Alegria da mulherada
O que é um PF?
É um "Personal Fucker".
Sim, foi o que você entendeu.
Um "Personal Fucker". Para quem ainda não arrumou um cara legal, digno de namoro (recolhidos pelo Ibama, portanto fora do mercado), faça de alguém seu PF.
Para que serve?
PF (Personal Fucker) é a nova modalidade de sexo ao seu alcance.
Considerando que sexo é uma necessidade física comum a todos, o PF torna-se item indispensável. Para as felizardas que já tem onde se aninhar, ótimo. Mas no dia que precisarem, saibam também como ter seu PF de cada dia.
Como conseguir um?
Para ter um PF, você tem que estar disposta a abrir mão do romantismo, do mão na mão, do sorvete no entardecer.
O escolhido para ser o seu, não pode ser alguém que você namoraria, e sim, alguém pelo qual você sente um tesão incontrolável,aquele tesão estilo TPM. Nada de compromissos, que compromisso é coisa de na-mo-ra-do. Se quiser compromisso, nada feito. Seu negócio não é PF.
Fortes candidatos
Geralmente são seus amigos antigos (com quem você não tem mais muito contato e pretende agora ter aquele contato), amigos do seu ex, pessoas que você não vê há muito tempo e pessoas que você nunca viu mesmo e está vendo agora. Não valem ex-namorados, nem casinhos antigos, daqueles que ainda deixam a perna bamba.
A experiência tem que ser nova para os dois.
Pois sendo ele o seu PF, você passa a ser o PF dele.
Maiores definições
Trata-se de uma amizade colorida dos tempos modernos.
Vocês são amigos, mas não trocam confidências e dividem os ambientes mais íntimos entre duas pessoas: a cama, o banheiro, a sauna, a pia, o chão, o estacionamento e os degraus da escada. O lugar não tem muita importância, desde que você também não espante o rapaz levando-o para um chalezinho cinco estrelas decorado com flores-do-campo. Você sabe, cinco estrelas e flores-do-campo são coisas de na-mo-ra-do.
Instruções
Você pode ter liberdade com seu PF, mas dentro de alguns limites, claro.
Vale ligar a qualquer hora do dia, propondo um encontro casual. Vale ligar depois de tomar alguns gorós, quando bate aquela carência sexual. E também vale ligar propondo uma massagem básica. Só não vale ficar mal se ele não puder ir ao seu encontro. PFs são ótimos para realizar aquelas fantasias sexuais que você sempre teve vontade de realizar, mas nunca teve coragem. Vale gritar, escancarar, fazer tudo aquilo que você sempre quis. O máximo que pode acontecer é, quando você estiver fazendo seu strip em cima da mesa da sala cantando Madonna, ele dizer pra você parar, porque está morrendo de vontade de rir... e você ter que procurar outro PF.
Espaço onde o jornalista Leonardo Pimentel pode se dedicar a falar mal do que bem entender.
Aviso
Apesar de criado por um jornalista, este blog não é nem pretende ser imparcial. Ele reflete minhas opiniões, meus gostos, desgostos, preconceitos e pós-conceitos. Se alguém se sentir ofendido, "paciência"...
Se quiser, mande-me um e-mail
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sexta-feira, 5 de dezembro de 2003
Sem discussão
Mesmo para aqueles que não encaram o doce suplício da profissão de jornalista, vale a pena ler este artigo de Alberto Dines esta semana no Observatório da Imprensa. No texto, ele entra num tema tão espinhoso quanto explosivo: o debate, ou melhor, a falta de debate a respeito da maioridade penal depois da comoção causada pelo assassinato de Liana Friedenbach e Felipe Caffé, em São Paulo.
Dines critica com muita propriedade a postura do governo e da patrulha politicamente correta de barrar qualquer discussão que envolva alguma revisão do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, sem nenhuma ironia com a sigla). A crítica é importante porque essa patrulha usa o próprio observatório como tribuna, adotando com ampliada virulência a mesma técnica do ex-presidente FHC. Quando criticado, em vez de responder às críticas, ele desqualificava os críticos (neobobos, nhém-nhém-nhém etc.). Só faltava chamá-los de feios, chatos e cocozentos.
Assim, quem defende qualquer mudança na lei é tachado de fascista e assassino, mesmo que, na véspera, fosse campeão dos Direitos Humanos - aliás, volto a esse tema em outra ocasião. A questão é que existem duas correntes que tratam do assunto como se fossem torcidas de times de futebol. De um lado, os que vêem a pena a um criminoso (ou infrator, sendo menor - coisas da semântica) como um instrumento de reabilitação e ressocialização. Do outro, os que a encaram como segregação e proteção da sociedade.
O problema é que os dois lados estão certos. O objetivo de uma prisão é punir pela privação da liberdade e reabilitar, proteger a sociedade de um indivíduo que a ameaça e proporcionar-lhe possibilidades de ser novamente inserido nessa sociedade. São situações complementares, não conflitantes. Precisamos de lei e procedimentos jurídicos que punam quem comete crimes (ou infrações) e instituições que os recuperem - ou, no caso dos irrecuperáveis, isolem. Infelizmente temos o contrário.
Na prática, a lei hoje iguala o menor que rouba uma maçã para comer ao que estupra e mata. São ambos enfiados numa Febem ou num Padre Severino, de onde aquele vai sair invariavelmente pior do que entrou e este não vai melhorar em nada. Mas me pergunto por que motivo as pessoas que brigam tanto para manter a maioridade penal em 18 anos não fazem tanto barulho nem tentam mobilizar a sociedade para melhorar o sistema de atendimento a menores infratores.
Pessoalmente, sou contra o conceito de maioridade ou minoridade penal. Acho que cada caso deve ser avaliado isoladamente, envolvendo aspectos criminais, psicológicos e sociais. Hoje, um menor não pode ficar mais de três anos internado, independentemente do crime (desculpe, infração) que tenha cometido. Três anos vão recuperar o assassino de Liana e Felipe, por melhor que seja a instituição em que o internem? Reservo-me o direito de duvidar muito disso.
Mudar a maioridade penal (ou, como eu preferiria, acabar com ela) não vai resolver o problema da delinqüência infanto-juvenil. Claro que não, pois não existem soluções mágicas. É preciso investir, e muito, em educação, assistência social, geração de emprego etc. etc. Mas vai reduzir a sensação de impunidade, que sabota qualquer esforço sério para lidar com a violência cometida por menores.
Infelizmente, como lembra o Dines, tem gente que não quer ao menos discutir o assunto.
Mesmo para aqueles que não encaram o doce suplício da profissão de jornalista, vale a pena ler este artigo de Alberto Dines esta semana no Observatório da Imprensa. No texto, ele entra num tema tão espinhoso quanto explosivo: o debate, ou melhor, a falta de debate a respeito da maioridade penal depois da comoção causada pelo assassinato de Liana Friedenbach e Felipe Caffé, em São Paulo.
Dines critica com muita propriedade a postura do governo e da patrulha politicamente correta de barrar qualquer discussão que envolva alguma revisão do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, sem nenhuma ironia com a sigla). A crítica é importante porque essa patrulha usa o próprio observatório como tribuna, adotando com ampliada virulência a mesma técnica do ex-presidente FHC. Quando criticado, em vez de responder às críticas, ele desqualificava os críticos (neobobos, nhém-nhém-nhém etc.). Só faltava chamá-los de feios, chatos e cocozentos.
Assim, quem defende qualquer mudança na lei é tachado de fascista e assassino, mesmo que, na véspera, fosse campeão dos Direitos Humanos - aliás, volto a esse tema em outra ocasião. A questão é que existem duas correntes que tratam do assunto como se fossem torcidas de times de futebol. De um lado, os que vêem a pena a um criminoso (ou infrator, sendo menor - coisas da semântica) como um instrumento de reabilitação e ressocialização. Do outro, os que a encaram como segregação e proteção da sociedade.
O problema é que os dois lados estão certos. O objetivo de uma prisão é punir pela privação da liberdade e reabilitar, proteger a sociedade de um indivíduo que a ameaça e proporcionar-lhe possibilidades de ser novamente inserido nessa sociedade. São situações complementares, não conflitantes. Precisamos de lei e procedimentos jurídicos que punam quem comete crimes (ou infrações) e instituições que os recuperem - ou, no caso dos irrecuperáveis, isolem. Infelizmente temos o contrário.
Na prática, a lei hoje iguala o menor que rouba uma maçã para comer ao que estupra e mata. São ambos enfiados numa Febem ou num Padre Severino, de onde aquele vai sair invariavelmente pior do que entrou e este não vai melhorar em nada. Mas me pergunto por que motivo as pessoas que brigam tanto para manter a maioridade penal em 18 anos não fazem tanto barulho nem tentam mobilizar a sociedade para melhorar o sistema de atendimento a menores infratores.
Pessoalmente, sou contra o conceito de maioridade ou minoridade penal. Acho que cada caso deve ser avaliado isoladamente, envolvendo aspectos criminais, psicológicos e sociais. Hoje, um menor não pode ficar mais de três anos internado, independentemente do crime (desculpe, infração) que tenha cometido. Três anos vão recuperar o assassino de Liana e Felipe, por melhor que seja a instituição em que o internem? Reservo-me o direito de duvidar muito disso.
Mudar a maioridade penal (ou, como eu preferiria, acabar com ela) não vai resolver o problema da delinqüência infanto-juvenil. Claro que não, pois não existem soluções mágicas. É preciso investir, e muito, em educação, assistência social, geração de emprego etc. etc. Mas vai reduzir a sensação de impunidade, que sabota qualquer esforço sério para lidar com a violência cometida por menores.
Infelizmente, como lembra o Dines, tem gente que não quer ao menos discutir o assunto.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2003
Velha rotina
Diz o noticiário que, apesar dos protestos do governo de Israel, Collin Powell mantém o encontro com o negociador palestino do acordo de paz alternativo proposto em Genebra, Yasser Abed Rabbo. Não chega a ser bem uma novidade. Há tempos que os palestinos só participam desse processo com o Rabbo.
Diz o noticiário que, apesar dos protestos do governo de Israel, Collin Powell mantém o encontro com o negociador palestino do acordo de paz alternativo proposto em Genebra, Yasser Abed Rabbo. Não chega a ser bem uma novidade. Há tempos que os palestinos só participam desse processo com o Rabbo.
terça-feira, 2 de dezembro de 2003
Como não ser roubado no McDonald's
A única maneira realmente segura de não ser garfado no McDonald´s é não botar os pés lá. Mas, se o nobre visitante é como eu e não resiste a um Cheddar McMelt, vão aqui três dicas:
1) Peça refrigerante sem gelo. Num copo de 500ml eles enfiam modestamente 150ml de gelo. O distinto paga pela Coca Light, mas leva mais de um quinto da boa e velha H2O - nada contra ela, mas custa bem menos. Se quiser realmente irritá-los, peça o gelo num copinho separado.
Esse trambique envolve ainda uma propaganda enganosa, pois um aviso malocado na parede da loja diz que o gelo é para conservar a temperatura e o sabor da bebida. Pombas, refrigerantes são fórmulas químicas. O gelo derrete e acrescenta água a essa composição química, alterando, e muito, o sabor.
2) Fique de olho na batata frita. Em geral os atendentes do McDonald´s não são lá muito empenhados na hora de encher as embalagens de batata. O caso nem é tão grave na pequena, que vem num saquinho de papel flexível. Na média e na grande, cuja embalagem é de um papelão mais rígido, eles deitam e rolam. Não desdobram a embalagem totalmente, escorregam a batata para dentro e o balconista, também malandro, bota a embalagem deitada na bandeja. Um consumidor distraído acha que está cheinho. Mas basta botar a embalagem de pé que logo aparecem as listas amarelas do fundo.
Aí você reclama, o balconista vai lá, bota a embalagem numa balancinha e volta dizendo que "está no padrão". Dois detalhes: a balança é inclinada, logo, o sujeito nunca larga inteiramente a embalagem; e você não sabe qual "o padrão", pois não está escrito em lugar algum. O cara pode dizer que o padrão é 200g, 150g ou 10g.
Um dia desses isso aconteceu comigo. Reclamei, e o gerente disse que o padrão era com "a embalagem normal" - o que ele insinuava é que eu apertara a embalagem dos lados para ela ficar mais larga. Eu pedi licença ao cliente ao lado no caixa, cuja batata acabara de ser posta deitadinha na bandeja, peguei a embalagem pela lingüeta de papelão atrás e, sem exercer qualquer pressão, coloquei-a de pé. Com a gravidade, viu-se que o conteúdo mal chegava a dois terços da capacidade. Em vez de uma, o imbecil do gerente teve que recarregar duas batatas.
3) Nunca, jamais, sob hipótese alguma peça a entrega a domicílio, pois eles vão ignorar solenemente todas as suas orientações. E nem pense em ligar para reclamar, pois vão lhe empurrar de um lado para outro sem solução.
Caso para o Procon
A única maneira realmente segura de não ser garfado no McDonald´s é não botar os pés lá. Mas, se o nobre visitante é como eu e não resiste a um Cheddar McMelt, vão aqui três dicas:
1) Peça refrigerante sem gelo. Num copo de 500ml eles enfiam modestamente 150ml de gelo. O distinto paga pela Coca Light, mas leva mais de um quinto da boa e velha H2O - nada contra ela, mas custa bem menos. Se quiser realmente irritá-los, peça o gelo num copinho separado.
Esse trambique envolve ainda uma propaganda enganosa, pois um aviso malocado na parede da loja diz que o gelo é para conservar a temperatura e o sabor da bebida. Pombas, refrigerantes são fórmulas químicas. O gelo derrete e acrescenta água a essa composição química, alterando, e muito, o sabor.
2) Fique de olho na batata frita. Em geral os atendentes do McDonald´s não são lá muito empenhados na hora de encher as embalagens de batata. O caso nem é tão grave na pequena, que vem num saquinho de papel flexível. Na média e na grande, cuja embalagem é de um papelão mais rígido, eles deitam e rolam. Não desdobram a embalagem totalmente, escorregam a batata para dentro e o balconista, também malandro, bota a embalagem deitada na bandeja. Um consumidor distraído acha que está cheinho. Mas basta botar a embalagem de pé que logo aparecem as listas amarelas do fundo.
Aí você reclama, o balconista vai lá, bota a embalagem numa balancinha e volta dizendo que "está no padrão". Dois detalhes: a balança é inclinada, logo, o sujeito nunca larga inteiramente a embalagem; e você não sabe qual "o padrão", pois não está escrito em lugar algum. O cara pode dizer que o padrão é 200g, 150g ou 10g.
Um dia desses isso aconteceu comigo. Reclamei, e o gerente disse que o padrão era com "a embalagem normal" - o que ele insinuava é que eu apertara a embalagem dos lados para ela ficar mais larga. Eu pedi licença ao cliente ao lado no caixa, cuja batata acabara de ser posta deitadinha na bandeja, peguei a embalagem pela lingüeta de papelão atrás e, sem exercer qualquer pressão, coloquei-a de pé. Com a gravidade, viu-se que o conteúdo mal chegava a dois terços da capacidade. Em vez de uma, o imbecil do gerente teve que recarregar duas batatas.
3) Nunca, jamais, sob hipótese alguma peça a entrega a domicílio, pois eles vão ignorar solenemente todas as suas orientações. E nem pense em ligar para reclamar, pois vão lhe empurrar de um lado para outro sem solução.
Caso para o Procon
Um candidato, rápido!
Sou um marxista convicto. Acho que o homem mais sábio de todos os tempos foi Marx. Groucho...
No antológico Diabo a Quatro, em dado momento ele diz: “Uma criança de quatro anos entende esse plano. Alguém me arranje uma criança de quatro anos.”
Lembrei-me disso ao ler no excelente site de pesquisas de opinião Polling Report que até um poste venceria George W. Bush na campanha para a reeleição no ano que vem. O problema é que os democratas ainda não conseguiram um poste para se candidatar.
Segundo as pesquisas feitas em novembro, há um empate técnico entre os eleitores inclinados a votar em Bush (47%) e não inclinados (48%). Apenas 42% acham que ele merece ser reeleito, contra 46% contrários.
Entretanto, quando a pesquisa testa o confronto direto entre ele os seis (isso mesmo, meia dúzia) pré-candidatos do Partido Democrata, Bush ganha mole de todos.
Tudo bem, Bob Fields (que reencarne como couro de zabumba na Feira de São Cristóvão) dizia que estatística é quem nem biquíni: mostra tudo, menos o mais importante. Mas esse números mostram que, ou os democratas arranjam um candidato que entusiasme, ou vão perder uma das eleições mais moles que já tiveram.
Sou um marxista convicto. Acho que o homem mais sábio de todos os tempos foi Marx. Groucho...
No antológico Diabo a Quatro, em dado momento ele diz: “Uma criança de quatro anos entende esse plano. Alguém me arranje uma criança de quatro anos.”
Lembrei-me disso ao ler no excelente site de pesquisas de opinião Polling Report que até um poste venceria George W. Bush na campanha para a reeleição no ano que vem. O problema é que os democratas ainda não conseguiram um poste para se candidatar.
Segundo as pesquisas feitas em novembro, há um empate técnico entre os eleitores inclinados a votar em Bush (47%) e não inclinados (48%). Apenas 42% acham que ele merece ser reeleito, contra 46% contrários.
Entretanto, quando a pesquisa testa o confronto direto entre ele os seis (isso mesmo, meia dúzia) pré-candidatos do Partido Democrata, Bush ganha mole de todos.
Tudo bem, Bob Fields (que reencarne como couro de zabumba na Feira de São Cristóvão) dizia que estatística é quem nem biquíni: mostra tudo, menos o mais importante. Mas esse números mostram que, ou os democratas arranjam um candidato que entusiasme, ou vão perder uma das eleições mais moles que já tiveram.
quinta-feira, 13 de novembro de 2003
Só divagação
Hoje eu vi numa livraria um belo livro importado de História sobre as nossas raízes orientais. A ilustração da capa traz um busto de um faraó egípcio e uma estátua de Buda. Só não comprei porque as minhas vacas andam mais magras que aquela mocréia do seriado Ally McBeal.
Voltando ao assunto, alguma coisa ali não bateu direito na minha cabeça. Depois me toquei do que era. O conceito do Egito como “oriental” é, no mínimo bizarro. Ou melhor, é apenas cultural, não geográfico. Quer ver só? A longitude de Atenas é 23 graus e 43 minutos a Leste de Greenwich. A do Cairo é 31 graus e vinte minutos. Realmente, o Egito está a Leste da Grécia, seria Oriente.
Mas Jerusalém tem como longitude 35 graus e treze minutos. Ninguém se refere ao Judaísmo como uma cultura oriental. Muito menos o Cristianismo – apesar de este ser uma acochambração do próprio Judaísmo com o Masdaísmo da Pérsia, que está mais a Leste ainda.
Alguém tem que lembrar ao autor que, em termos de geografia, a Estrela de Davi e até a cruz são bem mais orientais que o Olho de Hórus.
Hoje eu vi numa livraria um belo livro importado de História sobre as nossas raízes orientais. A ilustração da capa traz um busto de um faraó egípcio e uma estátua de Buda. Só não comprei porque as minhas vacas andam mais magras que aquela mocréia do seriado Ally McBeal.
Voltando ao assunto, alguma coisa ali não bateu direito na minha cabeça. Depois me toquei do que era. O conceito do Egito como “oriental” é, no mínimo bizarro. Ou melhor, é apenas cultural, não geográfico. Quer ver só? A longitude de Atenas é 23 graus e 43 minutos a Leste de Greenwich. A do Cairo é 31 graus e vinte minutos. Realmente, o Egito está a Leste da Grécia, seria Oriente.
Mas Jerusalém tem como longitude 35 graus e treze minutos. Ninguém se refere ao Judaísmo como uma cultura oriental. Muito menos o Cristianismo – apesar de este ser uma acochambração do próprio Judaísmo com o Masdaísmo da Pérsia, que está mais a Leste ainda.
Alguém tem que lembrar ao autor que, em termos de geografia, a Estrela de Davi e até a cruz são bem mais orientais que o Olho de Hórus.
quarta-feira, 5 de novembro de 2003
Trevas cariocas
Há um ano, quando as urnas decretaram quatro anos de obscurantismo cor-de-rosa para o Estado do Rio, eu comentei com amigos que iríamos encarar uma dobradinha do lumpesinato evangélico com a banda podre da polícia. Hoje esses dois exemplos do que o Rio de Janeiro produziu de pior tiveram momentos de glória graças à caneta malsã da nossa governadora diminutiva.
Primeiro ela exonerou o secretário de Direitos Humanos, João Luiz Duboc Pinaud, que havia denunciado e investigava a morte sob tortura de um comerciante num presídio. Deu com isso um inequívoco sinal verde à facção da polícia que considera moer um preso de pancada a forma mais eficiente de investigação.
Depois, vetou a lei (aprovada por 52 votos a 2 na Alerj) que institui o ensino religioso ecumênico nas escolas públicas. Pela lei, professores laicos falarão sobre ética religiosa, história comparada das religiões etc. Mas nossa “juíza Moore” dos pobres quer ensino confessional, catecismo em sala de aula, sob tutela das igrejas e às custas do dinheiro público. E ainda prometeu recorrer da liminar que cancelou o concurso para catequista, quer dizer, professor de religião. Qualquer semelhança com as escolas do regime Talibã não é mera coincidência. Resta a tênue esperança de que a Alerj derrube o veto e a Justiça mantenha a liminar.
O pior é que ela foi eleita em primeiro turno, o que me deixa profundamente preocupado com o tipo de população que o carioca está se tornando.
Há um ano, quando as urnas decretaram quatro anos de obscurantismo cor-de-rosa para o Estado do Rio, eu comentei com amigos que iríamos encarar uma dobradinha do lumpesinato evangélico com a banda podre da polícia. Hoje esses dois exemplos do que o Rio de Janeiro produziu de pior tiveram momentos de glória graças à caneta malsã da nossa governadora diminutiva.
Primeiro ela exonerou o secretário de Direitos Humanos, João Luiz Duboc Pinaud, que havia denunciado e investigava a morte sob tortura de um comerciante num presídio. Deu com isso um inequívoco sinal verde à facção da polícia que considera moer um preso de pancada a forma mais eficiente de investigação.
Depois, vetou a lei (aprovada por 52 votos a 2 na Alerj) que institui o ensino religioso ecumênico nas escolas públicas. Pela lei, professores laicos falarão sobre ética religiosa, história comparada das religiões etc. Mas nossa “juíza Moore” dos pobres quer ensino confessional, catecismo em sala de aula, sob tutela das igrejas e às custas do dinheiro público. E ainda prometeu recorrer da liminar que cancelou o concurso para catequista, quer dizer, professor de religião. Qualquer semelhança com as escolas do regime Talibã não é mera coincidência. Resta a tênue esperança de que a Alerj derrube o veto e a Justiça mantenha a liminar.
O pior é que ela foi eleita em primeiro turno, o que me deixa profundamente preocupado com o tipo de população que o carioca está se tornando.
quinta-feira, 30 de outubro de 2003
quarta-feira, 29 de outubro de 2003
Tem solução?
Hoje, indo para o trabalho no carro da Cristina, tomei uma fechada criminosa de um taxista – que vai reencarnar na Somália. A navalhada me lembrou uma conversa que tive com outro taxista há alguns dias. Num dado momento ele disse “eu, que sou profissional...” e eu interrompi perguntando como ele se tornara profissional, o que tivera de fazer. Não que eu esteja pensando em mudar de profissão; era curiosidade, mesmo.
Descobri que ele inscreveu-se no INSS, pagou meia dúzia de taxas no sindicato e na Prefeitura e, bingo, tornou-se taxista. Aí eu, espírito de porco como sempre, argumentei que ele não fez nada para se profissionalizar, apenas cumpriu trâmites burocráticos. Em termos de habilitação, não diferia em nada de mim. Depois andei num carro que o motorista não sabia onde ficava a São Clemente. É mais ou menos como jornalista escrever “haveriam erros”. Acontece, mas não deveria acontecer.
O problema é que isso é um fenômeno generalizado. Seja pela crise, pelo desemprego ou pela falência dos meios de capacitação, os serviços estão cada dia piores. Você entra num restaurante, pergunta como é o Filé à Moda da Casa e o garçom responde “é um filé feito à moda da casa” e ainda te olha como se você tivesse obrigação de saber o que passa pela cabeça do cozinheiro. No Bob’s, então, é de doer. Parece que fazem um teste de QI na seleção de balconistas e só contratam quem tira abaixo de 50.
Qual a solução para isso? Não faço a menor idéia. Essas pessoas têm que trabalhar honestamente, claro. Mas a absoluta falta de capacitação já está passando de todos os limites – e no caso dos taxistas, já vira até risco para os outros.
Hoje, indo para o trabalho no carro da Cristina, tomei uma fechada criminosa de um taxista – que vai reencarnar na Somália. A navalhada me lembrou uma conversa que tive com outro taxista há alguns dias. Num dado momento ele disse “eu, que sou profissional...” e eu interrompi perguntando como ele se tornara profissional, o que tivera de fazer. Não que eu esteja pensando em mudar de profissão; era curiosidade, mesmo.
Descobri que ele inscreveu-se no INSS, pagou meia dúzia de taxas no sindicato e na Prefeitura e, bingo, tornou-se taxista. Aí eu, espírito de porco como sempre, argumentei que ele não fez nada para se profissionalizar, apenas cumpriu trâmites burocráticos. Em termos de habilitação, não diferia em nada de mim. Depois andei num carro que o motorista não sabia onde ficava a São Clemente. É mais ou menos como jornalista escrever “haveriam erros”. Acontece, mas não deveria acontecer.
O problema é que isso é um fenômeno generalizado. Seja pela crise, pelo desemprego ou pela falência dos meios de capacitação, os serviços estão cada dia piores. Você entra num restaurante, pergunta como é o Filé à Moda da Casa e o garçom responde “é um filé feito à moda da casa” e ainda te olha como se você tivesse obrigação de saber o que passa pela cabeça do cozinheiro. No Bob’s, então, é de doer. Parece que fazem um teste de QI na seleção de balconistas e só contratam quem tira abaixo de 50.
Qual a solução para isso? Não faço a menor idéia. Essas pessoas têm que trabalhar honestamente, claro. Mas a absoluta falta de capacitação já está passando de todos os limites – e no caso dos taxistas, já vira até risco para os outros.
Dos males o pior
Oi povo. Como muita gente manifestou solidariedade pelo meu infortúnio automobilístico-policial, venho anunciar que o carro apareceu. Infelizmente apareceu sem ar condicionado, som, alto-falantes, estepe, macaco etc. Eu achava que ele ia ser encontrado porque todo mundo que sabia do roubo dizia “agora é torcer para que não encontrem”. Isso porque se o carro sumisse de vez, a seguradora pagaria uma grana que me permitiria comprar um mais baratinho e ainda ficar com um qualquer. Claro que Murphy, pra variar, falou mais alto... Acharam e vou morrer na franquia do seguro.
E atenção aos donos de Palio. Segundo tanto a polícia quanto os caras da oficina, esse carro está sendo roubado loucamente por conta do ar condicionado. Ao que parece, o aparelho se adapta a qualquer veículo.
Oi povo. Como muita gente manifestou solidariedade pelo meu infortúnio automobilístico-policial, venho anunciar que o carro apareceu. Infelizmente apareceu sem ar condicionado, som, alto-falantes, estepe, macaco etc. Eu achava que ele ia ser encontrado porque todo mundo que sabia do roubo dizia “agora é torcer para que não encontrem”. Isso porque se o carro sumisse de vez, a seguradora pagaria uma grana que me permitiria comprar um mais baratinho e ainda ficar com um qualquer. Claro que Murphy, pra variar, falou mais alto... Acharam e vou morrer na franquia do seguro.
E atenção aos donos de Palio. Segundo tanto a polícia quanto os caras da oficina, esse carro está sendo roubado loucamente por conta do ar condicionado. Ao que parece, o aparelho se adapta a qualquer veículo.
terça-feira, 21 de outubro de 2003
quarta-feira, 15 de outubro de 2003
sexta-feira, 10 de outubro de 2003
Queria ter dito essa
Maravilhosa frase do colunista Bob Herbert hoje no New York Times:
“Vender uma guerra desencaminhada é como vender cigarros. Você não pode falar a trágica verdade sobre seu produto.”
Maravilhosa frase do colunista Bob Herbert hoje no New York Times:
“Vender uma guerra desencaminhada é como vender cigarros. Você não pode falar a trágica verdade sobre seu produto.”
quinta-feira, 9 de outubro de 2003
No peito e na raça
Bem legal a matéria no site da BBC sobre a campanha para incentivar a amamentação no Brasil, exibida com destaque na página da emissora. O correspondente Steve Kingstone só carregou nas tintas ao apresentar Luiza Tomé, musa lactante da campanha, como uma das mais conhecidas atrizes do país.
Ela é linda (ainda mais turbinada pela amamentação), mas alguém aí se lembra de seu último papel de destaque? Vai ver Mr. Kingstone se deixou exaltar pela opulência de Luiza. Totalmente justificável.
Bem legal a matéria no site da BBC sobre a campanha para incentivar a amamentação no Brasil, exibida com destaque na página da emissora. O correspondente Steve Kingstone só carregou nas tintas ao apresentar Luiza Tomé, musa lactante da campanha, como uma das mais conhecidas atrizes do país.
Ela é linda (ainda mais turbinada pela amamentação), mas alguém aí se lembra de seu último papel de destaque? Vai ver Mr. Kingstone se deixou exaltar pela opulência de Luiza. Totalmente justificável.
Conserto caro
O gaúcho tinha um Opala "jóia", daqueles antigos, motor 4.100, "inteiraço". Tinha um ciúme doentio do carro. Um dia alguém bateu na porta do Opala e amassou. O gaúcho ficou tão puto da vida que encostou o carro na garagem e disse que não ia mais sair com ele.
Alguns meses depois, o gaúcho, louco de saudade do carrão, querendo dar uma volta, senta ao volante, põe a chave na partida e nada. A bateria havia descarregado. Depois de várias tentativas, desiste e chama o mecânico. Este chega, dá uma olhada, tenta ligar e diz:
- É fácil de consertar, e só fazer uma chupeta.
E o gaúcho:
- Se eu der a bunda, você arruma a porta também?
Essa quem mandou foi o Flávio Falcão, como parte de sua relação complicada com Yuri Totti...
O gaúcho tinha um Opala "jóia", daqueles antigos, motor 4.100, "inteiraço". Tinha um ciúme doentio do carro. Um dia alguém bateu na porta do Opala e amassou. O gaúcho ficou tão puto da vida que encostou o carro na garagem e disse que não ia mais sair com ele.
Alguns meses depois, o gaúcho, louco de saudade do carrão, querendo dar uma volta, senta ao volante, põe a chave na partida e nada. A bateria havia descarregado. Depois de várias tentativas, desiste e chama o mecânico. Este chega, dá uma olhada, tenta ligar e diz:
- É fácil de consertar, e só fazer uma chupeta.
E o gaúcho:
- Se eu der a bunda, você arruma a porta também?
Essa quem mandou foi o Flávio Falcão, como parte de sua relação complicada com Yuri Totti...
domingo, 5 de outubro de 2003
A força da genética
Minha afilhada Beatriz ainda nem fez dois anos e já mostra que o DNA da família está firmemente instalado. As primeiras suspeitas começaram quando minha irmã passou a fazer a vitamina de costas para ela, do contrário Beatriz queria comer as frutas antes que elas fossem para o liquidificador.
Esta semana veio a confirmação: A família almoçava num La Mole da vida, e ela estava instalada na obrigatória cadeirinha de bebê. O garçom começou a servir pelo lado da mesa onde ela estava, mas pulou-a, já que minha irmã ia servir e partir a comida da filha. Beatriz ficou agoniada ao ver o garçom ignorá-la, e, quando ele passou para o outro lado da mesa, não agüentou e reclamou (na sua linguagem, claro):
- Titio... neném, neném.
Essa vai longe.
Minha afilhada Beatriz ainda nem fez dois anos e já mostra que o DNA da família está firmemente instalado. As primeiras suspeitas começaram quando minha irmã passou a fazer a vitamina de costas para ela, do contrário Beatriz queria comer as frutas antes que elas fossem para o liquidificador.
Esta semana veio a confirmação: A família almoçava num La Mole da vida, e ela estava instalada na obrigatória cadeirinha de bebê. O garçom começou a servir pelo lado da mesa onde ela estava, mas pulou-a, já que minha irmã ia servir e partir a comida da filha. Beatriz ficou agoniada ao ver o garçom ignorá-la, e, quando ele passou para o outro lado da mesa, não agüentou e reclamou (na sua linguagem, claro):
- Titio... neném, neném.
Essa vai longe.
quinta-feira, 2 de outubro de 2003
Dá pra não renegar?
Depois alguns conhecidos estranham eu ter renegado o voto para presidente que dei no ano passado.
O Globo On Line diz que o presidente Lula (que eu ajudei a eleger num momento de insensatez) não vai demitir a ministra (do que mesmo?) Benedita da Silva por ter usado recursos públicos para ir a um evento privado – um encontro de gado em Buenos Aires.
Depois que a patuscada, aliás, o crime de improbidade administrativa ficou público, a equipe de Benedita inventou apressadamente um encontro com sua contraparte Argentina para tentar dar algum ar oficial à garfada no erário. Não convenceu ninguém.
O curioso é que o noticiário matinal dizia que Lula estava tiririca e queria que ela devolvesse o dinheiro usado indevidamente. Em conversa com governadores, aliás, José Dirceu disse que o ideal era a ministra entregasse, junto com a grana, sua carta de demissão.
Aparentemente no decorrer do dia a coisa mudou. Lula deve ter se tocado que respeito ao dinheiro público era só mais uma das promessas de campanha e dos compromissos históricos do partido que não precisaria honrar depois de eleito.
Lula chegou a dizer que alguém com um histórico como o de Benedita não cometeria um erro desses. Ele só pode estar nos gozando, não? Quando vereadora, a hoje ministra nomeou a família para cargos de confiança – incluindo um filho que tinha escolaridade apenas para ser contínuo. Depois quando esse filho usou um diploma falso para entrar num trem da alegria, disse que não tinha nada a ver com isso. Já senadora, gastou uma fábula de dinheiro público para enfiar no apartamento funcional uma jacuzzi – se não me engano, teve que devolver o dinheiro. Nada contra ela ter uma jacuzzi. Eu também queria. Mas que tirasse do seu bolso, não do meu.
Desde que foi nomeada ministra (como prêmio de consolação pela sova de levou do casal diminutivo que ora assombra o estado do Rio) ela vinha se mostrando num verdadeiro seio masculino - aquele troço que não é útil nem ornamental. Se tivesse ficado nisso, já seria lucro.
Enquanto isso, o partido vai expulsar Heloísa Helena por honrar sua história política.
Depois alguns conhecidos estranham eu ter renegado o voto para presidente que dei no ano passado.
O Globo On Line diz que o presidente Lula (que eu ajudei a eleger num momento de insensatez) não vai demitir a ministra (do que mesmo?) Benedita da Silva por ter usado recursos públicos para ir a um evento privado – um encontro de gado em Buenos Aires.
Depois que a patuscada, aliás, o crime de improbidade administrativa ficou público, a equipe de Benedita inventou apressadamente um encontro com sua contraparte Argentina para tentar dar algum ar oficial à garfada no erário. Não convenceu ninguém.
O curioso é que o noticiário matinal dizia que Lula estava tiririca e queria que ela devolvesse o dinheiro usado indevidamente. Em conversa com governadores, aliás, José Dirceu disse que o ideal era a ministra entregasse, junto com a grana, sua carta de demissão.
Aparentemente no decorrer do dia a coisa mudou. Lula deve ter se tocado que respeito ao dinheiro público era só mais uma das promessas de campanha e dos compromissos históricos do partido que não precisaria honrar depois de eleito.
Lula chegou a dizer que alguém com um histórico como o de Benedita não cometeria um erro desses. Ele só pode estar nos gozando, não? Quando vereadora, a hoje ministra nomeou a família para cargos de confiança – incluindo um filho que tinha escolaridade apenas para ser contínuo. Depois quando esse filho usou um diploma falso para entrar num trem da alegria, disse que não tinha nada a ver com isso. Já senadora, gastou uma fábula de dinheiro público para enfiar no apartamento funcional uma jacuzzi – se não me engano, teve que devolver o dinheiro. Nada contra ela ter uma jacuzzi. Eu também queria. Mas que tirasse do seu bolso, não do meu.
Desde que foi nomeada ministra (como prêmio de consolação pela sova de levou do casal diminutivo que ora assombra o estado do Rio) ela vinha se mostrando num verdadeiro seio masculino - aquele troço que não é útil nem ornamental. Se tivesse ficado nisso, já seria lucro.
Enquanto isso, o partido vai expulsar Heloísa Helena por honrar sua história política.