Pára que eu quero descer
Gente, eu pirei de vez ou o presidente da República realmente disse na TV que recebeu uma séria denúncia de corrupção da gestão anterior - grave a ponto de quase falir uma empresa pública - e mandou arquivar?
Espaço onde o jornalista Leonardo Pimentel pode se dedicar a falar mal do que bem entender.
Aviso
Apesar de criado por um jornalista, este blog não é nem pretende ser imparcial. Ele reflete minhas opiniões, meus gostos, desgostos, preconceitos e pós-conceitos. Se alguém se sentir ofendido, "paciência"...
Se quiser, mande-me um e-mail
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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005
Era só o que faltava...
Era só o que faltava...
Recebi um texto que acredito ser apócrifo. Seriam trechos de uma cartilha elaborada pela Igreja Universal para combater a libertinagem sexual. Tudo bem que da turma do "bispo" Macedo eu espero qualquer coisa, mas essa me parece forte demais. Confiram...
Maneiras pecaminosas de manter relações sexuais
Posição Cachorrinho - É uma das posições mais humilhantes para a mulher, pois ela fica prostrada como um animal enquanto seu parceiro ajoelhado a penetra. Animais são seres que não possuem espírito, então o homem que faz o cachorrinho com sua parceira fica com sua alma amaldiçoada e fétida.
Chupetinha - O prazer de levar um órgão sexual a boca é condenado pelas leis divinas. A boca foi feita para falar e ingerir alimentos e a língua para apreciar os sabores. A mulher engolindo o sêmen não vai ter filhos. E o homem somente sentirá dores musculares na língua ao sugar a vagina de sua parceira.
Sodomia - O ânus é sujo, fétido e possui em suas paredes milhões de bactérias. É o esgoto propriamente dito. No esgoto só existe ratos, baratas e mendigos. A pessoa que sodomiza ou é sodomizada ela se iguala a um rato pestilento. Seu espírito permanece imundo e amaldiçoado. Mas o pior é quando o ato é homossexual, pois o passaporte dessa infeliz criatura já está carimbado nos confins do inferno.
Maneira correta de manter relações sexuais
Posição Coito Papai-Mamãe - O homem e a mulher deve lavar suas partes com 1 litro de água corrente misturado com uma colher de vinagre e outra de sal grosso. Após isso, a mulher deve abrir as pernas e esperar o membro enrijecido do seu parceiro para iniciar a penetração. O homem após penetrar a mulher, não deve encostar seu peito nos seios dela, deve manter uma distância, pois a mulher deve estar rezando para que seu óvulo esteja sadio ao encontrar o espermatozóide. Depois do ato sexual, os dois devem rezar, pedindo perdão pelo prazer proibido do orgasmo. Como penitência, o açoite com vara de bambu é aceito como forma de purificação.
Recebi um texto que acredito ser apócrifo. Seriam trechos de uma cartilha elaborada pela Igreja Universal para combater a libertinagem sexual. Tudo bem que da turma do "bispo" Macedo eu espero qualquer coisa, mas essa me parece forte demais. Confiram...
Maneiras pecaminosas de manter relações sexuais
Posição Cachorrinho - É uma das posições mais humilhantes para a mulher, pois ela fica prostrada como um animal enquanto seu parceiro ajoelhado a penetra. Animais são seres que não possuem espírito, então o homem que faz o cachorrinho com sua parceira fica com sua alma amaldiçoada e fétida.
Chupetinha - O prazer de levar um órgão sexual a boca é condenado pelas leis divinas. A boca foi feita para falar e ingerir alimentos e a língua para apreciar os sabores. A mulher engolindo o sêmen não vai ter filhos. E o homem somente sentirá dores musculares na língua ao sugar a vagina de sua parceira.
Sodomia - O ânus é sujo, fétido e possui em suas paredes milhões de bactérias. É o esgoto propriamente dito. No esgoto só existe ratos, baratas e mendigos. A pessoa que sodomiza ou é sodomizada ela se iguala a um rato pestilento. Seu espírito permanece imundo e amaldiçoado. Mas o pior é quando o ato é homossexual, pois o passaporte dessa infeliz criatura já está carimbado nos confins do inferno.
Maneira correta de manter relações sexuais
Posição Coito Papai-Mamãe - O homem e a mulher deve lavar suas partes com 1 litro de água corrente misturado com uma colher de vinagre e outra de sal grosso. Após isso, a mulher deve abrir as pernas e esperar o membro enrijecido do seu parceiro para iniciar a penetração. O homem após penetrar a mulher, não deve encostar seu peito nos seios dela, deve manter uma distância, pois a mulher deve estar rezando para que seu óvulo esteja sadio ao encontrar o espermatozóide. Depois do ato sexual, os dois devem rezar, pedindo perdão pelo prazer proibido do orgasmo. Como penitência, o açoite com vara de bambu é aceito como forma de purificação.
domingo, 6 de fevereiro de 2005
Cenário de pesadelo
Cenário de pesadelo
Chamada da Rede Globo na sexta-feira: "Assista ao desfile das Escolas de Samba de São Paulo, logo depois do Big Brother".
Dá vontade de tentar a sorte em outra encarnação...
Chamada da Rede Globo na sexta-feira: "Assista ao desfile das Escolas de Samba de São Paulo, logo depois do Big Brother".
Dá vontade de tentar a sorte em outra encarnação...
Biografia agonizante
Biografia agonizante
Dia desses eu e Xico Vargas conversávamos sobre os motivos para a ministra Marina Silva continuar na pasta do Meio Ambiente. Apego ao poder? Fidelidade cega ao partido? Esperança de algum dia ter voz nas decisões do governo (teoria da Cristina)?
Sinceridade? Não faço a menor idéia. Para minha decepção, ela perdeu outra esta semana. O governo abriu as pernas para grileiros (em bom português, invasores de terras públicas) e madeireiros que bloqueavam estradas no Pará, cortando o abastecimento de víveres de pequenas cidades. O protesto era contra a ação do Ibama para moralizar a extração de madeira na região. Mais uma bola nas costas da ministra.
Aqui cabe um esclarecimento. Apesar de não ser cristão e não ter vocação pra sair carregando culpas, tenho que confessar que votei na atual administração. No que se refere à economia, ainda que a decepção seja grande, há que se reconhecer que, para acalmar a banca, desde a campanha Lula garantia que não haveria choques ou rupturas. Não dizia com todas as letras, mas o continuísmo já estava lá. Ok, ok, não precisava botar sonegador da Previdência no Ministério, mas...
No caso do meio ambiente, a conversa era outra. A plataforma do PT na campanha era calcada no desenvolvimento sustentável e no respeito às leis (tanto ambientais quanto convencionais). A presença de Marina Silva no ministério seria uma garantia do cumprimento desse programa. Doce ilusão...
Até agora, todas a vezes em que rolou uma dividida entre a área ambiental e alguma outra, a ministra perdeu. O pior é que a vitória acaba sempre favorecendo o crime. Crime? Sim, crime. Plantar sementes proibidas é crime. Cortar madeira em área de preservação, idem. Sem falar na malandragem de grandes empresas, que constroem hidrelétricas sem estudo de impacto ambiental - na base da liminar ou do suborno, mesmo - e, quando o Ibama estrila, acusam-no de "entrave ao desenvolvimento".
Os jornais dos últimos dias vinham dizendo que a ONGs ambientalistas estão deixando de ver a ministra como uma interlocutora séria. Ou seja, não adianta discutir nada com ela porque, na hora H, o outro lado ganha todas. No fim das contas, ela perde seu único patrimônio, a credibilidade.
Para o governo, claro, ter Marina Silva na esplanada funciona (ou funcionava) como um anteparo. "Como é que podem nos acusar de anti-ambientalistas se temos na equipe uma Marina Silva?" Mais ou menos como Himmler contratar um assessor judeu sem direito a voto para escapar da pecha de anti-semita....
Dia desses eu e Xico Vargas conversávamos sobre os motivos para a ministra Marina Silva continuar na pasta do Meio Ambiente. Apego ao poder? Fidelidade cega ao partido? Esperança de algum dia ter voz nas decisões do governo (teoria da Cristina)?
Sinceridade? Não faço a menor idéia. Para minha decepção, ela perdeu outra esta semana. O governo abriu as pernas para grileiros (em bom português, invasores de terras públicas) e madeireiros que bloqueavam estradas no Pará, cortando o abastecimento de víveres de pequenas cidades. O protesto era contra a ação do Ibama para moralizar a extração de madeira na região. Mais uma bola nas costas da ministra.
Aqui cabe um esclarecimento. Apesar de não ser cristão e não ter vocação pra sair carregando culpas, tenho que confessar que votei na atual administração. No que se refere à economia, ainda que a decepção seja grande, há que se reconhecer que, para acalmar a banca, desde a campanha Lula garantia que não haveria choques ou rupturas. Não dizia com todas as letras, mas o continuísmo já estava lá. Ok, ok, não precisava botar sonegador da Previdência no Ministério, mas...
No caso do meio ambiente, a conversa era outra. A plataforma do PT na campanha era calcada no desenvolvimento sustentável e no respeito às leis (tanto ambientais quanto convencionais). A presença de Marina Silva no ministério seria uma garantia do cumprimento desse programa. Doce ilusão...
Até agora, todas a vezes em que rolou uma dividida entre a área ambiental e alguma outra, a ministra perdeu. O pior é que a vitória acaba sempre favorecendo o crime. Crime? Sim, crime. Plantar sementes proibidas é crime. Cortar madeira em área de preservação, idem. Sem falar na malandragem de grandes empresas, que constroem hidrelétricas sem estudo de impacto ambiental - na base da liminar ou do suborno, mesmo - e, quando o Ibama estrila, acusam-no de "entrave ao desenvolvimento".
Os jornais dos últimos dias vinham dizendo que a ONGs ambientalistas estão deixando de ver a ministra como uma interlocutora séria. Ou seja, não adianta discutir nada com ela porque, na hora H, o outro lado ganha todas. No fim das contas, ela perde seu único patrimônio, a credibilidade.
Para o governo, claro, ter Marina Silva na esplanada funciona (ou funcionava) como um anteparo. "Como é que podem nos acusar de anti-ambientalistas se temos na equipe uma Marina Silva?" Mais ou menos como Himmler contratar um assessor judeu sem direito a voto para escapar da pecha de anti-semita....
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2005
Linha cruzada
Linha cruzada
Conversa entre dois cardeais nos corredores do Vaticano:
- Quem são os principais "papáveis"?
- Hum, têm dois coroinhas na minha diocese que são uns tesõezinhos....
Conversa entre dois cardeais nos corredores do Vaticano:
- Quem são os principais "papáveis"?
- Hum, têm dois coroinhas na minha diocese que são uns tesõezinhos....
Encosta na parede!
Encosta na parede!
O agravamento da saúde do Sumo Pontífice católico deixou tenso o clima no Inferno. O ex-presidente Figueiredo está preocupadissímo, pois ouviu que o Papa João estava para chegar lá.
O agravamento da saúde do Sumo Pontífice católico deixou tenso o clima no Inferno. O ex-presidente Figueiredo está preocupadissímo, pois ouviu que o Papa João estava para chegar lá.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2005
Se os impressionistas fossem dentistas
Se os impressionistas fossem dentistas
Prezado Theo,
Até quando a vida será tão ingrata ?
Estou roído pelo desespero e minha cabeça lateja!
A Sra. Sol Schwimmer está me processando porque fiz sua ponte de acordo com minha própria inspiração, e não para se ajustar à sua ridícula boca.
Mas é claro! Não sou um comerciante barato para trabalhar de encomenda! Achei que sua ponte devia ser enorme e exuberante, com dentes selvagens e explosivos, apontando para todas as direções. E agora ela está aborrecida porque eles não cabem em sua boca. É tão burguesa e burra que gostaria de matá-la!
Tentei fazer com que a ponte entrasse à força, mas os dentes continuam para fora como pingentes de um candelabro. Para mim está lindo!Mas ele reclama que não consegue mastigar. E que importa se ela consegue mastigar ou não?
Theo , não vou suportar isto por muito tempo.
Perguntei a Cézanne se ele dividiria o consultório comigo, mas Cézanne está velho, suas mão tremem e, para segurar os instrumentos, têm de ser amarrados em seus pulsos. Com isso, falta-lhe precisão e, ao trabalhar na boca de alguém, faz mais estragos que consertos.
O que fazer??
Vincent
Contribuição do meu primo Paulo, que não é impressionista mas é dentista
Prezado Theo,
Até quando a vida será tão ingrata ?
Estou roído pelo desespero e minha cabeça lateja!
A Sra. Sol Schwimmer está me processando porque fiz sua ponte de acordo com minha própria inspiração, e não para se ajustar à sua ridícula boca.
Mas é claro! Não sou um comerciante barato para trabalhar de encomenda! Achei que sua ponte devia ser enorme e exuberante, com dentes selvagens e explosivos, apontando para todas as direções. E agora ela está aborrecida porque eles não cabem em sua boca. É tão burguesa e burra que gostaria de matá-la!
Tentei fazer com que a ponte entrasse à força, mas os dentes continuam para fora como pingentes de um candelabro. Para mim está lindo!Mas ele reclama que não consegue mastigar. E que importa se ela consegue mastigar ou não?
Theo , não vou suportar isto por muito tempo.
Perguntei a Cézanne se ele dividiria o consultório comigo, mas Cézanne está velho, suas mão tremem e, para segurar os instrumentos, têm de ser amarrados em seus pulsos. Com isso, falta-lhe precisão e, ao trabalhar na boca de alguém, faz mais estragos que consertos.
O que fazer??
Vincent
Contribuição do meu primo Paulo, que não é impressionista mas é dentista
sábado, 29 de janeiro de 2005
Sempre ele...
Sempre ele...
Mais uma do meu cunhado Fernando.
Minha irmã se formou em Matemática (o que não deixa de ser assustador para mim, cujo conhecimento de matemática se limita a saber que é proparoxítona). Pois bem, no dia da formatura ela ganhou uma linda braçada de rosas, mas estranhou o fato de a dita vir com dois cartões. Um era do marido; o outro, do nosso avô. Ela, apesar de muito feliz pela formatura e pelas flores, não pôde deixar de chiar.
- Poxa, Fê. Cê teve a cara de pau de dividir o preço da rosas com meu avô?
- Não, neném. A gente não dividiu. Ele pagou tudo. Eu só botei o meu cartão junto.
Mais uma do meu cunhado Fernando.
Minha irmã se formou em Matemática (o que não deixa de ser assustador para mim, cujo conhecimento de matemática se limita a saber que é proparoxítona). Pois bem, no dia da formatura ela ganhou uma linda braçada de rosas, mas estranhou o fato de a dita vir com dois cartões. Um era do marido; o outro, do nosso avô. Ela, apesar de muito feliz pela formatura e pelas flores, não pôde deixar de chiar.
- Poxa, Fê. Cê teve a cara de pau de dividir o preço da rosas com meu avô?
- Não, neném. A gente não dividiu. Ele pagou tudo. Eu só botei o meu cartão junto.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2005
Murro com luva de pelica
Murro com luva de pelica
A academia Runner tem um outdoor que diz o seguinte: Neste verão, você quer ser sereia ou baleia?
Uma mulher enviou a eles a sua resposta e distribuiu o seguinte e-mail...
"Ontem vi um outdoor da Runner, com a foto de uma moça escultural de biquíni e a frase: Neste verão, qual você quer ser? Sereia ou Baleia?
Respondo:
Baleias sempre estão cercadas de amigos.
Baleias têm vida sexual ativa, engravidam e têm filhotinhos fofos.
Baleias amamentam.
Baleias nadam por aí, cortando os mares e conhecendo lugares legais como as banquisas da Antártida e os recifes de coral da Polinésia.
Baleias têm amigos golfinhos.
Baleias comem camarão à beça.
Baleias esguicham água e brincam muito.
Baleias cantam muito bem e têm até CDs gravados.
Baleias são enormes e quase não têm predadores naturais.
Baleias são bem resolvidas, lindas e amadas.
Sereias não existem. Se existissem viveriam em crise existencial: Sou um peixe ou um ser humano?
Não têm filhos, pois matam os homens que se encantam com sua beleza.
São lindas mas tristes e sempre solitárias...
Runner, querida, prefiro ser baleia!"
Cortesia da minha querida Claudia Manes
A academia Runner tem um outdoor que diz o seguinte: Neste verão, você quer ser sereia ou baleia?
Uma mulher enviou a eles a sua resposta e distribuiu o seguinte e-mail...
"Ontem vi um outdoor da Runner, com a foto de uma moça escultural de biquíni e a frase: Neste verão, qual você quer ser? Sereia ou Baleia?
Respondo:
Baleias sempre estão cercadas de amigos.
Baleias têm vida sexual ativa, engravidam e têm filhotinhos fofos.
Baleias amamentam.
Baleias nadam por aí, cortando os mares e conhecendo lugares legais como as banquisas da Antártida e os recifes de coral da Polinésia.
Baleias têm amigos golfinhos.
Baleias comem camarão à beça.
Baleias esguicham água e brincam muito.
Baleias cantam muito bem e têm até CDs gravados.
Baleias são enormes e quase não têm predadores naturais.
Baleias são bem resolvidas, lindas e amadas.
Sereias não existem. Se existissem viveriam em crise existencial: Sou um peixe ou um ser humano?
Não têm filhos, pois matam os homens que se encantam com sua beleza.
São lindas mas tristes e sempre solitárias...
Runner, querida, prefiro ser baleia!"
Cortesia da minha querida Claudia Manes
terça-feira, 25 de janeiro de 2005
Between, my well
Between, my well
Quando comecei a aprender inglês - décadas atrás, no século passado - cometi verdadeiras atrocidades "traduzindo" letras de músicas. Pegava a letra, ia conferindo no dicionário as palavras e mandava ver, sem fazer a menor idéia se o sentido era aquele mesmo. Mas eu era um aborrecente fazendo isso por mera curiosidade. Um artista consagrado fazer isso é que dói.
Digo isso porque outro dia estava ouvindo no carro o CD Grande encontro, de Alceu Valença, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Zé Ramalho. Quando chegou na faixa "O amanhã é distante", cantada por Zé, topei com um trecho da letra que sempre achei o mais absoluto nonsense: "Se ao menos o meu amor estivesse aqui, se eu pudesse ouvir seu coração. Se ao menos mentisse ao meu lado, estaria em minha cama outra vez". Ficava pensando no que Zé queria dizer com isso.
Aí que eu me lembrei que a música não era dele, e sim uma versão para "Tomorrow is a long time", de Bob Dylan. Como nunca fui fã do dito cujo, não tenho uma boa memória de seu trabalho. Mas, ao me tocar que o original era em inglês, o sentido (e burrada do tradutor) surgiu imediatamente. Fui conferir a letra e lá estava: "Only if she was lyin' by me, then I'd lie in my bed once again".
Não era "mentisse", era "deitasse". E o pior é que nem prejudicaria a métrica do verso. Francamente, Zé...
Quando comecei a aprender inglês - décadas atrás, no século passado - cometi verdadeiras atrocidades "traduzindo" letras de músicas. Pegava a letra, ia conferindo no dicionário as palavras e mandava ver, sem fazer a menor idéia se o sentido era aquele mesmo. Mas eu era um aborrecente fazendo isso por mera curiosidade. Um artista consagrado fazer isso é que dói.
Digo isso porque outro dia estava ouvindo no carro o CD Grande encontro, de Alceu Valença, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Zé Ramalho. Quando chegou na faixa "O amanhã é distante", cantada por Zé, topei com um trecho da letra que sempre achei o mais absoluto nonsense: "Se ao menos o meu amor estivesse aqui, se eu pudesse ouvir seu coração. Se ao menos mentisse ao meu lado, estaria em minha cama outra vez". Ficava pensando no que Zé queria dizer com isso.
Aí que eu me lembrei que a música não era dele, e sim uma versão para "Tomorrow is a long time", de Bob Dylan. Como nunca fui fã do dito cujo, não tenho uma boa memória de seu trabalho. Mas, ao me tocar que o original era em inglês, o sentido (e burrada do tradutor) surgiu imediatamente. Fui conferir a letra e lá estava: "Only if she was lyin' by me, then I'd lie in my bed once again".
Não era "mentisse", era "deitasse". E o pior é que nem prejudicaria a métrica do verso. Francamente, Zé...
domingo, 23 de janeiro de 2005
quinta-feira, 13 de janeiro de 2005
segunda-feira, 10 de janeiro de 2005
É dura a vida...
É dura a vida...
Essa aconteceu com um casal de amigos meus, cuja identidade vou preservar. Ela (jura que), inadvertidamente, acessou a caixa postal do celular dele e deu de cara com uma mensagem de voz feminina toda melosa, chamando o dito cujo de ?meu amor? e por aí vai. Claro que partiu para cima dele com fúria de jogador de rúgbi, enquanto o coitado proclamava inocência.
O final vocês devem estar imaginando, né? O recado era dela mesma, deixado dias antes. Como a maioria das pessoas, ela não reconheceu a própria voz ao ouvi-la gravada.
Só sei que, depois desse, meu amigo está com um salvo conduto para pelo menos três flagrantes.
Essa aconteceu com um casal de amigos meus, cuja identidade vou preservar. Ela (jura que), inadvertidamente, acessou a caixa postal do celular dele e deu de cara com uma mensagem de voz feminina toda melosa, chamando o dito cujo de ?meu amor? e por aí vai. Claro que partiu para cima dele com fúria de jogador de rúgbi, enquanto o coitado proclamava inocência.
O final vocês devem estar imaginando, né? O recado era dela mesma, deixado dias antes. Como a maioria das pessoas, ela não reconheceu a própria voz ao ouvi-la gravada.
Só sei que, depois desse, meu amigo está com um salvo conduto para pelo menos três flagrantes.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2004
Difícil de engolir
Difícil de engolir
Tudo bem que a idéia de o Pinochet passar o tempo que lhe resta entrevados por conta de um derrame é adorável, mas esse AVC que ele teve no sábado tem um cheiro indelével de caô...
Vocês lembram quando ele esteve preso na Inglaterra? Conseguiu voltar para o Chile sob a alegação de que estava à morte. Desceu do avião em Santiago numa cadeira de rodas, mas levantou-se e saiu cumprimentando todo mundo. Só faltou sapatear.
Agora, às vésperar de a Justiça chilena decidir se ele tem ou não condições de ser julgado, o infeliz tem um AVC? Bom demais pra ser verdade, como se dizia na reunião de pauta do Globo...
Tudo bem que a idéia de o Pinochet passar o tempo que lhe resta entrevados por conta de um derrame é adorável, mas esse AVC que ele teve no sábado tem um cheiro indelével de caô...
Vocês lembram quando ele esteve preso na Inglaterra? Conseguiu voltar para o Chile sob a alegação de que estava à morte. Desceu do avião em Santiago numa cadeira de rodas, mas levantou-se e saiu cumprimentando todo mundo. Só faltou sapatear.
Agora, às vésperar de a Justiça chilena decidir se ele tem ou não condições de ser julgado, o infeliz tem um AVC? Bom demais pra ser verdade, como se dizia na reunião de pauta do Globo...
terça-feira, 7 de dezembro de 2004
É longa, mas é boa
É longa, mas é ótima...
... e só faz sentido para quem gosta de rock.
Para entender as diferentes vertentes do Metal e do Rock, vamos imaginar uma fábula e seus respectivos desfechos na abordagem de cada estilo.
A historia começa assim:
"No alto do castelo, há uma linda princesa - muito carente - que foi ali trancada, e é guardada por um grande e terrível dragão"...
E termina assim:
Metal Melódico:
O protagonista chega no castelo num cavalo alado branco, escapa do dragão, salva a princesa, fogem para longe e fazem amor.
True Metal:
O protagonista chega no castelo e vence o dragão em uma batalha justa usando uma espada. Banhado no sangue do dragão, transa com a princesa.
Thrash Metal:
O protagonista chega no castelo, arranca a cabeça do dragão, salva a princesa e transa com ela.
Heavy Metal:
O protagonista chega no castelo numa Harley Davidson, mata o dragão, enche a cara de cerveja com a princesa e depois transa com ela.
Folk Metal:
O protagonista chega acompanhado de vários amigos tocando acordeon, alaúde, viola e outros instrumentos estranhos. Fazem o dragão dormir depois de tanto dançar, e vão embora... sem a princesa.
Viking Metal:
O protagonista chega em um navio, mata o dragão com um machado, assa e come. Estupra a princesa, pilha o castelo e toca fogo em tudo antes de ir embora.
Death Metal:
O protagonista chega, mata o dragão, transa com a princesa, mata a princesa e vai embora.
Black Metal:
Chega de madrugada, dentro da neblina. Mata o dragão e empala em frente ao castelo. Sodomiza a princesa, a corta com uma faca e bebe o seu sangue em um ritual até matá-la. Depois descobre que ela não era mais virgem e a empala junto com o dragão.
Gore:
Chega, mata o dragão. Sobe no castelo, transa com a princesa e a mata. Depois transa com ela de novo. Queima o corpo da princesa e transa com ele de novo.
Splatter:
Chega, mata o dragão, abre-o com um bisturi. Sodomiza a princesa com as tripas do dragão. Abre buracos nela com o bisturi e estupra cada um dos buracos. Depois mata a princesa, faz uma autópsia, tira fotos, e lança um álbum cuja capa é uma das fotos.
Doom Metal:
Chega no castelo, olha o tamanho do dragão, fica deprimido e se mata. O dragão come o cadáver do protagonista e depois come a princesa.
White Metal:
Chega no castelo, exorciza o dragão, converte a princesa e usa o castelo para sediar mais uma igreja evangélica.
New Metal:
Chega no castelo se achando o bonzão e dizendo o quanto é bom de briga. Acha que é capaz de vencer o dragão; perde feio e leva o maior cacete. Foge e encontra a princesa. Conta para ela sobre a sua infância triste. A princesa dá um soco na cara dele e vai procurar o protagonista Heavy Metal. O protagonista New Metal toma um Prozac e vai gravar um disco "The Best Of".
Rock n'Roll Clássico:
Chega de moto fumando um baseado e oferece para o dragão, que logo fica seu amigo. Depois acampa com a princesa numa parte mais afastada do jardim e depois de muito sexo, drogas e rock n'roll, tem uma overdose de LSD e morre sufocado no próprio vômito.
Punk Rock:
Joga uma pedra no dragão e depois foge. Picha o muro do castelo com um "A" de anarquia. Faz um moicano na princesa e depois abre uma barraquinha de fanzines no saguão do castelo.
Progressivo:
Chega, toca um solo virtuoso de guitarra de 26 minutos. O dragão se mata de tanto tédio. Chega até a princesa e toca outro solo que explora todas as técnicas de atonalismo em compassos ternários compostos aprendidas no último ano de conservatório. A princesa foge e vai procurar o protagonista Heavy Metal.
Hard Rock:
Chega em um conversível vermelho, com duas loiras peitudas e tomando Jack Daniel's. Mata o dragão com uma faca e faz uma orgia com a princesa e as loiras.
Cortesia do meu prezado Pedro Doria.
... e só faz sentido para quem gosta de rock.
Para entender as diferentes vertentes do Metal e do Rock, vamos imaginar uma fábula e seus respectivos desfechos na abordagem de cada estilo.
A historia começa assim:
"No alto do castelo, há uma linda princesa - muito carente - que foi ali trancada, e é guardada por um grande e terrível dragão"...
E termina assim:
Metal Melódico:
O protagonista chega no castelo num cavalo alado branco, escapa do dragão, salva a princesa, fogem para longe e fazem amor.
True Metal:
O protagonista chega no castelo e vence o dragão em uma batalha justa usando uma espada. Banhado no sangue do dragão, transa com a princesa.
Thrash Metal:
O protagonista chega no castelo, arranca a cabeça do dragão, salva a princesa e transa com ela.
Heavy Metal:
O protagonista chega no castelo numa Harley Davidson, mata o dragão, enche a cara de cerveja com a princesa e depois transa com ela.
Folk Metal:
O protagonista chega acompanhado de vários amigos tocando acordeon, alaúde, viola e outros instrumentos estranhos. Fazem o dragão dormir depois de tanto dançar, e vão embora... sem a princesa.
Viking Metal:
O protagonista chega em um navio, mata o dragão com um machado, assa e come. Estupra a princesa, pilha o castelo e toca fogo em tudo antes de ir embora.
Death Metal:
O protagonista chega, mata o dragão, transa com a princesa, mata a princesa e vai embora.
Black Metal:
Chega de madrugada, dentro da neblina. Mata o dragão e empala em frente ao castelo. Sodomiza a princesa, a corta com uma faca e bebe o seu sangue em um ritual até matá-la. Depois descobre que ela não era mais virgem e a empala junto com o dragão.
Gore:
Chega, mata o dragão. Sobe no castelo, transa com a princesa e a mata. Depois transa com ela de novo. Queima o corpo da princesa e transa com ele de novo.
Splatter:
Chega, mata o dragão, abre-o com um bisturi. Sodomiza a princesa com as tripas do dragão. Abre buracos nela com o bisturi e estupra cada um dos buracos. Depois mata a princesa, faz uma autópsia, tira fotos, e lança um álbum cuja capa é uma das fotos.
Doom Metal:
Chega no castelo, olha o tamanho do dragão, fica deprimido e se mata. O dragão come o cadáver do protagonista e depois come a princesa.
White Metal:
Chega no castelo, exorciza o dragão, converte a princesa e usa o castelo para sediar mais uma igreja evangélica.
New Metal:
Chega no castelo se achando o bonzão e dizendo o quanto é bom de briga. Acha que é capaz de vencer o dragão; perde feio e leva o maior cacete. Foge e encontra a princesa. Conta para ela sobre a sua infância triste. A princesa dá um soco na cara dele e vai procurar o protagonista Heavy Metal. O protagonista New Metal toma um Prozac e vai gravar um disco "The Best Of".
Rock n'Roll Clássico:
Chega de moto fumando um baseado e oferece para o dragão, que logo fica seu amigo. Depois acampa com a princesa numa parte mais afastada do jardim e depois de muito sexo, drogas e rock n'roll, tem uma overdose de LSD e morre sufocado no próprio vômito.
Punk Rock:
Joga uma pedra no dragão e depois foge. Picha o muro do castelo com um "A" de anarquia. Faz um moicano na princesa e depois abre uma barraquinha de fanzines no saguão do castelo.
Progressivo:
Chega, toca um solo virtuoso de guitarra de 26 minutos. O dragão se mata de tanto tédio. Chega até a princesa e toca outro solo que explora todas as técnicas de atonalismo em compassos ternários compostos aprendidas no último ano de conservatório. A princesa foge e vai procurar o protagonista Heavy Metal.
Hard Rock:
Chega em um conversível vermelho, com duas loiras peitudas e tomando Jack Daniel's. Mata o dragão com uma faca e faz uma orgia com a princesa e as loiras.
Cortesia do meu prezado Pedro Doria.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2004
Crueldade
Crueldade
Minha ex-querida Claudia Manes fez comigo uma maldade sem tamanho: mandou-me o link com o trailer da versão estendida de O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei.
Quando vi o filme no cinema, constatei desolado que Peter Jackson cortou praticamente todas as minhas passagens favoritas do livro. Lamentei a ausência da confrontação de Aragorn com Sauron usando o palantir, a aparição da Boca de Sauron, a cura de Éowyn e Faramir e o início do romance entre eles, achei péssimo que este último (um dos personagens mais densos do livro) fosse reduzido quase a um figurante flechado. Mas, acima de tudo, senti falta do confronto entre Gandalf e Saruman e do final no Shire.
Pois bem, tirando o final, está tudo na versão estendida... Pela bagatela de US$ 28 na CD Universe, mais US$ 10 de despesas de postagem. Ou seja, R$ 102, ao que se deve somar 65% de imposto. Resultado final? R$ 169,29. É ou não é uma crueldade.
Ah, o ex-querida é brincadeirinha.
Minha ex-querida Claudia Manes fez comigo uma maldade sem tamanho: mandou-me o link com o trailer da versão estendida de O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei.
Quando vi o filme no cinema, constatei desolado que Peter Jackson cortou praticamente todas as minhas passagens favoritas do livro. Lamentei a ausência da confrontação de Aragorn com Sauron usando o palantir, a aparição da Boca de Sauron, a cura de Éowyn e Faramir e o início do romance entre eles, achei péssimo que este último (um dos personagens mais densos do livro) fosse reduzido quase a um figurante flechado. Mas, acima de tudo, senti falta do confronto entre Gandalf e Saruman e do final no Shire.
Pois bem, tirando o final, está tudo na versão estendida... Pela bagatela de US$ 28 na CD Universe, mais US$ 10 de despesas de postagem. Ou seja, R$ 102, ao que se deve somar 65% de imposto. Resultado final? R$ 169,29. É ou não é uma crueldade.
Ah, o ex-querida é brincadeirinha.
segunda-feira, 29 de novembro de 2004
Fim do mundo
Fim do mundo
Sei que vou levar até pedrada, mas que se dane. O blog é meu, mesmo.
Eu sou pai, tenho uma criança em casa. Imaginar que alguém considere viver nas ruas um direito da criança é algo que nunca vai entrar na minha cabeça.
Sei que vou levar até pedrada, mas que se dane. O blog é meu, mesmo.
Eu sou pai, tenho uma criança em casa. Imaginar que alguém considere viver nas ruas um direito da criança é algo que nunca vai entrar na minha cabeça.
Babação absoluta
Babação absoluta
Filhos dão um trabalho tremendo e uma despesa de arrancar os cabelos - mas fazem tudo isso desaparecer com coisas simples, como a que me aconteceu hoje de manhã.
Há tempos vimos estimulando Luísa a andar, apoiada no chiqueirinho, nos móveis ou nas nossas mãos. Hoje, brincando comigo no tapete de borracha, ela andou sozinha pela primeira vez. Seus dois primeiros passos foram uma experiência só nossa. Depois, diante de Cristina, repetiu a façanha e chegou a dar cinco passos sem apoio nenhum.
Ok, ok. Sei que a partir de agora "Volta aqui, Luísa!" vai ser uma das frases mais comuns do meu vocabulário, mas estou nas nuvens.
Filhos dão um trabalho tremendo e uma despesa de arrancar os cabelos - mas fazem tudo isso desaparecer com coisas simples, como a que me aconteceu hoje de manhã.
Há tempos vimos estimulando Luísa a andar, apoiada no chiqueirinho, nos móveis ou nas nossas mãos. Hoje, brincando comigo no tapete de borracha, ela andou sozinha pela primeira vez. Seus dois primeiros passos foram uma experiência só nossa. Depois, diante de Cristina, repetiu a façanha e chegou a dar cinco passos sem apoio nenhum.
Ok, ok. Sei que a partir de agora "Volta aqui, Luísa!" vai ser uma das frases mais comuns do meu vocabulário, mas estou nas nuvens.
Torço que não, mas...
Torço que não, mas...
Antes de mais nada, alguns esclarecimentos úteis:
- Tenho Luís Fernando Veríssimo na categoria de ídolo.
- Sou rubro-negro de berço e estou torcendo alucinadamente para que o Flamengo escape do rebaixamento no Campeonato Brasileiro - daí estar feliz da vida com a vitória sobre o Palmeiras.
Isto posto, não dá para concordar com a coluna que Veríssimo publicou hoje no Globo. Nela, um proverbial marciano fica chocado ao saber que, por conta do regulamento, o já deficitário campeonato corre o risco de perder na sua elite a maior torcida do país. Fico surpreso que Veríssimo - em tudo um saudável crítico da lógica imoral do mercado - pense no campeonato como uma equação mercadológica.
Como disse, torço desesperadamente para que o Flamengo não termine a competição entre os quatro últimos da tabela. Mas, se terminar, tem que cair. Aturar meus cunhados vascaínos nesse caso seria o inferno na terra, mas é o preço a pagar.
Eu acredito - e ninguém é obrigado a concordar - que dois dos grandes problemas do Brasil parecem ser nossa incapacidade atávica de respeitar regras mínimas de organização e nossa complacência com a mediocridade. O Flamengo não está suando sangue para escapar do rebaixamento porque os Deuses são maus. Está por pura incompetência, por desorganização técnica e administrativa.
O time que hoje detonou fora de casa um dos líderes do campeonato foi o mesmo que tomou de seis do Atlético Mineiro - colega de Zona da Morte. Dá para reclamar se cair? Não. Como não dá para aceitar um tapetão.
Lembram do Fluminense nos anos 90? Caiu para a segundona, mas escapou graças a uma virada de mesa - numa das imagens mais patéticas da década, o então presidente do clube chegou a estourar um champanhe para comemorar a desonestidade. Resultado, conseguiu ser o único time rebaixado para a série B duas vezes seguidas e ainda amargou uma descida para a terceirona. Foi só aí que começou a atacar de fato seus problemas e voltar a crescer. Não é à toa que está em primeiro entre os cariocas no Brasileirão.
Desculpem o simplismo, mas eu realmente acho que não dá pra ser ético em meio expediente.
Antes de mais nada, alguns esclarecimentos úteis:
- Tenho Luís Fernando Veríssimo na categoria de ídolo.
- Sou rubro-negro de berço e estou torcendo alucinadamente para que o Flamengo escape do rebaixamento no Campeonato Brasileiro - daí estar feliz da vida com a vitória sobre o Palmeiras.
Isto posto, não dá para concordar com a coluna que Veríssimo publicou hoje no Globo. Nela, um proverbial marciano fica chocado ao saber que, por conta do regulamento, o já deficitário campeonato corre o risco de perder na sua elite a maior torcida do país. Fico surpreso que Veríssimo - em tudo um saudável crítico da lógica imoral do mercado - pense no campeonato como uma equação mercadológica.
Como disse, torço desesperadamente para que o Flamengo não termine a competição entre os quatro últimos da tabela. Mas, se terminar, tem que cair. Aturar meus cunhados vascaínos nesse caso seria o inferno na terra, mas é o preço a pagar.
Eu acredito - e ninguém é obrigado a concordar - que dois dos grandes problemas do Brasil parecem ser nossa incapacidade atávica de respeitar regras mínimas de organização e nossa complacência com a mediocridade. O Flamengo não está suando sangue para escapar do rebaixamento porque os Deuses são maus. Está por pura incompetência, por desorganização técnica e administrativa.
O time que hoje detonou fora de casa um dos líderes do campeonato foi o mesmo que tomou de seis do Atlético Mineiro - colega de Zona da Morte. Dá para reclamar se cair? Não. Como não dá para aceitar um tapetão.
Lembram do Fluminense nos anos 90? Caiu para a segundona, mas escapou graças a uma virada de mesa - numa das imagens mais patéticas da década, o então presidente do clube chegou a estourar um champanhe para comemorar a desonestidade. Resultado, conseguiu ser o único time rebaixado para a série B duas vezes seguidas e ainda amargou uma descida para a terceirona. Foi só aí que começou a atacar de fato seus problemas e voltar a crescer. Não é à toa que está em primeiro entre os cariocas no Brasileirão.
Desculpem o simplismo, mas eu realmente acho que não dá pra ser ético em meio expediente.
quinta-feira, 18 de novembro de 2004
Desenredo
Desenredo
(Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro)
Por toda terra que passo
Me espanta tudo o que vejo
A morte tece seu fio
De vida feita ao avesso
O olhar que prende anda solto
O olhar que solta anda preso
Mas quando eu chego
Eu me enredo
Nas tranças do teu desejo
O mundo todo marcado
A ferro, fogo e desprezo
A vida é o fio do tempo
A morte é o fim do novelo
O olhar que assusta
Anda morto
O olhar que avisa
Anda aceso
Mas quando eu chego
Eu me perco
Nas tramas do teu segredo
Ê, Minas
Ê, Minas
É hora de partir
Eu vou
Vou-me embora pra bem longe
A cera da vela queimando
O homem fazendo o seu preço
A morte que a vida anda armando
A vida que a morte anda tendo
O olhar mais fraco anda afoito
O olhar mais forte, indefeso
Mas quando eu chego
Eu me enrosco
Nas cordas do teu cabelo
Ê, Minas
Ê, Minas
É hora de partir
Eu vou
Vou-me embora pra bem longe
(Está aqui por nenhum motivo em especial, apenas porque adoro essa música)
(Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro)
Por toda terra que passo
Me espanta tudo o que vejo
A morte tece seu fio
De vida feita ao avesso
O olhar que prende anda solto
O olhar que solta anda preso
Mas quando eu chego
Eu me enredo
Nas tranças do teu desejo
O mundo todo marcado
A ferro, fogo e desprezo
A vida é o fio do tempo
A morte é o fim do novelo
O olhar que assusta
Anda morto
O olhar que avisa
Anda aceso
Mas quando eu chego
Eu me perco
Nas tramas do teu segredo
Ê, Minas
Ê, Minas
É hora de partir
Eu vou
Vou-me embora pra bem longe
A cera da vela queimando
O homem fazendo o seu preço
A morte que a vida anda armando
A vida que a morte anda tendo
O olhar mais fraco anda afoito
O olhar mais forte, indefeso
Mas quando eu chego
Eu me enrosco
Nas cordas do teu cabelo
Ê, Minas
Ê, Minas
É hora de partir
Eu vou
Vou-me embora pra bem longe
(Está aqui por nenhum motivo em especial, apenas porque adoro essa música)


