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quinta-feira, 28 de abril de 2005

Geopolítica anal

Geopolítica anal

Um árabe decide ir a uma suruba. Transa com várias mulheres de todas as maneiras. No troca-troca, se misturam alguns homens e acaba enrabado.

No dia seguinte começa a ter agudos e constantes remorsos do bacanal e vai até a mesquita para confessar-se com o Iman e assim obter o perdão. Começa a explicar sua noite devassa: "Tomei álcool, fiz sexo com outras mulheres que não as minhas e ao final fui enrabado." O Iman diz que é extremamente grave e que se quer ser perdoado deve voltar no dia seguinte com US$ 15.000,00 para a mesquita.

O árabe sai, feliz por ter achado a solução, mas incomodado com o monte de grana que terá que doar.

Em seu caminho passa por uma Igreja Católica. Reflete que apesar de não ser sua religião, talvez possa obter uma absolvição mais em conta...

Entra e fala com o padre: "Tomei bebidas, fiz sexo com várias mulheres a fui enrabado por um cara." O padre diz que não se preocupe; mesmo não sendo católico pode ajudar a paróquia e se quiser o perdão de Deus, deve voltar com US$ 8.500,00.

O árabe sai mais aliviado por ter conseguido um desconto no preço do pecado...

Caminha um pouco mais, passa na frente de uma Sinagoga e, claro, fica tentado em ver se pode conseguir um pouco mais barato. Por que não?

Entra, procura o rabino e conta-lhe que se bem que não seja judeu, ali está na sinagoga porque teve uma noite de orgia, bebeu muito, transou com várias mulheres, acabou enrabado e agora tem remorsos. O rabino o escuta atentamente e lhe diz que, para obter o perdão, que volte no dia seguinte com refrigerantes, biscoitos, bolos, doces e outras guloseimas e que tudo tem de ser, obviamente, kosher.

O árabe se surpreende, alegra-se por cumprir sua penitência por tão pouco e então pergunta ao rabino:

- É tudo que tenho que fazer? Porque o Iman pediu US$15.000,00, o padre
católico pediu US$8500,00? O senhor tem certeza de que o que está me pedindo é tudo?

O rabino responde:

- Absolutamente certo! É assim entre nós: cada vez que enrabam um árabe, nós comemoramos com uma festinha.

Cortesia do meu irmão Cócis

segunda-feira, 25 de abril de 2005

Depois reclamam quando a gente sacaneia

Depois reclamam quando a gente sacaneia

Ao ler esta matéria no domingo, no Globo, fiquei pensando nos estragos que a falta de um pouquinho de sexo faz ao cérebro humano. É bem verdade que se esses rapazes gostassem de sexo (com mulheres, por supuesto) teriam mais o que fazer em vez de ir a churrascaria comemorar eleição de Papa...

quarta-feira, 20 de abril de 2005

Descobriram a pólvora...

Descobriram a pólvora...

Diz a Folha que o Papa Bento XVI escolheu os jovens como alvo. Grandes coisas, os padres, especialmente os da arquidiocese de Boston, fizeram isso há um tempão.

terça-feira, 19 de abril de 2005

E eu, cara-pálida?

E eu, cara-pálida?

Lula pediu perdão aos negros pelo horror da escravidão e depois pediu perdão aos índios pelo genocídio. Que tal pedir perdão a mim por ter me embromado em 2002?

É o homem!

É o homem!

Descobri quem odeia a igreja católica mais do que eu: os cardeais do conclave.

Começa o pontificado de Bento XVI, até esta manhã conhecido como cardeal Josef Ratzinger. Tão conservador que, se Gengis Kahn foss um cardeal, Ratzinger estaria à direita. É contra qualquer reforma que modernize o catolicismo, contra o uso de preservativos no combate à Aids (mesmo que isso implique um genocídio na África), contra a ordenação de mulheres, contra o fim do celibato, contra o engajamento político (à esquerda, claro) do clero etc.

Para melhorar, Ratzinger vem da Alemanha, país de maioria protestante. A cúpula da igreja de seu país não gosta dele. Como todos os alemães de sua geração, teve de participar da juventude hitlerista - era criança e não tinha responsabilidade por isso, claro, mas não é uma lembrança agradável para franceses, holandeses, ingleses etc. Foi o responsável por um documento assinado por João Paulo II afirmando que o cristianismo era a única religião e que a igreja católica era verdadeira representante de Jesus. É esse sujeito que vai ter de dialogar com as demais denomiações cristãs e lidar com o mundo árabe.

Há uns 500 anos, a eleição de um sujeito com esse perfil representaria uma ameaça à civilização. Hoje, fora o potencial estrago na África, representa uma ameaça à própria igreja católica. Que seu reinado seja longo.

quinta-feira, 14 de abril de 2005

Infatilização é isso aí

Infatilização é isso aí

Enquanto os cardeais se preparam para o conclave que pode consagrar Josef Ratzinger como novo Papa (uhu!), andei pensando um pouco sobre a nota anterior, especialmente sobre a opinião de Leonardo Boff. Lembrei-me de um causo contado pelo historiador francês Serge Gruzinski, um dos maiores especialistas em história mexicana em todo o mundo, quando o entrevistei para o número 13 de Nossa História.

Conta ele que, no fim dos anos 90, com o avanço das seitas evangélicas no México - e de suas redes de TV -, firmou-se uma sólida parceria entre a Igreja Católica e a Televisa para um acontecimento que novamente impulsionaria o catolicismo no país: a canonização de Jan Diego, o índio humilde que teve a visão da Virgem de Guadalupe em 1531.

Aqui é necessário um parêntese. A Televisa, para quem não sabe, é o maior império de comunicação da América Espanhola. Tudo que a turma da teoria conspiratória imagina que a Globo faz por aqui, ela faz de fato em dezenas de países. Ainda que sua abrangência no México seja do gênero da que a Globo tinha nos anos 70 e 80, sua programação popularesca está mais para Record, mesmo.

Pois bem, toda essa máquina de mídia foi posta em movimento para enaltecer a biografia do "índio humilde" e os feitos da Santa Madre no México. Todos os dias os mexicanos eram lembrados que Juan Diego seguia para o catecismo quando, no topo da colina Tepeyac deu de cara com a Virgem Maria, que mandou-o dizer ao bispo para construir ali um santuário para ela. Enquanto isso, o Vaticano corria com a beatificação e a canonização do dito cujo, levada a cabo em 31 de julho de 2002.

Tudo muito bom, tudo muito bem, não fosse pela grita de parte do próprio clero mexicano. O motivo era bem simples e conhecido de qualquer historiador minimamente informado: O "índio humilde" Juan Diego é um personagem fictício. Quando os espanhóis invadiram o México, encontraram no topo da referida colina o concorrido santuário de uma divindade feminina asteca. Seguindo um padrão que fazia sucesso há mais de mil anos, transformaram a deusinha local numa santa (e não numa santa qualquer, mas na própria Virgem de Guadalupe) e construíram-lhe uma igreja sobre o local do santuário. A história de Juan Diego foi inventada pouco depois.

Esses clérigos reclamões - ligados, claro, à dita igreja progressista - achavam um absurdo que o Vaticano enfrentasse a mistificação e as armações dos pastores evangélicos com mais mistificação e armações. Ainda mais em parceria com a Televisa, que não é exatamente uma organização livre de pecado.

O resultado? Foram todos perseguidos e enquadrados. Não podiam lecionar, pregar nem publicar - e o "índio humilde" virou santo com toda a pompa e circunstância. Como disse o ex-frade brasileiro, "um esforço de normatização da fé, de mediocrização das inteligências e uma infantilização dos cristãos".

Mas, cá entre nós, temos que dar um desconto ao Vaticano. Se existência de fato dos personagens e comprovação historiográfica significassem alguma coisa, a Igreja como um todo não existiria.

quarta-feira, 6 de abril de 2005

Habemus candidatum

Habemus candidatum

Algumas pessoas devem estar estranhando eu não ter feito qualquer comentário sobre a morte de João Paulo II. Pois é, apesar de ele ter estragado meu fim de semana (Cristina foi convocada para trabalhar), preferi seguir a máxima do "se não tem nada de bom a dizer do morto, nada diga".

Mas é óbvio que não estou indiferente ao processo de escolha do novo bispo de Roma. Até a manhã de hoje eu torcia ardorosamente pela escolha de um cardeal africano, qualquer um. Mas mudei de candidato ao ler hoje a notável seqüência de sandices disparadas pelo cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, d. Eusébio Oscar Scheid. Espero que os membros do conclave fiquemi cativados pela figura dele e dêem-lhe uma chance de comandar a igreja. D. Eusébio já!

Para quem não leu (clique aqui), o cardeal disparou uma saraivada de ataques grosseiros contra Lula, aparentemente do nada. Disse que ele não é "católico", e sim "caótico", que "não se entende bem com o Espírito Santo". O pano de fundo dos ataques parece ser o fato de Lula, a despeito de ser católico, defender políticas de direitos dos gays, prevenção da Aids por uso de camisinhas, descriminalização do aborto etc. Quase me arrependi de ter me arrependido de votar em Lula - que, aliás, foi eleito para ser presidente de um país laico, e não preposto do Vaticano em Brasília.

Claro que d. Eusébio está jogando para a torcida - apesar desta não ter voto no conclave. Com o gado cada vez mais conservador e, digamos, pouco letrado, esse tipo de discurso agressivo mas sem conteúdo dá o maior Ibope. Lembrei de uma entrevista de Leonardo Boff publicada há alguns dias na qual ele dizia que o pontificado de João Paulo II havia se caracterizado teologicamente por "por um esforço de normatização da fé, de mediocrização das inteligências e uma infantilização dos cristãos". Para um público infantilizado, comentários como os do cardeal são melhores que show de padre cantor.

"Peraí, Leo. Como é que, depois dessa desancada, você diz que torce para que d. Eusébio seja eleito Papa?" E que é que disse que eu desejo um bom futuro para a igreja?

Você já foi a Bosta? Então vá!

Você já foi a Bosta? Então vá!

Ao longo desses anos eu já fui mandando à merda uma infinidade de vezes. Em algumas delas, aliás, eu fui.

Só que hoje foi a minha própria esposa, mãe da minha única herdeira, a querer que eu fosse a Bosta. Sabe o que é pior? Deu mesmo a maior vontade de ir.

Bosta, para quem não sabe (e eu não sabia) é uma localidade microscópica na Escócia, mais precisamente na ilha de Grande Bernera. Para um pagão que ama História e Arqueologia, é tudo de bom. Além da paisagem belíssima do litoral escocês, Bosta tem um verdadeiro tesouro para os visitantes: a reprodução perfeita de uma casa da Idade do Ferro.

Bosta tinha uma aldeia, datada provavelmente do século VI E.A., que foi inteiramente coberta pelas areias da praia e assim permaneceu até 1996, quando uma tempestade particularmente violenta expôs as ruínas. A casa foi construída seguindo os padrões desses restos.

Para saber mais sobre as maravilhas de Titica, digo, de Bosta, clique aqui.

sexta-feira, 1 de abril de 2005

Politicamente incorretíssima

Politicamente incorretíssima

Só faz sentido em inglês

Michael Schiavo goes out for dinner after a day at his wife's bedside and orders a steak.

"Very good sir", says the waiter, "and for the vegetable?"

"Oh", replies Michael, "she's not hungry."

Contribuição da minha querida Ângela Fatorelli

quinta-feira, 31 de março de 2005

Para os anais

Para os anais

Esse me chegou por e-mail, enviada pela Cristina (a.k.a. Digníssima):

Salvador - Reflexões sobre as agruras do exame de próstata, ocuparam grande parte do tempo da sessão de ontem da Assembléia Legislativa da Bahia. Tudo porque o deputado Manoel Isidório de Santana de 43 anos, o Sargento Isidório do PT, usando o tempo cedido pela liderança da oposição na Casa, fez um áspero discurso contra o referido exame, ao qual havia se submetido pela primeira vez na parte da manhã e conforme suas palavras ainda estava "vendo estrelas" por uma suposta violência do médico.

O exame é o mais recomendado para se prevenir o câncer de próstata e consiste no toque da glândula com o dedo através do ânus. Classificando o exame de "angustiante", e exortando a Medicina a criar outro método que não "penalize" tanto os pacientes, Sargento Isidório se inflamou na tribuna e fazia questão de mostrar com gestos exagerados e gritos, como o doutor foi rude.

Embora afirmasse não querer se estender muito no assunto, por considerar "desmoralizante para um pai de família", o deputado petista foi descrevendo detalhes, enquanto seus colegas se divertiam no plenário. Entre outras coisas, reclamou do fato de ser enganado sobre a forma como o exame de toque é feito e repetiu que "foi horrível" e quase desmaia.

Ele gastou cerca de 25 minutos como tema que provavelmente seria encerrado se o deputado e médico Targino Machado (PMDB) não tivesse pedido um aparte para criticar o discurso apologético de Sargento Isidório contra o exame. Foi o suficiente para o petista voltar à carga repetindo toda à sua "desagradável" experiência. Uma das coisas que deixou o Sargento Isidório mais indignado é que após o exame, o médico abriu a porta e chamou o próximo paciente "como se nada tivesse acontecido", enquanto o petista saiu do consultório sentindo-se "deflorado".


Na certa o nobre deputado esperava que o médico o levasse para jantar, mandasse flores e telefonasse no dia seguinte...

sábado, 26 de março de 2005

Telecine Anta

Telecine Anta

Sugestão para os marketeiros da Globosat: O Telecine primeiro criou um canal com filmes dublados (em geral mal dublados) e agora passou, no canal principal, a incluir legendas na chamada "esrita da Internet". Por que não juntam tudo num único canal, o "Telecine Analfabeto"? Ia nos ajudar muito na hora de excluir da programação.

terça-feira, 15 de março de 2005

Chefia cinematográfica

Povo, recebi hoje um artigo delicioso sobre relações de trabalho. Leiam e digam se seus chefes se enquadram. Se quiserem ler o original em inglês, cliquem aqui.

Qual o seu "chefe de cinema"?

Por Laura Morsch, do CareerBuilder.com

Nós vamos ao cinema para entretenimento e para uma fuga temporária da realidade. Às vezes, porém, os personagens e situações na tela parecerem estranhamente familiares.

Talvez seja porque muitas vezes nós mesmos nos consideremos merecedores de um Oscar. De acordo com uma pesquisa recente do CareerBuilder.com, 26% dos trabalhadores se sentem como se estivessem "atuando" no ambiente de trabalho. Não é à toa que "Como enlouquecer seu chefe" e "Um morto muito louco" se tornaram cult.

Às vezes o horário de nove às cinco pode ser bem dramático. O estudo do CareerBuilder.com com 1.333 trabalhadores descobriu que 36% disseram que, se seu ambiente de trabalho fosse um filme, seria um drama, cheio de altos e baixos e com tramas intrincadas.

Curiosamente, as mulheres consideram seus locais de trabalho mais dramáticos que os homens. Entre elas, 43% caracterizaram seus empregos assim, comparadas a apenas 28% dos homens.

Alguns trabalhadores são capazes de descobrir um lado leve no dia de trabalho. Vinte e sete por cento deles dizem que o filme de seu escritório seria uma comédia, e 19% classificam os seu como filmes de ação cheios de adrenalina.

Sete por cento menos afortunados dizem que seus empregos são como filmes de terror, e cerca de seis por centro chamam os seus de mistério (o caso do grampeador desaparecido, talvez?).

Chefes

Todo astro precisa de um ator coadjuvante. Nesse caso, seu chefe. De todos os chefes do cinema, esses dez são os que os trabalhadores mais associam a seus comandantes:

1. Andrew Shepherd, "Meu querido presidente."
Amigável, popular, mas pode às vezes dificultar as coisas.

2. Obi-Wan Kenobi, "Guerra nas estrelas."
Sábio, leal e sempre pronto a dar conselhos.

3. Bill Lumbergh, "Como enlouquecer seu chefe."
Chefe maléfico que adora atormentar os empregados e fazê-los trabalhar nos fins-de-semana.

4. Treinador Norman Dale, "Momentos decisivos."
Usa táticas pouco convencionais para motivar ao sucesso.

5. Franklin Hart, "Como eliminar seu chefe."
Machista, egoísta, mentiroso, hipócrita e preconceituoso.

6. Katherine Parker, "Uma secretária de futuro."
Chefe que apunhala pelas costas e rouba suas idéias para apresentá-las como dele.

7. Bernie Lomax, "Um morto muito louco."
Um pilantra que quer se ver livre de você.

8. Dr. Evil, "Austin Powers"
Tem duas obsessões: ele mesmo e a total dominação do mundo.

9. Cruella De Vil, "101 Dálmatas"
Rica, poderosa e tão má que mataria filhotinhos.

10. Gordon Gekko, "Wall Street"
Workaholic sem amigos ou vida social e que espera o mesmo de você.

Se você tem um chefe como estes últimos, não está sozinho. Trinta e sete por cento dos trabalhadores planejam agraciar-se com um novo emprego antes da entrega do Oscar 2006!

segunda-feira, 14 de março de 2005

De anencefalia e tetas em peixes

De anencefalia e tetas em peixes

Quando eu estava na faculdade (idade do layout lascado), tinha uma amiga judia que, por influência do irmão e da avó, adotou cada vez mais uma postura ortodoxa, incluindo as restrições alimentares. Um dia fomos ao McDonald's do Rio Sul e ela pediu um filé de peixe sem queijo, explicando-me que os judeus não podem misturar carnes e laticínios.

Curioso, fui pesquisar a origem dessa restrição ? muito antes de a Internet facilitar as pesquisas em geral. Depois de escavar Gênese e Levítico, fui achar a resposta em Êxodo 23:19: "não cozerás o cabrito no leite de sua mãe". Confesso que isso só me encucou mais. Se a lógica da restrição é essa, não haveria problemas em comer peixe com queijo ou leite. Afinal, as mães do bacalhau, da tainha e de todos os parentes destes não têm tetas e não produzem leite. Levei a dúvida a minha amiga, que respondeu um lacônico "a tradição manda não misturar, eu não misturo".

Lembro-me desse episódio e do apego de minha amiga ao dogma em detrimento da lógica que o inspirou quando vejo a campanha dos católicos para impedir o aborto de fetos com anencefalia. A idéia aqui não é discutir o direito ou não ao aborto como um princípio geral, ou a tentativa permanente dos cristãos de impor seus princípios ao resto da sociedade. Vamos ficar nesse caso específico.

Para quem não sabe, anencefalia é uma doença em que o feto não desenvolve abóbada craniana e cérebro. É 100% fatal. Tão logo se vê privado do sustento que o corpo da mãe fornece, a criança morre. É como um paciente sem atividade cerebral mantido vivo artificialmente por aparelhos. Está clinicamente morto. O caso do bebê é até mais grave, pois um milagre pode devolver a atividade ao cérebro do paciente, mas não criar um cérebro para o natimorto.

Entretanto, a Igreja combate o aborto desses fetos sob a alegação do direito à vida. A pergunta é: Que vida? No caso de um feto saudável, ele não tem condições de sustentar a própria vida, mas tem um potencial, é verdade. Mesmo portadores de problemas genéticos, como a Síndrome de Down, podem sobreviver e levar uma vida dentro de suas limitações. No caso da anencefalia, porém, não existe potencial de vida.

Quando a Igreja tenta impedir que uma mulher aborte um feto gerado por estupro ou portador de alguma deformidade, sempre pode argumentar que está defendendo o direito daquele feto à vida. Concorde-se ou não, é um argumento. Se não for abortado, aquele feto nascerá e vivera a vida que lhe couber. Agora, usar o mesmo raciocínio para obrigar uma mulher a carregar por nove meses um ser que já vai nascer clinicamente morto é um dogmatismo tão inconcebível quanto procurar tetas num salmão.

domingo, 13 de março de 2005

Jornalzinho depressivo...

Jornalzinho depressivo...

A Câmara dos Deputados é controlada por políticos oriundos das regiões com menos eleitores e menor participação no PIB. A ponto de, matematicamente falando, somente um em cada dez eleitores estar representado na mesa diretora.

A Prefeitura do Rio, sendo verdade o que diz o Ministério da Saúde, aplicou no mercado financeiro R$ 30 milhões dos recursos da saúde, enquanto os hospitais públicos entravam em estado de calamidade.

Quinze anos depois, os principais artífices do Plano Collor continuam por aí prestando consultoria. Conseguiram encolher em mais de 5% a economia brasileira e ainda cobram para dar palpite.

Completam-se em 2005 trinta anos do estupro que a ditadura cometeu contra a cidade do Rio de Janeiro, então estado da Guanabara, fundindo-a ao Estado do Rio. Diminuiu-se a bancada oposicionista no Congresso, ao mesmo tempo em que a divisão do Mato Grosso inchava a representação dos grotões (ver primeiro parágrafo), planejou-se um processo de industrialização que não saiu do papel, confiscou-se da cidade parte considerável do seu patrimônio (o estádio de futebol e o teatro municipais, por exemplo, viraram estaduais) etc.

Esse rosário de desgraças está todo no Globo de hoje. Há um bom tempo eu não via a edição de domingo do jornal tão boa e tão depressiva.

sexta-feira, 11 de março de 2005

Reminiscências

Reminiscências

Lá por volta de 1985, a redação da Roll tinha uma divisão bem clara. Eu, André Machado e Carlos Brito éramos a turma do rock pesado e/ou sessentista e setentista (os discos do U2 na minha coleção eram a exceção que confirmava a regra), enquanto Marcos "Kiko" Pedrosa e Luís Carlos Mansur eram a turma do pós-punk (Smiths, The Cure e quejandos). Éramos todos amigos, mas passávamos o dia trocando ofensas. Enquanto nós ouvíamos "dinossauros pretensiosos que, depois de 15 minutos de solo, não lembravam mais que música estavam tocando", eles gostavam de caras para quem rock se fazia com "pose entediada, assessoria de imprensa e KY". Eram tempos divertidos...

Mas houve uma memorável.

Periodicamente os mudérnos "redescobriam" algo que nós ouvíamos em bases diárias. Certa feita, concluíram que os ídolos deles eram influenciados por The Doors e danaram a exumar Jim Morrison. O Museu da Imagem e do Som (na saudosa gestão de Ana Maria Bahiana) exibiu a gravação de um show do grupo. Kiko e Mansur voltaram em (justificado) estado de graça, soltando frases como "Morrison é gênio!" pelos quatro cantos.

Havia na redação um rádio velho que ficava, por consenso, sintonizado o dia todo na Fluminense. Na mesma semana do vídeo dos Doors, tocou na rádio uma música dos Beatles. Notamos que o Mansur não conseguiu disfarçar um olhar de nostalgia. Eu e Carlos pensamos a mesma coisa, mas ele foi mais rápido:

- Cê gosta de Beatles, Mansur?

- Já tive minha época de beatlemaníaco...

- Engraçado. Cê gostava de Beatles, hoje gosta de Doors... Na verdade, tá vivendo o rock'n'roll com vinte anos de atraso. Daqui a uns quatro anos vai estar ouvindo progressivo ou heavy metal.

Foi a única vez que eu vi o Mansur ficar puto com uma sacanagem do gênero.

Mas era verdade

Mas era verdade

Cinco anos depois dos fatos descritos no post acima, eu (então na editoria Rio do Globo) e Mansur (na sucursal da Folha) nos encontramos na cobertura de um mega assalto a prédio em Copacabana. Enquanto a PM negociava a vida dos reféns, nós batíamos papo na calçada da Rainha Elizabeth, quando o assunto rock surgiu. Mansur soltou a seguinte:

- Poxa, eu ouvi ontem o disco novo do Metallica (...And justice for all). É muito bom!

Quem estava em volta não entendeu nada quando eu me apoiei num poste para não cair no chão de tanto rir...

terça-feira, 8 de março de 2005

Homenagem ao 8 de março

Homenagem ao 8 de março

Duas louras conversavam quando uma virou para a outra e perguntou:

- O que fica mais perto, Londres ou a Lua?

- Alôo! A Lua, claro! Cê consegue ver Londres daqui?

segunda-feira, 7 de março de 2005

Enquete

Enquete

Galera, vamos realizar hoje a primeira enquete do Espírito de Porco.

Cristina me ligou há pouco para avisar que vai chegar em casa com um buquê de rosas (presumo vermelhas). Diz ela que Ana Cristina Reis, a querida colunista do Ela, recebeu o dito buquê e o esqueceu na redação - ou as rosas chegaram depois de ela ter saído, sei lá - e ligou para pedir que um dos valorosos contínuos do Globo pusesse as flores na água. Só que ele não tinha recipiente adequado. Não querendo que as pobrezinhas morressem, ela apelou para as amigas, encontrando na Cristina, samaritana de primeira hora, a ajuda necessária.

Aí o Espírito de Porco pergunta. Este que vos digita está levando:

a) uma bola nas costas;
b) uma volta;
c) um capacete de viking ou
d) TRA.

Por dúvida das vias, muuuuu!

Babaquice tem cura?

Babaquice tem cura?

Já vi muita gente idiota, mas nada que se compare ao mané dessa seqüência de fotos que Cristina me mandou.









Só dando muita porrada, não?

domingo, 6 de março de 2005

Boom da soja

Boom da soja

Minha querida Cláudia Azevedo mandou-me (e para meia torcida do Flamengo) um texto que alerta para os riscos do consumo de soja. Não deixa de ser uma certa ironia, pois Cláudia já teve uma fase tão natureba, mas tão natureba, que, se fosse homem e levasse uma mulher para trás da moita, possivelmente comeria a moita.

De qualquer forma, o texto confirmou minhas suspeitas contra a dita alimentação natural. Desde quando "carne de soja" é natural? Só se "raiz de lombinho" e "folha de picanha" virarem "naturais" também. Alguém aqui já viu uma manada de soja? Ou uma sojinha mamando na mãe? Não, né?