "um partido". O "um partido", no caso é só o partido do presidente e da cúpula do governo. Parece ter feito pós-graduação na Escola George W. Bush de embromação política.

Mais cedo, o senador Aloísio Mercadante (PT-SP), que anda precisando tomar Simancol na veia, subiu à tribuna para garantir que Lula não tinha chorado. "Quem conhece o presidente Lula sabe que ele não é muito de chorar." Pombas, Lula cansou de ser sacaneado por chorar em qualquer solenidade.

A situação é muito triste, especialmente para ex-eleitores de Lula, como eu. Como Delúbio não é burro nem louco, não deve ser fácil provar a existência do mensalão. É improbabilíssimo que tenham sido usadas contas quentes. Por outro lado, vai ser igualmente difícil segurar uma CPI, uma vez que qualquer deputado que fique contra passa a ser suspeito de ter se beneficiado pela boquinha. Em vez de uma comissão para investigar a roubalheira de petebistas nos Correios, teremos uma para arregaçar em público as entranhas do partido do governo até a próxima eleição. Nunca, nem nos meus piores pesadelos, podia imaginar um cenário desses.

Ah, duas constatações importantes:

1) Roberto Jefferson é um artista. Pivô de denúncias de corrupção nos Correios e no IRB, conseguiu em um dia virar o jogo. A manchete do Globo hoje denunciava que seus apadrinhados manipulavam até R$ 4 bi. Dificilmente ele será réu nas manchetes de amanhã.

2) Pobre JB. A denúncia que sacudiu o país hoje pelas páginas da Folha tinha saído no jornal carioca no ano passado, atribuída então a Miro Teixeira. A absoluta falta de repercussão dá uma boa medida da pouca relevância do outrora sonho de consumo dos estudantes de jornalismo. Uma pena.

Me engana que eu gosto

Me engana que eu gosto

Diz o ditado que os Deuses estão nos detalhes. Acusado, como diria Chico Buarque, até de dar desfalque no banco dos réus, Roberto Jefferson diz que o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, pagava um mensalão a deputados dos partidos de aluguel na "base aliada". Os valores, diz ele, chegariam a R$ 30 mil.

Não que eu continue acreditando na lisura do PT, mas daí a Jefferson dizer que a prática não acontecia no governo anterior e, pior, que ele e o PTB não aceitaram, é abuso. Há que se ter um mínimo de respeito pela inteligência alheia.

sexta-feira, 3 de junho de 2005

Ser otário é tudo de bom

Ser otário é tudo de bom

Eu sou um otário. É serio. Não tenho nem nunca tive o gene da esperteza, o talento para bolar esquemas mirabolantes e a capacidade de "levar vantagem em tudo". Por conta disso, mês após mês tento (e raramente consigo) equilibrar o orçamento, trabalhando e fazendo eventuais frilas.

Claro que isso tem um lado positivo. Por reconhecer-me otário, eu nunca caio em golpes. Sempre que alguém me oferece um "negócio maravilhoso", uma "oportunidade em um milhão", acredito que o sujeito quer tirar vantagem da minha óbvia otarice. Como sei que não sou esperto, sempre amarelo. Talvez algum dia perca um "negócio maravilhoso" de verdade, mas até hoje só consegui escapar de furadas.

Porque esse é o detalhe: o mundo não está divido entre "otários" e "espertos", mas entre "otários", "espertos" e "muito espertos". Quem cai nos golpes dos muito espertos são os espertos, não os otários. Quando um muito esperto convida para participar, por exemplo, de um negócio que envolve desvio de verbas, um otário acha que vai ser descoberto e não entra. Um esperto acha que vai se dar bem e acaba ganhando um processo do Ministério Público.

Lembrei disso, entre outros motivos, ao ler hoje que empresários espertos morreram em R$ 300 milhões na mão de uma quadrilha que oferecia empréstimos internacionais a longuíssimo prazo e juros baixos. Qualquer otário que já precisou levantar uma grana no banco sabe que isso não existe. Mas os espertos acreditavam realmente que, pagando 10% do valor que pretendiam levantar, a grana viria molinha, molinha... Ah, para passar ao largo dos impostos - sonho dourado de todo esperto -, a grana seguia por doleiros em paraísos fiscais.

O esquema era bacana, envolvendo até escritórios de fachada na Quinta Avenida. Uma vez adiantado o dízimo (Por que será que toda instituição fraudulenta trabalha com dízimos?), o tal fundo negava o empréstimo alegando irregularidades na empresa do esperto. Como é mais fácil achar o Bordel das Normalistas do que uma empresa brasileira cem por cento limpa, não faltavam motivos para as negativas. Com as calças na mão, os espertos não tinham sequer como reaver o dinheiro, pois a remessa fora ilegal.

O esquema era tão bom que funcionou por quatro anos.

quinta-feira, 2 de junho de 2005

Falando nisso

Falando nisso

Tem dois artigos muito bons na imprensa online hoje sobre o desalentador quadro político. O primeiro, mais específico, de Ricardo A. Setti em no mínimo, chama a atenção para a manobra calhorda que um grupo de senadores petistas tentou armar em torno da CPI dos Correios. Eduardo Suplicy (SP), Christovam Buarque (DF), Serys Slhessarenko (MT), Ana Júlia Carepa (PA), Flávio Arns (PR) e Paulo Paim (RS) firmaram um acordo pelo qual assinariam o requerimento da CPI, mas só no último instante e se o governo conseguisse evitar a instalação. Posariam de paladinos da moralidade sem, efetivamente, terem contribuído para isso.

A cachorrada não deu certo porque Suplicy se antecipou e assinou o requerimento quando o governo ainda tentava comprar parlamentares. Foi criticado por Christovam e já se fala que o PT, em vingança, pode negar-lhe a vaga para concorrer à reeleição, em favor do aliado Orestes Quércia, cujos padrões éticos estão em maior sintonia com o governo, obviamente.

O segundo artigo, mais amplo, é de Hélio Schwartsman e está na Folha Online. Trata, fundamentalmente do ocaso do PT e da constatação de que o partido nunca teve de fato um projeto político para o país. Ao chegar no poder, repete (com menos eficiência) os mesmos vícios dos governos anteriores, o mesmo loteamento do governo para partidos que em vez de programa têm prontuário, o mesmo desprezo pelos compromissos éticos e históricos etc.

O agravante é que o atual governo foi eleito (inclusive por mim, devo lamentar) na esperança de mudar, ainda que minimamente, esse quadro. Ver Lula chamando Roberto Jefferson de parceiro e aliciando o PP de Maluf para evitar uma investigação sobre o PTB do mesmo Jefferson é algo que eu nunca esperei ver. Como lembra Schwartsman, a putrefação (o termo é meu) do PT reforça a idéia de que todo político é igual e abre caminho para o pior tipo de populismo - impossível nas ratazanas diminutivas que governam atualmente o Rio.

Só faltava essa

Só faltava essa

O Congresso dos Estados Unidos, que está longe de ser um exemplo de pensamento avançado, aprovou uma lei passando por cima da proibição de George W. Bush às pesquisas com células-tronco embrionárias. E já se articula para derrubar um eventual veto presidencial, num raro momento de união entre democratas e republicanos.

Ou seja, Lula conseguiu nomear um procurador-geral da República mais retrógrado que os políticos norte-americanos...

Aliás, entre fanáticos religiosos, nulidades administrativas e apadrinhados na cleptocracia política, a caneta do presidente anda fazendo mais estragos que os tornados.

quarta-feira, 1 de junho de 2005

Cabotino é a mãe

Cabotino é a mãe

Crianças, dêem uma conferida na materinha quem emplaquei em no.minimo hoje. O tema é Revelations, um notável fan film de quarenta minutos ambientado no universo de Guerra nas Estrelas. Para uma produção de fundo de quintal financiada pelo cartão de crédito estourado do diretor, é impressionante. Não é à toa que mais de um milhão de internautas (eu incluído) já baixaram gratuitamente o filme.

De quebra, confiram a crítica do Dapieve tecendo loas ao novo CD do Audioslave. Ainda não ouvi, mas concordo. O disco de estréia da nova turma de Chris Cornell foi, na minha radical opinião, a única coisa realmente boa em termos de rock a vir dos EUA nos últimos anos.

segunda-feira, 23 de maio de 2005

Caminho certo

Caminho certo

Descobri que há cerca de um mês o coronel Jarbas Passarinho - ministro de diversos ditadores do período pós-64 e signatário do AI-5 - escreveu um artigo no Jornal do Brasil criticando (sem citar abertamente) um artigo de Nossa História. Nessas horas eu sinto um tremendo orgulho da minha profissão.

segunda-feira, 16 de maio de 2005

Velha surda americana

Velha surda americana

Esse caso de Guarapari me lembrou os processos contra roqueiros nos anos 80 por conta de suicídios de fãs. O scritp era sempre o mesmo: algum guri com seriíssimos problemas psicológicos metia uma bala nas idéias, e a família, disposta a tudo para livrar a própria cara de qualquer responsabilidade, dizia que algum roqueiro satanista tinha induzido seu bebezinho a se matar. De quebra, processavam o infeliz para arrancar uns milhõezinhos de dólares.

Scorpions e Judas Priest sofreram processos desse tipo, mas o caso mais rumoroso envolveu Ozzy Osbourne. Em outubro de 1984, John McCollun, rapaz de 19 anos, matou-se ouvindo o disco Blizzard of Ozz. A família contratou o advogado Thomas Anderson, que processou o cantor alegando que a faixa "Suicide solution" fizera o rapaz estourar os miolos.

Aí começa a parte divertida. A tradução correta de "Suicide solution" é "Mistura suicida", não "Solução suicida". Ela fala de como o álcool pode acabar com uma pessoa e se refere a Bon Scott, vocalista do AC-DC, que bebeu até desmaiar no carro numa noite de inverno, morrendo de hipotermia. Se o título pode ter duplo sentido, a letra é bem explícita.

Anderson alegou - e apresentou o laudo de um certo Instituto de Pesquisas Bio-Acústicas (IBAR) para provar - que Ozzy incluíra na música uma mensagem subliminar que dizia "Shoot, shoot, get the gun, get the gun" ("Atire, atire, pegue a arma, pegue a arma"). A técnica usada tornaria a pessoa sugestionável à mensagem; no caso, a dar um tiro na cabeça. Por que só o pobre John foi afetado entre os milhões de pessoas que ouviram a canção (inclusive este que vos digita) era uma pergunta que Mr. Anderson preferia evitar.

A acusação, claro, caiu de madura. Ozzy foi absolvido em três processos. A tese de mensagem subliminar não resistiu à contestação no tribunal. Aliás, não sei que fim o tal IBAR levou, mas hoje as únicas referências a ele na Internet estão em sites sobre este caso.

O fim do processo não foi, pelo menos para Anderson, o fim da história. Durante anos ele capitalizou o caso. Numa entrevista, reproduzida no DVD de Ozzy Don't blame me, ele disse que foi a um show do cantor. "Não vi um sorriso", disse - era um show de Ozzy, não de Jerry Lewis, doutor. E insistiu nas mensagens subliminares, agora falando que a canção "Paranoid", gravada por Ozzy ainda como vocalista do Black Sabbath dizia: "I tell you to end you life, I wish I could but it's too late" ("Eu te mando acabar com a sua vida, queria poder mas é tarde demais"). Anderson bem que poderia substituir o saudoso Roni Rios no quadro da Velha Surda, pois a canção diz claramente: "I tell you to enjoy life" (Eu mando aproveitar a vida").

Mas o próprio Ozzy deu-lhe um refresco, contando que durante anos achou que Jimi Hendrix fosse viado. O motivo? Entendia "Excuse me, while I kiss the sky" ("Dá licença, enquanto eu beijo o céu") da canção psicodélica-chapadona "Purple haze", como "Excuse me, wanna kiss this guy" ("Dá licença, quero beijar esse cara"). Na certa foi muita cocaína.

Desculpas, desculpas...

Desculpas, desculpas...

Dois psicopatas assassinaram uma família em Guarapari (ES), roubaram pertences e dinheiro e jogaram a culpa no RPG que disputavam com a vítima. Bastou para que os boçais de sempre voltassem suas baterias contra o jogo, falando mesmo em proibição. Milhares de jovens (e não tão jovens assim) se divertem no Brasil com uma atividade que estimula leitura e imaginação, mas basta aparecerem dois anormais para o jogo virar estímulo à matança.

Vamos combinar uma coisa, então, da próxima vez que um maluco - como aquele pedófilo infanticida que atacou no Rio há alguns anos - cometer um crime dizendo ter sido inspirado por algum versículo particularmente sangrento ou pela pregação de um pastor, a gente proíbe a Bíblia. Pode ser?

Total what?

Total what?

É duro admitir, mas impossível negar. Eu sou geek. Pior, Total Geek. Clique aqui, faça o teste e veja se você também se enquadra.

Cortesia da minha querida Claudia Manes

quarta-feira, 11 de maio de 2005

Repita: baixo tem quatro cordas

Repita: baixo tem quatro cordas

Há muito, muito tempo, aqui mesmo nesta galáxia, eu estagiava no Globo quando uma colega de redação veio me mostrar uma matéria que ela estava fazendo sobre músicos de rua no Centro do Rio. Falava que o carro-chefe do repertório de um guitarrista era a canção "Stairway to Heaven", dos Rolling Stones. Claro que eu corrigi, informando que a música era do Led Zeppelin.

Um repórter de geral não precisa entender profundamente de música, de economia ou de esportes. Quando se vê diante de uma informação sobre um assunto que não domina, tem obrigação de checar com que entende. Essa lição antiga foi esquecida hoje pela normalmente cuidadosa Geral do Globo.

Na matéria sobre o show dos Rolling Stones no Rio, diz que o grupo fez um show surpresa na entrevista coletiva com dois baixistas: Darryl Jones e Ron Wood - que, aliás, virou Woods na chamada da página 2. Wood realmente tocou baixo... em 1968, no disco Truth, de Jeff Beck. Desde então é guitarrista. Uma checada rápida com o Segundo Caderno teria evitado o erro - agravado pelo fato de Wood aparecer na foto que ilustra o texto tocando uma guitarra, não um baixo.

terça-feira, 10 de maio de 2005

Em resumo... maluquetes

Em resumo... maluquetes

Conta meu pai que, durante uma palestra do saudoso Darcy Ribeiro no início dos anos 60, um estudante com pinta de porta-estandarte da TFP pediu um aparte e começou dizendo que era "um conservador", ao que o professor, cortante como sempre, replicou: "Só se for de fralda. E você lá tem idade pra ser conservador? Não viveu nada, vai conservar o quê?"

Tenho que confessar que nunca entendi exatamente o pensamento conservador, melhor dizendo, o pensamento dos conservadores. Não é que não entenda os postulados teóricos - não concordo, mas entendo. Também não tenho problemas em compreender os motivos para uma pessoa rica ou de classe média alta ser conservadora; afinal, é do interesse dela manter o conjunto de fatores que lhe permitiu a riqueza. O que não me entra na cabeça é o fascínio que esse tipo de pensamento exerce sobre pessoas que, invariavelmente, acabam prejudicadas quanto tais idéias são postas em prática.

Isso aqui no Brasil. Nos EUA, de onde importamos praticamente tudo que não presta, a coisa é ainda mais grave. Em seu livro What's the matter with Kansas? (Qual o problema com o Kansas?), o escritor Thomas Frank relata como a visão política da classe média norte-americana se descolou de seus problemas cotidianos. Ele lembra como, nos últimos trinta anos, a política dos EUA se tornou mais conservadora graças ao voto da classe média (assalariados e pequenos empresários), justamente o setor que mais perdeu em termos materiais com esse conservadorismo político. "Você pode ver o paradoxo na rua principal de qualquer cidadezinha no interior dos EUA. Avisos de que a loja está fechando dividem a vitrine com cartazes de apoio a George W. Bush", conta Frank.

Hoje, na revista virtual Slate, o articulista Timothy Noah dá conta de uma possível explicação (ainda que acabe não concordando): Os conservadores podem, simplesmente, não bater bem da bola. A conclusão está num estudo publicado há dois anos por pesquisadores de três universidades norte-americanas, entrevistando 22.818 pessoas em doze países.

Political conservatism as motivated social cognition (Conservadorismo político como percepção social motivada) identifica uma série de variáveis psicológicas associadas ao conservadorismo político. Segundo os autores, pessoas de níveis sociais mais baixos tendem a abraçar ideologias de direita diante de medo, ansiedade, dissonância, incerteza e instabilidade. O processo, aliás, acontece também em regimes totalitários de esquerda - que se tornam conservadores, no sentido de resistirem a mudanças. "Muitos esquerdistas em regimes totalitários comunistas exibiam a mesma rigidez de pensamento e outras características psicológicas que seriam, em outro contexto, associadas a direitistas", dizem.

Um dos conceitos mais interessantes com os quais trabalham é a "intolerância com a ambigüidade", que caracteriza uma visão dicotômica rígida em relação a tudo. Lembro-me que, na faculdade, um professor nos fez analisar a série de TV americana Wiseguy, que aqui foi exibida como O homem da Máfia. Nela, um agente do FBI era infiltrado numa família mafiosa para levantar provas contra o capo. Por envolver capítulos e não episódios, a série permitiu desenvolver melhor o perfil psicológico dos personagens. Isso, somado ao fato de se passar prioritariamente dentro da quadrilha, resultou em mafiosos que, embora fossem criminosos cruéis, tinham relações de amizade, carinho pela família etc. Durou quatro anos, a despeito de níveis de audiência nunca melhores que medianos. Na análise de críticos e teóricos, seus personagens multifacetados incomodavam o público conservador, que gosta de bandidos dando tiro em cachorro e batendo na mãe.

Outro conceito que vale olhar é o gerenciamento do terror. Diante de uma situação - real ou imaginária - que represente medo, o conservador tende a se agarrar a seus valores e a rejeitar outras visões. O terror, no caso, não se refere simplesmente ao medo da morte ou de uma violência física, mas ao medo do "outro", de tudo que possa ser diferente da visão de mundo do indivíduo. Daí o racismo, a xenofobia e a homofobia que, em diferentes níveis, permeiam o pensamento conservador em todo o mundo.

Sinceramente, acho que Noah descartou as conclusões do estudo baseado numa leitura muito preguiçosa. Em momento nenhum o texto diz, como ele dá a entender, que conservadores ou pessoas de classe média têm mais medo da morte que outras. O que está em questão é como esse medo é processado psicologicamente e como se reflete na visão de mundo dessas pessoas.

De qualquer forma, a idéia de que o conservadorismo tenha um componente psico-patológico abre caminho para uma esperança: a de que ele tenha cura.

Em tempo: Os americanos usam uma linguagem muito peculiar na política, que não se aplica em nenhum outro lugar do mundo. "Radical" significa "extremo-esquerdista", ainda que Bush seja um sujeito extremamente radical. "Liberal", que em qualquer outro lugar se aplica adeptos do liberalismo econômico, lá quer dizer "esquerdista" ou "centro-esquerdista". Os "conservadores" norte-americanos englobam liberais (economicamente falando), conservadores propriamente ditos, especialmente em assuntos religiosos e morais, e até anarquistas de direita - só nos EUA pra inventarem um troço desses...

quinta-feira, 5 de maio de 2005

Apocalipse revisado

Apocalipse revisado

Sabe aquele seu primo aborrecente revoltado-com-o-mundo e fã de Doom Metal que tatuou um 666 no peito pra chocar as tias nas festinhas de família? Parece que ele vai ter de voltar ao tatuador...

Diz hoje o jornal inglês Independent que o Número da Besta, citado no Livro das Revelações (13:18), seria 616 e não 666. Cientistas teriam decifrado o que seria um pequeno fragmento da mais antiga cópia do Apocalipse, escrita em grego arcaico no final do século III E.A., e deram de cara com o novo número.

Na verdade, o 616 não é exatamente inédito. Ele aparecia em outras poucas cópias, mas historiadores atribuíam-no a erros de copistas. A diferença desta vez está na idade do manuscrito. Embora os livros do Novo Testamento sejam atribuídos a apóstolos e cristãos primevos, não existem cópias que datem daquele período. O Apocalipse, por exemplo, é atribuído ao apóstolo João. Sendo contemporâneo de Jesus, qualquer texto seu teria, obrigatoriamente de ser escrito até, digamos, o terceiro quarto do século I. Entretanto, o fragmento em questão, datado de duzentos anos depois, seria a cópia mais antiga. O tal "erro de copistas" poderia, perfeitamente, ser o 666, então.

Ouvido pelo Independent, o professor David Parker, da Universidade de Birmingham (Inglaterra), disse que os números são resultados de gematria, um sistema que atribui valores numéricos a letras. Dessa forma, 616 se referiria ao imperador Calígula, que reinou de 37 a 41 E.A. Não deixa de ser uma referência curiosa, uma vez que Calígula, embora tenha aprontado muitas, não ficou famoso com perseguidor de cristãos.

De qualquer forma, vai ser curioso ver Bruce Dickinson cantar "Six, one, six, the number of the beast"...

Veja aqui o fragmento, encontrado junto com outros restos arqueológicos no Egito:

segunda-feira, 2 de maio de 2005

Presidente Alencar

Presidente Alencar

Recebi uma informação estarrecedora. O vice-presidente José Alencar estaria se preparando para assumir a Presidência da República. O motivo está numa entrevista concedida pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva à revista Caros Amigos em novembro de 2000, dois anos antes de ser eleito para o cargo atual. Confiram o que ele disse:

"Se eu ganhasse a Presidência para fazer o mesmo que o Fernando Henrique Cardoso está fazendo, preferiria que Deus me tirasse a vida antes. Para não passar vergonha. Porque, sabe o que acontece? Tem muita gente que tem direito de mentir, o direito de enganar. Eu não tenho. Há uma coisa que tenho como sagrada: é não perder o direito de olhar nos olhos de meus companheiros e de dormir com a consciência tranqüila de que a gente é capaz de cumprir cada palavra que a gente assume. E, quando não as cumprir, ter coragem de discutir por que não cumpriu".

Ou seja, na hora que Deus der uma conferida no que acontece por aqui, Lula empacota no ato.

quinta-feira, 28 de abril de 2005

Geopolítica anal

Geopolítica anal

Um árabe decide ir a uma suruba. Transa com várias mulheres de todas as maneiras. No troca-troca, se misturam alguns homens e acaba enrabado.

No dia seguinte começa a ter agudos e constantes remorsos do bacanal e vai até a mesquita para confessar-se com o Iman e assim obter o perdão. Começa a explicar sua noite devassa: "Tomei álcool, fiz sexo com outras mulheres que não as minhas e ao final fui enrabado." O Iman diz que é extremamente grave e que se quer ser perdoado deve voltar no dia seguinte com US$ 15.000,00 para a mesquita.

O árabe sai, feliz por ter achado a solução, mas incomodado com o monte de grana que terá que doar.

Em seu caminho passa por uma Igreja Católica. Reflete que apesar de não ser sua religião, talvez possa obter uma absolvição mais em conta...

Entra e fala com o padre: "Tomei bebidas, fiz sexo com várias mulheres a fui enrabado por um cara." O padre diz que não se preocupe; mesmo não sendo católico pode ajudar a paróquia e se quiser o perdão de Deus, deve voltar com US$ 8.500,00.

O árabe sai mais aliviado por ter conseguido um desconto no preço do pecado...

Caminha um pouco mais, passa na frente de uma Sinagoga e, claro, fica tentado em ver se pode conseguir um pouco mais barato. Por que não?

Entra, procura o rabino e conta-lhe que se bem que não seja judeu, ali está na sinagoga porque teve uma noite de orgia, bebeu muito, transou com várias mulheres, acabou enrabado e agora tem remorsos. O rabino o escuta atentamente e lhe diz que, para obter o perdão, que volte no dia seguinte com refrigerantes, biscoitos, bolos, doces e outras guloseimas e que tudo tem de ser, obviamente, kosher.

O árabe se surpreende, alegra-se por cumprir sua penitência por tão pouco e então pergunta ao rabino:

- É tudo que tenho que fazer? Porque o Iman pediu US$15.000,00, o padre
católico pediu US$8500,00? O senhor tem certeza de que o que está me pedindo é tudo?

O rabino responde:

- Absolutamente certo! É assim entre nós: cada vez que enrabam um árabe, nós comemoramos com uma festinha.

Cortesia do meu irmão Cócis

segunda-feira, 25 de abril de 2005

Depois reclamam quando a gente sacaneia

Depois reclamam quando a gente sacaneia

Ao ler esta matéria no domingo, no Globo, fiquei pensando nos estragos que a falta de um pouquinho de sexo faz ao cérebro humano. É bem verdade que se esses rapazes gostassem de sexo (com mulheres, por supuesto) teriam mais o que fazer em vez de ir a churrascaria comemorar eleição de Papa...

quarta-feira, 20 de abril de 2005

Descobriram a pólvora...

Descobriram a pólvora...

Diz a Folha que o Papa Bento XVI escolheu os jovens como alvo. Grandes coisas, os padres, especialmente os da arquidiocese de Boston, fizeram isso há um tempão.

terça-feira, 19 de abril de 2005

E eu, cara-pálida?

E eu, cara-pálida?

Lula pediu perdão aos negros pelo horror da escravidão e depois pediu perdão aos índios pelo genocídio. Que tal pedir perdão a mim por ter me embromado em 2002?

É o homem!

É o homem!

Descobri quem odeia a igreja católica mais do que eu: os cardeais do conclave.

Começa o pontificado de Bento XVI, até esta manhã conhecido como cardeal Josef Ratzinger. Tão conservador que, se Gengis Kahn foss um cardeal, Ratzinger estaria à direita. É contra qualquer reforma que modernize o catolicismo, contra o uso de preservativos no combate à Aids (mesmo que isso implique um genocídio na África), contra a ordenação de mulheres, contra o fim do celibato, contra o engajamento político (à esquerda, claro) do clero etc.

Para melhorar, Ratzinger vem da Alemanha, país de maioria protestante. A cúpula da igreja de seu país não gosta dele. Como todos os alemães de sua geração, teve de participar da juventude hitlerista - era criança e não tinha responsabilidade por isso, claro, mas não é uma lembrança agradável para franceses, holandeses, ingleses etc. Foi o responsável por um documento assinado por João Paulo II afirmando que o cristianismo era a única religião e que a igreja católica era verdadeira representante de Jesus. É esse sujeito que vai ter de dialogar com as demais denomiações cristãs e lidar com o mundo árabe.

Há uns 500 anos, a eleição de um sujeito com esse perfil representaria uma ameaça à civilização. Hoje, fora o potencial estrago na África, representa uma ameaça à própria igreja católica. Que seu reinado seja longo.

quinta-feira, 14 de abril de 2005

Infatilização é isso aí

Infatilização é isso aí

Enquanto os cardeais se preparam para o conclave que pode consagrar Josef Ratzinger como novo Papa (uhu!), andei pensando um pouco sobre a nota anterior, especialmente sobre a opinião de Leonardo Boff. Lembrei-me de um causo contado pelo historiador francês Serge Gruzinski, um dos maiores especialistas em história mexicana em todo o mundo, quando o entrevistei para o número 13 de Nossa História.

Conta ele que, no fim dos anos 90, com o avanço das seitas evangélicas no México - e de suas redes de TV -, firmou-se uma sólida parceria entre a Igreja Católica e a Televisa para um acontecimento que novamente impulsionaria o catolicismo no país: a canonização de Jan Diego, o índio humilde que teve a visão da Virgem de Guadalupe em 1531.

Aqui é necessário um parêntese. A Televisa, para quem não sabe, é o maior império de comunicação da América Espanhola. Tudo que a turma da teoria conspiratória imagina que a Globo faz por aqui, ela faz de fato em dezenas de países. Ainda que sua abrangência no México seja do gênero da que a Globo tinha nos anos 70 e 80, sua programação popularesca está mais para Record, mesmo.

Pois bem, toda essa máquina de mídia foi posta em movimento para enaltecer a biografia do "índio humilde" e os feitos da Santa Madre no México. Todos os dias os mexicanos eram lembrados que Juan Diego seguia para o catecismo quando, no topo da colina Tepeyac deu de cara com a Virgem Maria, que mandou-o dizer ao bispo para construir ali um santuário para ela. Enquanto isso, o Vaticano corria com a beatificação e a canonização do dito cujo, levada a cabo em 31 de julho de 2002.

Tudo muito bom, tudo muito bem, não fosse pela grita de parte do próprio clero mexicano. O motivo era bem simples e conhecido de qualquer historiador minimamente informado: O "índio humilde" Juan Diego é um personagem fictício. Quando os espanhóis invadiram o México, encontraram no topo da referida colina o concorrido santuário de uma divindade feminina asteca. Seguindo um padrão que fazia sucesso há mais de mil anos, transformaram a deusinha local numa santa (e não numa santa qualquer, mas na própria Virgem de Guadalupe) e construíram-lhe uma igreja sobre o local do santuário. A história de Juan Diego foi inventada pouco depois.

Esses clérigos reclamões - ligados, claro, à dita igreja progressista - achavam um absurdo que o Vaticano enfrentasse a mistificação e as armações dos pastores evangélicos com mais mistificação e armações. Ainda mais em parceria com a Televisa, que não é exatamente uma organização livre de pecado.

O resultado? Foram todos perseguidos e enquadrados. Não podiam lecionar, pregar nem publicar - e o "índio humilde" virou santo com toda a pompa e circunstância. Como disse o ex-frade brasileiro, "um esforço de normatização da fé, de mediocrização das inteligências e uma infantilização dos cristãos".

Mas, cá entre nós, temos que dar um desconto ao Vaticano. Se existência de fato dos personagens e comprovação historiográfica significassem alguma coisa, a Igreja como um todo não existiria.

quarta-feira, 6 de abril de 2005

Habemus candidatum

Habemus candidatum

Algumas pessoas devem estar estranhando eu não ter feito qualquer comentário sobre a morte de João Paulo II. Pois é, apesar de ele ter estragado meu fim de semana (Cristina foi convocada para trabalhar), preferi seguir a máxima do "se não tem nada de bom a dizer do morto, nada diga".

Mas é óbvio que não estou indiferente ao processo de escolha do novo bispo de Roma. Até a manhã de hoje eu torcia ardorosamente pela escolha de um cardeal africano, qualquer um. Mas mudei de candidato ao ler hoje a notável seqüência de sandices disparadas pelo cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, d. Eusébio Oscar Scheid. Espero que os membros do conclave fiquemi cativados pela figura dele e dêem-lhe uma chance de comandar a igreja. D. Eusébio já!

Para quem não leu (clique aqui), o cardeal disparou uma saraivada de ataques grosseiros contra Lula, aparentemente do nada. Disse que ele não é "católico", e sim "caótico", que "não se entende bem com o Espírito Santo". O pano de fundo dos ataques parece ser o fato de Lula, a despeito de ser católico, defender políticas de direitos dos gays, prevenção da Aids por uso de camisinhas, descriminalização do aborto etc. Quase me arrependi de ter me arrependido de votar em Lula - que, aliás, foi eleito para ser presidente de um país laico, e não preposto do Vaticano em Brasília.

Claro que d. Eusébio está jogando para a torcida - apesar desta não ter voto no conclave. Com o gado cada vez mais conservador e, digamos, pouco letrado, esse tipo de discurso agressivo mas sem conteúdo dá o maior Ibope. Lembrei de uma entrevista de Leonardo Boff publicada há alguns dias na qual ele dizia que o pontificado de João Paulo II havia se caracterizado teologicamente por "por um esforço de normatização da fé, de mediocrização das inteligências e uma infantilização dos cristãos". Para um público infantilizado, comentários como os do cardeal são melhores que show de padre cantor.

"Peraí, Leo. Como é que, depois dessa desancada, você diz que torce para que d. Eusébio seja eleito Papa?" E que é que disse que eu desejo um bom futuro para a igreja?

Você já foi a Bosta? Então vá!

Você já foi a Bosta? Então vá!

Ao longo desses anos eu já fui mandando à merda uma infinidade de vezes. Em algumas delas, aliás, eu fui.

Só que hoje foi a minha própria esposa, mãe da minha única herdeira, a querer que eu fosse a Bosta. Sabe o que é pior? Deu mesmo a maior vontade de ir.

Bosta, para quem não sabe (e eu não sabia) é uma localidade microscópica na Escócia, mais precisamente na ilha de Grande Bernera. Para um pagão que ama História e Arqueologia, é tudo de bom. Além da paisagem belíssima do litoral escocês, Bosta tem um verdadeiro tesouro para os visitantes: a reprodução perfeita de uma casa da Idade do Ferro.

Bosta tinha uma aldeia, datada provavelmente do século VI E.A., que foi inteiramente coberta pelas areias da praia e assim permaneceu até 1996, quando uma tempestade particularmente violenta expôs as ruínas. A casa foi construída seguindo os padrões desses restos.

Para saber mais sobre as maravilhas de Titica, digo, de Bosta, clique aqui.

sexta-feira, 1 de abril de 2005

Politicamente incorretíssima

Politicamente incorretíssima

Só faz sentido em inglês

Michael Schiavo goes out for dinner after a day at his wife's bedside and orders a steak.

"Very good sir", says the waiter, "and for the vegetable?"

"Oh", replies Michael, "she's not hungry."

Contribuição da minha querida Ângela Fatorelli

quinta-feira, 31 de março de 2005

Para os anais

Para os anais

Esse me chegou por e-mail, enviada pela Cristina (a.k.a. Digníssima):

Salvador - Reflexões sobre as agruras do exame de próstata, ocuparam grande parte do tempo da sessão de ontem da Assembléia Legislativa da Bahia. Tudo porque o deputado Manoel Isidório de Santana de 43 anos, o Sargento Isidório do PT, usando o tempo cedido pela liderança da oposição na Casa, fez um áspero discurso contra o referido exame, ao qual havia se submetido pela primeira vez na parte da manhã e conforme suas palavras ainda estava "vendo estrelas" por uma suposta violência do médico.

O exame é o mais recomendado para se prevenir o câncer de próstata e consiste no toque da glândula com o dedo através do ânus. Classificando o exame de "angustiante", e exortando a Medicina a criar outro método que não "penalize" tanto os pacientes, Sargento Isidório se inflamou na tribuna e fazia questão de mostrar com gestos exagerados e gritos, como o doutor foi rude.

Embora afirmasse não querer se estender muito no assunto, por considerar "desmoralizante para um pai de família", o deputado petista foi descrevendo detalhes, enquanto seus colegas se divertiam no plenário. Entre outras coisas, reclamou do fato de ser enganado sobre a forma como o exame de toque é feito e repetiu que "foi horrível" e quase desmaia.

Ele gastou cerca de 25 minutos como tema que provavelmente seria encerrado se o deputado e médico Targino Machado (PMDB) não tivesse pedido um aparte para criticar o discurso apologético de Sargento Isidório contra o exame. Foi o suficiente para o petista voltar à carga repetindo toda à sua "desagradável" experiência. Uma das coisas que deixou o Sargento Isidório mais indignado é que após o exame, o médico abriu a porta e chamou o próximo paciente "como se nada tivesse acontecido", enquanto o petista saiu do consultório sentindo-se "deflorado".


Na certa o nobre deputado esperava que o médico o levasse para jantar, mandasse flores e telefonasse no dia seguinte...

sábado, 26 de março de 2005

Telecine Anta

Telecine Anta

Sugestão para os marketeiros da Globosat: O Telecine primeiro criou um canal com filmes dublados (em geral mal dublados) e agora passou, no canal principal, a incluir legendas na chamada "esrita da Internet". Por que não juntam tudo num único canal, o "Telecine Analfabeto"? Ia nos ajudar muito na hora de excluir da programação.

terça-feira, 15 de março de 2005

Chefia cinematográfica

Povo, recebi hoje um artigo delicioso sobre relações de trabalho. Leiam e digam se seus chefes se enquadram. Se quiserem ler o original em inglês, cliquem aqui.

Qual o seu "chefe de cinema"?

Por Laura Morsch, do CareerBuilder.com

Nós vamos ao cinema para entretenimento e para uma fuga temporária da realidade. Às vezes, porém, os personagens e situações na tela parecerem estranhamente familiares.

Talvez seja porque muitas vezes nós mesmos nos consideremos merecedores de um Oscar. De acordo com uma pesquisa recente do CareerBuilder.com, 26% dos trabalhadores se sentem como se estivessem "atuando" no ambiente de trabalho. Não é à toa que "Como enlouquecer seu chefe" e "Um morto muito louco" se tornaram cult.

Às vezes o horário de nove às cinco pode ser bem dramático. O estudo do CareerBuilder.com com 1.333 trabalhadores descobriu que 36% disseram que, se seu ambiente de trabalho fosse um filme, seria um drama, cheio de altos e baixos e com tramas intrincadas.

Curiosamente, as mulheres consideram seus locais de trabalho mais dramáticos que os homens. Entre elas, 43% caracterizaram seus empregos assim, comparadas a apenas 28% dos homens.

Alguns trabalhadores são capazes de descobrir um lado leve no dia de trabalho. Vinte e sete por cento deles dizem que o filme de seu escritório seria uma comédia, e 19% classificam os seu como filmes de ação cheios de adrenalina.

Sete por cento menos afortunados dizem que seus empregos são como filmes de terror, e cerca de seis por centro chamam os seus de mistério (o caso do grampeador desaparecido, talvez?).

Chefes

Todo astro precisa de um ator coadjuvante. Nesse caso, seu chefe. De todos os chefes do cinema, esses dez são os que os trabalhadores mais associam a seus comandantes:

1. Andrew Shepherd, "Meu querido presidente."
Amigável, popular, mas pode às vezes dificultar as coisas.

2. Obi-Wan Kenobi, "Guerra nas estrelas."
Sábio, leal e sempre pronto a dar conselhos.

3. Bill Lumbergh, "Como enlouquecer seu chefe."
Chefe maléfico que adora atormentar os empregados e fazê-los trabalhar nos fins-de-semana.

4. Treinador Norman Dale, "Momentos decisivos."
Usa táticas pouco convencionais para motivar ao sucesso.

5. Franklin Hart, "Como eliminar seu chefe."
Machista, egoísta, mentiroso, hipócrita e preconceituoso.

6. Katherine Parker, "Uma secretária de futuro."
Chefe que apunhala pelas costas e rouba suas idéias para apresentá-las como dele.

7. Bernie Lomax, "Um morto muito louco."
Um pilantra que quer se ver livre de você.

8. Dr. Evil, "Austin Powers"
Tem duas obsessões: ele mesmo e a total dominação do mundo.

9. Cruella De Vil, "101 Dálmatas"
Rica, poderosa e tão má que mataria filhotinhos.

10. Gordon Gekko, "Wall Street"
Workaholic sem amigos ou vida social e que espera o mesmo de você.

Se você tem um chefe como estes últimos, não está sozinho. Trinta e sete por cento dos trabalhadores planejam agraciar-se com um novo emprego antes da entrega do Oscar 2006!

segunda-feira, 14 de março de 2005

De anencefalia e tetas em peixes

De anencefalia e tetas em peixes

Quando eu estava na faculdade (idade do layout lascado), tinha uma amiga judia que, por influência do irmão e da avó, adotou cada vez mais uma postura ortodoxa, incluindo as restrições alimentares. Um dia fomos ao McDonald's do Rio Sul e ela pediu um filé de peixe sem queijo, explicando-me que os judeus não podem misturar carnes e laticínios.

Curioso, fui pesquisar a origem dessa restrição ? muito antes de a Internet facilitar as pesquisas em geral. Depois de escavar Gênese e Levítico, fui achar a resposta em Êxodo 23:19: "não cozerás o cabrito no leite de sua mãe". Confesso que isso só me encucou mais. Se a lógica da restrição é essa, não haveria problemas em comer peixe com queijo ou leite. Afinal, as mães do bacalhau, da tainha e de todos os parentes destes não têm tetas e não produzem leite. Levei a dúvida a minha amiga, que respondeu um lacônico "a tradição manda não misturar, eu não misturo".

Lembro-me desse episódio e do apego de minha amiga ao dogma em detrimento da lógica que o inspirou quando vejo a campanha dos católicos para impedir o aborto de fetos com anencefalia. A idéia aqui não é discutir o direito ou não ao aborto como um princípio geral, ou a tentativa permanente dos cristãos de impor seus princípios ao resto da sociedade. Vamos ficar nesse caso específico.

Para quem não sabe, anencefalia é uma doença em que o feto não desenvolve abóbada craniana e cérebro. É 100% fatal. Tão logo se vê privado do sustento que o corpo da mãe fornece, a criança morre. É como um paciente sem atividade cerebral mantido vivo artificialmente por aparelhos. Está clinicamente morto. O caso do bebê é até mais grave, pois um milagre pode devolver a atividade ao cérebro do paciente, mas não criar um cérebro para o natimorto.

Entretanto, a Igreja combate o aborto desses fetos sob a alegação do direito à vida. A pergunta é: Que vida? No caso de um feto saudável, ele não tem condições de sustentar a própria vida, mas tem um potencial, é verdade. Mesmo portadores de problemas genéticos, como a Síndrome de Down, podem sobreviver e levar uma vida dentro de suas limitações. No caso da anencefalia, porém, não existe potencial de vida.

Quando a Igreja tenta impedir que uma mulher aborte um feto gerado por estupro ou portador de alguma deformidade, sempre pode argumentar que está defendendo o direito daquele feto à vida. Concorde-se ou não, é um argumento. Se não for abortado, aquele feto nascerá e vivera a vida que lhe couber. Agora, usar o mesmo raciocínio para obrigar uma mulher a carregar por nove meses um ser que já vai nascer clinicamente morto é um dogmatismo tão inconcebível quanto procurar tetas num salmão.

domingo, 13 de março de 2005

Jornalzinho depressivo...

Jornalzinho depressivo...

A Câmara dos Deputados é controlada por políticos oriundos das regiões com menos eleitores e menor participação no PIB. A ponto de, matematicamente falando, somente um em cada dez eleitores estar representado na mesa diretora.

A Prefeitura do Rio, sendo verdade o que diz o Ministério da Saúde, aplicou no mercado financeiro R$ 30 milhões dos recursos da saúde, enquanto os hospitais públicos entravam em estado de calamidade.

Quinze anos depois, os principais artífices do Plano Collor continuam por aí prestando consultoria. Conseguiram encolher em mais de 5% a economia brasileira e ainda cobram para dar palpite.

Completam-se em 2005 trinta anos do estupro que a ditadura cometeu contra a cidade do Rio de Janeiro, então estado da Guanabara, fundindo-a ao Estado do Rio. Diminuiu-se a bancada oposicionista no Congresso, ao mesmo tempo em que a divisão do Mato Grosso inchava a representação dos grotões (ver primeiro parágrafo), planejou-se um processo de industrialização que não saiu do papel, confiscou-se da cidade parte considerável do seu patrimônio (o estádio de futebol e o teatro municipais, por exemplo, viraram estaduais) etc.

Esse rosário de desgraças está todo no Globo de hoje. Há um bom tempo eu não via a edição de domingo do jornal tão boa e tão depressiva.

sexta-feira, 11 de março de 2005

Reminiscências

Reminiscências

Lá por volta de 1985, a redação da Roll tinha uma divisão bem clara. Eu, André Machado e Carlos Brito éramos a turma do rock pesado e/ou sessentista e setentista (os discos do U2 na minha coleção eram a exceção que confirmava a regra), enquanto Marcos "Kiko" Pedrosa e Luís Carlos Mansur eram a turma do pós-punk (Smiths, The Cure e quejandos). Éramos todos amigos, mas passávamos o dia trocando ofensas. Enquanto nós ouvíamos "dinossauros pretensiosos que, depois de 15 minutos de solo, não lembravam mais que música estavam tocando", eles gostavam de caras para quem rock se fazia com "pose entediada, assessoria de imprensa e KY". Eram tempos divertidos...

Mas houve uma memorável.

Periodicamente os mudérnos "redescobriam" algo que nós ouvíamos em bases diárias. Certa feita, concluíram que os ídolos deles eram influenciados por The Doors e danaram a exumar Jim Morrison. O Museu da Imagem e do Som (na saudosa gestão de Ana Maria Bahiana) exibiu a gravação de um show do grupo. Kiko e Mansur voltaram em (justificado) estado de graça, soltando frases como "Morrison é gênio!" pelos quatro cantos.

Havia na redação um rádio velho que ficava, por consenso, sintonizado o dia todo na Fluminense. Na mesma semana do vídeo dos Doors, tocou na rádio uma música dos Beatles. Notamos que o Mansur não conseguiu disfarçar um olhar de nostalgia. Eu e Carlos pensamos a mesma coisa, mas ele foi mais rápido:

- Cê gosta de Beatles, Mansur?

- Já tive minha época de beatlemaníaco...

- Engraçado. Cê gostava de Beatles, hoje gosta de Doors... Na verdade, tá vivendo o rock'n'roll com vinte anos de atraso. Daqui a uns quatro anos vai estar ouvindo progressivo ou heavy metal.

Foi a única vez que eu vi o Mansur ficar puto com uma sacanagem do gênero.

Mas era verdade

Mas era verdade

Cinco anos depois dos fatos descritos no post acima, eu (então na editoria Rio do Globo) e Mansur (na sucursal da Folha) nos encontramos na cobertura de um mega assalto a prédio em Copacabana. Enquanto a PM negociava a vida dos reféns, nós batíamos papo na calçada da Rainha Elizabeth, quando o assunto rock surgiu. Mansur soltou a seguinte:

- Poxa, eu ouvi ontem o disco novo do Metallica (...And justice for all). É muito bom!

Quem estava em volta não entendeu nada quando eu me apoiei num poste para não cair no chão de tanto rir...

terça-feira, 8 de março de 2005

Homenagem ao 8 de março

Homenagem ao 8 de março

Duas louras conversavam quando uma virou para a outra e perguntou:

- O que fica mais perto, Londres ou a Lua?

- Alôo! A Lua, claro! Cê consegue ver Londres daqui?

segunda-feira, 7 de março de 2005

Enquete

Enquete

Galera, vamos realizar hoje a primeira enquete do Espírito de Porco.

Cristina me ligou há pouco para avisar que vai chegar em casa com um buquê de rosas (presumo vermelhas). Diz ela que Ana Cristina Reis, a querida colunista do Ela, recebeu o dito buquê e o esqueceu na redação - ou as rosas chegaram depois de ela ter saído, sei lá - e ligou para pedir que um dos valorosos contínuos do Globo pusesse as flores na água. Só que ele não tinha recipiente adequado. Não querendo que as pobrezinhas morressem, ela apelou para as amigas, encontrando na Cristina, samaritana de primeira hora, a ajuda necessária.

Aí o Espírito de Porco pergunta. Este que vos digita está levando:

a) uma bola nas costas;
b) uma volta;
c) um capacete de viking ou
d) TRA.

Por dúvida das vias, muuuuu!

Babaquice tem cura?

Babaquice tem cura?

Já vi muita gente idiota, mas nada que se compare ao mané dessa seqüência de fotos que Cristina me mandou.









Só dando muita porrada, não?

domingo, 6 de março de 2005

Boom da soja

Boom da soja

Minha querida Cláudia Azevedo mandou-me (e para meia torcida do Flamengo) um texto que alerta para os riscos do consumo de soja. Não deixa de ser uma certa ironia, pois Cláudia já teve uma fase tão natureba, mas tão natureba, que, se fosse homem e levasse uma mulher para trás da moita, possivelmente comeria a moita.

De qualquer forma, o texto confirmou minhas suspeitas contra a dita alimentação natural. Desde quando "carne de soja" é natural? Só se "raiz de lombinho" e "folha de picanha" virarem "naturais" também. Alguém aqui já viu uma manada de soja? Ou uma sojinha mamando na mãe? Não, né?

quarta-feira, 2 de março de 2005

Que coisa feia... hehehe

Que coisa feia... hehehe

Dizem que é pecado rir das deficiências alheias. Ainda bem que eu sou pagão e não acredito em pecado...

Gente, recebi um vídeo hilariante de uma entrevista levada ao ar pelo Bom Dia Pernambuco no ano passado. Era uma matéria sobre obesidade e entrevistaram ao vivo a nutricionista Ruth Lemos.

A performance da entrevistada foi tão marcante que Ruth ganhou até comunidade de fãs no Orkut. E, se existe justiça no mundo, alguém foi morto muito violentamente na produção do programa.

Clique aqui e veja o vídeo.

terça-feira, 1 de março de 2005

Só da boca pra fora

Só da boca pra fora

Ok, ok, Lula é um incontinente verbal contumaz e a tal frase sobre corrupção nas privatizações é um primor de má elaboração. Mas eu vou acertar a Mega-Sena acumulada antes de o PSDB e o PFL abrirem um processo contra ele. Vão correr o risco de desencadear uma investigação (CPI ou do Ministério Público) sobre o programa de privatizações e a atuação do BNDES ("o limite da irresponsabilidade")? É ruim, heim! Periga não haver gaiola para tanto tucano...

Patuscada semântica

Patuscada semântica

Na semana passada meu prezado Pedro Doria publicou em no.mínimo um artigo falando sobre os possíveis rumos da igreja católica diante da iminente sucessão de João Paulo II e do descolamento entre ela e parte da sociedade em questões morais. A idéia é que, ao afirmar valores cada vez mais conservadores, a igreja corre o risco de perder a relevância.

Não sei se concordo exatamente. Pelo menos no Brasil, muito do espaço do catolicismo está sendo ocupado por igrejas evangélicas ainda mais retrógradas em aspectos morais. Capazes de reproduzir a Inquisição, mas não de patrocinar uma Capela Sistina. Além disso, o campo conservador alega que a culpa do esvaziamento é justamente dos liberais, que enfatizaram a ação política e social e deixaram de lado as questões espirituais.

De qualquer forma, não é problema meu, pelo menos não diretamente.

Como era de se esperar, PDoria levou uma série de bordoadas na seção de mensagens do site. Recebeu diversos apoios, claro, mas a fúria dos católicos tradicionais chama mais atenção. Uma das reclamações é mais curiosa por critica um trecho em que ele, ao comparar as igrejas católica e anglicana, diz que ambas "adoram Maria". Furibunda, uma das missivistas protestou, dizendo que os católicos não adoram a mãe do chefe, eles a veneram.

Lembrei-me do meu avô, que ficou furioso uma vez porque uma empregada crente dizia que ele adorava ídolos. "Não é adorar, é venerar!" Dizia que tinha estampas da Virgem de Guadalupe, estátuas de São José e outros como tinha retratos de parentes de que gostava muito. Aí eu, espírito-de-porco como sempre, perguntava se ele rezava diante de uma foto da mãe ou se cogitava construir uma basílica para guardar um retrato do avô. Como sempre, ele se irritava e encerrava a conversa, hehehe.

De qualquer forma, a leitora recomenda que o Pedro recorra a um dicionário para entender a clara diferença entre "adorar" e "venerar". Como boa católica (justiça seja feita, boa cristã) ela gosta de pregar o que não pratica. Se tivesse ido ao Aurélio, encontraria o seguinte:

Adorar. Do latim adorare: 1) Render culto a divindade; 2) reverenciar, venerar...

Venerar. Do latim venerare: 1) Tributar grande respeito a, render culto a...

Para tornar ainda mais sem sentindo a alegação de que os sentidos são diversos, o exemplo que Aurélio traz para abonar o último verbo é: "Os pagãos veneravam inúmeros deuses.'

É preciso fazer uma ressalva só quanto ao tempo verbal, pois nós ainda veneramos/adoramos inúmeros deuses.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005

Pára que eu quero descer

Pára que eu quero descer

Gente, eu pirei de vez ou o presidente da República realmente disse na TV que recebeu uma séria denúncia de corrupção da gestão anterior - grave a ponto de quase falir uma empresa pública - e mandou arquivar?

Era só o que faltava...

Era só o que faltava...

Recebi um texto que acredito ser apócrifo. Seriam trechos de uma cartilha elaborada pela Igreja Universal para combater a libertinagem sexual. Tudo bem que da turma do "bispo" Macedo eu espero qualquer coisa, mas essa me parece forte demais. Confiram...

Maneiras pecaminosas de manter relações sexuais

Posição Cachorrinho - É uma das posições mais humilhantes para a mulher, pois ela fica prostrada como um animal enquanto seu parceiro ajoelhado a penetra. Animais são seres que não possuem espírito, então o homem que faz o cachorrinho com sua parceira fica com sua alma amaldiçoada e fétida.

Chupetinha - O prazer de levar um órgão sexual a boca é condenado pelas leis divinas. A boca foi feita para falar e ingerir alimentos e a língua para apreciar os sabores. A mulher engolindo o sêmen não vai ter filhos. E o homem somente sentirá dores musculares na língua ao sugar a vagina de sua parceira.

Sodomia - O ânus é sujo, fétido e possui em suas paredes milhões de bactérias. É o esgoto propriamente dito. No esgoto só existe ratos, baratas e mendigos. A pessoa que sodomiza ou é sodomizada ela se iguala a um rato pestilento. Seu espírito permanece imundo e amaldiçoado. Mas o pior é quando o ato é homossexual, pois o passaporte dessa infeliz criatura já está carimbado nos confins do inferno.

Maneira correta de manter relações sexuais

Posição Coito Papai-Mamãe - O homem e a mulher deve lavar suas partes com 1 litro de água corrente misturado com uma colher de vinagre e outra de sal grosso. Após isso, a mulher deve abrir as pernas e esperar o membro enrijecido do seu parceiro para iniciar a penetração. O homem após penetrar a mulher, não deve encostar seu peito nos seios dela, deve manter uma distância, pois a mulher deve estar rezando para que seu óvulo esteja sadio ao encontrar o espermatozóide. Depois do ato sexual, os dois devem rezar, pedindo perdão pelo prazer proibido do orgasmo. Como penitência, o açoite com vara de bambu é aceito como forma de purificação.

domingo, 6 de fevereiro de 2005

Cenário de pesadelo

Cenário de pesadelo

Chamada da Rede Globo na sexta-feira: "Assista ao desfile das Escolas de Samba de São Paulo, logo depois do Big Brother".

Dá vontade de tentar a sorte em outra encarnação...

Biografia agonizante

Biografia agonizante

Dia desses eu e Xico Vargas conversávamos sobre os motivos para a ministra Marina Silva continuar na pasta do Meio Ambiente. Apego ao poder? Fidelidade cega ao partido? Esperança de algum dia ter voz nas decisões do governo (teoria da Cristina)?

Sinceridade? Não faço a menor idéia. Para minha decepção, ela perdeu outra esta semana. O governo abriu as pernas para grileiros (em bom português, invasores de terras públicas) e madeireiros que bloqueavam estradas no Pará, cortando o abastecimento de víveres de pequenas cidades. O protesto era contra a ação do Ibama para moralizar a extração de madeira na região. Mais uma bola nas costas da ministra.

Aqui cabe um esclarecimento. Apesar de não ser cristão e não ter vocação pra sair carregando culpas, tenho que confessar que votei na atual administração. No que se refere à economia, ainda que a decepção seja grande, há que se reconhecer que, para acalmar a banca, desde a campanha Lula garantia que não haveria choques ou rupturas. Não dizia com todas as letras, mas o continuísmo já estava lá. Ok, ok, não precisava botar sonegador da Previdência no Ministério, mas...

No caso do meio ambiente, a conversa era outra. A plataforma do PT na campanha era calcada no desenvolvimento sustentável e no respeito às leis (tanto ambientais quanto convencionais). A presença de Marina Silva no ministério seria uma garantia do cumprimento desse programa. Doce ilusão...

Até agora, todas a vezes em que rolou uma dividida entre a área ambiental e alguma outra, a ministra perdeu. O pior é que a vitória acaba sempre favorecendo o crime. Crime? Sim, crime. Plantar sementes proibidas é crime. Cortar madeira em área de preservação, idem. Sem falar na malandragem de grandes empresas, que constroem hidrelétricas sem estudo de impacto ambiental - na base da liminar ou do suborno, mesmo - e, quando o Ibama estrila, acusam-no de "entrave ao desenvolvimento".

Os jornais dos últimos dias vinham dizendo que a ONGs ambientalistas estão deixando de ver a ministra como uma interlocutora séria. Ou seja, não adianta discutir nada com ela porque, na hora H, o outro lado ganha todas. No fim das contas, ela perde seu único patrimônio, a credibilidade.

Para o governo, claro, ter Marina Silva na esplanada funciona (ou funcionava) como um anteparo. "Como é que podem nos acusar de anti-ambientalistas se temos na equipe uma Marina Silva?" Mais ou menos como Himmler contratar um assessor judeu sem direito a voto para escapar da pecha de anti-semita....

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2005

Linha cruzada

Linha cruzada

Conversa entre dois cardeais nos corredores do Vaticano:

- Quem são os principais "papáveis"?

- Hum, têm dois coroinhas na minha diocese que são uns tesõezinhos....

Encosta na parede!

Encosta na parede!

O agravamento da saúde do Sumo Pontífice católico deixou tenso o clima no Inferno. O ex-presidente Figueiredo está preocupadissímo, pois ouviu que o Papa João estava para chegar lá.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2005

Se os impressionistas fossem dentistas

Se os impressionistas fossem dentistas

Prezado Theo,

Até quando a vida será tão ingrata ?

Estou roído pelo desespero e minha cabeça lateja!

A Sra. Sol Schwimmer está me processando porque fiz sua ponte de acordo com minha própria inspiração, e não para se ajustar à sua ridícula boca.

Mas é claro! Não sou um comerciante barato para trabalhar de encomenda! Achei que sua ponte devia ser enorme e exuberante, com dentes selvagens e explosivos, apontando para todas as direções. E agora ela está aborrecida porque eles não cabem em sua boca. É tão burguesa e burra que gostaria de matá-la!

Tentei fazer com que a ponte entrasse à força, mas os dentes continuam para fora como pingentes de um candelabro. Para mim está lindo!Mas ele reclama que não consegue mastigar. E que importa se ela consegue mastigar ou não?

Theo , não vou suportar isto por muito tempo.

Perguntei a Cézanne se ele dividiria o consultório comigo, mas Cézanne está velho, suas mão tremem e, para segurar os instrumentos, têm de ser amarrados em seus pulsos. Com isso, falta-lhe precisão e, ao trabalhar na boca de alguém, faz mais estragos que consertos.

O que fazer??

Vincent

Contribuição do meu primo Paulo, que não é impressionista mas é dentista

sábado, 29 de janeiro de 2005

Sempre ele...

Sempre ele...

Mais uma do meu cunhado Fernando.

Minha irmã se formou em Matemática (o que não deixa de ser assustador para mim, cujo conhecimento de matemática se limita a saber que é proparoxítona). Pois bem, no dia da formatura ela ganhou uma linda braçada de rosas, mas estranhou o fato de a dita vir com dois cartões. Um era do marido; o outro, do nosso avô. Ela, apesar de muito feliz pela formatura e pelas flores, não pôde deixar de chiar.

- Poxa, Fê. Cê teve a cara de pau de dividir o preço da rosas com meu avô?

- Não, neném. A gente não dividiu. Ele pagou tudo. Eu só botei o meu cartão junto.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2005

Murro com luva de pelica

Murro com luva de pelica

A academia Runner tem um outdoor que diz o seguinte: Neste verão, você quer ser sereia ou baleia?

Uma mulher enviou a eles a sua resposta e distribuiu o seguinte e-mail...

"Ontem vi um outdoor da Runner, com a foto de uma moça escultural de biquíni e a frase: Neste verão, qual você quer ser? Sereia ou Baleia?
Respondo:
Baleias sempre estão cercadas de amigos.
Baleias têm vida sexual ativa, engravidam e têm filhotinhos fofos.
Baleias amamentam.
Baleias nadam por aí, cortando os mares e conhecendo lugares legais como as banquisas da Antártida e os recifes de coral da Polinésia.
Baleias têm amigos golfinhos.
Baleias comem camarão à beça.
Baleias esguicham água e brincam muito.
Baleias cantam muito bem e têm até CDs gravados.
Baleias são enormes e quase não têm predadores naturais.
Baleias são bem resolvidas, lindas e amadas.
Sereias não existem. Se existissem viveriam em crise existencial: Sou um peixe ou um ser humano?
Não têm filhos, pois matam os homens que se encantam com sua beleza.
São lindas mas tristes e sempre solitárias...
Runner, querida, prefiro ser baleia!"

Cortesia da minha querida Claudia Manes

terça-feira, 25 de janeiro de 2005

Between, my well

Between, my well

Quando comecei a aprender inglês - décadas atrás, no século passado - cometi verdadeiras atrocidades "traduzindo" letras de músicas. Pegava a letra, ia conferindo no dicionário as palavras e mandava ver, sem fazer a menor idéia se o sentido era aquele mesmo. Mas eu era um aborrecente fazendo isso por mera curiosidade. Um artista consagrado fazer isso é que dói.

Digo isso porque outro dia estava ouvindo no carro o CD Grande encontro, de Alceu Valença, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Zé Ramalho. Quando chegou na faixa "O amanhã é distante", cantada por Zé, topei com um trecho da letra que sempre achei o mais absoluto nonsense: "Se ao menos o meu amor estivesse aqui, se eu pudesse ouvir seu coração. Se ao menos mentisse ao meu lado, estaria em minha cama outra vez". Ficava pensando no que Zé queria dizer com isso.

Aí que eu me lembrei que a música não era dele, e sim uma versão para "Tomorrow is a long time", de Bob Dylan. Como nunca fui fã do dito cujo, não tenho uma boa memória de seu trabalho. Mas, ao me tocar que o original era em inglês, o sentido (e burrada do tradutor) surgiu imediatamente. Fui conferir a letra e lá estava: "Only if she was lyin' by me, then I'd lie in my bed once again".

Não era "mentisse", era "deitasse". E o pior é que nem prejudicaria a métrica do verso. Francamente, Zé...

domingo, 23 de janeiro de 2005


Pura bobeira

Descoberto um segredo de trinta anos. A famosa cabeleira de Rick Wakeman nos anos 70 era produto de uma pioneira escova progressiva.

Ui...
 Posted by Hello

quinta-feira, 13 de janeiro de 2005


Mais um Pimentel

Esse é meu mais novo sobrinho: Renato, filho do meu querido primo Beto e da minha igualmente querida amiga Maira. Bem-vindo a Sol III. Posted by Hello

segunda-feira, 10 de janeiro de 2005

É dura a vida...

É dura a vida...

Essa aconteceu com um casal de amigos meus, cuja identidade vou preservar. Ela (jura que), inadvertidamente, acessou a caixa postal do celular dele e deu de cara com uma mensagem de voz feminina toda melosa, chamando o dito cujo de ?meu amor? e por aí vai. Claro que partiu para cima dele com fúria de jogador de rúgbi, enquanto o coitado proclamava inocência.

O final vocês devem estar imaginando, né? O recado era dela mesma, deixado dias antes. Como a maioria das pessoas, ela não reconheceu a própria voz ao ouvi-la gravada.

Só sei que, depois desse, meu amigo está com um salvo conduto para pelo menos três flagrantes.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2004

Difícil de engolir

Difícil de engolir

Tudo bem que a idéia de o Pinochet passar o tempo que lhe resta entrevados por conta de um derrame é adorável, mas esse AVC que ele teve no sábado tem um cheiro indelével de caô...

Vocês lembram quando ele esteve preso na Inglaterra? Conseguiu voltar para o Chile sob a alegação de que estava à morte. Desceu do avião em Santiago numa cadeira de rodas, mas levantou-se e saiu cumprimentando todo mundo. Só faltou sapatear.

Agora, às vésperar de a Justiça chilena decidir se ele tem ou não condições de ser julgado, o infeliz tem um AVC? Bom demais pra ser verdade, como se dizia na reunião de pauta do Globo...

terça-feira, 7 de dezembro de 2004

É longa, mas é boa

É longa, mas é ótima...

... e só faz sentido para quem gosta de rock.

Para entender as diferentes vertentes do Metal e do Rock, vamos imaginar uma fábula e seus respectivos desfechos na abordagem de cada estilo.

A historia começa assim:

"No alto do castelo, há uma linda princesa - muito carente - que foi ali trancada, e é guardada por um grande e terrível dragão"...

E termina assim:

Metal Melódico:
O protagonista chega no castelo num cavalo alado branco, escapa do dragão, salva a princesa, fogem para longe e fazem amor.

True Metal:
O protagonista chega no castelo e vence o dragão em uma batalha justa usando uma espada. Banhado no sangue do dragão, transa com a princesa.

Thrash Metal:
O protagonista chega no castelo, arranca a cabeça do dragão, salva a princesa e transa com ela.

Heavy Metal:
O protagonista chega no castelo numa Harley Davidson, mata o dragão, enche a cara de cerveja com a princesa e depois transa com ela.

Folk Metal:
O protagonista chega acompanhado de vários amigos tocando acordeon, alaúde, viola e outros instrumentos estranhos. Fazem o dragão dormir depois de tanto dançar, e vão embora... sem a princesa.

Viking Metal:
O protagonista chega em um navio, mata o dragão com um machado, assa e come. Estupra a princesa, pilha o castelo e toca fogo em tudo antes de ir embora.

Death Metal:
O protagonista chega, mata o dragão, transa com a princesa, mata a princesa e vai embora.

Black Metal:
Chega de madrugada, dentro da neblina. Mata o dragão e empala em frente ao castelo. Sodomiza a princesa, a corta com uma faca e bebe o seu sangue em um ritual até matá-la. Depois descobre que ela não era mais virgem e a empala junto com o dragão.

Gore:
Chega, mata o dragão. Sobe no castelo, transa com a princesa e a mata. Depois transa com ela de novo. Queima o corpo da princesa e transa com ele de novo.

Splatter:
Chega, mata o dragão, abre-o com um bisturi. Sodomiza a princesa com as tripas do dragão. Abre buracos nela com o bisturi e estupra cada um dos buracos. Depois mata a princesa, faz uma autópsia, tira fotos, e lança um álbum cuja capa é uma das fotos.

Doom Metal:
Chega no castelo, olha o tamanho do dragão, fica deprimido e se mata. O dragão come o cadáver do protagonista e depois come a princesa.

White Metal:
Chega no castelo, exorciza o dragão, converte a princesa e usa o castelo para sediar mais uma igreja evangélica.

New Metal:
Chega no castelo se achando o bonzão e dizendo o quanto é bom de briga. Acha que é capaz de vencer o dragão; perde feio e leva o maior cacete. Foge e encontra a princesa. Conta para ela sobre a sua infância triste. A princesa dá um soco na cara dele e vai procurar o protagonista Heavy Metal. O protagonista New Metal toma um Prozac e vai gravar um disco "The Best Of".

Rock n'Roll Clássico:
Chega de moto fumando um baseado e oferece para o dragão, que logo fica seu amigo. Depois acampa com a princesa numa parte mais afastada do jardim e depois de muito sexo, drogas e rock n'roll, tem uma overdose de LSD e morre sufocado no próprio vômito.

Punk Rock:
Joga uma pedra no dragão e depois foge. Picha o muro do castelo com um "A" de anarquia. Faz um moicano na princesa e depois abre uma barraquinha de fanzines no saguão do castelo.

Progressivo:
Chega, toca um solo virtuoso de guitarra de 26 minutos. O dragão se mata de tanto tédio. Chega até a princesa e toca outro solo que explora todas as técnicas de atonalismo em compassos ternários compostos aprendidas no último ano de conservatório. A princesa foge e vai procurar o protagonista Heavy Metal.

Hard Rock:
Chega em um conversível vermelho, com duas loiras peitudas e tomando Jack Daniel's. Mata o dragão com uma faca e faz uma orgia com a princesa e as loiras.

Cortesia do meu prezado Pedro Doria.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2004

Crueldade

Crueldade

Minha ex-querida Claudia Manes fez comigo uma maldade sem tamanho: mandou-me o link com o trailer da versão estendida de O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei.

Quando vi o filme no cinema, constatei desolado que Peter Jackson cortou praticamente todas as minhas passagens favoritas do livro. Lamentei a ausência da confrontação de Aragorn com Sauron usando o palantir, a aparição da Boca de Sauron, a cura de Éowyn e Faramir e o início do romance entre eles, achei péssimo que este último (um dos personagens mais densos do livro) fosse reduzido quase a um figurante flechado. Mas, acima de tudo, senti falta do confronto entre Gandalf e Saruman e do final no Shire.

Pois bem, tirando o final, está tudo na versão estendida... Pela bagatela de US$ 28 na CD Universe, mais US$ 10 de despesas de postagem. Ou seja, R$ 102, ao que se deve somar 65% de imposto. Resultado final? R$ 169,29. É ou não é uma crueldade.

Ah, o ex-querida é brincadeirinha.

segunda-feira, 29 de novembro de 2004

Fim do mundo

Fim do mundo

Sei que vou levar até pedrada, mas que se dane. O blog é meu, mesmo.

Eu sou pai, tenho uma criança em casa. Imaginar que alguém considere viver nas ruas um direito da criança é algo que nunca vai entrar na minha cabeça.

Babação absoluta

Babação absoluta

Filhos dão um trabalho tremendo e uma despesa de arrancar os cabelos - mas fazem tudo isso desaparecer com coisas simples, como a que me aconteceu hoje de manhã.

Há tempos vimos estimulando Luísa a andar, apoiada no chiqueirinho, nos móveis ou nas nossas mãos. Hoje, brincando comigo no tapete de borracha, ela andou sozinha pela primeira vez. Seus dois primeiros passos foram uma experiência só nossa. Depois, diante de Cristina, repetiu a façanha e chegou a dar cinco passos sem apoio nenhum.

Ok, ok. Sei que a partir de agora "Volta aqui, Luísa!" vai ser uma das frases mais comuns do meu vocabulário, mas estou nas nuvens.

Torço que não, mas...

Torço que não, mas...

Antes de mais nada, alguns esclarecimentos úteis:

- Tenho Luís Fernando Veríssimo na categoria de ídolo.

- Sou rubro-negro de berço e estou torcendo alucinadamente para que o Flamengo escape do rebaixamento no Campeonato Brasileiro - daí estar feliz da vida com a vitória sobre o Palmeiras.

Isto posto, não dá para concordar com a coluna que Veríssimo publicou hoje no Globo. Nela, um proverbial marciano fica chocado ao saber que, por conta do regulamento, o já deficitário campeonato corre o risco de perder na sua elite a maior torcida do país. Fico surpreso que Veríssimo - em tudo um saudável crítico da lógica imoral do mercado - pense no campeonato como uma equação mercadológica.

Como disse, torço desesperadamente para que o Flamengo não termine a competição entre os quatro últimos da tabela. Mas, se terminar, tem que cair. Aturar meus cunhados vascaínos nesse caso seria o inferno na terra, mas é o preço a pagar.

Eu acredito - e ninguém é obrigado a concordar - que dois dos grandes problemas do Brasil parecem ser nossa incapacidade atávica de respeitar regras mínimas de organização e nossa complacência com a mediocridade. O Flamengo não está suando sangue para escapar do rebaixamento porque os Deuses são maus. Está por pura incompetência, por desorganização técnica e administrativa.

O time que hoje detonou fora de casa um dos líderes do campeonato foi o mesmo que tomou de seis do Atlético Mineiro - colega de Zona da Morte. Dá para reclamar se cair? Não. Como não dá para aceitar um tapetão.

Lembram do Fluminense nos anos 90? Caiu para a segundona, mas escapou graças a uma virada de mesa - numa das imagens mais patéticas da década, o então presidente do clube chegou a estourar um champanhe para comemorar a desonestidade. Resultado, conseguiu ser o único time rebaixado para a série B duas vezes seguidas e ainda amargou uma descida para a terceirona. Foi só aí que começou a atacar de fato seus problemas e voltar a crescer. Não é à toa que está em primeiro entre os cariocas no Brasileirão.

Desculpem o simplismo, mas eu realmente acho que não dá pra ser ético em meio expediente.

quinta-feira, 18 de novembro de 2004

Desenredo

Desenredo

(Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro)

Por toda terra que passo
Me espanta tudo o que vejo
A morte tece seu fio
De vida feita ao avesso

O olhar que prende anda solto
O olhar que solta anda preso
Mas quando eu chego
Eu me enredo
Nas tranças do teu desejo

O mundo todo marcado
A ferro, fogo e desprezo
A vida é o fio do tempo
A morte é o fim do novelo

O olhar que assusta
Anda morto
O olhar que avisa
Anda aceso

Mas quando eu chego
Eu me perco
Nas tramas do teu segredo

Ê, Minas
Ê, Minas
É hora de partir
Eu vou
Vou-me embora pra bem longe

A cera da vela queimando
O homem fazendo o seu preço
A morte que a vida anda armando
A vida que a morte anda tendo

O olhar mais fraco anda afoito
O olhar mais forte, indefeso
Mas quando eu chego
Eu me enrosco
Nas cordas do teu cabelo

Ê, Minas
Ê, Minas
É hora de partir
Eu vou
Vou-me embora pra bem longe

(Está aqui por nenhum motivo em especial, apenas porque adoro essa música)

Diálogos X-Crotos - Vida Real

Diálogos X-Crotos - Vida Real

Minha prezada Lanika publicou essa história no Multiply. Encaixava-se tão bem nos Diálogos X-Crotos que pedi a autorização dela para reproduzir. Cá está:

Hora do almoço. Pego meu Études literaires sur Baudelaire e penso em dar uma pausa no ritmo frenético de pré-lançamento de filme lendo na praça em frente ao meu trabalho. Estou, como sempre, vestida de preto. Talvez um pouco mais arrumada que o habitual. E pago o preço por isso:

Motoboy saindo do prédio: "Nossa colega... o viúvo era um cara de sorte. "

Se eu ganhasse um centavo de dólar todas as vezes que ouvi essa frase ao longo dos anos - pelo menos os outros tinham a decência de falar "falecido", animalzinho! - estava rica. Bateu, levou:

Eu: "Infelizmente ele ainda não morreu. Mas eu adoraria matá-lo! "

Ele: "Poxa, mas eu bem que queria estar no lugar dele".

Eu (não agüento): "Por quê? Você também quer que eu te mate?"

Atravessei a rua e fui tratar de ler meu livro, ignorando o ataque de gagueira do sujeito.

sábado, 13 de novembro de 2004

Até que enfim

Até que enfim

Li hoje no jornal que o governo brasileiro classificou a China como uma "economia de mercado". A Fiesp soltou nota dizendo que não é, não, e fico meio na dúvida quanto à relevância da classificação pelo Planalto.

De qualquer forma, seria muito bom se a economia chinesa fosse universalmente aceita como "de mercado", pois isso acabaria de vez com um sofisma que a minha geração ouviu ad nauseum: que o capitalismo (do qual "economia de mercado" é só nome de fantasia) está umbilicalmente ligado à democracia.

Pelo contrário. Nenhum empresário vai admitir isso em on, mas, se pudesse escolher, preferiria produzir num lugar sem liberdade sindical, sem imprensa para denunciar corrupção, sem um Judiciário independente, sem partidos de oposição etc. etc. Basta lembrar que anos atrás a tetéia latino-americana da banca era o Chile, cuja economia cresceu horrores sob a igualmente horrorosa ditadura de Pinochet - sem falar do Milagre no governo Médici.

Pois bem, de agora em diante temos a China para nos lembrar que capitalismo gosta, e muitcho, de uma ditadurazinha.

sexta-feira, 12 de novembro de 2004


Chique que só

Eu (ponto com) diante de Ariano Suassuna em Jaboatão (PE). Não bastasse ser um gênio do teatro e uma pessoa de uma cultura vastíssima, é de uma simpatia a toda prova.
 Posted by Hello

terça-feira, 9 de novembro de 2004

Para bom entendedor...

Para bom entendedor...

Cheguei de viagem de dei de cara com meus DVDs (que ficam embaixo da mesa de centro) presos com fita crepe e todos os objetos de cima da dita mesa removidos. Nem precisei perguntar para chegar à conclusão óbvia... Luísa começou a engatinhar.

Agora ninguém segura.

quinta-feira, 4 de novembro de 2004


Mídia em cima do lance Posted by Hello

Semaninha de merda...

Semaninha de merda...

Por enquanto ainda é boato, mas parece que Yasser Arafat teve morte cerebral. Em se confirmar, desaparece o último dos dois signatários da mais sólida iniciativa de paz do Oriente Médio. O outro, o saudoso primeiro-ministro Itzak Rabin, foi assassinado por um extremista judeu, em meio a uma pesada campanha de difamação promovida pelo partido direitista Likud, atual detentor do poder em Israel.

De cara, pode-se dizer que, após a vitória de Bush, a eventual morte de Arafat vai fazer a alegria da direita norte-americana. Para ser a melhor semana de todos os tempos para eles, só falta todos os gays morrerem ao mesmo tempo.

Por outro lado, a morte cerebral não significa que o comandante tenha que deixar a chefia da Autoridade Palestina. Bush também não usa muito o cérebro e conseguiu até se reeleger.

quarta-feira, 3 de novembro de 2004

Nostalgia

Nostalgia

Recebi hoje uma mensagem com uma notícia boa demais pra ser verdade, mesmo publicada na Folha. A fonte é a Reuters, mas a dita agência está com a credibilidade mais em baixa de umbigo de cobra, depois da pesquisa de boca de urna nos EUA.

Mas diz a notícia que um sujeito de 46 anos entrou na área dos leões no zoológico de Taipé para converter os animais ao cristianismo. Sim, isso mesmo que você leu. Aos gritos de "Jesus vai salvar vocês!", o homem chegou a poucos metros de dois leões.

Para a sorte do maluco, os leões tinham sido alimentados, o que o salvou de ser devorado. Porém, como nem leão agüenta o proselitismo dessa gente, um dos animais tascou-lhe uma dentada na perna, antes que o tratador interviesse. Parece que o leão passa bem.

Lembrou-me a anedota clássica do sujeito que, acossado por um leão, fechou os olhos e pediu aos céus que transformassem a fera num bom cristão. Quando olhou, o bicho estava ajoelhado e rezando: "Senhor, obrigado por esse alimento. Amém."

Tremenda mistura de nostalgia com revisionismo histórico: é o primeiro cristão que se atira voluntariamente aos leões. Que outros (especialmente um certo casal de Campos) sigam esse edificante exemplo.

Mais oito anos

Mais oito anos

Com a derrota de John Kerry, George W. Bush se credencia como o mais forte candidato presidencial em 2008. Não, eu não estou maluco. A Constituição norte-americana determina que uma pessoa só pode ser eleita para a Casa Branca duas vezes. Bem, eleito, eleito mesmo ele só foi agora. De repente deve poder concorrer de novo.

Cloaca de urna

Cloaca de urna

Toda eleição as pessoas falam nos erros da pesquisa de boca de urna do Ibope, especialmente em São Paulo - a última foi uma notável exceção. Mas Carlos Augusto Montenegro pode dormir sossegado. O Instituto Zogby e a Reuters deram uma nova definição para "erro de pesquisa". Ontem à tarde, com metade dos estados norte-americanos ainda em votação, soltaram uma pesquisa dizendo que John Kerry não apenas ganharia a eleição, como ainda carregaria 313 votos no Colégio Eleitoral.

Quando vi na Globonews a chamada "Boca de urna dá vitória a Kerry", fiquei feliz da vida. Mas a felicidade foi toda embora quando o noticiário detalhou a "pesquisa". Praticamente todos os Estados de Sexo Grupal (tradução livre para Swinging States) foram dados para o democrata - parecia muito mais wishful thinking que pesquisa séria. Quero ver agora o que o instituto e a agência vão dizer.

Quanto à vitória de Bush, não fossem as conseqüências para o resto do mundo, diria quase que é bem feito. Se os americanos querem um presidente que mente patologicamente para levar o país à guerra, que está produzindo um déficit público que vai estuprar-lhes a economia, que delega enormes nacos do governo a empresas e a grupos de extrema-direita evangélica, pior para eles. Claro que as perspectivas para os próximos quatro anos são tétricas, mas a gente sobrevive.

Por enquanto ainda estou saboreando as derrotas de Crivella e Garotinho. Depois choro a vitória de Bush...

segunda-feira, 1 de novembro de 2004

Sensacional

Sensacional

Ok, eu concordo que comemorar Halloween é macaquice, pura imitação dos americanos. Mas, eu fosse numa festa dessas, ia copiar a fantasia desse sujeito abaixo.



Afinal, é aterrorizante e, pior, retrata um tipo de monstro que existe de verdade.