Só divagação
Hoje eu vi numa livraria um belo livro importado de História sobre as nossas raízes orientais. A ilustração da capa traz um busto de um faraó egípcio e uma estátua de Buda. Só não comprei porque as minhas vacas andam mais magras que aquela mocréia do seriado Ally McBeal.
Voltando ao assunto, alguma coisa ali não bateu direito na minha cabeça. Depois me toquei do que era. O conceito do Egito como “oriental” é, no mínimo bizarro. Ou melhor, é apenas cultural, não geográfico. Quer ver só? A longitude de Atenas é 23 graus e 43 minutos a Leste de Greenwich. A do Cairo é 31 graus e vinte minutos. Realmente, o Egito está a Leste da Grécia, seria Oriente.
Mas Jerusalém tem como longitude 35 graus e treze minutos. Ninguém se refere ao Judaísmo como uma cultura oriental. Muito menos o Cristianismo – apesar de este ser uma acochambração do próprio Judaísmo com o Masdaísmo da Pérsia, que está mais a Leste ainda.
Alguém tem que lembrar ao autor que, em termos de geografia, a Estrela de Davi e até a cruz são bem mais orientais que o Olho de Hórus.
Espaço onde o jornalista Leonardo Pimentel pode se dedicar a falar mal do que bem entender.
Aviso
Apesar de criado por um jornalista, este blog não é nem pretende ser imparcial. Ele reflete minhas opiniões, meus gostos, desgostos, preconceitos e pós-conceitos. Se alguém se sentir ofendido, "paciência"...
Se quiser, mande-me um e-mail
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quinta-feira, 13 de novembro de 2003
quarta-feira, 5 de novembro de 2003
Trevas cariocas
Há um ano, quando as urnas decretaram quatro anos de obscurantismo cor-de-rosa para o Estado do Rio, eu comentei com amigos que iríamos encarar uma dobradinha do lumpesinato evangélico com a banda podre da polícia. Hoje esses dois exemplos do que o Rio de Janeiro produziu de pior tiveram momentos de glória graças à caneta malsã da nossa governadora diminutiva.
Primeiro ela exonerou o secretário de Direitos Humanos, João Luiz Duboc Pinaud, que havia denunciado e investigava a morte sob tortura de um comerciante num presídio. Deu com isso um inequívoco sinal verde à facção da polícia que considera moer um preso de pancada a forma mais eficiente de investigação.
Depois, vetou a lei (aprovada por 52 votos a 2 na Alerj) que institui o ensino religioso ecumênico nas escolas públicas. Pela lei, professores laicos falarão sobre ética religiosa, história comparada das religiões etc. Mas nossa “juíza Moore” dos pobres quer ensino confessional, catecismo em sala de aula, sob tutela das igrejas e às custas do dinheiro público. E ainda prometeu recorrer da liminar que cancelou o concurso para catequista, quer dizer, professor de religião. Qualquer semelhança com as escolas do regime Talibã não é mera coincidência. Resta a tênue esperança de que a Alerj derrube o veto e a Justiça mantenha a liminar.
O pior é que ela foi eleita em primeiro turno, o que me deixa profundamente preocupado com o tipo de população que o carioca está se tornando.
Há um ano, quando as urnas decretaram quatro anos de obscurantismo cor-de-rosa para o Estado do Rio, eu comentei com amigos que iríamos encarar uma dobradinha do lumpesinato evangélico com a banda podre da polícia. Hoje esses dois exemplos do que o Rio de Janeiro produziu de pior tiveram momentos de glória graças à caneta malsã da nossa governadora diminutiva.
Primeiro ela exonerou o secretário de Direitos Humanos, João Luiz Duboc Pinaud, que havia denunciado e investigava a morte sob tortura de um comerciante num presídio. Deu com isso um inequívoco sinal verde à facção da polícia que considera moer um preso de pancada a forma mais eficiente de investigação.
Depois, vetou a lei (aprovada por 52 votos a 2 na Alerj) que institui o ensino religioso ecumênico nas escolas públicas. Pela lei, professores laicos falarão sobre ética religiosa, história comparada das religiões etc. Mas nossa “juíza Moore” dos pobres quer ensino confessional, catecismo em sala de aula, sob tutela das igrejas e às custas do dinheiro público. E ainda prometeu recorrer da liminar que cancelou o concurso para catequista, quer dizer, professor de religião. Qualquer semelhança com as escolas do regime Talibã não é mera coincidência. Resta a tênue esperança de que a Alerj derrube o veto e a Justiça mantenha a liminar.
O pior é que ela foi eleita em primeiro turno, o que me deixa profundamente preocupado com o tipo de população que o carioca está se tornando.
quinta-feira, 30 de outubro de 2003
quarta-feira, 29 de outubro de 2003
Tem solução?
Hoje, indo para o trabalho no carro da Cristina, tomei uma fechada criminosa de um taxista – que vai reencarnar na Somália. A navalhada me lembrou uma conversa que tive com outro taxista há alguns dias. Num dado momento ele disse “eu, que sou profissional...” e eu interrompi perguntando como ele se tornara profissional, o que tivera de fazer. Não que eu esteja pensando em mudar de profissão; era curiosidade, mesmo.
Descobri que ele inscreveu-se no INSS, pagou meia dúzia de taxas no sindicato e na Prefeitura e, bingo, tornou-se taxista. Aí eu, espírito de porco como sempre, argumentei que ele não fez nada para se profissionalizar, apenas cumpriu trâmites burocráticos. Em termos de habilitação, não diferia em nada de mim. Depois andei num carro que o motorista não sabia onde ficava a São Clemente. É mais ou menos como jornalista escrever “haveriam erros”. Acontece, mas não deveria acontecer.
O problema é que isso é um fenômeno generalizado. Seja pela crise, pelo desemprego ou pela falência dos meios de capacitação, os serviços estão cada dia piores. Você entra num restaurante, pergunta como é o Filé à Moda da Casa e o garçom responde “é um filé feito à moda da casa” e ainda te olha como se você tivesse obrigação de saber o que passa pela cabeça do cozinheiro. No Bob’s, então, é de doer. Parece que fazem um teste de QI na seleção de balconistas e só contratam quem tira abaixo de 50.
Qual a solução para isso? Não faço a menor idéia. Essas pessoas têm que trabalhar honestamente, claro. Mas a absoluta falta de capacitação já está passando de todos os limites – e no caso dos taxistas, já vira até risco para os outros.
Hoje, indo para o trabalho no carro da Cristina, tomei uma fechada criminosa de um taxista – que vai reencarnar na Somália. A navalhada me lembrou uma conversa que tive com outro taxista há alguns dias. Num dado momento ele disse “eu, que sou profissional...” e eu interrompi perguntando como ele se tornara profissional, o que tivera de fazer. Não que eu esteja pensando em mudar de profissão; era curiosidade, mesmo.
Descobri que ele inscreveu-se no INSS, pagou meia dúzia de taxas no sindicato e na Prefeitura e, bingo, tornou-se taxista. Aí eu, espírito de porco como sempre, argumentei que ele não fez nada para se profissionalizar, apenas cumpriu trâmites burocráticos. Em termos de habilitação, não diferia em nada de mim. Depois andei num carro que o motorista não sabia onde ficava a São Clemente. É mais ou menos como jornalista escrever “haveriam erros”. Acontece, mas não deveria acontecer.
O problema é que isso é um fenômeno generalizado. Seja pela crise, pelo desemprego ou pela falência dos meios de capacitação, os serviços estão cada dia piores. Você entra num restaurante, pergunta como é o Filé à Moda da Casa e o garçom responde “é um filé feito à moda da casa” e ainda te olha como se você tivesse obrigação de saber o que passa pela cabeça do cozinheiro. No Bob’s, então, é de doer. Parece que fazem um teste de QI na seleção de balconistas e só contratam quem tira abaixo de 50.
Qual a solução para isso? Não faço a menor idéia. Essas pessoas têm que trabalhar honestamente, claro. Mas a absoluta falta de capacitação já está passando de todos os limites – e no caso dos taxistas, já vira até risco para os outros.
Dos males o pior
Oi povo. Como muita gente manifestou solidariedade pelo meu infortúnio automobilístico-policial, venho anunciar que o carro apareceu. Infelizmente apareceu sem ar condicionado, som, alto-falantes, estepe, macaco etc. Eu achava que ele ia ser encontrado porque todo mundo que sabia do roubo dizia “agora é torcer para que não encontrem”. Isso porque se o carro sumisse de vez, a seguradora pagaria uma grana que me permitiria comprar um mais baratinho e ainda ficar com um qualquer. Claro que Murphy, pra variar, falou mais alto... Acharam e vou morrer na franquia do seguro.
E atenção aos donos de Palio. Segundo tanto a polícia quanto os caras da oficina, esse carro está sendo roubado loucamente por conta do ar condicionado. Ao que parece, o aparelho se adapta a qualquer veículo.
Oi povo. Como muita gente manifestou solidariedade pelo meu infortúnio automobilístico-policial, venho anunciar que o carro apareceu. Infelizmente apareceu sem ar condicionado, som, alto-falantes, estepe, macaco etc. Eu achava que ele ia ser encontrado porque todo mundo que sabia do roubo dizia “agora é torcer para que não encontrem”. Isso porque se o carro sumisse de vez, a seguradora pagaria uma grana que me permitiria comprar um mais baratinho e ainda ficar com um qualquer. Claro que Murphy, pra variar, falou mais alto... Acharam e vou morrer na franquia do seguro.
E atenção aos donos de Palio. Segundo tanto a polícia quanto os caras da oficina, esse carro está sendo roubado loucamente por conta do ar condicionado. Ao que parece, o aparelho se adapta a qualquer veículo.
terça-feira, 21 de outubro de 2003
quarta-feira, 15 de outubro de 2003
sexta-feira, 10 de outubro de 2003
Queria ter dito essa
Maravilhosa frase do colunista Bob Herbert hoje no New York Times:
“Vender uma guerra desencaminhada é como vender cigarros. Você não pode falar a trágica verdade sobre seu produto.”
Maravilhosa frase do colunista Bob Herbert hoje no New York Times:
“Vender uma guerra desencaminhada é como vender cigarros. Você não pode falar a trágica verdade sobre seu produto.”
quinta-feira, 9 de outubro de 2003
No peito e na raça
Bem legal a matéria no site da BBC sobre a campanha para incentivar a amamentação no Brasil, exibida com destaque na página da emissora. O correspondente Steve Kingstone só carregou nas tintas ao apresentar Luiza Tomé, musa lactante da campanha, como uma das mais conhecidas atrizes do país.
Ela é linda (ainda mais turbinada pela amamentação), mas alguém aí se lembra de seu último papel de destaque? Vai ver Mr. Kingstone se deixou exaltar pela opulência de Luiza. Totalmente justificável.
Bem legal a matéria no site da BBC sobre a campanha para incentivar a amamentação no Brasil, exibida com destaque na página da emissora. O correspondente Steve Kingstone só carregou nas tintas ao apresentar Luiza Tomé, musa lactante da campanha, como uma das mais conhecidas atrizes do país.
Ela é linda (ainda mais turbinada pela amamentação), mas alguém aí se lembra de seu último papel de destaque? Vai ver Mr. Kingstone se deixou exaltar pela opulência de Luiza. Totalmente justificável.
Conserto caro
O gaúcho tinha um Opala "jóia", daqueles antigos, motor 4.100, "inteiraço". Tinha um ciúme doentio do carro. Um dia alguém bateu na porta do Opala e amassou. O gaúcho ficou tão puto da vida que encostou o carro na garagem e disse que não ia mais sair com ele.
Alguns meses depois, o gaúcho, louco de saudade do carrão, querendo dar uma volta, senta ao volante, põe a chave na partida e nada. A bateria havia descarregado. Depois de várias tentativas, desiste e chama o mecânico. Este chega, dá uma olhada, tenta ligar e diz:
- É fácil de consertar, e só fazer uma chupeta.
E o gaúcho:
- Se eu der a bunda, você arruma a porta também?
Essa quem mandou foi o Flávio Falcão, como parte de sua relação complicada com Yuri Totti...
O gaúcho tinha um Opala "jóia", daqueles antigos, motor 4.100, "inteiraço". Tinha um ciúme doentio do carro. Um dia alguém bateu na porta do Opala e amassou. O gaúcho ficou tão puto da vida que encostou o carro na garagem e disse que não ia mais sair com ele.
Alguns meses depois, o gaúcho, louco de saudade do carrão, querendo dar uma volta, senta ao volante, põe a chave na partida e nada. A bateria havia descarregado. Depois de várias tentativas, desiste e chama o mecânico. Este chega, dá uma olhada, tenta ligar e diz:
- É fácil de consertar, e só fazer uma chupeta.
E o gaúcho:
- Se eu der a bunda, você arruma a porta também?
Essa quem mandou foi o Flávio Falcão, como parte de sua relação complicada com Yuri Totti...
domingo, 5 de outubro de 2003
A força da genética
Minha afilhada Beatriz ainda nem fez dois anos e já mostra que o DNA da família está firmemente instalado. As primeiras suspeitas começaram quando minha irmã passou a fazer a vitamina de costas para ela, do contrário Beatriz queria comer as frutas antes que elas fossem para o liquidificador.
Esta semana veio a confirmação: A família almoçava num La Mole da vida, e ela estava instalada na obrigatória cadeirinha de bebê. O garçom começou a servir pelo lado da mesa onde ela estava, mas pulou-a, já que minha irmã ia servir e partir a comida da filha. Beatriz ficou agoniada ao ver o garçom ignorá-la, e, quando ele passou para o outro lado da mesa, não agüentou e reclamou (na sua linguagem, claro):
- Titio... neném, neném.
Essa vai longe.
Minha afilhada Beatriz ainda nem fez dois anos e já mostra que o DNA da família está firmemente instalado. As primeiras suspeitas começaram quando minha irmã passou a fazer a vitamina de costas para ela, do contrário Beatriz queria comer as frutas antes que elas fossem para o liquidificador.
Esta semana veio a confirmação: A família almoçava num La Mole da vida, e ela estava instalada na obrigatória cadeirinha de bebê. O garçom começou a servir pelo lado da mesa onde ela estava, mas pulou-a, já que minha irmã ia servir e partir a comida da filha. Beatriz ficou agoniada ao ver o garçom ignorá-la, e, quando ele passou para o outro lado da mesa, não agüentou e reclamou (na sua linguagem, claro):
- Titio... neném, neném.
Essa vai longe.
quinta-feira, 2 de outubro de 2003
Dá pra não renegar?
Depois alguns conhecidos estranham eu ter renegado o voto para presidente que dei no ano passado.
O Globo On Line diz que o presidente Lula (que eu ajudei a eleger num momento de insensatez) não vai demitir a ministra (do que mesmo?) Benedita da Silva por ter usado recursos públicos para ir a um evento privado – um encontro de gado em Buenos Aires.
Depois que a patuscada, aliás, o crime de improbidade administrativa ficou público, a equipe de Benedita inventou apressadamente um encontro com sua contraparte Argentina para tentar dar algum ar oficial à garfada no erário. Não convenceu ninguém.
O curioso é que o noticiário matinal dizia que Lula estava tiririca e queria que ela devolvesse o dinheiro usado indevidamente. Em conversa com governadores, aliás, José Dirceu disse que o ideal era a ministra entregasse, junto com a grana, sua carta de demissão.
Aparentemente no decorrer do dia a coisa mudou. Lula deve ter se tocado que respeito ao dinheiro público era só mais uma das promessas de campanha e dos compromissos históricos do partido que não precisaria honrar depois de eleito.
Lula chegou a dizer que alguém com um histórico como o de Benedita não cometeria um erro desses. Ele só pode estar nos gozando, não? Quando vereadora, a hoje ministra nomeou a família para cargos de confiança – incluindo um filho que tinha escolaridade apenas para ser contínuo. Depois quando esse filho usou um diploma falso para entrar num trem da alegria, disse que não tinha nada a ver com isso. Já senadora, gastou uma fábula de dinheiro público para enfiar no apartamento funcional uma jacuzzi – se não me engano, teve que devolver o dinheiro. Nada contra ela ter uma jacuzzi. Eu também queria. Mas que tirasse do seu bolso, não do meu.
Desde que foi nomeada ministra (como prêmio de consolação pela sova de levou do casal diminutivo que ora assombra o estado do Rio) ela vinha se mostrando num verdadeiro seio masculino - aquele troço que não é útil nem ornamental. Se tivesse ficado nisso, já seria lucro.
Enquanto isso, o partido vai expulsar Heloísa Helena por honrar sua história política.
Depois alguns conhecidos estranham eu ter renegado o voto para presidente que dei no ano passado.
O Globo On Line diz que o presidente Lula (que eu ajudei a eleger num momento de insensatez) não vai demitir a ministra (do que mesmo?) Benedita da Silva por ter usado recursos públicos para ir a um evento privado – um encontro de gado em Buenos Aires.
Depois que a patuscada, aliás, o crime de improbidade administrativa ficou público, a equipe de Benedita inventou apressadamente um encontro com sua contraparte Argentina para tentar dar algum ar oficial à garfada no erário. Não convenceu ninguém.
O curioso é que o noticiário matinal dizia que Lula estava tiririca e queria que ela devolvesse o dinheiro usado indevidamente. Em conversa com governadores, aliás, José Dirceu disse que o ideal era a ministra entregasse, junto com a grana, sua carta de demissão.
Aparentemente no decorrer do dia a coisa mudou. Lula deve ter se tocado que respeito ao dinheiro público era só mais uma das promessas de campanha e dos compromissos históricos do partido que não precisaria honrar depois de eleito.
Lula chegou a dizer que alguém com um histórico como o de Benedita não cometeria um erro desses. Ele só pode estar nos gozando, não? Quando vereadora, a hoje ministra nomeou a família para cargos de confiança – incluindo um filho que tinha escolaridade apenas para ser contínuo. Depois quando esse filho usou um diploma falso para entrar num trem da alegria, disse que não tinha nada a ver com isso. Já senadora, gastou uma fábula de dinheiro público para enfiar no apartamento funcional uma jacuzzi – se não me engano, teve que devolver o dinheiro. Nada contra ela ter uma jacuzzi. Eu também queria. Mas que tirasse do seu bolso, não do meu.
Desde que foi nomeada ministra (como prêmio de consolação pela sova de levou do casal diminutivo que ora assombra o estado do Rio) ela vinha se mostrando num verdadeiro seio masculino - aquele troço que não é útil nem ornamental. Se tivesse ficado nisso, já seria lucro.
Enquanto isso, o partido vai expulsar Heloísa Helena por honrar sua história política.
terça-feira, 30 de setembro de 2003
Melhor não saber
O pai pergunta ao filho de 12 anos se ele sabe como são feitos os bebês e ele, aos prantos, responde:
- Não quero saber! Prometa que não vai me contar.
E o pai, espantado, pergunta por que o filho não quer saber e ele, ainda aos prantos, responde:
- Quando eu tinha 6 anos me contaram que não havia coelho da Páscoa, aos 7 descobri que não havia Fada Madrinha e aos 8 me contaram que o Papai Noel é você ! Se eu descobrir que os adultos não trepam, não tenho mais razão para viver!
Essa quem me mandou foi a Gwynn
O pai pergunta ao filho de 12 anos se ele sabe como são feitos os bebês e ele, aos prantos, responde:
- Não quero saber! Prometa que não vai me contar.
E o pai, espantado, pergunta por que o filho não quer saber e ele, ainda aos prantos, responde:
- Quando eu tinha 6 anos me contaram que não havia coelho da Páscoa, aos 7 descobri que não havia Fada Madrinha e aos 8 me contaram que o Papai Noel é você ! Se eu descobrir que os adultos não trepam, não tenho mais razão para viver!
Essa quem me mandou foi a Gwynn
domingo, 28 de setembro de 2003
Boa pancada
Recomendo muito a leitura desse artigo do mestre Marcos Sá Corrêa sobre a viagem da ministra Benedita para um encontro pecuário na Argentina às custas do Tesouro e sobre a liberação da soja transgênica - mais dois lindos momentos desse governo infame que eu ajudei a eleger num momento de desatino que, juro, nunca mais vai se repetir.
Recomendo muito a leitura desse artigo do mestre Marcos Sá Corrêa sobre a viagem da ministra Benedita para um encontro pecuário na Argentina às custas do Tesouro e sobre a liberação da soja transgênica - mais dois lindos momentos desse governo infame que eu ajudei a eleger num momento de desatino que, juro, nunca mais vai se repetir.
terça-feira, 23 de setembro de 2003
Questão de gosto
Diz a imprensa italiana que o Vaticano vai editar uma diretiva coibindo o que classifica como “abusos litúrgicos”. Além de danças, aplausos e textos laicos na missa, o documento recomenda evitar o uso de meninas em vez de meninos como coroinhas.
A justificativa é que a função é um posto potencial para o desenvolvimento da vocação sacerdotal – e a igreja católica veta o sacerdócio a mulheres. Logo, quanto mais meninas forem coroinhas, menos meninos o serão e menor será o número de futuros padres.
Ok, faz sentido. Mas, diante dos recentes escândalos de pedofilia (na maioria envolvendo vítimas do sexo masculino), dá para desconfiar que os padres querem mesmo é ter mais menininhos por perto.
Depois os comunistas é que comiam criancinha...
Diz a imprensa italiana que o Vaticano vai editar uma diretiva coibindo o que classifica como “abusos litúrgicos”. Além de danças, aplausos e textos laicos na missa, o documento recomenda evitar o uso de meninas em vez de meninos como coroinhas.
A justificativa é que a função é um posto potencial para o desenvolvimento da vocação sacerdotal – e a igreja católica veta o sacerdócio a mulheres. Logo, quanto mais meninas forem coroinhas, menos meninos o serão e menor será o número de futuros padres.
Ok, faz sentido. Mas, diante dos recentes escândalos de pedofilia (na maioria envolvendo vítimas do sexo masculino), dá para desconfiar que os padres querem mesmo é ter mais menininhos por perto.
Depois os comunistas é que comiam criancinha...
domingo, 14 de setembro de 2003
Diálogos X-Crotos XIX
No Cefet, havia apenas dois negros em nossa turma, um deles meu querido irmão Cócis. Quando estávamos no terceiro ano, a professora de Geografia, Sônia (também negra), quis puxar um papo engajado com meu amigo por conta do nome dele:
– Cócis? Que nome diferente. É africano?
– Não, é húngaro.
Ela ficou emputecida e queria mandá-lo para a coordenação de disciplina. Foi um custo convencê-la que era verdade, que o nome era homenagem ao jogador Kocsis, da seleção húngara de 1954.
No Cefet, havia apenas dois negros em nossa turma, um deles meu querido irmão Cócis. Quando estávamos no terceiro ano, a professora de Geografia, Sônia (também negra), quis puxar um papo engajado com meu amigo por conta do nome dele:
– Cócis? Que nome diferente. É africano?
– Não, é húngaro.
Ela ficou emputecida e queria mandá-lo para a coordenação de disciplina. Foi um custo convencê-la que era verdade, que o nome era homenagem ao jogador Kocsis, da seleção húngara de 1954.
sexta-feira, 12 de setembro de 2003
Gentileza quase fatal
Hoje de manhã eu estava me vestindo quando o telefone tocou. Atendi e uma voz feminina mandou um “Senhor, Leonardo?”. Fiquei cabreiro, telefonema matutino me chamando de “senhor” não podia ser boa coisa.
– Sim – disse eu, quase num gemido.
– Aqui é fulana, sua gerente no Banco Real.
Aí que eu gelei mesmo. Minha conta não está no vermelho (ainda) e não estou devendo nada ao banco. Mas mesmo assim, fiquei repassando mentalmente todos os cheques emitidos desde 1996, imaginando que alguém tivesse limpado a conta ou comprado um iate no meu nome... Essas paranóias de praxe.
– Pois não – emendei, já num fiapo de voz.
– Estou lhe telefonando para desejar um feliz aniversário e mais uma vez me colocar à disposição.
Eu agradeci a gentileza, mas fiquei pensando: numa dessas, uma pessoa com as coronárias menos em dia acaba fazendo check out. Da próxima vez vou pedir para ela cantar “Parabéns pra você” antes de se identificar.
Ah, sim. Estou completando hoje 37 invernos assombrando este plano da existência.
Hoje de manhã eu estava me vestindo quando o telefone tocou. Atendi e uma voz feminina mandou um “Senhor, Leonardo?”. Fiquei cabreiro, telefonema matutino me chamando de “senhor” não podia ser boa coisa.
– Sim – disse eu, quase num gemido.
– Aqui é fulana, sua gerente no Banco Real.
Aí que eu gelei mesmo. Minha conta não está no vermelho (ainda) e não estou devendo nada ao banco. Mas mesmo assim, fiquei repassando mentalmente todos os cheques emitidos desde 1996, imaginando que alguém tivesse limpado a conta ou comprado um iate no meu nome... Essas paranóias de praxe.
– Pois não – emendei, já num fiapo de voz.
– Estou lhe telefonando para desejar um feliz aniversário e mais uma vez me colocar à disposição.
Eu agradeci a gentileza, mas fiquei pensando: numa dessas, uma pessoa com as coronárias menos em dia acaba fazendo check out. Da próxima vez vou pedir para ela cantar “Parabéns pra você” antes de se identificar.
Ah, sim. Estou completando hoje 37 invernos assombrando este plano da existência.